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LEONISMOS

LEONISMOS

24
Jan18

Visitar Milão num dia - ideias sobre o que saber, ver e fazer


Leonardo Rodrigues

6772611083_773f3c44f6_b.jpgFoto: "Milan from above" by Suvodeb Banerjee is licensed under the CC BY 2.0

Porque a vida assim decidiu, após muitos anos de espera, finalmente aterrei na terra que tem a forma de uma bota. Com um plano muito ambicioso, a primeira paragem foi Milão, a cidade que nunca esteve na lista. 

No comboio com muito bom ar, e que parte do aeroporto de Malpensa sempre pontual, ficamos com a garantia que não nos aproximamos de uma cidade qualquer. 

Como os turistas devem saber antes de lá chegar, a paragem de metro onde querem sair para começar a visita, graças à sua principal atração, apelida-se de Duomo, com a saída para a Piazza del Duomo. 

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Sei que as opções são variadas, mas acredito que primeiro devem atravessar a Galleria Vittorio Emanule II. 

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Existe, mais ou menos a meio, um touro no chão. Reza, de boca em boca, que devemos pisar os testículos do touro com o calcanhar e rodopiar duas vezes, se quisermos a boa sorte. Mesmo contra estas tradições, não querendo perturbar nenhum deus romano, lá o fizemos - depois dos 3 grupos de turistas chineses antes de nós.  

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Depois de passarem por pizzarias, Prada e companhia, poderão chegar à praça onde a estátua representa ninguém menos do que o Leonardo da Vinci. Claro que foi oportuno fotografar alguém tão ilustre, com quem partilho o nome. 

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À vossa esquerda, estará o majestoso Teatro alla Scala, uma paragem obrigatória. Porque Itália às vezes recebe bem os estrangeiros à primeira visita, conseguimos assistir ao ensaio de uma ópera que ainda não está em exibição. Não é falácia dizer que vimos uma ópera no Scala. Após as 13 horas, o ensaio termina, as luzes acendem-se e passa a ser permitido fotografar. Depois de andarem por entre os vestidos luxuosos de Maria Callas e bustos de vultos da grandiosidade de outros tempos, aproveitem para passar na loja do museu e comprar boa música a preço de feira. Como Callas outrora disse, "La Scala é tutto". Tudo.

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É altura de seguir até à Catedral e, claro, subir o Duomo - se não quiserem pagar extra para ir de elevador - de forma a terem a melhor vista da cidade. Nesta Catedral gótica irão espantar-se com a sua grandiosidade, dos mármores às pinturas, mas há algo que não deixa ninguém indiferente, a escultura de São Bartolomeu, que foi esfolado vivo. 

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Quando se está a conhecer a cidade, a vontade de ficar parado num restaurante é pouca. Se em Istambul podem comprar milho na rua, em Milão podem comprar massa fresca, sandes e pizzas al taglio. Optei pela massa fresca com pesto para o almoço.

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Ainda no tópico de coisas boas para o palato, dizem que os melhores gelados de Milão estão na Gelateria Solferino, uma gelataria passada para os filhos quando o dono chegou aos 80 - foi mais ou menos isso que lêmos na revista da easyJet. Testámos apenas 4 das 200 variedades e confirma-se, pelo menos em Milão não há melhor a 2,5 euros. A escolha mais ousada recai no gelado de rum. 

Antes de darem o dia por encerrado, passem na igreja Basilica San Vittore al Corpo, que é ofuscada pelo Museu da Ciência da tecnologia "Leonardo da Vinci". Se as voluntárias estiverem de bom humor, é possível visitar o túmulo do imperador Teodósio, e o presbitério - área de acesso interdito. Perguntar o porquê de haver pouca luz e mostrarem-se completamente deslumbrados com a igreja - o que não é difícil - pode ajudar. 

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À noite, depois de caminhar na agitação da cidade, se optarem por não ir à ópera, nada melhor do que apanhar um elétrico para fazer uma visita aos canais que ainda restam na cidade. Estão ladeados por restaurantes e bares, uns mais conceptuais do que outros, e é aqui que a noite vive. 

