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LEONISMOS

LEONISMOS

06
Jul15

O que esperar quando se espera: pouco, provavelmente nada


Leonardo Rodrigues

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Queria muito escrever sobre amor, mas pior do que me faltarem as palavras é faltar-me o amor.

 

E, ainda pior do que me faltar o amor, é não saber se tal coisa realmente existe, se é mais uma das loucuras que a Disney em parceria com os nossos pais nos meteram na cabeça quando éramos mais novos. 

 

Já acreditei várias vezes que tinha encontrado o tal grande amor da minha vida, mas não tinha, ou não me tinham encontrado. Quanto a quem acreditou ter encontrado em mim, não consegui encontrar de volta. Passamos assim uma vida, a imitar retas paralelas que por mais que gostem uma da outra vão estar sempre desencontradas. 

 

Recentemente julgo que tive(mos) a Oportunidade da minha(nossa) vida. Quando temos Oportunidades que se escrevem com letra maiúscula tentamos agarrá-las com tanta força que desaparecem por completo. Os que já se permitiram agarrar a areia, mesmo sem saber porquê, puderam aprender esta lição da natureza.

 

Estas Oportunidades, se estiverem a ser vistas de ambos os lados da mesma forma, vêm com expectativas mútuas - fabulosas, mas que só acontecem nos guiões dos filmes, na vida real é preciso tempo. Este tempo, por mais bonito que seja, para ter rótulo de qualidade, tem de estar livre do pensamento “Isto tem de resultar”. 

 

Algo que supera a loucura das expetativas talvez seja a vontade desmedida de agradar, o medo de se dizer algo de errado, quase que o medo de sermos nós próprios - não vá o outro não gostar de qualquer coisa - , e assim se destrói o que começou naturalmente com um futuro. Não matamos apenas o que era, mas o que é e o que poderia ter sido. 

 

Enfim, meus caros, nada de esperas e uma boa dose de calma. O que tem de acontecer acontece, quando é suposto. Vamos lá ver o que está reservado no próximo fascículo que ainda não foi escrito. 

 

Depois do desabafo que não queria muito desabafado, mudei o meu estado de relacionamento para “à procura de ser encontrado”.

 

 

20
Jun15

“Não, obrigado"


Leonardo Rodrigues

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"Não, obrigado".

 

Foi isto que ouvi hoje por parte de um sem abrigo a quem tentei oferecer algum dinheiro.

 

Costumo ver este senhor, quase todos os dias, a comer à porta de um prédio para o qual a minha janela tem vista.

 

Sempre o vi com comida e nunca senti necessidade de ajudar. Não sabia era de onde vinha essa comida. 

 

Há umas horas vi-o a vasculhar os caixotes de lixo de todos os prédios da rua. Acabei o meu vinho, agarrei em todo o troco que tinha em casa e desci as escadas a correr, continuei a correr rua abaixo feito herói - afinal de contas ia conseguir pagar um jantar, achava eu, a quem claramente precisava.

 

Com toda a dignidade que o senhor merece, dei-lhe boa tarde, disse que o tinha visto - não havia necessidade de dizer a fazer o quê, afinal estava a remexer o fundo de um caixote - e expliquei que lhe queria dar algum dinheiro. A isto ele respondeu-me com um simples “Não, obrigado”. Eu, sem perceber muito bem, insisti. Na segunda tentativa ouvi “Não, obrigado, eu não preciso”. Novamente, ignorei o que me tinha sido dito e, porque à terceira é de vez, perguntei se aceitava comida, ele repetiu o mesmo “Não, obrigado” inicial, só que desta vez olhou-me nos olhos e eu quase que percebi. Desejei-lhe um bom dia e voltei para casa na mesma velocidade com que o tentei ajudar.

 

Não sei bem se não aceitou por não querer ser ajudado ou por não se achar digno de ser ajudado, orgulho não deveria ser. Espero é que o facto de não o ter tratado como algo de invisível lhe tenha servido de alguma coisa, quiçá isto se revele mais valioso do que um jantar. Por vezes, saber que há alguém a querer ajudar é mais importante do que a ajuda em si. E, a verdade seja dita, ninguém me pediu nada, vou tentar ficar mais atento aos que me pedem, há sempre alguém a precisar de um herói.

 

A fotografia foi retirada de festivaldc.com 

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