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LEONISMOS

LEONISMOS

08
Jun16

De Blogger para Blogger: Luís Veríssimo, Desde 1979


Leonardo Rodrigues

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Virtualmente muita gente salta para a minha vida de carne e osso, a partir dos blogs, embora sejam muitos os scones prometidos, isso ainda não tinha acontecido. Até há uns dias e até o Luís, colaborador do dezanove, me despertar de uma sesta com um email a perguntar se podiam publicar algo que escrevi. Mal sabia eu que daqui surgiria uma amizade. Afinal, enquanto seguidor do seu blog, Desde 1979, já o conhecia mais ou menos, pensava é que era outra pessoa - deus, para não escrever Kikas, sabe que confundo os blogs todos. Depois de o conhecer pessoalmente, De Blogger para Blogger, lancei-lhe o desafio para ser o meu primeiro convidado. Conheçam, então, mais um pouco do Luís. 

 

Leonardo Rodrigues: Como estamos no Leonismos, comecemos por falar sobre mim. Que história é essa de eu ser mais divertido pessoalmente?

Luís Veríssimo: São as minhas primeiras impressões a falar. Quando te comecei a ler e a seguir julguei-te muito sério. Tanto que o nosso contacto inicial foi por email e foi extremamente formal. Daí ter julgado que eras muito mais velho do que realmente és. Depois quando te conheci vi um outro Leonardo: expansivo, extrovertido, divertido, falador, bem disposto e com um sentido de humor muito incisivo. Lia-te com cinzentismo, agora leio-te com todas as cores do arco-íris. Gosto muito mais deste Leonardo.

 

LR: Agora sim, quem é o Luís ou os Luíses?

LV: Sou o Luís de vários Luíses. Cheio de contradições e uma mistura dos vários Luíses que povoam e povoaram a minha vida. Não tanto como os heterónimos de Fernando Pessoa, que isso também já seria demasiada pretensão, mas mais como diria Mário de Sá-Carneiro: «Eu não sou eu nem sou o outro, / Sou qualquer coisa de intermédio: / Pilar da ponte de tédio / Que vai de mim para o Outro.». Um ser incompleto em busca da perfeição da vida que sabe que não existe.

 

LR: És a única pessoa que conheço que termina as mensagens com um ponto final. De onde vem a veia de bem escrever, por SMS, no blog e, agora, para o dezanove?

LV: Obrigado. És das poucas pessoas que diz que escrevo bem. Se bem que não necessito de elogios. Aliás, até nem lido lá muito bem com elogios.

Não sei de onde vem esta veia para a escrita… Sei que sempre gostei de ler e sempre gostei de escrever. Até cheguei a escrever poemas. Contudo a poesia na família está reservada para a minha prima Carla Veríssimo. Sei que gosto de brincar com as palavras. Mas, custa-me muito a escrever. As palavras custam-me a sair. Muitas vezes os textos estão estruturados na cabeça, mas não conseguem sair de lá para o teclado do portátil. Enquanto que se calhar alguém demoraria uns meros 30 minutos a escrever um texto, costumo demorar horas a escrever um post para o blog ou um artigo para o dezanove e, mesmo assim, é muito provável que contenha erros, ou que faltem vírgulas… *suspiro*
Em relação à pontuação é mania. Defendo a teoria que nós humanos, como animais de hábitos que somos, devemos escrever correctamente onde e quando quer que seja, tanto numa SMS, nas mensagens de um chat qualquer ou nas redes sociais. Porque se não escrevermos correctamente em situações de escrita rápida e automática acabaremos por, irremediavelmente, vir a não escrever bem num email profissional ou num texto importante e que requeira mais cuidado e atenção.

 

LR: Para além da escrita, existem duas coisas de que gostas muito e que, inclusive, acreditas que andam de mãos dadas, a comida e o sexo. Como é que estes se ligam?

LV: Aqui há umas semanas fiz uma entrevista a Adrian de Berardinis, o The Bear-Naked Chef, para o dezanove, em que ele dizia que “Para mim cozinhar é algo extremamente sexy. É um processo muito sensual. Escolhem-se os ingredientes certos e dá-se-lhes a maior atenção e carinho. É algo como fazer amor quando se prepara um prato. [...] a parte do cérebro que é estimulada pela comida é a mesma que nos excita sexualmente.”. Entendo a comida e o sexo um pouco desta forma. Para ambos é necessário uma relação e um enamoro, mesmo que essa relação seja ocasional ou mesmo estilo pastilha elástica em que se masca e se deita fora, mesmo para essas situações há um envolvimento. O sexo envolve-nos num estado tal de enebriamento, a comida também. Basta ver como as cenas de comida são retratadas em séries e filmes. São cenas extremamente difíceis de fazer, pois têm que transmitir aquele desejo pela comida que todos temos e normalmente, quando são bem feitas, esse desejo é semelhante ao desejo sexual. Lembrei-me agora assim de repente de três filmes onde isso acontece de forma mais ou menos encapuzada: “Feios, Porcos e Maus” (1976, de Ettore Scola); “O Cozinheiro, o Ladrão, a Sua Mulher e o Amante Dela” (1989, de Peter Greenway) e o inevitável “Nove Semanas e Meia” (1986, de Adrian Lyne). Todos eles filmam a comida e a própria relação com a comida de forma bastante muito sensual e sexual.