Para quem tiver mais tempo, há uma paragem obrigatória, por guardar uma obra prima de Leonardo Da Vinci. É a Igreja Santa Maria delle Grazie, que guarda A Última Ceia. Mas, como só entram grupos de 15 numa sala que é desumidificada a cada visita, só conseguirão garantir o lugar reservando semanas antes.

Na impossibilidade dessa visita, deixem-se perder nas ruas imponentes da cidade, e deslumbrem-se nas montras do Distrito da Moda, já que pagar o que lá está não é para todos os bolsos. A minha maior extravagância em Milão foi mesmo comprar cadernos na Moleskine, onde existem em todas as cores e feitios. 

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Há sempre alguma coisa para fazer nesta cidade cosmopolita, quer seja ir jantar ao novo sítio da moda, quer seja um concerto ou uma exposição. No Palazzo Reale, que fica quase ao lado da Catedral, visitámos uma exposição única do incompreendido Caravaggio, um misto entre genial e mórbido. Algures no centro existia uma exposição do aclamado fotógrafo Sebastião Salgado. 

As possibilidades onde vão querer estar são quase infinitas. É um mito quando se diz que Milão é aborrecida. Está é uma cidade onde tudo e todos se encontram. 

 

18
Jan18

Como funcionam as companhias aéreas low cost?


Leonardo Rodrigues

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Há quem se pergunte como é que uma companhia aérea low cost tem lucro, especialmente quando uma ida a Milão de avião fica mais barata do que, por exemplo, uma viagem de comboio de Lisboa a Braga. Fui descobrir os meandros das viagens baratas, uma das maravilhas dos tempos modernos, e podem ficar descansados. Se a coisa for bem feita, por vezes, até conseguem fazer mais dinheiro que uma companhia aérea normal. 

Os bilhetes são vendidos sem tudo o que é acessório e, pelo valor do bilhete, estamos apenas a pagar o essencial, a viagem do ponto A ao ponto B. Bagagem, se for necessário, e escolha dos lugares, pagam-se separadamente. No fundo, os bilhetes acabam por ser feitos à medida, de acordo com as necessidades. Depois, vende-se comida, perfumes, brinquedos e gadjets a bordo, que ajudam a rentabilizar os voos. E esta é a parte superficial.

Há muito mais por detrás desta possibilidade de viajar mais barato, e tem que ver com a redução de custos ou otimização da operação. No valor do bilhete, está também o valor da aeronave, taxas aeroportuárias, combustível e, claro, staff.

As companhias aéreas low cost têm, por norma, uma frota com menos de metade da idade das restantes, 5 anos em vez de 12. Conseguem comprá-los mais baratos, não porque compram em segunda mão, mas sim porque fazem encomendas tão grandes do mesmo modelo que têm um desconto formidável. Uma frota mais recente, significa maior eficiência de combustível, uma das maiores despesas das companhias. A última vantagem em usar 1 ou 2 modelos de avião está no custos de formação, sendo que é mais rápido, e low cost, treinar com apenas 1 tipo de aeronave. 

Por último, como já devem ter imaginado, o motivo para utilizarem aeroportos tão longe, terminais mais modestos ou autocarros e escadas - em vez de mangas - , é o menor valor cobrado pelo aeroporto à companhia. Além disso, sendo que existe menos tráfego, ganham tempo, permitindo ainda mais voos e menos atrasos. Feitas as contas, os aviões só estão a ser rentabilizados se estiverem no ar. 

Para nós, passageiros, as vantagens de viajar com companhias como a easyJet e a Ryanair são mais do que muitas. Pelas leis do mercado, as outras companhias não têm remédio senão arranjar formas de competir. Além disso, temos a possibilidade de visitar o mundo por menos, em aviões mais novos, e, quando é o caso, fazer compras inteligentes a bordo. 

