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LEONISMOS

LEONISMOS

04
Ago17

É fácil ser agricultor num apartamento, sem terra - IKEA DIY


Leonardo Rodrigues

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Enquanto menino do campo, quer com vontade ou a contra gosto, estive sempre ligado à agricultura.

Ajudava a minha avó quando era mais novo, mesmo sem perceber os meandros da coisa, já que isso me fazia sentir um dos "grandes". Mais tarde, o meu contacto com a terra resumiu-se a plantar uma árvore no jardim que ficava atrás do meu quarto, já que preferia andar com a cabeça nos livros.

Com a vinda para a cidade, achei que cultivar passava a ser uma coisa distante, pelo menos enquanto não tivesse a minha porção de terra. E, mesmo tendo, ocuparia uma parte significativa do meu tempo.

Estava errado. Para começar, não há necessidade de haver terra para se cultivar. Há necessidade de 3 coisas, água, nutrientes e luz - que pode não ser solar, mas LED. Ao cultivo feito desta forma, chama-se hidroponia.

Existem muitos vídeos que explicam como fazer o nosso próprio sistema de cultivo, mas encontrei um bastante acessível à maioria na gigante sueca IKEA. Chama-se VÄXER e, até ao momento, permite cultivar 9 espécies de plantas comestíveis. 

Lembrem-se da lição mais importante de todas, crescer a nossa própria comida é como crescer o nosso dinheiro. E podemos, em qualquer casa, começar a fazer por isso. 

Poderia explicar passo a passo, mas a IKEA tem um vídeo bem melhor do que mais parágrafos:

 Eu segui os passos, assim:

 

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Como cá em casa temos muita luz natural, não comprei os LED's - o mais caro. Poupei dinheiro, gastei quase 30 euros, e as plantas cresceram na mesma. Ora vejam.

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Espero que se sintam inspirados em meter mãos à obra, já que não suja nada. Ah, e que acompanhem o blog no Facebook, o que também não suja nada.

 

 

 

06
Mar17

Mértola, para sempre


Leonardo Rodrigues

Há uns tempos dei continuidade ao meu projeto de descoberta do sul. O objetivo era novamente Albufeira, mas, desta vez, com um twist. Este twist traduziu-se em muitas novas estradas e localidades com nomes difíceis de memorizar. Por questões práticas, motivados pelo acaso e pelo cansaço, sentimos necessidade de pernoitar em Mértola.

Este nome, como tantos outros, devido à minha insularidade, não me disse nada. Chegámos pela noite com o objetivo de todo o viajante após horas de estrada, comer. O único restaurante disponível para nos receber àquela hora foi o restaurante Muralha. Com pão, sopa, prato principal e o jarro de vinho que acompanha estas andanças, os 5 maravilhosos conseguiram jantar bem por 10 euros cada. 

Eu digo que quando bem se come, bem se deita, mas no nosso caso foi apenas escolher onde deitar. Tínhamos duas opções viáveis: Beira Rio e Hotel Museu. Porque o segundo era mais novo e quente que o primeiro e como ele sofre com o frio, a escolha estava feita. O nome cumpre-se apenas na medida em que existe uma ruína romana no seu interior devidamente preservada. Recordo-me de ter feito uma cena pacífica na receção, que era mais um pedido desesperado, para garantir que o nosso quarto tinha uma vista igual à das fotografias.

De malas desfeitas, saímos para a noite de Mértola que se resumia ao bar Lancelot. O bar descreve-se numa palavra: hipster. As luzes são coloridas e as paredes pintadas com arte. Ali, essencialmente, conversa-se sem consciência das horas, com a companhia de álcool e baralhos de cartas enormes. Escolhemos o UNO e eu tentei resgatar as regras inventadas na adolescência que me tornaram o inequívoco vencedor.

Durante a noite a vila não nos disse muito, até riscámos o carro devido à estreiteza das ruas.