 

LR: E a paixão pelo cinema surgiu como?

LV: Não sei bem como é que surgiu. Sei que surgiu durante a infância. O meu irmão, eu e a minha mãe gostávamos de ver filmes e séries. Lembro-me que víamos religiosamente a “Missão Impossível”. Eu era o mais acérrimo. A partir de uma certa altura até passei a ir ao cinema sozinho. O gosto pelo cinema vem das imagens em movimento que são reproduzidas num ecrã e que têm a proeza de nos dizer algo, às vezes muito, outras vezes nada, mas dizem sempre algo, mesmo que o filme seja uma porcaria.

 

LR: Essa paixão precoce pelo cinema já te deixou em apuros…

LV: Já. *risos* Em miúdo fui apanhado uma vez a ver o “Alien - O 8.º Passageiro” (1979), o primeiro da saga. Devia ter uns 8 ou 9 anos, não sei ao certo. Sei que tinha visto a promoção que o filme ia dar e queria vê-lo, mas como ia dar tarde e continha cenas violentas não tive permissão dos meus pais. Esperei que toda a gente se deitasse e se deixasse dormir. Esperei. Quando julguei que era seguro, levantei-me e pus-me a ver o filme na sala. Passado um bocado um dos meus pais levantou-se e deu comigo. Zangou-se, deve-me ter dado umas palmadas no rabo, deitei-me, não vi o filme e ainda por cima tive pesadelos. Mas, adorei as imagens que vi, e, ainda hoje em dia, é um dos filmes de ficção científica preferidos.

 

LR: Dizes não ter alcunhas, mas há uma pessoa que te trata por Catrapiz. Fala-me de vocês.

LV: Já tive algumas alcunhas. A que me atribuíram na adolescência ainda me persegue. Amigos e antigos colegas da escola que frequentei na adolescência, ainda me tratam pelo nome de guerra que me atribuíram na altura.

Essa do Catrapiz não é bem uma alcunha. É mais um nome carinhoso pelo qual às vezes o meu companheiro me trata. Estamos juntos, vai fazer em Julho 8 anos, “and the livin' is easy”. Não muito mais a dizer… 

 

LR: Praticamente casado, o que é que te falta conquistar antes da crise dos quarenta?

LV: Tudo!!! Continuar a chatear os amigos e a família, ter um emprego estável (ou pelo menos um trabalho mais substancial), ter filhos (algo que sei não está nos planos imediatos e provavelmente nunca estará). Acho que no meu caso a crise dos 40 já começou…

 

LR: Voltaste em força ao mundo dos blogs, partilha lá a grande novidade connosco.

LV: Vou tentar - ainda não sei se consigo - criar uma rubrica regular sobre culinária, onde irei partilhar receitas, dicas, sugestões, etc. Nessa vertente da cozinha, vou convidar pessoas para partilharem a cozinha, a mesa e a comida comigo, poderão cozinhar, poderão ser suas as receitas, haverá espaço para tudo isso. Vamos ver no que dá.

 

Obrigado, Luís!

06
Abr16

O Sexo e a Capital: Amor à Primeira Vista


Leonardo Rodrigues

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Tenho amigos que defendem acerrimamente que deveria ter no blog uma rubrica semelhante ao Sex and the City, uma coisa à Bradshaw. Por dois motivos: conto-lhes tudo, eles contam-me tudo; tentamos chegar a verdades universais sobre o nosso caos amoroso.

 

Não sei se sei escrever sobre isso, mas enquanto pessoa que tem sexo na cidade, quiçá, talvez, tenha qualificações para tal, como milhões de outros citadinos com acesso à internet. Vou chamar a isto O Sexo e a Capital.

 

E como é que se começa? Bem, talvez não esteja a começar, embora os posts que mais leram tenham sido sobre outras temáticas, tenho um post intitulado de "Cio Emocional" e outro de "Estamos a ficar todos mais para o puta?" - sim, O Sexo e a Capital começou há mais tempo, só não tinha nome. Algumas opiniões mantenho, outras não e isso é crescer.