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05
Dez17

Airbnb e o futuro do turismo de aplicação


Leonardo Rodrigues

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Estou perfeitamente ciente dos aspetos negativos, mas nunca precisámos tanto do Airbnb como este ano. Tal como os hotéis, há de todos os gostos e feitios. Pode ser um quarto, um apartamento ou um palácio, com apenas um twist: conseguimos ter mais por um valor inferior. 

É mais conveniente ter uma casa emprestada, com tudo o que precisamos para uma estadia confortável e personalizada. Além de podermos cozinhar, o que pode ajudar a reduzir as despesas de viagem, muitos sítios já incluem o pequeno almoço. 

É uma plataforma que funciona, totalmente orientada para os futuros hóspedes. Os pagamentos são realizados na íntegra dentro da mesma, pelo que em caso de algo menos lícito o nosso dinheiro fica salvaguardado. Algo que me parece fundamental, ao contrário de sites como o Booking - que também utilizamos - , que apenas destacam a parte positiva dos comentários, o Airbnb mostra o comentário por inteiro de quem lá ficou. Só comenta quem utilizou, depois da estadia e pagamento.

Os anfitriões também podem dar feedback sobre as pessoas que hospedam, construindo-se uma verdadeira comunidade que permite transformar este serviço em algo mais seguro. Ficamos todos, desta forma, a saber com o que contar. 

A meu ver, nas terras mais reconditas, partilhar a casa que não é utilizada ou a casa de férias, com este turismo de aplicação, é praticamente inócuo e até serve como dinamizador da economia local.

Para entrarmos nos aspetos negativos, temos de nos debruçar nas grandes cidades ou naquelas que, por diversos fatores, sabemos que serão turisticamente apetecíveis. Aqui é que a porca torce o rabo: os senhorios escolhem progressivamente fazer numa semana o que fariam num mês, o que é lógico. Os turistas - até nós quando o somos - , preferirem o Airbnb também é compreensível.

Aqui começa o problema da habitação e dos transportes. Mas, como grande parte dos problemas, só existe enquanto quem pode não investe e legisla. É por isso que as soluções encontradas nos países a norte, que passam pelo mesmo, se tornam interessantes. Em certas zonas proíbe-se o arrendamento de curta duração, sem que a porca torça o rabo. Além de impostos, este tipo de alojamentos passam a incluir uma taxa turística superior no valor.

O ruído não deveria ser um argumento válido, é uma questão de civismo. Todos os Airbnb's que utilizámos este ano, localizados em prédios, proibiam festas. As cidades, novamente, não podem é ser tão brandas a lidar com o ruído. E, sim, Portugal e Lisboa são brandos a lidar com o ruído provocado tanto pelos vizinhos, como estabelecimentos e clientes. 

Quanto à destruição do setor hoteleiro, isso sabemos que não é bem assim, basta olharmos para a taxa de ocupação. Mais, alguns hotéis e hostels também disponibilizam os seus quartos na plataforma. Paralelamente, o Airbnb tem fomentado a criação de algumas empresas que fazem a gestão deste tipo de alojamentos.

A aplicação existe desde 2008, mas ainda não foi feito que chegue para permitir uma convivência saudável entre anfitriões, habitantes e turistas. Soubémos ontem de um acordo inédito entre o Airbnb e o Turismo de Portugal que visa pôr termo ao que não for legal. É um excelente passo em direção ao futuro, mas ainda vamos caminhar muito até lá, com ou sem vontade. 

08
Set17

Objetos onde vivem histórias


Leonardo Rodrigues

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Quando era mais novo, pensava que o mundo possuía mais magia do que agora. Acreditava, entre muitas coisas que lá descobri não serem verdade, que os meus peluches, embora não me respondessem, eram dotados da capacidade de ouvir e sentir.

