Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

LEONISMOS

LEONISMOS

03
Ago17

As praias mais exclusivas da Madeira


Leonardo Rodrigues

IMG_0187.JPG

A Madeira, além de um jardim, é também um fantástico destino de praia. Aliás, a Pérola do Atlântico, é um destino para tudo e para todos, bem como o seu microclima. 

Há quem pense que as pedras, em vez da areia, podem ser um incómodo maior do que realmente é. Mas, até mesmo para esses visitantes, há solução. Importámos areia da ilha vizinha, o Porto Santo, e agora também temos praias de areia amarela. Além destas "artificiais", e as de pedra, pode-se escolher entre areia escura, piscinas naturais, as dos hotéis e mais umas quantas praias pagas. 

Mas não é de nenhuma destas que vos quero falar hoje. Quero falar-vos de duas praias apenas descobertas, por mim, agora. Fazem parte do mesmo trilho e chamam-se Baía D'Abra e, um pouco depois, o Cais do Sardinha.

Há necessidade de se deslocarem a um dos extremos da ilha de carro, ou autocarro, pertencente ao Caniçal, a Ponta de São Lourenço. 

Sendo que têm muito que caminhar, uma vez no ponto de partida, se não levaram mantimentos, podem comprar na food truck que se encontra junto ao início deste percurso, até a um dos extremos da ilhas. Felizmente, ele lembrou-se de comprar água ou teríamos todos ficado lá em baixo com a desidratação.     

20184908_443848329319680_9036021822486740992_n.jpg

Há necessidade de caminhar sensivelmente uma hora, ou mais, caso seja impossível não parar de contemplar as paisagens sublimes que só a natureza quase intocada pode proporcionar. 

20479138_108070199869577_4943246073360547840_n.jpg

É um percurso exigente, mas bem sinalizado. Como tem apenas uma faixa, garanto que não há como errar.

Embora um grupo tenha conseguido construir um aldeamento turístico com marina, a Ponta de São Lourenço é uma área protegida. Além das vistas estonteantes, para os amantes da natureza, terão a oportunidade de conviver pacificamente com mais de duzentas espécies que povoam a zona. 

Depois da espera muito aguardada, chegam às águas mais límpidas e cristalinas que a maravilhosa Ilha da Madeira pode oferecer. Primeiro na Baía D'Abra, depois no Cais do Sardinha.

Graças a uma ótima temperatura da água de verão, é só entrar, e continuar a desfrutar de um ótimo dia de família. Sem som, ondas ou pessoas. Só vocês e as pessoas que importaram o suficiente para fazerem tal caminhada juntos. 

20479079_1190470641098609_777312230726172672_n.jpg

 

20589594_139206183335948_6023699208962310144_n.jpg

 Lembrem-se de acompanhar o blog através do Facebook.

 

 

31
Jul17

Istambul, 3 dias no centro do mundo


Leonardo Rodrigues

20226157_1802390560071804_4343633166704050176_n.jp

 

Vou poder dizer, enquanto viver, que estive na Turquia antes de abolirem o ensino da teoria da evolução nas suas escolas. Comecei por onde se tem de começar, a mítica cidade de Istambul. É, para mim, o centro do mundo, onde as coisas do Oriente e do Ocidente se juntam para se separarem. 

A cidade é imensa, não fosse o lar de quase quinze milhões de pessoas. Surpreende pelos contrastes, que vão além de arranha céus e prédios de madeira. As mesquitas avistam-se mais alto que tudo. Tem um sofisticado sistema de transportes, e um aparelho turístico irrepreensível. Na cidade dos rooftops, pode-se comer bem e barato, apenas se não cedermos à pressão do comerciantes.

Tínhamos três dias e, graças à localização privilegiada do nosso Airbnb, junto da praça de Sultanahmet, fizemos tudo o que é obrigatório.

20226055_1365426460178904_8118933218301837312_n.jp

Começámos pela Mesquita Azul. Embora na prática não sejam colocados entraves aos homens com calções, o correto são calças para os homens, e as mulheres devem estar o mais cobertas possível, com ênfase para a cabeça e os ombros, porque Alá assim disse. Os sapatos não são permitidos, ficam à porta ou facultam-nos um saco. As mulheres muçulmanas oram dentro de umas salas recônditas, uma vez que não se devem expor na dianteira, com os homens. O seu interior é muito trabalhado, é mágica e, de tão imensa, não me espantaria se tocasse realmente no céu - embora não seja maior do que a Hagia Sophia.