 

Para começar, nada melhor e mais cliché do que o amor à primeira vista. Já disse que não, agora digo que sim, mais ou menos isso.

 

Pensei, na ingenuidade da minha adolescência, que o "amor" só surgisse lá para 3ª vista. E assim deveria ser, pela questão prática de se saber como é a pessoa no dia-a-dia, fora do encontro, sem o vinho que lhe dá conversa, torna interessante e bom na cama.

 

Ao mesmo tempo que, teoricamente, deveria acontecer menos, não fosse a bagagem que uma pessoa acumula, acontece mais. Afinal de contas vamo-nos conhecendo cada vez melhor e nos tornando mais e mais seletivos, sabendo, desta forma, de antemão o que queremos e resulta e o que não. Já ninguém tem tempo a perder, e isto é uma faca de dois gumes.

 

A realidade também, confesso, é que não preciso de muito para me apaixonar. Existem pessoas que conheço, tudo impecável, mas não há faísca e não faço questão de repetir. Sejamos amigos. Outras que, apesar deste e daquele defeito, são tudo e muito mais, e, por algum motivo, fazem-me comprometer emocionalmente. De forma simples, amor à primeira vista, para mim, é quando se conhece alguém e queremos continuar a conhecer, apenas essa pessoa. Não é propriamente à primeira vista, que acho isso um tanto superficial, mas talvez à primeira conversa, ao primeiro toque.

 

O exemplo mais divertido dum destes episódios deu-se quando alguém, durante o nosso primeiro jantar, me decide contar uma história sobre um aranhão a que esteve uma hora a explicar o porquê do mesmo ter de morrer. Estivemos juntos durante 3 meses. Mais recentemente, outro caso, acho que foi ver como não-sei-quem faz a sua cara que dá conta de timidez: uma combinação de respiração contida, movimento de nariz e lábio.

 

Este "amor à primeira vista" é perigoso, complicado, geralmente fugaz. Da última vez que tal me aconteceu o cupido só teve tempo de atirar uma flecha sobre mim, não fosse isso que o gajo faz sempre.

 

Enquanto me deixo de devaneios e volto para a cama para continuar a curar a gripe, contem-me, acreditam na vossa definição de amor à primeira vista?

 

 

P.S. Tenho a agradecer à minha querida Laura Brás por me facultar os olhos para fotografia e por me incentivar, continuamente, a encontrar o amor para além da 1ª vista. 

27
Jun15

O Facebook, o Arco Íris e os Monocromáticos do Restelo


Leonardo Rodrigues

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Ontem, assim que me apercebi que o Facebook estava a celebrar algo que me parece determinante para o curso da Humanidade, claro que decidi fazer parte. Afinal de contas estava a fazer um pequeno contributo para a comunidade LGBT, para a normalização do que sempre foi natural e a ganhar uma foto de perfil nova, cheia de vida e de cor. 

 

Minutos depois, fiz o upload da fotografia mais colorida que alguma vez tive no Instagram. Olhem, em 10 minutos perdi mais de 10 seguidores, acho que isto diz muito. Não me incomodou, se lhes é difícil percepcionar uma paleta de cores variadas prefiro que não me sigam. Não deve ser fácil viver num mundo monocromático, eu percebo-vos e têm todo o meu apoio - para procurar ajuda. 

 

Hoje, enquanto regressava do supermercado - espero mesmo que desta vez a comida dure a semana toda - observava toda a diversidade caraterística de Alcântara. Houve progressos sim senhores, já não se gritam insultos, não se muda para o outro lado da rua, nem se espanca ninguém só por ter uma cor diferente. Até sorrimos uns para os outros, vejam lá. E isto é o que me parece, mas também nunca fui dessas coisas, lembro-me, por exemplo, de me meter em confusões para defender um rapaz negro no secundário. Enfim, por outro lado, se alguém na rua for remotamente identificado como homossexual ainda há um insultosito que se tosse, um escarro que teve de tem de ser cuspido naquele preciso momento e que se acompanha de um olhar reprovador.

 

Vejam lá se as seguintes frases fazem sentido: Concordo com isso de se ser preto, mas se fosse na minha família já não achava muita piada;  Pretos, até podem ser, mas dentro de casa; Não me venham com essas pretalhisses; Preto com branco, onde é que já se viu?; Não percebo porque escolheram ser pretos, o branco não é mais bonito?