Justificava o facto de não se mexerem, nem produzirem som com o processo de fabrico. Mas claro que o coelho azul que me fazia companhia tinha, de alguma forma, o sopro da vida lá dentro. Claro que lhe podia confidenciar o que me inquietava, num mundo que nunca chegaria a perceber. Ainda mais natural era pedir desculpa quando tinha sido injusto, não havia culpa nele. O mesmo para as árvores, e assim por diante.

Por algum motivo, comecei a lembrar-me disto ontem, quando finalmente consegui instalar este candeeiro turco que comprámos em Istambul. Vê-lo aceso trouxe-me de volta à loja, que se encontrava numa rua ladeada por árvores bem verdes. Lá quase só se vendiam candeeiros e sabonetes artesanais. Que raio de combinação, pensei eu!

Mas não é apenas isso, o rapaz que nos vendeu o candeeiro, quase à hora do sol se pôr, era sírio. Falava um inglês que se aprendia ao ritmo lento do turco, mas que fora suficiente para termos uma conversa que vou guardar para sempre. Disse-me que a vida no país que ama acabou e que, embora a família ainda lá esteja, sente-se otimista com o novo começo, num país cheio de cor e vida. Prova disso foi ter-me dito baixinho, como se fosse para Alá não ouvir, que tinha fumado, embora não tivesse violado o jejum da comida - mandatório durante o Ramadão. Claro que não percebi esta escolha, mas não me cabia a mim questioná-la. Como me disse, era a vontade inquestionável de Alá.

Neste candeeiro que agora vai ser aceso todos os dias guardo a viagem, as pessoas e as emoções que tudo me trouxe. Por isso acumulamos coisas. Afinal os objetos realmente têm vida, mas que depende de nós e das histórias e emoções que neles depositamos.  É tudo sempre nosso.

03
Ago17

As praias mais exclusivas da Madeira


Leonardo Rodrigues

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A Madeira, além de um jardim, é também um fantástico destino de praia. Aliás, a Pérola do Atlântico, é um destino para tudo e para todos, bem como o seu microclima. 

Há quem pense que as pedras, em vez da areia, podem ser um incómodo maior do que realmente é. Mas, até mesmo para esses visitantes, há solução. Importámos areia da ilha vizinha, o Porto Santo, e agora também temos praias de areia amarela. Além destas "artificiais", e as de pedra, pode-se escolher entre areia escura, piscinas naturais, as dos hotéis e mais umas quantas praias pagas. 

Mas não é de nenhuma destas que vos quero falar hoje. Quero falar-vos de duas praias apenas descobertas, por mim, agora. Fazem parte do mesmo trilho e chamam-se Baía D'Abra e, um pouco depois, o Cais do Sardinha.

Há necessidade de se deslocarem a um dos extremos da ilha de carro, ou autocarro, pertencente ao Caniçal, a Ponta de São Lourenço. 

Sendo que têm muito que caminhar, uma vez no ponto de partida, se não levaram mantimentos, podem comprar na food truck que se encontra junto ao início deste percurso, até a um dos extremos da ilhas. Felizmente, ele lembrou-se de comprar água ou teríamos todos ficado lá em baixo com a desidratação.     

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Há necessidade de caminhar sensivelmente uma hora, ou mais, caso seja impossível não parar de contemplar as paisagens sublimes que só a natureza quase intocada pode proporcionar. 

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É um percurso exigente, mas bem sinalizado. Como tem apenas uma faixa, garanto que não há como errar.

Embora um grupo tenha conseguido construir um aldeamento turístico com marina, a Ponta de São Lourenço é uma área protegida. Além das vistas estonteantes, para os amantes da natureza, terão a oportunidade de conviver pacificamente com mais de duzentas espécies que povoam a zona. 

Depois da espera muito aguardada, chegam às águas mais límpidas e cristalinas que a maravilhosa Ilha da Madeira pode oferecer. Primeiro na Baía D'Abra, depois no Cais do Sardinha.

Graças a uma ótima temperatura da água de verão, é só entrar, e continuar a desfrutar de um ótimo dia de família. Sem som, ondas ou pessoas. Só vocês e as pessoas que importaram o suficiente para fazerem tal caminhada juntos. 