Para mim o mais impactante de Mértola, e daí o para sempre, foi lá acordar. Acordar naquele quarto em específico do Hotel Museu, onde bastou-me meter a cabeça fora da janela para estar no calmo Guadiana, assim, sem por nem tirar. A vista persegue-me desde então, a água que reflete as margens estreitas, a névoa lá ao fundo, as canoas coloridas. O silêncio imenso. Tudo coisas que fazem o rural que há em mim pensar em não regressar a Lisboa, desde que pudesse manter a mesma companhia. 

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Enquanto primeiro a acordar, coube-me ir explorar a vila sozinho. Prescindi do pequeno almoço no hotel, embora só custasse 6 euros, para descobrir o que lá havia. Afinal, após ter aberto a janela senti-me logo motivado a sair para fotografar e, claro, beber o café que me mantém vivo. Como em todas as viagens para fora, compreendi que o meu dinheiro vale mais do que em Lisboa. A moeda é a mesma, mas os preços têm bom senso.

 

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Depois de inspirarmos o ar puro tivémos de seguir viagem, com direito a paragens por Alcoutim e Cacela Velha, até Albufeira. Mas é Mértola e a suas vistas que continuam a insistir voltar à memória.

 

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27
Fev17

Casa mais Sustentável com a IKEA - Passatempo


Leonardo Rodrigues

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É da cidade e pensa que não pode e não sabe cultivar? Isso há muito que não é problema, basta ir à internet e retirar umas ideias. Mas, caso prefira encontrar ideias à moda antiga como eu, através de um livro de papel, também é possível e a IKEA tem a solução, chama-se Cultivar em Família.

Cultivar em família é um livro cheio de imagens e DIY, com inspiração para tornar qualquer um em agricultor. Tal como cozinhar, cultivar nem sempre é para estimular o palato, podem também ser para lavar os olhos ou perfumar a casa. Este livro, para toda a família, tem tudo lá dentro: como cultivar batatas num saco, fazer crescer flores em água, cultivar em garrafas penduradas - ou noutra coisa qualquer - , diário de plantas, receita de gelado de brócolos, enfim, é só escolher. 

No meu passeio de hoje pela loja, lembrei-me que seria uma ótima ideia oferecer uma cópia deste livro aos leitores e futuros leitores do blog. Para se habilitarem a ganhar o livro só têm de fazer o seguinte:


1 - Gostar da minha página, aqui;
2 - Colocar gosto na publicação deste post;
- Comentar a publicação com o ingrediente que não pode faltar na cozinha.

Fim do passatempo: 11-3-2017

Vencedor: Victor Isidóro

Nota: este passatempo não é feito em parceria com a IKEA;  a cada participante é atribuído um número que depois, através do random.org, é escolhido aleatoriamente.


05
Dez16

É bom dar, quando se pode


Leonardo Rodrigues

Há quem diga que natal deve ser todo o ano. Que devemos tratar sempre todos com respeito e amor, não há dúvidas. Dar a quem não conhecemos, constantemente, não é fácil, arriscaria impossível. Temo-nos a nós e aos nossos primeiro. 

Existem campanhas a decorrer constantemente. Em Lisboa fica difícil encontrar um sítio onde não estejam a tentar chegar-nos à carteira. As motivações não são as mesmas: é o cartão do Barclays, a campanha contra o cancro e também aquela para os patos rastejantes da Antártida. Cansa. Nem sempre tenho disponibilidade para ouvir, digo não obrigado e sigo, perdido com as minhas coisas.

Este sábado fui comprar os ingredientes necessários para um almoço digno de menu de restaurante, e um voluntário do banco alimentar abordou-me. Nem ouvi, dei a minha resposta de sempre e segui. Tive de passar por duas pessoas para perceber de que se tratava.

Estaremos demasiado habituados a dizer não que não sabemos quando dizer sim?

Voltei atrás e pedi um saco. Usei metade do dinheiro que tinha levantado para o nosso almoço e a outra metade para comprar, de forma inteligente, o que vai permitir várias refeições a alguém.

Aquece-me o coração a ideia de que, mesmo que não possa contribuir constantemente, esteja a ajudar a colocar comida numa mesa, algures. Já precisei de ajuda e tive alguém que me estendeu a mão, ergueu um teto e um prato quente.

