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LEONISMOS

LEONISMOS

15
Set16

Sugestão: Esta é a minha cidade e eu quero viver nela


Leonardo Rodrigues

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A cultura está cada vez mais acessível, só temos de lhe dar atenção. Naturalmente que quando é grátis, o ímpeto de irmos ao seu encontro é maior. Ontem, por felicidades que o destino me traz às mãos, tendo eu planeado ficar por casa, o telefone toca e lá ele me diz: tenho convites para uma peça no D. Maria às 21, vamos? Mesmo sem saber para o que ia, aceitei.

No teatro, vibrei quando descobri que estávamos prestes a ver Esta é a minha cidade e eu quero viver nela, não fosse Lisboa ser a minha cidade e não querer viver em nenhuma outra. Ao me aperceber que não seria em sala, mas nas ruas de Lisboa, sem pausas, o entusiasmo esmoreceu. Contudo, agarrei-me à promessa de Joana Craveiro: "nunca mais a vão ver da mesma forma".

Três horas depois, a promessa foi totalmente cumprida. Mesmo que se olhe com os mesmos olhos, ver-se-ão ruas, prédios e eventos diferentes, que aconteceram e não retornarão de outra forma. As ruas e as suas esquinas renovam-se com as histórias velhas. Os prédios que, mesmo de uma beleza extraordinária que já quase não conseguimos ver, passam a ser notados. As vidas dos que outrora os habitaram renascem pela voz destes extraordinários interpretes, ora na pele de uma prostituta, ora na de uma grande senhora.

Neste espetáculo volante é construída a ponte entre o que foi e o que é, levando-nos a encarar de frente a morte do que era a nossa cidade antes da invasão dos turistas, das bicicletas e os primos tuk tuk. Afinal, a História tornou-se morada de hostels e airbnb - os únicos que se conseguem manter de pé.

Não me sinto no direito de revelar mais, mais deixo-vos com página do espetáculo e convido todos os lisboetas a redescobrir a cidade nestas viagens únicas, que se realizarão de Quarta a Sábado pelas 21:30 - até 24 de setembro.

 
 
20
Abr16

Escrever um blog?


Leonardo Rodrigues

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Mais frequentemente do que gostaria, estou em conflito com alguma coisa. Nesses dias, que são os de eleição para o deita abaixo, surgem questões para tudo. Ontem: Leonardo Rodrigues, mas porque raio tens um blog se tens tão pouco tempo para o escrever?

 

Hoje, depois de beber um café bem tirado, chegaram-me várias respostas - afinal quem me lê e conhece sabe que só funciono porque há café neste mundo. Vou tentar - só tentar - resumi-las em cinco.

 

Primeiramente, queria escrever mais e melhor. Agora que passou um ano, sei que é que aqui que reside toda a essência. Antes dos comentários e emails dos que (ainda) são desconhecidos e palavras dos amigos, está um texto construído por mim, em privado, que não poderia sair da cabeça (e mãos) de outra pessoa. São as minhas ideias e vida a adquirirem a forma de um texto, que se organiza cada vez melhor. Escrever primeiro para mim, depois para os outros, dá imenso gozo.

 

Outro dos motivos, que acaba por pesar de igual forma, é acreditar em partilhar. Por algum motivo, acredito que nasci para partilhar coisas com pessoas que transcendem o meu círculo de amigos. Nada, nada, neste mundo vale a pena se não puder ser partilhado com alguém. Gosto de partilhar histórias, as que são minhas minhas e as dos que se cruzam comigo. Gosto de partilhar as descobertas que faço sozinho e, na maior parte dos casos, com os outros. Que melhor forma para o fazer do que na internet, num blog, onde cá estamos (quase) todos?

 

Pequeno ou grande, destacado ou não, mesmo que não seja esse o objetivo, um blog acaba por tocar vidas. E isto, meninos e meninas, senhoras e senhores, é uma responsabilidade. Não é só um post sobre temáticas como a eutanásia que mexe no interior de alguém. Quando decidi começar a partilhar os meus livros com outros, com o passatempo De Mão em Mão, estava também a fazê-lo. Uma das vencedoras agradeceu-me por estar a partilhar com ela "bocadinhos de alma". Não se referia apenas ao livro, como ao blog e à mensagem que deixei no interior do livro. Tocar em alguém sem tocar literalmente, mais do que uma responsabilidade, é um privilégio. 

 

O blog tem-me servido de terapeuta, como se de um diário se tratasse. Ao contrário dos diários que querem ser escritos todos os dias e que só consigo na primeira semana, o blog dá-me liberdade. Muitas das realidades e ficções que passam pela minha cabeça deixo num caderno, sem compromisso, fechado a elástico. Nas vezes em que passei para o blog o que me incomodava, senti-me melhor. Quem leu, e deu feedback, também. São nas coisas "más" que pego para escrever muitos posts, mas os dedos acabam por transformar as palavras e, em três tempos, aprendo uma lição e clico em "publicar".  Com todo o negativismo que por aí há, porque não partilhar aquilo que aprendemos após as experiências negativas? Embora tudo tenha lugar, deixemos o papel de mensageiros da desgraça para os jornalistas.

 

Para terminar, um blog também pode aumentar a confiança, em nós e nas nossas ideias. Acredito que me tornei mais seguro após começar o Leonismos. Vou-vos confidenciar algo. Os primeiros posts que aqui fiz deixaram-me nervoso e a transpirar - como quando tive de fazer a minha primeira apresentação num auditório da faculdade. Tinha medo que houvessem erros e que me julgassem fosse de que forma fosse. Quando o Sapo me destacou um post pela primeira vez, "O que esperar quando se espera: pouco, provavelmente nada.", não sabia o que sentir. Agora não se trata de não me importar com o que os outros pensam, porque isso há de importar sempre, mas já não há medo, estou recetivo ao diálogo e sei que não se pode perder tempo ou energia com a  Senhora Dona Casmurrice.

 

Por agora são estas a coisas que me mantêm a escrever o blog, amanhã podem ser outras ou já nenhuma fazer sentido. Contudo, espero que os que lerem este post, caso já tenham um blog, se sintam incentivados a escrever mais, ou, na falta de um, que comecem. Pronto, por hoje já chega de Leonismos. 

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