 

Não me ocorrem mais disparates. Quem estiver a ler isto pode considerar que não posso comparar o racismo com homofobia. Posso, e sabem porquê? Porque são ambas aversões ao que é natural, ao que não se escolhe. Vou dizer duas coisas básicas: a homossexualidade foi observada em mais de 300 espécies e, tendo em conta toda a descriminação que ainda há, acham mesmo que alguém iria fazer tal escolha? Acho que isto chega para meditar.

 

Sempre houve uma aversão perante que é desconhecido, estranho, diferente. Estas palavras costumam confundem-se com o errado. Quando as pessoas se familiarizam com os assuntos começam a ver as coisas com outros olhos. O Facebook fez a sua parte e eu estou a fazer a minha. 

 

Bom fim de semana!

 

P.S. Se quiserem uma foto mais colorida cliquem aqui.

10
Jun15

Cio Emocional


Leonardo Rodrigues

 

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Há umas semanas teorizei acerca do facto de andarmos todos a ficar para o puta. Talvez não seja bem assim.

 

Não se pode negar que isto de ser humano vem com uma forte componente sexual, com certas necessidades. No entanto o que me tem parecido é que estas necessidades cada vez mais se apresentam como falsas necessidades, parece que é isto, mas afinal é aquilo e, aquilo, às vezes até nem era nada.

 

Permitam-me, então, reformular, não estamos “mais para o puta”, estamos - alguns - apenas com o Cio Emocional. Precisamos de sentir. 

 

A este pseudo conceito, como todos aqueles outros que invento durante o dia - e noite, quando a insónia quer - , cheguei através de uma conversa com amigos. A conversa foi qualquer coisa como: Acho que estou com o cio, Então mas não tiveste sexo há 5 minutos, Sim, Estás com o cio emocional, mas é. Não importa quem estava com o quê ou, melhor, quem achava que estava com o quê.

 

O que importa, sim, é perceber isto do cio das emoções, dos afetos. A primeira definição que me surgiu foi: quando te falta qualquer coisa, achas que é de sexo que se trata ou que isto a pode tratar e, uma vez a “vontade saciada”, o estado persiste. Continua a faltar qualquer coisa. Talvez fosse apenas de um abraço que precisasses, daqueles mais quentes, que duram horas. O melhor que já me disseram foi “Não precisas de uma foda, precisas de um abraço, vem cá” - imaginem tal coisa dita em inglês. 

 

(Talvez até nem se precise de nada, se calhar falo daquilo do querer sempre mais, que não se pode saciar nem com sexo, nem com nada.)

 

No terreno - dating world, sex dating world - percebe-se, duma parte e da outra: Falhou uma vez, Não falhou mas está longe, Nunca encontrei ninguém, nem nunca vou encontrar, Já perdi a esperança. Parou-se de procurar algo mais porque no passado correu mal, porém, e isto deve ser repetido quantas vezes forem necessárias: só o presente importa.

 

E olhem, não há como procurar, mesmo que se magoe aqui e ali, aprende-se. Popularmente há quem diga que quem procura sempre encontra, outros que é quando não se procura que aparece. Que venha o cupido e escolha!

 

A definição que apresentei acima não é, de todo, científica, eu também não o sou. No entanto, para tornar isto o mais abrangente possível, fui perguntar a alguns dos meus amigos, - do estudante ao professor, do homossexual à heterossexual - , o que era isto do cio emocional, se existia, se é igual para ambos os sexos, qual a experiência. As respostas confirmaram a minha teoria, deixo-vos as passagens mais interessantes:

 

“Cio emocional é um frustrante estado de alma, consumado com o despertar da mente, após uma fugaz satisfação sexual. (…) Oferecemo-nos ao outro aos pedaços. Somos inteiros apenas nos momentos de frustração, em que a inquietação sobre o que realmente queremos impera. A superficialidade da rotina, do encontro imediato, da rapidez do toque, não preenche e não basta a quem planeia um pouco mais para si e, eventualmente, para o outro a seu lado.”

P.L., estudante, Lisboa

 

“Não sei em termos de psicologia humana, com certeza que há estudos sobre isso, mas pela experiência que eu tive, achei que tive as duas carências: a física de sexo e prazer físico, é claro, a emocional também... Ou seja, no meu caso não era falsa ilusão de sexo, porque queria a sensação é prazer físico, mas a parte emocional seria a que mais procurava, talvez. Em cada homem que eu pensava em ter sexo, seria sim com o fim de construir algo mais e de me preencher algo emocional.”

C., médica, Porto

 

“Quanto ao Cio Emocional, sem dúvida que existe. Seja mascarado de carência, afectos a transbordar, tesão de alma, ou de entre-pernas, medo de solidão, "achar que desta é que é", lá que existe, isso sem dúvida. E, Leonardo, se se conseguisse disfarçar o (não ter) afecto com o sexo, estávamos todos saciados e apaixonados pela nossa mão direita, à excepção provavelmente dos canhotos.”