Se nos arranjam datas em que é mais fácil dar, porque não?

 

29
Nov16

A empregada sabotou o dia em que eu conheci os pais


Leonardo Rodrigues

A primeira vez deixa-nos com os nervos à flor da pele, mexe com os intestinos, faz pulsar a veia da testa e, se for o caso, pode doer. Isto para a maioria das primeiras vezes. Quando conheci os pais dele deveria ter sido assim, mas a verdade é que nem tive tempo para pensar na grandiosidade da coisa até estar sentado, primeiro a respirar, depois a jantar. Estive demasiado ocupado a ser eletrocutado pela adrenalina.

Para o aniversário, ele decidiu fazer um jantar com os pais. Eu, enquanto namorado fofo e boa dona de casa, prontamente me propus a cozinhar. Queria, mesmo fora de água, sentir o conforto da cozinha. Quando chegou o dia ainda me tentou com a ideia do restaurante, mas não deixei. Ele ia trabalhar, a Fátima fazia as limpezas semanais e eu tornava o jantar possível. Parecia simples.

Estando de folga, dormi até às quinhentas, iludido pela simplicidade da vida. Levantei-me para ir fazer as compras e, como tinha tempo, decidi que ia comprar, comparar e comprar mais no Lidl, Pingo Doce e, para ter a certeza, Continente. Como estavam todos tão próximos, porque não? Fiquei quatro horas a passear sacos de um lado para outro, sempre com a ideia de que a empregada estava a fazer a sua magia.

Quando regresso a casa vi tudo como deixámos, até o pacote de Tuc se estava à vista de todos na mesa da sala. A Fátima não tinha feito magia. Embora tenha vasculhado a casa para perceber se tinha acontecido alguma coisa à mulher, não precisei de gastar mais neurónios para perceber que estava por minha conta.

Coloquei os calções mais curtos que encontrei, agarrei no aspirador como se a minha vida dependesse de matar o pó, lavei loiça, esterilizei a casa de banho, dobrei roupa e escondi coisas que não têm sítio fixo dentro dos armários.

Ele apanhou-me a 2/3 do desmaio. Com um sorriso na cara, contou-me que a empregada decidiu ir à segurança social e, como aquilo demora, achou melhor passar lá em casa no dia seguinte. 

Cozinhei para as 10 pessoas, as crianças comeram tudo, os adultos elogiaram, rimos muito. Portei-me bem e senti pertença. Mesmo que alguma coisa não seja, temos uma fotografia que vai ficar para sempre e que me faz sorrir.

No que diz respeito à Fátima, arranjei forças para perdoar-lhe porque no dia seguinte ela compensou com uma sopa sublime. Agora que ela vai para Londres de férias, eu vou aperfeiçoar as minhas sopas, assim reduzimos a nossa dependência e, com sorte, ela percebe que não me pode deixar à beira de novo ataque prozac sem aviso.

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 Imagem: A Criada Mal Criada

28
Nov16

Sugestões para Oferecer este Natal (não custam, mas agradam os olhos)


Leonardo Rodrigues

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O Natal é muito mais do que os presentes materiais que se dão, mas é inegável que também fazem parte. Se, à semelhança de mim, estiverem a esticar o subsídio de Natal e o crescimento da família vos traz pensamentos de políticas anti-natalidade, tenho algumas sugestões. Aqui consta a lista de algumas das coisas que vou oferecer aos meus outros e onde vou comprar. 

O Mantra

Não é uma loja, é mesmo um mantra. Repitam comigo: Este Natal não vou comprar meias nem chocolates, muito menos me desgraçar. 

 

 

 

Odisseias

Haverá melhor presente do que uma experiência? De hotéis a restaurantes, as experiências Odisseias variam entre os 14,99 e os 174,90 euros. Existe uma opção perfeita para todos, o tio que sonha saltar de um avião, a sobrinha que quer ser fotógrafa e a mãe que precisa de ser internada num SPA. Este natal decidi que, para além dos miminhos que vão resistir ao tempo, hei de oferecer à minha cara metade uma experiência para dois. odisseias.jpg

 

Bairro Arte

Nesta loja encontram-se os presentes pouco convencionais, que fazem as delícias dos mais exigentes. Não são de luxo, mas têm o seu quê de exclusivo. Se fossem mais baratos penso que teria a loja em casa. Elegi vários artigos.