20394457_932264343579221_8709388387099869184_n.jpg

Sinónimo da imponência de Constantinopla, em tempos de Constantino II, Haghia Sophia foi inicialmente uma basílica, a Magna Ecclesia. Com as mudanças de poder, acabou por se tornar numa mesquita. Hoje em dia é um museu dos mais visitados do mundo, graças à iniciativa de Ataturk, o presidente que aproximou a cidade do Ocidente e promoveu uma clara separação do Estado e religião. A entrada custa 10 euros e vale cada cêntimo.  Ficámos horas a contemplar os imensos pormenores. 

 

B7466D2F-191A-4B14-91C6-1B83CB0E65C1.jpg

 

Ainda naquela parte da cidade, a Basílica Cisterna, uma maravilha romana onde poderiam estar milhares de litros de água, que abasteciam a cidade, é outro must. Curiosamente, devido à renovação dos povos de Constantinopla, a Basílica como que se perdeu. Quando os habitantes começaram a conseguir pescar peixes com baldes das suas caves, lá descobriram a construção milenar. É arrepiante estar dentro da cisterna, mais ainda se pensarmos que uma construção daquela magnitude mobilizou milhares de escravos. Acredita-se que o "pilar das lágrimas" foi lá colocado em homenagem aos que morreram. Espero que sim. 

 

IMG_0149.JPG

 

37DB1EE2-E165-47F0-BE2C-F3D357CB03E7.jpg

 

Para se almoçar bem e barato ali perto, nada como ir comer até ao telhado do Doy Doy, um maravilhoso restaurante de cozinha tradicional turca, a preços e vistas bem apetecíveis.

IMG_1388.JPG

 

O Grand Bazaar é outra paragem obrigatória. Pensemos neste como um centro comercial tradicional, térreo, que se estende por vários quilómetros. Não tenham ilusões, vão perder-se nas milhentas ruas. Enquanto se perdem e encontram uma das muitas saídas, lembrem-se de regatear sempre o preço. Na primeira tentativa de lá entrar - domingo - estava fechado. Nos dias de semana fecha pelas 19.

 

A737C015-9F33-4CB0-9FD1-70CC5656964A.jpg

 

Para reabastecer na rua, e que podem comprar com apenas 8 liras turcas, ou dois euros, é a sandes de peixe. Esta é vendida do lado ocidental da cidade, mesmo junto ao mar do estreito do Bosforo. Tentei saber qual a mistura de especiarias que lá se colocava, mas ninguém me conseguiu explicar. Nas lojas, encaminharam-me sempre para a fish spice, que era diferente da que me deram a provar...

 

IMG_1621.JPG

 

Por falar em fish spice, tenho de falar em especiarias. Embora não estivéssemos conscientes, passámos pelo bazar das especiarias, que também estava na nossa lista. Acontece que naquele momento estávamos de mau humor, e só nos queríamos afastar do Grand Bazaar. Minutos antes, fomos abordados por dois engraxadores, que nos tentaram cobrar 90 liras turcas por conversa fiada e por nos terem molhado as sapatilhas. Não me pareceu que assaltos fossem frequentes, mas sim os esquemas para enganar turistas. De qualquer modo, rumávamos ao lado moderno, onde se avista a grandiosa torre. 

IMG_1611.JPG

É na torre de Galata, do lado ocidental, que se tem a melhor vista da cidade, para ambas as margens do Golden Horn e para o lado Asiático. É das atrações mais caras e não esperem descontos, se não tiverem cidadania turca. 

19051368_135867703651277_7445558826771677184_n.jpg

Por estas paragens, existe algo muito frequente em Istambul, prédios inteiros convertidos em restaurante. Encontrámos um que se chamava Galata Konak Café. Além de doçaria irrepreensível no piso térreo, tinham uma vista muito semelhante à da torre de Galata, no último andar, mas gratuita.         

19051344_231100800739521_5463389960348368896_n.jpg

Porque uma caminhada assim o quis, fomos ter à estação aonde chegava e donde saía o icónico expresso do Oriente. Outrora, foi o comboio mais luxuoso do mundo, e ligava metade da Europa ao Oriente. Transportou grandes vultos, da realeza às estrelas. Embora não conseguisse conter o entusiasmo, foi fácil entender que os tempos áureos dos caminhos de ferro acabaram.  

 

71F8ACEE-45A7-4E14-94CC-F00F8A56C365.jpg

Ir a Istambul sem ir aos banhos turcos é como ir a Roma e não ver o papa. É uma experiência cara, mas vale a pena. Os banhos turcos chamam-se Hamam e experimentámos a Çemberlitas Hamami. Dão-nos uma chave para a cabine, onde indicam para ficar apenas de toalha e chinelos. A chave fica no pulso. Depois é altura de rumar a uma sala quente onde a temperatura é superior a 40 graus. Quando já não aguentamos a humidade, chega uma pessoa que nos manda deitar, estala as costas e esfrega-nos vigorosamente com uma luva. O passo seguinte é o banho frio. Embora seja tudo muito rápido, e bem pago, há uma grande insistência na gorjeta.

