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LEONISMOS

LEONISMOS

12
Set15

Dez Mil Turistas do Mundo | Ten Thousand World Tourists


Leonardo Rodrigues

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@andyto 

 

O meu maior sonho foi sempre viajar e escrever, viajar para escrever e escrever para viajar. Todo um ciclo altamente vicioso que, uma vez começado, não quero que acabe.

 

Há uns meses, sabendo bem que ainda não me é possível fazer disso vida, com um curso e uns quantos trabalhos detestavéis como prioridade, decidi criar uma comunidade onde pessoas de todo o mundo tivessem a possibilidade de viajar através de imagens de outros e de partilhar as suas memórias fotográficas com um público mais vasto. E assim se alimenta a alma do (quase) viajante.

  

Onde? No Instagram. Como? Com uma Hashatg. Nos dias de hoje é assim tão simples.

 

É desta simplicidade que surge World Tourists. Esta semana atingi os dez mil seguidores e a hashtag #worldtourists já se encontra em mais de 23 500 publicações. 

 

Para além de ter começado a conhecer melhor o mundo, ainda que virtualmente, conheci pessoas extraordinárias, com vidas que condizem com as fotos. 

 

Por essas terras digitais, de que muito mal se fala, houve um casal que se destacou, tanto que o convidei para uma entrevista que irá ser publicada em breve na minha rubrica Conversas com Vista. Desta entrevista vou apenas revelar que se trata dum jovem casal que percorre o mundo de carro há 7 anos. Para não a perderem coloquem gosto na página do blog.

 

Resta-me desejar a todos um bom fim de semana e muito boas viagens pela comunidade que podem aceder a partir daqui

 

(E sim, já fiz este post, mas não foram apenas os números a mudar. Devido a uma conversa fantástica que tive ontem passarei, também, a escrever e a publicar os posts em inglês, começando hoje.)

 


My biggest dream was always to travel and to write, traveling to write and writing to travel. A vicious circle that once started, I’m hoping it won’t ever end.

 

A few months ago, knowing that I can’t make a living out of this for now, with a degree and a few awful jobs ahead of me, I decided to start a community where people from all over the world could have the chance of taveling through pictures of others and of sharing their own photographic memories with a wider public. This is how we can feed the souls of a (almost) traveler.

 

Where? On Instagram. How? With an hashtag. Nowadays it’s really this simple.

 

And, it’s from this simplicity that World Tourists was born. Yesterday I’ve finally achieved the ten thousand mark. Yup, Instagram is finally showing my number of followers with a k, 10k! When it comes to the hashtag, it’s on almost 24 000 photos. Pretty nice, I must admit.

 

With this project, besides having the chance of getting to know the world a bit better, although in a virtual way, I got the chance of meeting extraordinary people, with life’s that match the photographs.

 

In those digital lands, that we speak so poorly about, there was this couple that really captured my attention. I felt so fascinated with their life that I decided to invite them for an interview for my new rubric on the blog, Conversas com Vista – Talks with a View. From this interview, for now, I’ll just reveal that they are a young couple that have been traveling the world for the last 7 years on their mini van. In order for you not to miss it, please like the blog page here.

 

This is my first post ever with an English version, please ignore the mistakes it may contain. The decision to also write in English and stop my excuses not to was made after the loveliest conversion I had yesterday, with an equally lovely person. I promise I’ll do my best to keep delivering better and more articulated content as the posts go by.

 

That being said, I’m going to wish you all a lovely weekend and really nice trips through this community that you can fly to here.

 

 

 

 

 

 

 

28
Ago15

Sintra


Leonardo Rodrigues

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 Foto: Ruben Santos

 

Todos os fins de semana eu e o meu colega de casa procuramos fazer algo de novo, que seja tão divertido como relaxante, mas sempre em Lisboa. Não é mau, até já disse "Obrigado, Lisboa", no entanto, neste, tínhamos forçosamente de sair da cidade e afastar-nos de tudo o que de negativo viver numa cidade implica.

 

Foi um dia que serviu tanto para fazer uma desintoxicação citadina como tecnológica, o destino, como o título do post provavelmente indicará, foi Sintra. Sem telemóveis e apenas munidos de uma máquina fotográfica, não fosse não conseguirmos congelar momentos, lá fomos nós de comboio rumo a norte.