 

Projetor Smartphone (21,99€) - Sem necessidade de fios ou bateria, este projetor de cartão permite tornar qualquer parede, por intermédio de um telemóvel, numa tela de cinema.

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Mapa raspadinha (17,99€) - enquanto aspirante a viajante profissional, considero este um must have - estou a ter dúvidas se esta lista é mesmo para os outros. Não se riscam destinos, descobrem-se e depois raspa-se a descoberta no mapa. 

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Caneca Monstro (13,90€) - Para fazer as delícias dos mais novos e limitar o seu consumo de bolochas, que tal esta caneca?

 

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FNAC

Na Fnac, além do que já se sabe, relembro que podem encontrar os cadernos que para meio mundo são os melhores: Moleskine. Existem em cada vez mais cores e parecem-me o presente ideal para os criativos das nossas vidas. Os blocos de notas começam em 1,97€.

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Bertrand

Na loja de cima também podem comprar os livros, eu sei. Porque estaria eu a recomendar comprar livros noutra? Bem, é na Bertrand que continuo a acumular euritos no meu cartão de leitor - nunca tive coragem de fazer o cartão FNAC. O segundo livro desta trilogia de Mia Couto já está nas prateleiras e recomenda-se. Este Natal vou oferecer o Livro 1 (18,80€) e o 2(18,80€) a um casal.

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IKEA

A multinacional sueca tem vindo a reforçar a sua presença em todo o país e tem (quase) tudo para todos os bolsos. Decoração de parte, encontrei um peluche ótimo para as crianças mais novas, e que constaria na minha lista de natal se não achasse que a minha idade já passou. É um peluche e um fantoche e compra-se com 5 4,99 euros.

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Se estiverem por lá, pensando também nos adultos, que tal oferecer flores que durem mais do que uma semana? O IKEA tem outra resposta a custar 4,99€.

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Se não quiserem comprar nada daqui para oferecer aos vossos, podem inspirar-se nesta lista para me presentearem. Boas compras, boas prendas, boas festas!

 

 

 

 

 

 

 

15
Set16

Sugestão: Esta é a minha cidade e eu quero viver nela


Leonardo Rodrigues

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A cultura está cada vez mais acessível, só temos de lhe dar atenção. Naturalmente que quando é grátis, o ímpeto de irmos ao seu encontro é maior. Ontem, por felicidades que o destino me traz às mãos, tendo eu planeado ficar por casa, o telefone toca e lá ele me diz: tenho convites para uma peça no D. Maria às 21, vamos? Mesmo sem saber para o que ia, aceitei.

No teatro, vibrei quando descobri que estávamos prestes a ver Esta é a minha cidade e eu quero viver nela, não fosse Lisboa ser a minha cidade e não querer viver em nenhuma outra. Ao me aperceber que não seria em sala, mas nas ruas de Lisboa, sem pausas, o entusiasmo esmoreceu. Contudo, agarrei-me à promessa de Joana Craveiro: "nunca mais a vão ver da mesma forma".

Três horas depois, a promessa foi totalmente cumprida. Mesmo que se olhe com os mesmos olhos, ver-se-ão ruas, prédios e eventos diferentes, que aconteceram e não retornarão de outra forma. As ruas e as suas esquinas renovam-se com as histórias velhas. Os prédios que, mesmo de uma beleza extraordinária que já quase não conseguimos ver, passam a ser notados. As vidas dos que outrora os habitaram renascem pela voz destes extraordinários interpretes, ora na pele de uma prostituta, ora na de uma grande senhora.

Neste espetáculo volante é construída a ponte entre o que foi e o que é, levando-nos a encarar de frente a morte do que era a nossa cidade antes da invasão dos turistas, das bicicletas e os primos tuk tuk. Afinal, a História tornou-se morada de hostels e airbnb - os únicos que se conseguem manter de pé.