 

47E2ADBF-FF26-4682-AAB7-A39F3781E375.jpg

 

Andámos durante estes dias, em média, 12 horas, mas nem assim conseguímos ter tempo para ir além do exterior do Palácio de Topkapı nem visitar a Ásia. Ficará para a próxima viagem.

IMG_1308.JPG

 

Acho que é normal não saber o que esperar desta cidade. Começamos com receio do que se ouve e lê, mas acabamos por perceber que é mais segura do que a nossa e que as pessoas são muito afetuosas. Contudo, existem diferenças culturais estranhas à vista e aos ouvidos. Cinco vezes por dia entoam-se passagens do Alcorão para toda a cidade, anunciando os momentos de oração. Curiosamente, ou não, o livro sagrado do Islão está disponível gratuitamente nas mesquitas, em muitas línguas. Trouxe a minha cópia, para ter a certeza do que diz.

Istambul poderia ser uma cidade europeia, apenas ainda mais limpa e cuidada. Recomenda-se com muita nostalgia, e memórias que já não cabem num post que vai longo. 

 

IMG_1254.JPG

Caso tenham alguma dúvida enviem email para leonismos@sapo.pt, e acompanhem sempre o blog através do Facebook e Instagram.

24
Jul17

difficultJet, um filme easyJet e Portway


Leonardo Rodrigues

DSC00293.jpg

Antes de relatar a minha experiência recente, quero dizer que gosto de viajar com a easyJet, mesmo que um copo de vinho custe 6 euros. Gosto, mas apenas quando corre tudo bem. Quando corre mal, comprovei que a empresa não tem como acompanhar os passageiros. Assenta numa virtualidade, em inglês.

Sexta feira, dia 7 de julho, fui trabalhar cheio de entusiasmo, afinal na parte da tarde iria para a Madeira, visitar a família que não via há 2 anos. Mais próximo do voo, segundo a aplicação, as minhas férias estavam atrasadas 3 horas. Liguei para o aeroporto, não sabiam de nada. Liguei para a easyJet que, de forma concisa, disse que teria de lá estar à hora inicial, caso o atraso fosse revertido não esperariam e que devo estar atento à aplicação, não telefonar. Lá fomos nós.

Uma vez ultrapassado o controlo de segurança, sentámos no chão à espera da porta de embarque. É um terminal para sardinhas. A hora do voo mudou diversas vezes, para melhor e pior. Quando recebemos a notificação a dizer que, mais uma vez, tinham saído a horas, no ecrã lia-se "cancelado". 

Ok, o passo seguinte era uma fila em que estariam 2 funcionários da Portway a atender mais de 100 passageiros. Remarcámos, através de um sms, o voo para dois dias depois - vaga mais próxima disponível. Um funcionário que falou com todos nós garantiu que se permanecêssemos na fila teríamos lugar no "voo extra do dia seguinte". Parecia risonho. Éramos dos primeiros, por isso "conseguimos" chegar ao balcão 1 hora depois para ouvir que só haveria voo terça, ou seja, após 4 dias. 

Lá podiam pedir um hotel ou remarcar o voo. Não têm acordos com outras companhias e, se quiseremos o voo com outra companhia pagamos nós - se for mais caro, não devolvem a diferença. Caso quiséssemos o hotel, teríamos de concluir o pedido através de um link enviado por sms. Testámos a possibilidade de hotel, a confirmação só chegou perto da meia noite. Imaginem quem foi atendido 3 horas depois.

De qualquer modo, fomos assegurados de que existiria uma indemnização de 250 euros, ao abrigo das diretrizes EC261/2004. O pedido tinha, novamente, de ser formalizado online, tal como outras despesas. Tudo coisas simples para os idosos que nos acompanhavam.

Para recuperámos as malas, tivemos de regressar ao outro terminal, ligar do telefone do segurança para pedir várias vezes à Portway que nos levasse ao tapete. Quando se dignaram a sair, foi para entregar um objeto perdido - solicitado após o nosso pedido. Tive quase de suplicar que nos deixasse levantar as malas de um voo sem avião. Assim passaram 5 horas no aeroporto de Lisboa.  

Ao nosso pedido de indemnização, a easyJet respondeu dizendo que não pagaria, uma vez que se tratava de uma situação extraordinária, devido a condições meteorológicas, mas que nos dariam um vale através do chat - penso que só conseguem aceder se houver o link no email.