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18
Jul17

Não nos vimos gregos em Atenas, uma espécie de guia


Leonardo Rodrigues

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Chegar a uma cidade nova causa estranheza, quer seja mais nossa ou mais de outros, muito pelas nossas ideias acerca do que vamos encontrar. Atenas não é exceção. Já só restam vestígios de uma grandeza de outros tempos, sem a glória que lhe atribuem os livros de História. A história agora é outra. Está suja, muitas lojas estão fechadas, os postes de luz acendem-se com espaço de dois apagados e as putas, que vão para a rua antes dos postes acenderem, estão rua sim, rua não. Ah, e o deus Dionísio também parece já não querer saber dos gregos.

Este é um retrato cru, que poderia bem ser nosso. Foi apenas o que vi numa primeira hora, a pensar nas palavras do taxista que dizia que a única Atenas que podia ser contemplada resumia-se à Acrópole e aos bairros que a circundam, Plaka e Monastiraki, e que o resto é uma paisagem de betão e graffitis.

Ele, cansado como a maioria dos gregos, tem a sua razão, ainda assim a cidade tem uma energia muito própria, carregada de uma personalidade plural. Para a sentirmos temos de sair para a rua, tocar, subir e descer, olhar e olhar novamente, e perceber até como o transito e as árvores se comportam.

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Na manhã seguinte, decidido a dar uma oportunidade à cidade, comecei a minha caminhada do hotel - Novotel -  em direção a Plaka. A cidade grita. Os motociclos, que empestam o ar,  são o transporte de eleição. Escasseiam os prédios sem a tal arte que irrita muita gente, e raras são as ruas em que as árvores não parecem cansadas. 

 

O Mercado é uma paragem importante. Conscientes da ausência de cozinha num hotel de 4 estrelas, comprámos apenas fruta e uns frutos secos, embora tudo gritasse para ser comprado em grego, e a bom preço, da carne ao peixe. Foi aqui que, na companhia melhor das companhias, ocorreu-me que poderíamos ser felizes em Atenas. Mais tempo. 

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Só ao chegar a Plaka, antes da Acrópole, é que a cidade parece voltar a ter cor, as flores e árvores ganham vida e os pássaros cantam de novo. O café com gelo é a solução incontornável que gregos e todos os que lá foram parar, numa onda de multiculturalidade intoxicante, usam para conseguir andar debaixo das altas temperaturas.

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A lei diz para primeiro nos deixarmos perder por estas ruas maravilhosas, cheias de cafés, restaurantes e lojas. Só depois é que chega hora de visitar as atrações arqueológicas.

 

A tentação de visitar igrejas no verão é especialmente tentadora. Ou muito me enganei, ou as igrejas nestes bairros mais pitorescos são todas ortodoxas. Mesmo que façam o contributo que divinamente vos permite acender uma vela, pelos desejos e pecados, caso entrem de calções serão escorraçados da igreja por um fiel ou por um padre.

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 A falar com um gato

 

Devo dizer-vos que há um mito em relação à fila que se encontra na incontornável Acrópole. Está lá, mas pode ser completamente ultrapassada se já tivermos um bilhete combinado que custa 30 euros, comprado num outro local. E sim, vale a pena, sendo que são seis as atrações incluídas e que a Acrópole por si só custa 20 euros. Algo ainda mais extraordinário é que um estudante da união europeia não paga nada. O meu cartão universitário continua a aparentar válido... 

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Caso não sejam muito de andar, embora tenham de o fazer, é na Acrópole que se tem uma das melhores vistas para a cidade, não fosse à letra significar "ponto mais alto". A paisagem mudou, é certo, mas foi daquele chão que pessoas que ajudaram a definir o que somos hoje olharam a cidade. O imenso mar de betão branco, ladeado por montanhas, é arrebatador. Não apetece arredar pé.

