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LEONISMOS

LEONISMOS

26
Jan17

Cura para o mau humor: Friends


Leonardo Rodrigues

Há muitos anos que encontrei um medicamento que cura qualquer estado de espírito menos bom. Chama-se Friends, vem sob a forma de episódios e é administrado via visual e auditiva. Não é o mais refinado dos humores, ainda assim é tão genial que nunca desilude e as piadas da série permanecem intemporais. São 10 as temporadas e iniciei o meu quarto tratamento esta semana. Isto é: voltar a ver duzentos e tal episódios. Não dá para evitar, a serotonina reproduz-se a um ritmo alucinante com com camaradagem deste grupo funcional de tão disfuncional - a estupidez do Joey, o sarcasmo do Chandler, a futilidade da Rachel, a OCD da Monica, a intelectualidade do Ross e, acima de tudo, a genialidade da Phoebe. Se estão a ter um dia ou uma semana assim-assim, o melhor mesmo é pegar numa manta, café e tratarem-se com uns quantos episódios. Queria escolher um meme que ilustrasse bem este post, mas, com as minhas dificuldades de decisão, tive de escolher aleatoriamente. 

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22
Mai16

E se você fosse a Catarina Martins?


Leonardo Rodrigues

Quinta-feira passada, estava eu à espera do meu 726, a torrar numa paragem nos Anjos, quando ouço o seguinte "O autocarro já deveria ter passado", seguido dum, Mas "Eles só fazem o que querem". Eles quem, senhora? É redutor ver mal em tudo. O autocarro não estava atrasado, passou na hora que era suposto, essa hora era desconfortável apenas porque o não gostar de esperar e o calor intenso são um mal comum. Não tem nada a ver com Eles - a entidade que serve para tudo. Tenho amigos da América Latina que viveram meses suficientes em Lisboa para elogiarem a nossa rede de transportes. Não damos valor nem pensamos sobre o que temos, só no que não temos. Chateamos-nos com o que não importa. Não é só a saudade que nos está no sangue, no sangue está também uma forma de pensar pequenina e mesquinha. Isso assenta em frases como: Eles só fazem o que querem. Antes de enviarem informações à boca para articular tamanhas barbaridades, formulem questões simples como: eles quem? Não estou aqui para me chatear com os meus momentos Carris - costumo ter conversas maravilhosas com estranhos. Estou chateado com a polémica do E se fosse consigo?/Catarina Martins. Podia começar com um simples não é uma coincidência assim tão grande, afinal ela trabalha lá ao pé, mas alguém no Facebook já tem resposta para isso, a resposta é: Eles não trabalham. Não sei se escrevem isto para obterem gostos de estranhos ou se acreditam no que escrevem. Se acreditam, já tiveram a humildade de questionar as vossas crenças? A ideia de político na maior parte das cabeças é de alguém mau, que nada numa piscina de dinheiro. Como em qualquer outra coisa, há bom e há mau. As pessoas estão chateadas porque uma cidadã - uma deputada também o é - conhecida do público interveio. Pegam em qualquer coisa, até num auricular, para retirar mérito a uma grande atitude. Perante tal situação, acho que não me iria questionar se um agressor tem um auricular, alguns têm Mercedes. Acho que isto acontece porque se o que a deputada pelo BE fez for legítimo então os políticos talvez não sejam assim tão maus, talvez alguns até queiram realmente ajudar - isto enquanto alternam entre a piscina de notas e a Assembleia, claro. Outras das questões aqui acho que tem que ver com a forma de tratamento. A Catarina, por educação, mesmo a tremer, disse consigo. É uma pergunta legítima, e se fosse consigo? Há uns anos, perguntei a um miúdo, que estava a gozar com o único negro na escola, se a pele fosse dele, se era ok eu chamar-lhe de preto e coisas que não me atrevo a escrever aqui. Ele disse-me que não e encolheu-se no assento do autocarro. Na minha presença, pelo menos, nunca mais o vi a insultar ninguém. É uma pergunta eficaz. Aos que a chamam de atriz, explico-vos, somos todos atores e nós também representamos vários papéis na sociedade. A Catarina enquanto "atriz" social, cumpriu o seu papel mais elementar de todos, o de humana. O "E se fosse consigo?" não é um programa de apanhados. Acredito que mais do que entreter, a Conceição Lino pretende ajudar a educar. Educar não cabe apenas aos pais nem às escolas. Os media, querendo ou não, também o fazem. Muito boa gente neste país não estaria a pensar questões relacionadas com bullying, homofobia e obesidade se não fosse o programa. Ao verem o que acontece - pode acontecer, como preferirem -  consciências despertam para a realidade, formam-se. Isto leva, espero eu, à ação. Não têm de intervir a ponto de colocarem a vossa segurança em risco, podem só chamar alguém que possa, tudo é melhor que ignorar. Quando estava no secundário, por exemplo, notava que muitas ações eram condicionadas pelo que era "fixe". Imaginem se respeitar, defender os outros, pensar de forma aberta se tornar "fixe" graças a programas destes. E vá, se estivessem no lugar da Catarina Martins, intervinham ou socorriam-se de pensamentos como "entre marido e mulher não se mete a colher"? Isso é o que importa.