Expressei o meu descontentamento por ter perdido 5 horas no aeroporto e dois dias de férias, mas garantiram-me que nos dariam um vale, por email, no mesmo valor da indemnização, então decidimos aceitar. Afinal, era apenas 1 vale para ambos no valor de 150 libras, ou seja, 170 euros. Distante dos 500 euros.

Lá voltei novamente, após muito refresh à página, e tentei explicar que não é aceitável prestarem informações erradas, mas nunca responderam diretamente a nada. Fiquei na mesma.

Sou capaz de entender as condições meteorológicas em Madrid, só não percebo que me façam perder tempo. A postura de uma empresa evidencia-se quando algo corre mal. É uma low cost, sim, mas isso não tem de se refletir no atendimento. Pelo contrário, fazem imenso dinheiro com a sua "eficiência". Assim sendo, há que investir mais num atendimento fidedigno e personalizado.

18
Jul17

Não nos vimos gregos em Atenas, uma espécie de guia


Leonardo Rodrigues

18947842_1313805972072639_1459974789681643520_n.jp

 

Chegar a uma cidade nova causa estranheza, quer seja mais nossa ou mais de outros, muito pelas nossas ideias acerca do que vamos encontrar. Atenas não é exceção. Já só restam vestígios de uma grandeza de outros tempos, sem a glória que lhe atribuem os livros de História. A história agora é outra. Está suja, muitas lojas estão fechadas, os postes de luz acendem-se com espaço de dois apagados e as putas, que vão para a rua antes dos postes acenderem, estão rua sim, rua não. Ah, e o deus Dionísio também parece já não querer saber dos gregos.

Este é um retrato cru, que poderia bem ser nosso. Foi apenas o que vi numa primeira hora, a pensar nas palavras do taxista que dizia que a única Atenas que podia ser contemplada resumia-se à Acrópole e aos bairros que a circundam, Plaka e Monastiraki, e que o resto é uma paisagem de betão e graffitis.

Ele, cansado como a maioria dos gregos, tem a sua razão, ainda assim a cidade tem uma energia muito própria, carregada de uma personalidade plural. Para a sentirmos temos de sair para a rua, tocar, subir e descer, olhar e olhar novamente, e perceber até como o transito e as árvores se comportam.

18947943_1343521272361776_7969792656496656384_n.jp

 

Na manhã seguinte, decidido a dar uma oportunidade à cidade, comecei a minha caminhada do hotel - Novotel -  em direção a Plaka. A cidade grita. Os motociclos, que empestam o ar,  são o transporte de eleição. Escasseiam os prédios sem a tal arte que irrita muita gente, e raras são as ruas em que as árvores não parecem cansadas. 

 

O Mercado é uma paragem importante. Conscientes da ausência de cozinha num hotel de 4 estrelas, comprámos apenas fruta e uns frutos secos, embora tudo gritasse para ser comprado em grego, e a bom preço, da carne ao peixe. Foi aqui que, na companhia melhor das companhias, ocorreu-me que poderíamos ser felizes em Atenas. Mais tempo. 

18889106_640923759431087_8236558005873672192_n.jpg

 

Só ao chegar a Plaka, antes da Acrópole, é que a cidade parece voltar a ter cor, as flores e árvores ganham vida e os pássaros cantam de novo. O café com gelo é a solução incontornável que gregos e todos os que lá foram parar, numa onda de multiculturalidade intoxicante, usam para conseguir andar debaixo das altas temperaturas.

18947719_462324137446988_2831936070151569408_n.jpg

 

A lei diz para primeiro nos deixarmos perder por estas ruas maravilhosas, cheias de cafés, restaurantes e lojas. Só depois é que chega hora de visitar as atrações arqueológicas.

 

A tentação de visitar igrejas no verão é especialmente tentadora. Ou muito me enganei, ou as igrejas nestes bairros mais pitorescos são todas ortodoxas. Mesmo que façam o contributo que divinamente vos permite acender uma vela, pelos desejos e pecados, caso entrem de calções serão escorraçados da igreja por um fiel ou por um padre.

18947727_1462732700455743_745840823504994304_n.jpg

 

IMG_0532.JPG

 A falar com um gato

 

Devo dizer-vos que há um mito em relação à fila que se encontra na incontornável Acrópole. Está lá, mas pode ser completamente ultrapassada se já tivermos um bilhete combinado que custa 30 euros, comprado num outro local. E sim, vale a pena, sendo que são seis as atrações incluídas e que a Acrópole por si só custa 20 euros. Algo ainda mais extraordinário é que um estudante da união europeia não paga nada. O meu cartão universitário continua a aparentar válido... 

