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LEONISMOS

LEONISMOS

27
Set17

Não temos de comprar tudo biológico


Leonardo Rodrigues

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Há uma  consciencialização cada vez maior dos efeitos que a alimentação pode ter na nossa saúde. Sabemos que consumir alimentos processados, com açúcar refinado e gorduras saturadas faz mal, contribuindo para doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes.

Há evidência científica que correlaciona o consumo de alimentos produzidos com pesticidas ao grande C. Acontece que a produção biológica continua a não ser acessível para todos os bolsos. 

No entanto, por ser uma boa tendência, e por haver cada vez mais procura, começa a haver muito mais oferta. O que é bom tanto para a nossa saúde, como para a do nosso planeta. 

Embora nem todos possamos comprar apenas biológico, podemos minimizar a quantidade dos pesticidas com "truques" simples como tirar a casca e lavar os alimentos com vinagre. Ou, se formos mesmo muito sortudos, fazendo crescer a nossa própria comida.

Segundo um estudo da EWG - Enviromental Working Group -, os seguintes alimentos, na sua lista anual, são considerados como mais limpos/seguros, mesmo quando não biológicos: milho doce, abacate, ananás, couve, cebola, ervilhas congeladas, papaia, espargos, mango, beringela, couve flor, meloa, kiwi, mamão e toranja.

Os menores vestígios de pesticidas explicam-se com a forma como crescem, a densidade da casca e a quantidade de pesticidas utilizada para este tipo de cultivo.

Cá em casa, acompanhado a crescente facilidade em adquirir produtos biológicos, uma boa gestão do orçamento e muita atenção aos preços, começamos a conseguir aumentar a fatia de biológicos consumidos, todos os meses. Lembrem-se que tendências de consumo definem o que será a oferta, baixando valores. 

 

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15
Set17

Alzheimer: viver sem a memória de quem somos


Leonardo Rodrigues

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Ter Alzheimer é o mesmo do que viver sem termos bem consciência de quem somos, apenas do que fomos.

Foi isso que senti ao ver a senhora a quem aprendi a chamar de avó, embora não o fosse biologicamente, na minha última visita a casa. Vi-a, sem exagerar, quase diariamente durante 18 anos.

Antes de me mudar, presenciei um momento inicial da sua perda de lucidez, ainda não tinha feito noventa. Estávamos a contar dinheiro e ela encontrou uma moeda estrangeira, fazendo questão de o referir com entusiasmo. Depois, voltámos a contar o dinheiro e, assim que chegámos à tal moeda, aconteceu novamente. Aconteceu uma terceira vez. Coloquei a moeda de lado, e fizemos uma última contagem.

É avassalador ver a nossa avó assim. A senhora que tomou conta de nós, que nos via à distância, que nos contava histórias - que não tivessem de ser censuradas - com tamanha lucidez e detalhe que era o mesmo que recuarmos a outra época, e ver a nossa terra quando tudo era diferente. 

Agora é muito isso que resta, o passado. Estivemos a ver dois dos meus álbuns, mesmo sem que ela tivesse bem a consciência de quem era. Por vezes dizia, este é o Leonardo. Outras, este és tu, não és? E, olha, esta sou eu, verdade? Com uma inocência e doçura nos seus lindos olhos azuis. O seu cabelo cinzento e olhos azuis são coisas que nunca mudaram.

Em vez de estar a reconhecer uma moeda diferente, ela estava a fazer um esforço para conhecer caras que viu durante 50, 20, 30 anos.

E depois lembrei-me que, quando estava no 10º ano, pensei que seria bom escrever um livro sobre a vida daquela Mulher. Mas isso foi impossível, ela não conseguia falar na presença de um gravador ou de um bloco de notas e caneta. E eu nunca tive a memória dela. 

Mas há uma história que, para mim, merece ser partilhada. Quando ela era mais nova, as escolas dos meninos e das meninas eram separadas por alguns quilómetros, naquela terra. E não é que eles não tivessem um olho apurado, tinham mais ainda. Sempre que passavam ao lado da escola, começavam a gritar "Maria Isabel vai casar com o doutor Abel", todos os dias, deixando a minha avó corada. E isso aconteceu. Ela esperou que ele regressasse da tropa, tiveram vários filhos e sempre acolheram toda a gente que por aquela casa passasse. Só a morte os conseguiu separar.