Não me sinto no direito de revelar mais, mais deixo-vos com página do espetáculo e convido todos os lisboetas a redescobrir a cidade nestas viagens únicas, que se realizarão de Quarta a Sábado pelas 21:30 - até 24 de setembro.

 
 
10
Mai16

Scones: ao pequeno almoço, ao almoço e ao jantar


Leonardo Rodrigues

Tenho um problema, quando descubro um prato novo nas minhas experiências culinárias, a minha tendência é continuar a confecioná-lo até estar perfeito, com pouco tempo de intervalo. Quando redescubro algo, a coisa processa-se da mesma forma. Recentemente, redescobri uma das maiores invenções inglesas de sempre: o scone. Onde? Na Gulbenkian, está claro. Acontece que esta situação trouxe dois problemas, para além do só estarem disponíveis depois das 16 - quero scones sempre, não só para acompanhar o Chá das Cinco - começou a ficar dispendioso estar constantemente a comê-los fora. Depois do bolo de bolacha que me ensinaram a fazer em criança e do bolo de Nutella aos 20 anos, tornou-se óbvio que, aos 21, teria de ser auto suficiente em scones. E consegui, à segunda tentativa.

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Eis os ingredientes:

  • 500g farinha
  • 1 colher de chá de sal (colocam mais e a vossa vida será muito triste)
  • 1 colher de sopa de fermento (cheia, bem cheia)
  • 5 colheres de sopa de açúcar (para os que, como eu, guardam os pacotinhos quando vão ao café, são 5 pacotes)
  • 40g de margarina (coloco sempre 60)
  • 1 chávena de leite (um pouco menos se possível)
  • 1 ovo (grande)

Modo de preparação (fotografar comida, nestes casos, não é crime punível nas redes sociais):

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Como todas as receitas que mais gosto, esta não poderia ser mais fácil. Ora, coloca-se a farinha, o sal, o fermento e açúcar num recipiente e mexe-se bem. Abre-se um furo para colocar o ovo e, com as pontas dos dedos, misturamos tudo. O mesmo com a margarina, que deve ser colocada em cubinhos. Para juntar o leite é fazer novo furo na farinha. Depois, é amassar o suficiente até ficarem com uma bola semelhante à da foto - muito pouco, portanto. Chegando a este passo é altura de pôr o forno a trabalhar a 200º e colocar a massa durante 10min no frigorífico. Findos os 10min, podem moldar os scones de três formas: com uma forma, colher de gelados ou com as mãos, escolho a última para lhes dar um ar interessante (ficam mais parecidos com os da Gulbekian). Colocar no forno durante 15min.

 

As quantidades que vos dei servem para fazer entre 12 a 16 scones, dependendo das vossas preferências no tamanho. Isto tudo, na melhor das hipóteses, fica-vos em 1.5€, o preço que pagariam fora de casa só por 1 com um pouco de doce. E, falando em doce, escusado será dizer que uso e abuso de doce quando como estas nuvens amarelas. Os de hoje - na foto -  fizeram-se acompanhar com doce caseiro, "importado" de uma aldeia em Leiria - estou a fazer pressão para conseguir a receita. 

 

Ah, Raquelina, Chic'AnaVânia e A. VenturaS, esta receita podem fazer que não traz remorsos semelhantes aos da Nutella. 

 

 

 

09
Abr16

Ao Encontro do Sul, em Évora (com fotos)


Leonardo Rodrigues

Há quem queira encontrar o norte que perdeu, eu, como já tive muitos encontros com ele, quis ir ao encontro do sul. Em Portugal Continental, como vos disse em tempos de Meet the Blogger, nunca tinha ido além do Portinho da Arrábida. Então, lá fiz eu a minha tentativa até Évora. 