18888994_847767125389424_3748043948619202560_n.jpg

Caso não sejam muito de andar, embora tenham de o fazer, é na Acrópole que se tem uma das melhores vistas para a cidade, não fosse à letra significar "ponto mais alto". A paisagem mudou, é certo, mas foi daquele chão que pessoas que ajudaram a definir o que somos hoje olharam a cidade. O imenso mar de betão branco, ladeado por montanhas, é arrebatador. Não apetece arredar pé.

 

Não é obrigatório, mas jantar ao pé de milhares de anos de história, num local bastante turístico, após horas de caminhada faz parte da praxe. 20 euros por uma garrafa de vinho assim assim, também. 

18949781_783486198468504_9154516607223988224_n.jpg

 

Como toda a gente sabe, embora goste mais de gratuito, a palavra barato também tem o seu quê de risonho. Durante estes três dias em Atenas fomos a um sítio que encontrámos logo na primeira noite umas quatro vezes. Têm as melhores pitas que alguma vez comi, de falafel - feito à nossa frente -  e beringela. Não demorou até que começassem a oferecer-nos falafel, dizendo "here my friend". Eu animado com a perspetiva de conseguir comunicar em inglês tentei perceber como faziam aquilo. Deixei um senhor atrapalhado e fiquei na grego. 

 

19120672_449820128727713_2478964087124393984_n (1)

 

Devido à confusão, poluição e tudo o que é inerente à capital de um país em dificuldades, a escolha de hotel de ser muito bem ponderada. O Novotel realmente não poderia ter sido melhor. Tranquilidade, pequeno almoço soberbo, piscina no terraço com vista para a Acrópole, e café com pátio, são a melhor forma de resumir o mesmo. Ah, e o por do sol lá de cima não era nada de se deitar fora. 

19121900_140691756492871_3027440838276808704_n.jpg

A moderna rede de metro com 3 linhas é a melhor forma de circular pela cidade. Até ao final do ano as máquinas que suportam bilhetes eletrónicos irão começar a funcionar.

 

Porque o post vai longo e é apenas uma espécie de guia, lembro-vos ainda que passeiem pela Syntagma com a noção que os militares não vos permitiram tocar nos degraus, visitem o museu da Acrópole que infelizmente não tivemos tempo e, acima de tudo, façam sempre por se sentirem gregos em Atenas. Um grande ευχαριστώ πολύ/efcharistó polý à cidade.

 

Sigam o blog também no Facebook e Instagram

18
Mai17

Desculpem-me não ser turco e ter escolhido Lisboa para morar


Leonardo Rodrigues

Com o verão a chegar e muitos dias de férias para gastar, chega a hora de começar a marcar coisas que transcendem o meu orçamento. Um dos pensamentos que mais me dá cabo do orçamento é visitar a família, a casa. Ora, para lá ir não me posso meter num Alfa, nem num Intercidades ou no caos da Rede Expressos. "Casa" é a Madeira e, como tal, preciso de me meter num avião para fazer uma viagem que, comercialmente, não ascende uma hora e meia.  Curiosamente, e com muita sorte, tenho andado a ver viagens para outros destinos e a realidade repete-se. É muitas vezes mais barato, por metade do preço, fazer uma viagem de 5 horas para o Oriente, numa companhia que nos deixa levar bagagem de porão e serve uma refeição quente, do que ir à Madeira, com uma bagagem de mão calculada ao milímetro. Desculpem-me não ser turco e ter escolhido Lisboa para morar. Prometo não o repetir na próxima reencarnação.

airplane.jpeg

 

29
Abr17

o Alentejo mata


Leonardo Rodrigues

Hoje, porque estou novamente no sul, entendi os porquês das gentes destas terras. Ao ver as paisagens e ao saborear as iguarias, sempre me interroguei, sem compreender, acerca da quantidade de suicídios que existem no Alentejo. O canto mais favorecido de Portugal. Se formos para uma zona onde o alcatrão dá lugar a terra batida, apenas com a natureza a ladear-nos, fica mais claro, e escuro. Tudo começa e acaba com o nosso estado de espírito, está certo. Esta terra é como erva, amplifica as emoções, não discriminando entre bom, mau e sórdido. Há uma profunda solidão na paisagem, especialmente nos pedaços de pedra que abundam, anónimos, por aí. Apenas uma parte dos seus corpos espreita o sol. Estando, cada um, desde o começo dos tempos, à espera que as chuvas de inverno deixem os seus tons vários visíveis. Na esperança que, se alguém ali passar, as veja, toque e, com muita sorte, lhes faça confidências. Nesta terra é fácil de percebemos que estamos tão sozinhos e invisíveis como as pedras, por melhores que sejam. Quando estamos sozinhos e transparentes, estamos realmente connosco, o que dói. Sentimos tudo sem compaixão. Apenas as nossas ideias e nós. Nós e as nossas ideias. Nós, as pedras e os sons que falam uma língua estranha. Os caminhos que vão dar aos mesmos sítios e as árvores que não vão a sítio algum. Uma pedra invisível.