 

A viagem de comboio foi agradável, apenas mais curta do que estávamos à espera. Uma vez lá, o passo um foi almoçar na berma da estrada, por baixo da única árvore que nos conseguia proporcionar sombra àquela bem-dita hora do dia. O passo dois foi pedir um mapa, que acabou por não ser necessário, pois os melhores sítios, como viemos a comprovar, não constam nos mapas, acham-se uma vez no local.

 

Já me tinha deslocado para aqueles lados duas vezes anteriormente. Na primeira e na segunda com o coração a sofrer de uma patologia sem terapêutica disponível atualmente, o amor - achava eu. Desta vez, já livre destes males que só se curam com o tempo, desfrutei.

 

Depois de tão deliciosamente subir, com um silêncio a que já não estou habituado, demos com o Castelo dos Mouros. Entre o silêncio, o ar puro e o verde estonteante, abri espaço para pensar nas batalhas que lá tiveram lugar, em como os que estavam em cima detinham sempre uma considerável vantagem estratégica e, com maior inquietação, perguntei-me: será que aquela gente tinha consciência do quão mágico é Sintra?

 

Nós sim, tínhamos, mas era-nos imposto pagar e pagar nada tem de mágico. Então, como bons portugueses que somos, lembrando-se o meu colega de que alguém já lá tinha conseguido entrar sem pagar, decidimos nós também fazer um pequeno desvio.

 

O caminho parecia não ter sido antes caminhado e, se navegado, só por água. Uns arranhões, mosquitos e sustos depois, lá demos nós com um sítio que dinheiro nenhum pode comprar e que não está incluído no preço absurdo do bilhete. Parecia nunca ter sido tocado pelo Homem, não havia ruído, nem lixo. Até o mar se avistava!

 

No castelo, pago, suponho que os visitantes tivessem, quanto muito, a oportunidade de se sentarem em bancos de madeira, enquanto nós, gratuitamente, ficamos deitados em pedras gigantes, que pareciam suspensas no ar.

 

Não estávamos a travar uma guerra como os que deste sítio precisaram antes de nós, mas a sensação de segurança devia ser a mesma. Estávamos protegidos da vida que temos lá em baixo, na terra, e que não queremos. Nada nem ninguém nos podia tocar, corrigir ou perturbar de algum modo. Estávamos acima de todas as coisas e tínhamos o controle total das nossas vidas. Ali não lutávamos por ser alguém, afinal tínhamos  o  privilégio de ser ninguém. No meu último dia acho que as coisas vão ser assim, as luzes desligam-se e deixa de haver luta e finalmente terei descanso, do eterno - que há de saber tão bem se disso houver consciência.

 

Depois de tanta sensação maravilhosa experienciada e com coragem ganha para deixar o descanso eterno temporário, lá seguimos caminho para o nosso próximo destino, o Palácio da Pena. Surpresa, era preciso pagar mais. Então, nós, mais uma vez, tivemos que ir por por vales e montanhas - como canta mais ou menos o hino da RAM. E olhem, entramos e não me lembro de ter pago, nem o fotógrafo de serviço.

 

Já de noite, aconteceu o que todo o dia prometeu, chuva. Não consigo conceber melhor forma de terminar um dia destes do que uma viagem de comboio de noite, com um livro no colo e a chuva a cair do outro lado da janela, que me protegia do delicioso espectáculo da natureza. No livro, tal como na viagem de ida, lia sobre reis e rainhas, e, permitam-me, durante este dia eu fui rei e no meu reino não houveram cá lutas pelo trono, apenas pela melhor pedra, que foi pacificamente partilhada.

 

Antes de concluir com o parágrafo seguinte, deixo-vos com uma dica: prefiram sempre um bilhete de comboio com ida para Sanidade e volta com Sanidade em detrimento do Xanax, Prozac e primos, que não sei o nome. Fica mais barato e tem efeitos duradouros.

 

Sendo que as experiências são sempre melhores quando partilhadas, e, tendo-me excedido nas palavras, deixo-vos com mais algumas fotografias tiradas por Ruben Santos - dizem que cada uma vale mais do que mil palavras.

 

 

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Podem ver mais do trabalho do Ruben no Behance aqui e no Instagram aqui.

foto do autor

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