 

Eram 10 em ponto quando o comboio, muito cumpridor dos seus horários, deixou a estação de Entrecampos, começando assim a nossa procura - minha e do Rúben - pelo sul. Escolher lugares de comboio definitivamente é algo que não poderá constar no meu CV, a não ser que seja para remar contra a maré. Depois de ultrapassada a frustração com os lugares, passou a ser hora de desfrutar das vistas. Os livros de geografia estão certos, fica tudo mais plano e, de vez em quando, avista-se um monte. Acho que nunca tinha visto tantos quilómetros seguidos de terra plana, tanta que os meus olhos não conseguiam avistar o fim. Estas terras portuguesas, confirma-se, preenchem-se de oliveiras, vinhas, grandes e pequenas propriedades amorosas e caminhos, mais frequentemente do que se podia esperar, de terra batida. A minha infância, antes das construções desenfreadas de  A.J.J., também os tinha.

 

Sinto-me sempre uma criança curiosa quando vou para um sítio que desconheço, especialmente de comboio, que tem o seu quê de mágico. Como as crianças, dúvidas curiosas trespassam o pensamento: será que vamos encontrar alentejanos nas esquinas à espera que o vento lhes passe o jornal? E eram disparates deste género que me voltava para a direita para dizer e perturbar o meu companheiro de viagem, que lia atentamente o Expresso - já que o encontrou, parecia mal não ler o Jornal. 

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Uma hora e meia depois lá estávamos nós e, como a sorte nasceu para morrer connosco, chovia a potes. O percurso da estação ao interior da cidade medieval fez-se quase que por instinto e recheado de piadas macabras sobre Dianas, vai-se lá entender o porquê.

 

Como turistas experientes que somos, o primeiro passo foi pedir um mapa, depois, claro, tomar outro café.

 

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Na Praça do Giraldo, o café que nos chamou à atenção, talvez pelo nome familiar, foi o Café Arcada. De tão amplo e cheio, parecia albergar todas as pessoas em Évora que sabem que o dia só começa com um café bem tirado. Isso reassegurou-nos que era ali que deveríamos estar. Para acompanhar a bica pedimos algo de tradicional e recomendaram-nos duas coisas, só uma pareceu viável: a queijada. Pode até ficar mal dizer, mas esta foi a única queijada continental que gostei e que tive apetite de repetir. Escusado será dizer que o mapa e todo o dinheiro - não muito - na mesa ficou, não fosse eu ter colocado o tabuleiro do pequeno almoço em cima. 

  

 

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Embrance Évora foi o hostel escolhido para pernoitar. Era tudo o que queríamos. Em termos de localização não podíamos pedir mais central, fica numa rua entre a Capela dos Ossos e a Praça do Giraldo. A decoração era, também, absolutamente irrepreensível: moderna e acolhedora. Todos os quartos têm alcunhas, a do nosso assentava-nos que nem uma luva: viajantes. Entre as camas havia uma moldura com uma mensagem deveras inspiradora: "O mundo é um livro e aqueles que não viajam lêem apenas uma página."

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Do hostel, há ainda que realçar o pátio fabuloso que, infelizmente, devido ao estado do tempo, não conseguimos utilizar e o terraço donde fomos observar a noite eborense. Quanto ao preço, a noite custou-nos 30 euros - com um pequeno almoço que continha produtos da zona incluído

 

Próximo do hostel, como disse, estava localizada a conhecida Capela dos Ossos, o monumento pelo qual mais ansiávamos ver. Há alguma dificuldade em explicar os sentimentos que surgem quando se pisa um sítio daquela natureza. Acho que o nome e ler sobre o local em nada nos preparam para a visita. É arrepiante olhar em volta e ver os ossos de tanta gente, que nos parecem perseguir com o olhar, havendo à entrada o seguinte aviso: “Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos”. O objetivo dos frades franciscanos fica assim cumprido, sendo que a visita convida-nos a repensar a nossa condição, a fragilidade, a fugacidade e, digo eu, insignificância da vida.