22
Mar17

Dia em que vi algodão a cair do céu pela primeira vez


Leonardo Rodrigues

fotografia.JPG

 

Foi no mês que passou. Tínhamos acabado a nossa visita à belíssima cidade do Sabugal, onde o ponto alto é mesmo o ponto mais alto, o topo do Castelo das Cinco Quinas, com vistas sobre o Côa. 

Ainda no castelo, depois de uma quase escalada às escuras para chegar ao cimo, começou a chover, o ar ficou mais rápido e frio, e o pensamento de que poderia nevar construiu-se na minha cabeça.

Só verbalizei este meu desejo íntimo de, por uma vez na vida, ver a neve a cair em vez de gelo no chão, quando cheguei ao museu. Era uma ideia que nos deixava a ambos sorridentes. O rapaz que lá trabalhava prontamente nos fechou a boca, explicando que, no Fundão, terra onde se localizava a nossa próxima "casa", a Cerca Design House, não nevava há quase dez anos. Não sei se é necessário deixar por escrito que não gostei deste museu. 

No caminho que se apresentava de condução difícil para o meu ele, entre Google Maps, troca de cabos para carregar as nossas baterias que duram cada vez menos e muito Carpool Karaoke, começámos a ver a chuva a ficar cada vez mais branca, grossa e leve.

Não demorou muito para que sentíssemos a necessidade de encostar. Fui o primeiro a ir para a rua. Sentia e não sentia o frio. É verdadeiramente mágico ver aquilo que é água sólida, tingida de branco, a cair de forma tão leve e graciosa. Ao mais pequeno toque, naquela fase, volta ao seu estado liquido.

Ele filmou e não há margem para dúvidas, de que estava feliz e que, mediante justificação plausível na minha cabeça, faço uma cena, umas mais felizes que outras. 

Ficámos nisto um bom tempo, totalmente alheios aos acidentes e às estradas cortadas, na companhia um do outro, com os nossos momentos de profunda lamechice registados numa dezena de selfies. A ele surgiam memórias de uma Nova Iorque que lhe foi próxima e em mim surgiam emoções por afinidade.

Como o amor e neve não enchem barriga, seguimos viagem meia hora depois. Descongelar foi tão fácil porque no hotel, que se cobria novamente de neve, esperavam-nos com chávenas de chá quente e, por causa da neve, partilhavam o mesmo ar de surpresa.

 

 

06
Mar17

Mértola, para sempre


Leonardo Rodrigues

Há uns tempos dei continuidade ao meu projeto de descoberta do sul. O objetivo era novamente Albufeira, mas, desta vez, com um twist. Este twist traduziu-se em muitas novas estradas e localidades com nomes difíceis de memorizar. Por questões práticas, motivados pelo acaso e pelo cansaço, sentimos necessidade de pernoitar em Mértola.

Este nome, como tantos outros, devido à minha insularidade, não me disse nada. Chegámos pela noite com o objetivo de todo o viajante após horas de estrada, comer. O único restaurante disponível para nos receber àquela hora foi o restaurante Muralha. Com pão, sopa, prato principal e o jarro de vinho que acompanha estas andanças, os 5 maravilhosos conseguiram jantar bem por 10 euros cada. 

Eu digo que quando bem se come, bem se deita, mas no nosso caso foi apenas escolher onde deitar. Tínhamos duas opções viáveis: Beira Rio e Hotel Museu. Porque o segundo era mais novo e quente que o primeiro e como ele sofre com o frio, a escolha estava feita. O nome cumpre-se apenas na medida em que existe uma ruína romana no seu interior devidamente preservada. Recordo-me de ter feito uma cena pacífica na receção, que era mais um pedido desesperado, para garantir que o nosso quarto tinha uma vista igual à das fotografias.

De malas desfeitas, saímos para a noite de Mértola que se resumia ao bar Lancelot. O bar descreve-se numa palavra: hipster. As luzes são coloridas e as paredes pintadas com arte. Ali, essencialmente, conversa-se sem consciência das horas, com a companhia de álcool e baralhos de cartas enormes. Escolhemos o UNO e eu tentei resgatar as regras inventadas na adolescência que me tornaram o inequívoco vencedor.