M.F., psicólogo 

 

“Cio emocional é quando tu precisas mais de um abraço do que de um orgasmo, mas optas pelo orgasmo porque nos dias  de hoje é mais fácil arranjar quem nos foda do que quem nos abrace. Nos primeiros cinco minutos depois de me vir estou satisfeito. Depois o efeito acaba e volto a me sentir sozinho. Geralmente não procuro compensar o lado emocional/afetivo desta forma, mas há quem o faça. Parecem hamsters sempre a dar voltas no mesmo sitio. Vai chegar o dia em que ja comeram todos e a noite vai ser passada sem companhia. É preciso parar para fazer um balanço.”

L.C, Lisboa

 

“Sei que estou constantemente a precisar de carinho e de sentir que sou amada, e o sexo acaba por ser a forma mais fácil de o conseguir, mesmo sendo uma ilusão e por meros minutos.”

C.P, estudante, Lisboa 

 

“Acho que sim, especialmente numa relação entre dois homens, é de cio emocional que se trata. A maior parte procura afecto e não sabe, pensa que só quer sexo, mas não quer. Quer afecto, mas tem medo dele, das emoções e por isso, depois da queca, adeus adeus

Estão numa eterna busca por alguma coisa até darem conta que já comeram Lisboa inteira. Os amores chegam e vão ainda mais depressa do que chegam. Mas, se conseguires nutrir boas amizades, parte da tua necessidade de afecto fica resolvida. Claro que há sempre uma componente mais íntima em que os amigos não entram. As pessoas esquecem-se que o sexo é, possivelmente, a maior troca energética que dois humanos, ou mais, podem fazer, e nessa troca acontece muita coisa, a outros níveis. É um acto que deve ser feito de forma responsável e não só porque sim.”

S, lisboa 

 

“A mim "cio" nunca me deu, dá-me mais falta é das outras coisas mais básicas de um casal. Por exemplo, no outro dia, com quem estou agora fizemos sexo e depois fomos ver um filme e sinceramente gostei mais do pós-sexo do que o sexo em si, e não estou a dizer que o sexo foi mau. Quando iniciei a minha vida sexual só procurava sexo, depois cheguei a uma fase em que queria mais, mas alguma coisa dentro de mim não deixava que eu gostasse de mim mesmo. Só após arranjar este grupo de amigos, no qual sou abertamente gay, é que consegui aceitá-lo e falar abertamente. Conseguir dizer que sou gay permitiu-me procurar algo mais do que sexo. Agora sim, sinto-me eu.”

F.N, estudante, Porto

 

“Sim, ja acreditei que precisava de ter sexo para estar bem, e acreditei mesmo, pois dava-me energia e tudo isso. Entretanto, sabemos que não precisamos de nada disso, nem do afeto dos outros… Acreditava tanto, que criei dependência disso, loucura absoluta. Isto aconteceu, em período de grande confusão. A ilusão do sexo é de facto grande. De qualquer modo o ter sexo faz parte da nossa condição humana. Para se estar bem, é que já e outra coisa. Eu já acreditei nisso! Mas o mais curioso, é que de um modo geral eu ficava bem, depois disso, a carência, vinha no dia seguinte. Há sempre essa carência!”

L.C, professora, Madeira

 

"Isso tem tudo a ver com carência emocional, com distorção de sentimentos, com afetividade apenas por mero prazer. Cio, ok, cio porque regemo-nos por apetite sexual, pelo desejo do momento e daí que as traições sejam, por vezes, casuais. A questão é: qual a barreira que nos impede de utilizar o nosso corpo, enquanto trunfo pessoal, para o que nos der na gana?"

J, professora, Açores

 

A conclusão razoável a que podemos chegar é que tanto o sexo como o afeto são necessidades a que temos de dar resposta, mas que são complementares. O sexo é como uma droga: ajuda a esquecer, mas apenas temporariamente, nunca é suficiente e traz ressaca. Tudo nesta vida deve ser visto como um todo. Nada do que eu ou os meus amigos escrevemos se pode apresentar como verdade absoluta, pessoas diferentes funcionam de formas diferentes, mas que se reflita sobre as coisas, que vivam felizes para sempre que é isso que se quer. E não se esqueçam do que o nosso argumento de autoridade disse: “se se conseguisse disfarçar o (não ter) afecto com o sexo, estávamos todos saciados e apaixonados pela nossa mão direita, à excepção provavelmente dos canhotos.”

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