 

Não é obrigatório, mas jantar ao pé de milhares de anos de história, num local bastante turístico, após horas de caminhada faz parte da praxe. 20 euros por uma garrafa de vinho assim assim, também. 

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Como toda a gente sabe, embora goste mais de gratuito, a palavra barato também tem o seu quê de risonho. Durante estes três dias em Atenas fomos a um sítio que encontrámos logo na primeira noite umas quatro vezes. Têm as melhores pitas que alguma vez comi, de falafel - feito à nossa frente -  e beringela. Não demorou até que começassem a oferecer-nos falafel, dizendo "here my friend". Eu animado com a perspetiva de conseguir comunicar em inglês tentei perceber como faziam aquilo. Deixei um senhor atrapalhado e fiquei na grego. 

 

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Devido à confusão, poluição e tudo o que é inerente à capital de um país em dificuldades, a escolha de hotel de ser muito bem ponderada. O Novotel realmente não poderia ter sido melhor. Tranquilidade, pequeno almoço soberbo, piscina no terraço com vista para a Acrópole, e café com pátio, são a melhor forma de resumir o mesmo. Ah, e o por do sol lá de cima não era nada de se deitar fora. 

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A moderna rede de metro com 3 linhas é a melhor forma de circular pela cidade. Até ao final do ano as máquinas que suportam bilhetes eletrónicos irão começar a funcionar.

 

Porque o post vai longo e é apenas uma espécie de guia, lembro-vos ainda que passeiem pela Syntagma com a noção que os militares não vos permitiram tocar nos degraus, visitem o museu da Acrópole que infelizmente não tivemos tempo e, acima de tudo, façam sempre por se sentirem gregos em Atenas. Um grande ευχαριστώ πολύ/efcharistó polý à cidade.

 

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22
Mar17

Dia em que vi algodão a cair do céu pela primeira vez


Leonardo Rodrigues

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Foi no mês que passou. Tínhamos acabado a nossa visita à belíssima cidade do Sabugal, onde o ponto alto é mesmo o ponto mais alto, o topo do Castelo das Cinco Quinas, com vistas sobre o Côa. 

Ainda no castelo, depois de uma quase escalada às escuras para chegar ao cimo, começou a chover, o ar ficou mais rápido e frio, e o pensamento de que poderia nevar construiu-se na minha cabeça.

Só verbalizei este meu desejo íntimo de, por uma vez na vida, ver a neve a cair em vez de gelo no chão, quando cheguei ao museu. Era uma ideia que nos deixava a ambos sorridentes. O rapaz que lá trabalhava prontamente nos fechou a boca, explicando que, no Fundão, terra onde se localizava a nossa próxima "casa", a Cerca Design House, não nevava há quase dez anos. Não sei se é necessário deixar por escrito que não gostei deste museu. 

No caminho que se apresentava de condução difícil para o meu ele, entre Google Maps, troca de cabos para carregar as nossas baterias que duram cada vez menos e muito Carpool Karaoke, começámos a ver a chuva a ficar cada vez mais branca, grossa e leve.

Não demorou muito para que sentíssemos a necessidade de encostar. Fui o primeiro a ir para a rua. Sentia e não sentia o frio. É verdadeiramente mágico ver aquilo que é água sólida, tingida de branco, a cair de forma tão leve e graciosa. Ao mais pequeno toque, naquela fase, volta ao seu estado liquido.

Ele filmou e não há margem para dúvidas, de que estava feliz e que, mediante justificação plausível na minha cabeça, faço uma cena, umas mais felizes que outras. 

Ficámos nisto um bom tempo, totalmente alheios aos acidentes e às estradas cortadas, na companhia um do outro, com os nossos momentos de profunda lamechice registados numa dezena de selfies. A ele surgiam memórias de uma Nova Iorque que lhe foi próxima e em mim surgiam emoções por afinidade.

Como o amor e neve não enchem barriga, seguimos viagem meia hora depois. Descongelar foi tão fácil porque no hotel, que se cobria novamente de neve, esperavam-nos com chávenas de chá quente e, por causa da neve, partilhavam o mesmo ar de surpresa.