Durante a noite a vila não nos disse muito, até riscámos o carro devido à estreiteza das ruas.

Para mim o mais impactante de Mértola, e daí o para sempre, foi lá acordar. Acordar naquele quarto em específico do Hotel Museu, onde bastou-me meter a cabeça fora da janela para estar no calmo Guadiana, assim, sem por nem tirar. A vista persegue-me desde então, a água que reflete as margens estreitas, a névoa lá ao fundo, as canoas coloridas. O silêncio imenso. Tudo coisas que fazem o rural que há em mim pensar em não regressar a Lisboa, desde que pudesse manter a mesma companhia. 

mértola.jpg

Enquanto primeiro a acordar, coube-me ir explorar a vila sozinho. Prescindi do pequeno almoço no hotel, embora só custasse 6 euros, para descobrir o que lá havia. Afinal, após ter aberto a janela senti-me logo motivado a sair para fotografar e, claro, beber o café que me mantém vivo. Como em todas as viagens para fora, compreendi que o meu dinheiro vale mais do que em Lisboa. A moeda é a mesma, mas os preços têm bom senso.

 

mértola 2.jpg 

 

 

Depois de inspirarmos o ar puro tivémos de seguir viagem, com direito a paragens por Alcoutim e Cacela Velha, até Albufeira. Mas é Mértola e a suas vistas que continuam a insistir voltar à memória.

 

Acompanhem o blog Leonismos através do Facebook e do Instagram

 

 

23
Fev17

Descobrir as Origens em Foz Côa


Leonardo Rodrigues

Estar a uma hora de Foz Côa sem lá ir parece mal. Tanto que parecia que fomos, quase movidos apenas por vitamina C e cafeína. 

Se há algo que não me canso de dizer é que as nossas auto estradas e estradas são lindas. Especialmente a que nos leva a Vila Nova de Foz Côa. Não me refiro ao alcatrão, que por vezes falha, mas às vistas, claro está. 

Embora o caminho nos parecesse belíssimo, pelo verde, pelas casas que íamos avistando aqui e ali, pelas bermas feitas de pedra, nada nos poderia preparar para o que veríamos uma vez no museu. Veríamos o que a seguinte fotografia, que não me permiti editar, captou. Sem pôr nem tirar. 

16602175_2001288716765140_3634906541084021308_o.jp

 

E com esta vista ficámos durante muitos minutos, alternados entre contemplação profunda, gratidão por estarmos os dois ali e fotografias, muitas fotografias, não vá a cabeça esquecer.

O museu realmente está muito bem enquadrado na paisagem - tanto que no regresso tive de esforçar as vistas para conseguir ver. O que o típico turista não reflete é que lá, além de artefactos correspondentes a várias épocas, só temos representações das gravauras. Essas permanecem, muito respeituosamente, na rua, nas rochas onde foram encontradas. 

 

Como a sorte esteve sempre do nosso lado, chegámos a tempo de ver ver o museu e de comprar os dois últimos lugares para a última visita guiada às gravuras existentes em Penascosa. Recomendamos que façam ambas sendo que o valor combinado é de 12 euros. Temos apenas de assegurar o transporte do Museu até Castelo Melhor - uns 30 km - , o ponto de partida para vermos o que resta da arte rupestre em Penascosa.

Uma vez na aldeia pitoresca, é hora de descer aos confins e começar a recuar na História, num todo o terreno, por um caminho de terra batida. O caminho fez-se com dificuldade, mas, como qualquer dificuldade em férias, ultrapassou-se graças à boa companhia e, sem me querer repetir, às vistas. De um lado as vinhas, do outro as oliveiras. As montanhas pareciam não terminar, mas as casas sim e as pessoas com estas.

É um privilégio estar cá em baixo. Sente-se um misto de emoções que me fizeram sentir tão grande e tão insignificante em simultâneo. Ouvi com alguma atenção o que a guia automatizada nos disse, mas não conseguia evitar em dispersar-me do pequeno grupo para contemplar o que me envolvia. Duas margens do Côa, num local remoto, intocado, a anos luz de ser tão pisado como o Terreiro do Paço. Com a distância certa era possível ouvir apenas os pássaros e a água, tão perto, tão calma. Faz-nos sentir perto de quem fomos, pensar ao que vamos e, como um amigo meu costuma dizer, regressar às origens.

 

 

Claro que a mente divaga, após as aulas de História destas viagens dentro do país é fácil ver os nossos antepassados que nos deixaram, sob a forma de arte - acredita-se realmente que as gravuras foram feitas por artistas - a preencher as montanhas e a caçar. É também interessante pensar na responsabilidade da arte que carrega as nossas inquietações desde muito cedo, primeiro a caça, depois a religião e agora tudo. Somos muito mais.

