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LEONISMOS

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12
Out16

Ao Encontro do Sul, Parte II - Albufeira


Leonardo Rodrigues

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"A conquista do sul tarda, mas finalmente acontece", foi isto que escrevi numa SMS antes de sequer ter entrado no comboio que me iria levar de Sete Rios a Albufeira.  

Deveria ter percebido que não ia conquistar nada, afinal o comboio atrasou-se e, assim que chegou, levei com um presságio na barriga - na forma de caixa gigante da IKEA. Num outro dia teria entendido a mensagem, mas naquela sexta não deixei, não podia. Só pensei que assim que as carruagens deslizassem pelo caminho de ferro a minha vida em Lisboa entraria em modo de pausa. A primeira pausa, em 3 meses, a mais de 25km de Lisboa. Para agravar, melhorando, seria também o meu primeiro fim de semana fora com aquele que me atura quase diariamente. 

Se por um lado a procura anterior pelo sul se fez contra a corrente, esta fez-se de frente, junto das vistas. Respirei de alívio quando me sentei e senti a capital a ficar para trás.

O lugar da janela, confirmado por duas vezes, era meu. A senhora que me acompanhou não queria o sol e eu queria a vista. Não se omite um sem omitir a outra. Tentámos um meio termo desconfortável que sei que não foi do seu agrado. Então, abdiquei do apoio de braço sem abrir a boca, contando que se apercebesse do meu gesto de tréguas.

Depois, e dizem-me que é assim em mais sítios, as pessoas que pedem na CP são mais sofisticadas, distribuem um papel - há tempo para estas coisas, bem sei - , deixam os passageiros ler e depois passam para recolher o papel e o dinheiro, se nos convencerem. Achei interessante, não invade. No metro temos que ouvir todos. Ainda partilhei com a minha companheira de viagem que seria mais útil um exame, que não poderia comprovar o estado clínico de alguém através de uma folha onde se pode escrever qualquer coisa. Claro que me censurou, mas também não contribuiu.

Já tinha deixado algumas notas sobre a minha perceção da viagem para depois escrever um post, mas tive que interromper a escrita porque começámos a conversar, eu e senhora que queria a cortina fechada. Foi extraordinário e três chapadas na cara para mim.

Embora com mais de 20 anos de diferença, tínhamos tanto em comum e partilhávamos ideais semelhantes. Houve também espaço para discutir a atualidade - daquela semana - , do burkini, passando pelo nudismo nas praias portuguesas - intemporal? - , ao EI. Mas, à parte do Amor, a questão que mais nos apoquentou foi: será que os alentejanos estão conscientes da qualidade de vida que têm? Eu nunca estive consciente da que tinha na Madeira.

Os Montes parecem pincelados de castanho, com manchas verdes e brancas e é preciso treinar o olho para enxergar pessoas.

Ao namorar as pequenas aldeias que avistava senti uma grande vontade de partir a janela e atirar-me para lá, de fazer parte daquilo. Não sei onde era. Crianças disseram adeus da rua, talvez seja fascinante verem um comboio de possibilidades, que transporta pessoas oriundas da capital, não sei. 

Uma vez em Albufeira, acho que poderíamos ter aproveitado o fim de semana de outra forma - scones: check; piscina: check; água do mar aquecida por Neptuno: check.

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Caminho até à praia

 

Como não só de coisas boas se faz check, e tendo em consideração que fui avisado pela caixa do IKEA, o impensável aconteceu, tive de o partilhar durante metade do tempo útil do fim de semana com uns amigos do ex que encontrou na praia. Concordei em fazermos praia com eles, depois dei por mim a jantar num restaurante chamado Ricardo's, escolhido por eles. Não me posso esquecer que também saímos à noite. Agradeço ao vinho a coragem.

 

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O restaurante tem o nome do antecessor. Não acredito em coincidências. Mentiria se dissesse que não simpatizei com os moços. Ri-me bastante e esse é um bom indicador, só me queixo do fim de semana idealizado se ter esfumado.

 

Num próximo encontro com o sul expliquei-lhe que vamos para um sítio deserto, onde a única coisa que pode soar familiar seja o som dos pássaros. Depois, se o tempo deixar, também vos deixo entrar a bordo do próximo encontro.

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