06
Mar16

Entrevista com "Um Estranho por Dia"


Leonardo Rodrigues

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Parece que descobri o projeto "Um Estranho por Dia" um pouco mais tarde do que o resto de Portugal. Na semana passada, alguém achou por bem partilhar comigo a página dos quatro rapazes que vêem na foto acima. Uma hora depois, lá estava eu ainda a ver imagens de estranhos, que se iam tornando conhecidos à medida que lia as suas histórias. Depois do Você na TV, a Tarde é Sua e aparecerem no Público, Miguel A. Lopes - o fundador do projeto - deu ao Blog Leonismos a conhecer o lado de quem fica atrás das câmaras a imortalizar os anónimos. 

 

Leonardo Rodrigues: Antes de falarmos do projeto, quem são vocês?

Miguel Lopes: Somos quatro fotojornalistas, Miguel A. Lopes, Rui Soares, Rui Miguel Pedrosa e João Porfírio.

 

LR: Por quem e em que circunstâncias surge "Um Estranho por Dia"?

ML: No dia 29 de novembro fotografei o Benjamim. Coloquei um post com a foto no meu Facebook a dizer que iria começar a fotografar uma pessoa estranha por dia. Nos comentários à foto o Rui Soares e o Rui Miguel Pedrosa acharam muita piada e que gostariam de fazer o mesmo. Perguntei-lhes o que achavam de criarmos um projeto, e o nome Um Estranho Por Dia surgiu-me logo na cabeça. Eles concordaram e eu convidei o João Porfírio também a participar. O João foi estagiário na Lusa onde trabalho e achei que ele iria gostar e todos concordámos que sim e criámos nessa noite o projeto.

 

LR: Como é que os vossos 4 destinos se cruzam?

ML: Já conhecia o Rui Soares aqui de Lisboa, cruzávamo-nos em alguns serviços. Da mesma maneira conheci o Rui Miguel Pedrosa, mas penso que em campanhas eleitorais onde andei pelo país, pois o Pedrosa é de Leiria. O João, como disse, foi estagiário na Lusa, onde o fiquei a conhecer melhor.

 

LR: De que forma é que descobrem estas pessoas extraordinárias e as abordam?

ML: Não há fórmula mágica. Os estranhos vão aparecendo, são pessoas comuns com quem nos cruzamos e por alguma razão nos chamam à atenção ou nós a elas.

 

LRTive a oportunidade de reparar que no Você na TV pediram-vos para mostrar a vossa fotografia favorita e explicar o porquê. E agora, ainda permanecem as mesmas?

ML: Acho que há várias histórias que nos marcam, nessa altura tínhamos o projecto há pouco tempo e por questões de tempo fomos obrigados a escolher apenas uma cada um, mas há muitas muitas histórias que nos tocaram. As minhas (cliquem nas imagens para ler as histórias):

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Benjamim

 

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José António

 

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 Marta Félix

 

As do Rui Soares:

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 Patrícia Morgado

 

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Pedro Maria Carneiro

 

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Ana F.

 

As do Rui Miguel Pedrosa:

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António Moreira

 

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Carlos (Tatiana é o nome artístico)

 

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Alcino Oliveira

 

E as do João Porfírio:

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 Daniel S. e Ricardo M.

 

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Maria Rita

 

LRPor vezes o que fazem parece ter uma função terapêutica na vida das pessoas. Como é que isso se tem manifestado?

ML: Sim, talvez haja pessoas que tenham a necessidade de desabafar e muitas vezes sentimos que falam connosco o que não falam com mais ninguém, ou naqueles minutos sentem que alguém as está a ouvir e a dar-lhes atenção.

 

LRÉ frequente emocionarem-se com as histórias que vos contam?

ML: Sim, obviamente que sim. Há histórias que foram autênticos murros no estômago. Histórias fortes de vidas duras ou de acontecimentos muito tristes que marcaram sem dúvida a vida dos nossos estranhos, e a nós também. 

 

LR: Mantêm contacto com os desconhecidos que fotografam?

ML: Sim. Obviamente é impossível manter contacto com todos, mas há estranhos dos quais nos tornamos amigos e quando nos cruzamos falamos sempre.

 

LRO relato que me ficou no pensamento é o do arrumador de carros. Nunca mais poderei olhar para um da mesma forma. Como é saber que este trabalho tem um impacto tão bom em quem o vê? 

ML: É brutal! Acho que isso tem um efeito muito positivo em nós os quatro. Dá-nos força e motivação para continuar cada vez com mais vontade de conhecer estranhos.

 

LR: Para terminar, gostava de entender a vossa perspectiva relativamente ao rumo que a profissão de fotojornalista está a tomar. 

ML: Olhamos todos com muita apreensão e preocupação. Cada vez os jornais vendem menos, falando do papel, muitos têm acabado por fechar e têm levado muitos fotojornalistas para o desemprego e isso é preocupante. Mas há um contra-senso pois o que tem mudado é o formato, com a internet a ser o principal mercado são precisos muito mais conteúdos. Acho que é uma fase de transição e há que encontrar novas formas de financiamento.

 

Obrigado!

 

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