De volta a Castelo Melhor, não conseguimos resistir aos encantamentos de uma vendedora - novamente, eu sei - e comprámos um licor biológico de vinho do Porto que só pode ser comprado ali, um vinho e amêndoas caramelizadas com açúcar e canela. 26 euros bem empregues. Já só resta o licor. 

Ela deu-nos uma dica para a nossa próxima e última paragem antes do regresso a Juncais, a Capela de S. Gabriel. Posso escrever apenas que apetece mais do que voltar à origens lá de cima, apetece não partir nunca e as fotos têm voz própria.

 

 

 

Novamente em "casa", Fornos de Algodres, comemos muito bem - e barato -  num restaurante chamado A Praça. Lá em cima é tudo em grande, duas doses gigantes, garrafa de vinho e sobremesa por menos de 20 euros.

A noite, antes de voltarmos ao calor da nossa salamandra, acabou junto ao Mondego a contemplar as estrelas e a lua, que lá em cima se avistam melhor.

 

Fiquem atentos aos próximo capítulos do Leonismos e sigam a página no Facebook e no Instagram - onde têm um sem fim de sítios maravilhosos à dsiposição dos olhos. 

15
Fev17

Férias cá dentro: até à Casa Grande de Juncais


Leonardo Rodrigues

Este mês, após uns tempos intensos, posso dizer que estive totalmente de férias.  Aproveitei para fazer 14 dias seguidos. Na primeira semana deixei-me ficar por Lisboa para fazer absolutamente nada. E, porque agora a vida é bondosa a esse ponto, fiz coincidir a segunda semana com quem diz ser a cara metade. 

 

Escolhemos ficar por Portugal, afinal há sempre muito para descobrir no nosso país. Cá dentro também se expandem horizontes e há regalos para todos os sentidos: paisagens de cortar a respiração, iguarias que provocam salivação, ar tão puro que faz desmaiar e silêncio para os nossos ouvidos. Para aguçar ainda mais o apetite, todas as nossas terras estão repletas de História e histórias.

 

 

O nosso destino final era Juncais, mas, de férias, tem de haver tempo para desvios. Até Juncais, o desvio digno de nota foi Belver, concelho do Gavião. Inicialmente o objetivo era vermos o castelo do século XII, mas depressa abandonámos a ideia para contemplar as vistas maravilhosas para o Tejo. Quanto mais se sobe, mais bonito fica o rio. O silêncio, momentaneamente interrompido pelos pássaros, oficializou o início das férias - segunda parte para mim. 

 

O tempo, entre espantos, selfies e lamechices, foi passando. E, com isso, a nossa hora limite para check in na Casa Grande de Juncais. O Turismo Rural não tem facilitismos de 24horas. Ainda assim, a Isabel, quem ajuda a gerir este solar de granito do século XVI, arranjou-nos uma solução: o Sr. Carlos.

 

Chegamos pelas 20h a Juncais, onde fomos simpaticamente recebidos pela nossa solução. O Sr. Carlos entregou as chaves, fez-nos uma explicação geral de onde se encontrava tudo e explicou que de manhã nos deixaria um cesto com pão fresco na cozinha.

 

Quando abrimos a porta do nosso estúdio, humildemente apelidado de Paraíso 2, deixou de se sentir o frio da serra. Estava quentinho, graças ao aquecimento central e ao meu objetivo de vida: uma salamandra cheia de lenha acesa. Uma welcome drink acompanhada de chocolates e caramelos também estavam à nossa espera, o que foi a cereja no topo do bolo. 

 

Por falar em bolo, o nosso pequeno almoço também aguardava pacientemente na cozinha: bolo caseiro, laranjas da zona para sumo, queijo, manteiga e fiambre. O pão, já sabem, todas as manhãs antes de acordar já lá está.

 

Sendo que a viagem tinha sido longa e que os restaurantes ficam a uns bons minutos, utilizamos a nossa kitchenette equipadíssima para fazer o jantar. Depois, foi caminhada à chuva para conhecer a aldeia, xixi e cama, numa senhora cama, num senhor quarto.

Quarto Juncais.jpg

Quarto Juncais2.jpg

 

Se ficaram curiosos para saber como a restante viagem se seguiu sigam-me no Facebook e vejam umas deixas no Instagram. O próximo capítulo vai até o segundo ponto mais alto de Portugal, na Serra da Estrela. 

 

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Copyrighted.com Registered & Protected 
HMLF-E7YY-MGTC-ZU7E

Lugares

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D