Depois de cuidar de tanta gente, eu inclusive, chegou à altura de cuidarem dela, mesmo que nem sempre saiba o que acontece. Ainda faz ponto cruz, sabe a tabuada, canta as músicas que louvam Salazar e continua a querer ir à missa. Sempre que é fim de semana, e a filha diz que vão à terrinha, vai logo fazer a mala.

E eu despeço-me, sempre consciente de que ela já não sabe quem sou, com memórias que cheiram a bolos, milho e vindimas. 

 

 

19
Jan17

O Melhor Pão de Portugal está em Lisboa


Leonardo Rodrigues

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Há coisa de um mês, o número 14 da Rua Prior Crato ganhou um novo espaço dedicado, por inteiro, ao pão. Chama-se Gleba e, mais ou menos à letra significa, "porção de terreno cultivável". Numa primeira dentada, decidi que lá se fazia o melhor pão de Portugal.

 

Esta padaria, onde também se faz moagem de cereais, nasce pelas mãos de Diogo, um jovem de 21 anos proveniente de Santa Maria da Feira. Depois de estudar cozinha na Suíça, trabalhou em restaurantes com estrelas Michelin, em Londres e em Albufeira. Lisboa, por sua vez, foi a cidade eleita para o mestrado e, segundo o próprio, ficou com tanto tempo livre que decidiu trabalhar.

 

O pão que se faz na Gleba é diferente dos demais. Demora no total 36 horas a fermentar. Farinha, Água e Sal são os 3 ingredientes de ordem. Com um brilho nos olhos, a falar dos microrganismos que tornam tudo possível, explica-me que esta fermentação natural consome os açúcares e degrada o glúten. Desta forma, o pão dura mais, é mais saudável, de melhor digestão e pode ser consumido por intolerantes ao glúten.

 

 

Para tornar isto ainda mais apelativo, fazendo jus ao nome, os produtos utilizados nesta padaria são todos provenientes de pequenos produtores portugueses que, na sua maioria, utilizam práticas sustentáveis. Brevemente o Diogo tenciona certificar os seus produtos.

 

 

Na Gleba irão encontrar Pão de Centeio "Verde" de Trás-os-Montes, Pão de Trigo Barbela de Trás-os-Montes, Broa de Milho "Pigarro" do Minho e Trigamilha. Ocasionalmente, nas edições especiais, poderão comprar pão com queijo da ilha, ou figos e nozes secos ao sol.

 

 

O bairro já está todo a falar deste pão. Além bairro, começam a chegar pessoas de todo o país e até de fora, fruto do boca a boca - foi também assim que descobri. Agora foi a minha vez de passar a mensagem. Só falta vocês julgarem se o Diogo conseguiu ou não finalmente trazer bom pão para a capital.

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04
Jun16

Receitas para procrastinar: bolo de manteiga de amendoim em 1 minuto


Leonardo Rodrigues

Todos temos dias em que não nos apetece fazer nenhum. Curiosamente, nesses dias, o desejo por bolos, bolachas, chocolates e respetivos primos parece surgir em nós de forma mais forte. São o complemento perfeito para, depois de um cafézinho, uma manhã e uma tarde no sofá. Só com tremendas quantidades de glicose é que podemos acompanhar episódios de séries americanas que desistimos de ver. Hoje, como é o dia ideal para fazer estas coisas, fui à procura do meu consolo. Encontrei e é, claro, um bolo de caneca. Este é baixo em calorias, sabe maravilhosamente bem e, tal como o bolo de nutella, não precisa de farinha. 

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Ingredientes:

2 colheres de sopa de manteiga de amendoim

1 pitada de fermento

1 colher de sopa de açúcar

1 ovo grande

 

Modo de preparação:

Misturar todos os ingredientes até obterem algo de suave e uniforme. Colocar durante um minuto no microondas. Depois é só deixar o bolo arrefecer durante alguns minutos e desfrutar. Assim tão simples.

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Há quem considere que o bolo precisa ser um pouco mais doce. Se assim considerarem, que tal adicionar mel? Depois vou querer saber como vos correu, mas agora é hora de fazer nenhum e, quem sabe, regressar mais logo à feira do livro para aumentar o número de livros que tenho ali para ler. 

 

Receita e fotos: kirbiecravings.com

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