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LEONISMOS

LEONISMOS

13
Fev17

A minha resolução para 2017


Leonardo Rodrigues

Não escrevi sobre isso, mas eu também tenho uma resolução para 2017. Sim, é apenas uma, mas é desta que tudo pode brotar. No ano anterior, comprometi-me a ser e fui. Simplesmente isso deu-me muitas coisas, oportunidades, um emprego, amigos, conversas e um novo amor. Ser, em pleno, não é mais do que estar bem com a pele que vestimos, as coisas que pensamos e até com os pêlos que brotam todos os dias para desconfigurar a linha da barba. Ser em pleno é também não ter medo e saber o que se quer. Talvez seja isto que aconteça a todos com o somar dos anos. Quando somos em pleno ganhamos coisas, pessoas para se falar sobre isto e aquilo e, se formos mesmo sortudos, alguém para nos aquecer à noite. Dito isto, este verbo vale de pouco se não lhe associarmos o fazer. Quero fazer muito mais, muito melhor, dar e mostrar mais de mim. Pegar nos projetos da gaveta e dar-lhes uma vida nova. Quero devolver a cor ao blog, reescrever um post que prometi à Mula e o telemóvel apagou, fazer a entrevista à Vânia, escrever sobre o que vi e provei, gostei, não gostei e calei. Quero e vou, sabe deus lá se podemos mesmo deixar para amanhã o que pode ser feito hoje. 

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Eu a "fazer" férias e andar de bicicleta pela primeira vez em muitooos anos. Foto: D.

 

 

22
Nov16

Quantas vezes vão casar?


Leonardo Rodrigues

O post não se compromete a responder ao mote, até porque são sempre mais as perguntas que as respostas. Dúvidas inquietantes surgem a toda a hora, em todo o lado e com tudo. Ontem foi a vez do programa The Big Picture ajudar a trazer novamente à tona várias questões, como faz o mar com a madeira.

Sempre me referi a Jacqueline Kennedy como Jackie O. Era algo que tinha presente sem saber porquê, só conhecia a trágica história de amor com o Mr. Kennedy. O O, descobri ontem, trata-se afinal de uma herança do segundo marido, o milionário Aristotle Onassis. Fiquei surpreendido, não gostei da ideia de imediato, afinal o amor deles tinha de ser para sempre.

À custa disto, ouvi: sabes lá quantas vezes vais casar. É verdade, sei lá eu, sabemos lá nós. Mas isto dá que pensar.

Além da vida, será que começa tudo a ter uma data de expiração cada vez mais próxima? Não sabemos bem, parece que sim, e, cada vez mais, entramos nas mais diversas esferas da vida - especialmente a amorosa - a acreditar que o fim está ao voltar da esquina. É possível que esteja, nessa ou na esquina do quarteirão seguinte ou noutra ainda mais distante. É um dado adquirido, uma lei superior: se tem um início tem um fim.

Escrevendo isso, quase que apetece legitimar a questão “porque é que se começa se vai acabar?”, mas isto é quase o mesmo que perguntar porque é que se vive se vamos morrer?

Não tenho muita confiança no “e viveram felizes para sempre”, mas tenho no “vivem felizes há muito tempo”. O para sempre é na verdade para enquanto durar, tal qual as verdades dos livros.

Quando estamos felizes no momento presente não pensamos nos casamentos do futuro. Eu estou feliz e não quero saber. A vida continua a provar-me que passado e futuro não são boas moradas para se viver. Se já estou autorizado a pensar nos meus desejos para 2017, o primeiro é estar mais presente, na vida, para mim e para quem está enquanto está. Tudo expira quando tem que ser. 

26
Dez15

Resolução para 2016


Leonardo Rodrigues

Neste ano que quase passou, entre mil, tinha como resolução escrever mais e chateia-me que não o tenha feito. A verdade é que não tenho sempre o que escrever, embora, enquanto pessoa atenta que sou, por vezes tenha a felicidade de ouvir uma mãe a dizer à filha que a vai por a ganir no supermercado ou uma senhora a dizer ao marido que lhe há de fazer o dobro dos galos, mas não há muito que retirar dali a não ser: automedicar-me antes de decidir casar e ter filhos, ou não o fazer.

 

Quando tenho demasiado também costumo abster-me. Há uns tempos disse-vos que ia rumar a sul e lá fui, mas foi tão bom que, com demasiado pano para mangas, decidi guardar tudo para mim.

 

Como 2015 está a acabar, e sendo que encontrei a minha nova resolução no Porto, prefiro levar-vos para norte - o ponto cardeal que todos têm medo de perder - e contar-vos fragmentos das minhas visitas até à resolução para o ano novo.

 

As viagens que até lá tenho feito revelam-se sempre palco de novas descobertas e, mais recentemente, aprendizagens, afinal descobrir nem sempre implica aprender.

 

Na primeira visita, quando tinha apenas oito anos, escolho recordar-me apenas de ouvir 10 vezes uma palavra começada por "c", num jantar com amigos da família. Da boca da minha mãe, até à data, só tinha ouvido a que começa com "m" e, pela minha tia, a f word. Quero com isto dizer que não aprendi nada, apenas descobri uma palavra nova que não podia usar.

 

Na segunda, já maior de idade e com um doutoramento em palavras curtas com significados fortes, não aprendi mais, mas pude empregar tal vocabulário, ainda que mentalmente, ao descobrir que nunca vou entender como funciona o metro do Porto - possivelmente por casmurrice.

 

Na terceira, sendo que na maior parte do tempo só tive a companhia da chuva, ao caminhar, aprendi que o mais importante não é a companhia dos outros ou os níveis de pluviosidade, mas a minha capacidade de desfrutar de mim. Então, com um sorriso na cara, dançando com o vento e com a chuva, lá subi e desci tudo o que era rua e percorri os essenciais, da Ponte D. Luís à Livraria Lello.

 

Como as coisas só podem melhorar, nesta última e quarta visita, sentei-me finalmente no café Majestic e não poderia ter ficado mais satisfeito, especialmente com aquilo que tocava o pianista.

 

Mas só depois de cair o sol, quando fui para a outra margem olhar o Porto, é que viria a encontrar a minha resolução para 2016, e da forma mais caricata possível. Fui abordado por alguém que dizia querer saber as horas, embora as tivesse para me corrigir. Depois perguntou-me se era artista, sem saber ainda se era um assalto, ri-me e disse, com pouca convicção, que quase jornalista. Após alguma conversa e eu a não perceber que tipo de assalto era, ele diz-me ao afastar-se: hoje em dia toda a gente pode ser o que quiser ser, fica bem.

 

Senti-me parvo por ter pensado mal de alguém que tem a capacidade meter conversa com qualquer pessoa, em qualquer lado, e fiquei a pensar naquela frase até hoje, o que me fez decidir que este ano o meu único desejo, mais do que nunca, é ser quem quero ser.

 

Acho que foi a ausência de consciência de quem quero ser que me levou a adiar ou desistir de certas coisas este ano. Penso que não estou sozinho. Da última vez que desistiram das vossas resoluções estavam a ter em consideração a pessoa em que se querem tornar ou a vozinha que diz que não são capazes?

 

Como sei que têm de comer tudo o que encontrarem com açúcar até à nova dieta, vou calar-me com o que me diz um grande amigo meu, "só tens que fazer o que é para fazer a seguir", sem desculpas - essas podem mandar se "f", para o "c" e para a "m".

 

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