 

 

08
Mar17

Come-se bem na Cova de uma Loba


Leonardo Rodrigues

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Recôndito, ali estava o único restaurante de Linhares da Beira, a fazer jus ao seu nome, Cova da Loba.

Nada é por acaso. Diz que,  e eu sei que se diz muita coisa, que noutros tempos distantes uma tal de Dona Lopa expulsou de casa de Santo António uma criada que não era mais do que o Demo disfarçado, à caça de almas para a sua causa. O Santo devido à semelhança nome-espécie, como agradecimento, transformou-a em loba, com grande longevidade.

Esta vida continuará longa com a condição de trazer a Linhares os melhores frutos do bosque.

No meu entendimento gastronómico e de enólogo, parece-me que o animal à Cova da Loba conseguiu que chegasse o melhor de tudo, frutos do bosque, cogumelos, queijos da serra, vinho, Portugal e a criatividade.

É só com muita criatividade que se consegue pegar no que é nosso, melhorar e apresentar um Portugal novo. Os pratos têm as raízes de sempre, mas satisfazem o olhar fresco e os paladares modernos.

Ele comeu um imponente polvo com uma redução de balsâmico e eu um sublime risotto com cogumelos selvagens e queijo da serra. Os olhos não enganaram e fomos arrebatados pela explosão de sabores inteligentemente combinada e apresentada. 

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Como a loba está de folga às quartas a sua Cova não abre. De resto, é sempre boa altura para visitar, mesmo que neve lá fora há uma lareira dentro. 

 

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06
Mar17

Mértola, para sempre


Leonardo Rodrigues

Há uns tempos dei continuidade ao meu projeto de descoberta do sul. O objetivo era novamente Albufeira, mas, desta vez, com um twist. Este twist traduziu-se em muitas novas estradas e localidades com nomes difíceis de memorizar. Por questões práticas, motivados pelo acaso e pelo cansaço, sentimos necessidade de pernoitar em Mértola.

Este nome, como tantos outros, devido à minha insularidade, não me disse nada. Chegámos pela noite com o objetivo de todo o viajante após horas de estrada, comer. O único restaurante disponível para nos receber àquela hora foi o restaurante Muralha. Com pão, sopa, prato principal e o jarro de vinho que acompanha estas andanças, os 5 maravilhosos conseguiram jantar bem por 10 euros cada. 

Eu digo que quando bem se come, bem se deita, mas no nosso caso foi apenas escolher onde deitar. Tínhamos duas opções viáveis: Beira Rio e Hotel Museu. Porque o segundo era mais novo e quente que o primeiro e como ele sofre com o frio, a escolha estava feita. O nome cumpre-se apenas na medida em que existe uma ruína romana no seu interior devidamente preservada. Recordo-me de ter feito uma cena pacífica na receção, que era mais um pedido desesperado, para garantir que o nosso quarto tinha uma vista igual à das fotografias.

De malas desfeitas, saímos para a noite de Mértola que se resumia ao bar Lancelot. O bar descreve-se numa palavra: hipster. As luzes são coloridas e as paredes pintadas com arte. Ali, essencialmente, conversa-se sem consciência das horas, com a companhia de álcool e baralhos de cartas enormes. Escolhemos o UNO e eu tentei resgatar as regras inventadas na adolescência que me tornaram o inequívoco vencedor.

Durante a noite a vila não nos disse muito, até riscámos o carro devido à estreiteza das ruas.

Para mim o mais impactante de Mértola, e daí o para sempre, foi lá acordar. Acordar naquele quarto em específico do Hotel Museu, onde bastou-me meter a cabeça fora da janela para estar no calmo Guadiana, assim, sem por nem tirar. A vista persegue-me desde então, a água que reflete as margens estreitas, a névoa lá ao fundo, as canoas coloridas. O silêncio imenso. Tudo coisas que fazem o rural que há em mim pensar em não regressar a Lisboa, desde que pudesse manter a mesma companhia. 

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Enquanto primeiro a acordar, coube-me ir explorar a vila sozinho. Prescindi do pequeno almoço no hotel, embora só custasse 6 euros, para descobrir o que lá havia. Afinal, após ter aberto a janela senti-me logo motivado a sair para fotografar e, claro, beber o café que me mantém vivo. Como em todas as viagens para fora, compreendi que o meu dinheiro vale mais do que em Lisboa. A moeda é a mesma, mas os preços têm bom senso.

 

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Depois de inspirarmos o ar puro tivémos de seguir viagem, com direito a paragens por Alcoutim e Cacela Velha, até Albufeira. Mas é Mértola e a suas vistas que continuam a insistir voltar à memória.

 

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15
Fev17

Férias cá dentro: até à Casa Grande de Juncais


Leonardo Rodrigues

Este mês, após uns tempos intensos, posso dizer que estive totalmente de férias.  Aproveitei para fazer 14 dias seguidos. Na primeira semana deixei-me ficar por Lisboa para fazer absolutamente nada. E, porque agora a vida é bondosa a esse ponto, fiz coincidir a segunda semana com quem diz ser a cara metade. 

 

Escolhemos ficar por Portugal, afinal há sempre muito para descobrir no nosso país. Cá dentro também se expandem horizontes e há regalos para todos os sentidos: paisagens de cortar a respiração, iguarias que provocam salivação, ar tão puro que faz desmaiar e silêncio para os nossos ouvidos. Para aguçar ainda mais o apetite, todas as nossas terras estão repletas de História e histórias.

 

 

O nosso destino final era Juncais, mas, de férias, tem de haver tempo para desvios. Até Juncais, o desvio digno de nota foi Belver, concelho do Gavião. Inicialmente o objetivo era vermos o castelo do século XII, mas depressa abandonámos a ideia para contemplar as vistas maravilhosas para o Tejo. Quanto mais se sobe, mais bonito fica o rio. O silêncio, momentaneamente interrompido pelos pássaros, oficializou o início das férias - segunda parte para mim. 

 

O tempo, entre espantos, selfies e lamechices, foi passando. E, com isso, a nossa hora limite para check in na Casa Grande de Juncais. O Turismo Rural não tem facilitismos de 24horas. Ainda assim, a Isabel, quem ajuda a gerir este solar de granito do século XVI, arranjou-nos uma solução: o Sr. Carlos.

 

Chegamos pelas 20h a Juncais, onde fomos simpaticamente recebidos pela nossa solução. O Sr. Carlos entregou as chaves, fez-nos uma explicação geral de onde se encontrava tudo e explicou que de manhã nos deixaria um cesto com pão fresco na cozinha.

 

Quando abrimos a porta do nosso estúdio, humildemente apelidado de Paraíso 2, deixou de se sentir o frio da serra. Estava quentinho, graças ao aquecimento central e ao meu objetivo de vida: uma salamandra cheia de lenha acesa. Uma welcome drink acompanhada de chocolates e caramelos também estavam à nossa espera, o que foi a cereja no topo do bolo. 

 

Por falar em bolo, o nosso pequeno almoço também aguardava pacientemente na cozinha: bolo caseiro, laranjas da zona para sumo, queijo, manteiga e fiambre. O pão, já sabem, todas as manhãs antes de acordar já lá está.

 

Sendo que a viagem tinha sido longa e que os restaurantes ficam a uns bons minutos, utilizamos a nossa kitchenette equipadíssima para fazer o jantar. Depois, foi caminhada à chuva para conhecer a aldeia, xixi e cama, numa senhora cama, num senhor quarto.

Quarto Juncais.jpg

Quarto Juncais2.jpg

 

Se ficaram curiosos para saber como a restante viagem se seguiu sigam-me no Facebook e vejam umas deixas no Instagram. O próximo capítulo vai até o segundo ponto mais alto de Portugal, na Serra da Estrela. 

 

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