 

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Próximo dos limites da cidade, acabando a sua estrutura por fazer parte da muralha, encontra-se o Palácio D. Manuel. Como tínhamos pouco tempo até o fecho decidimos tirar partido dos jardins, em vez do que estava exposto no interior. Escusado será dizer que os bancos vermelhos, que podem ver acima, acompanham toda a área verde e agradam os olhos. É também nos exteriores deste palácio que se encontram as tais "Ruínas Fingidas" que, antes de terem realçado serem construídas com materiais provenientes de outras construções, nos fizeram render à expressão "cidade museu" - algo que utilizamos para nos referir a basicamente a tudo o que o olho encontrava. Embora não tenhamos prestado muito atenção ao que estava exposto, o Rúben fez questão de utilizar as instalações e o pouco tempo que tínhamos para disseminar a sua ideologia de paz, sexo e amor....

 

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O Art Café, também localizado próximo do nosso hostel, foi outro verdadeiro achado. O que nos cativou primeiramente foi a música menos comum que se fazia ouvir da rua. Lá dentro, o ambiente distinto. Os objetos que decoravam o espaço não eram apenas obras de arte e, a um primeiro olhar, pareciam fazer parte da coleção de memórias de alguém. Depois, pareceram-me memórias que foram sendo deixadas ao longo dos tempos por todos os que lá passaram. O poema, no placard ao lado da mesa, assim o evidenciou. Quando regressámos, no dia seguinte, para beber um café de despedida, na impossibilidade de escrever poesia, deixámos os nossos pacotes de açúcar afixados. Afinal de contas, os contemporâneos só nos têm reassegurado que a arte pode ser qualquer coisa. A nossa celebra a hipocondria e, como tal, o consumo mínimo de açúcar possível, afinal a vida é mais doce sem diabetes.

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De volta aos monumentos, temos o Tempo de Diana. Foi aqui que o Rúben repreendeu uma turista espanhola, dizendo-lhe que não podia estar lá encostada, uma vez tratar-se do nosso património cultural. A senhora, super constrangida, pediu-nos desculpas aflita. Ri-me desalmadamente. 

 

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Houve muita dificuldade em fotografar toda a experiência, uma vez que o câmara do meu iPhone tem vontades próprias, chovia e a luz que tínhamos não era propícia à arte. Ainda assim, deixo-vos mais algumas fotos antes de concluir o post.

 

No Jardim dos Colegiais, que fica próximo da antiga sede da Universidade de Évora.

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O Aqueduto de Água de Prata fotografado do exterior da muralha, embora, a certo ponto, se unam. 

 

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Aproveitei a fotografia do Rúben para fazer a minha. Neste edifício, que fica ao lado da Fonte das Portas de Moura, localizam-se apenas serviços administrativos

 

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Nestes dois dias conseguimos ver imensa coisa, inclusive o Forúm Eugénio de Almeida, o Museu da Carruagem, o Arco Romano da Dona Isabel e tudo o que as várias voltas que demos permitiram. Confesso que a certo ponto não sabíamos que mais fazer, então continuámos a passear nos círculos inerentes ao planeamento de uma cidade medieval. 

 

Para a questão que me surgiu no comboio envolvendo jornais, vento e alentejanos a resposta é não. Contudo, a preguiça confirmou-se quando, ao pedirmos indicações para regressarmos à estação de comboios, nos disseram que era melhor ir de autocarro, porque ficava muito longe - 10m a pé.

 

E na estação ferroviária de Évora terminou o passeio, onde o começámos - não fosse tudo assim - , mas nem aqui se acabaram as aventuras. Tivemos um encontro a 3, fruto das dating apps, com alguém - não o escrevo assim por questões de confidencialidade, mas porque quando entramos no comboio já não nos lembrávamos do nome. Deste último episódio, só agradeço por sermos dois a tentar manter um ritmo socialmente aceitável de pergunta-resposta-pergunta-resposta até o comboio chegar. 

 

O Rúben, a única pessoa que consigo tolerar durante vários dias seguidos, refere-se a estes passeios como fugas e costuma perguntar-me "vamos fugir?". Garantidamente que sim, vamos fugir mais vezes para regressar e partilhar tudo convosco. 

 

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14
Out15

Recreativa dos Anjos, RDA para os amigos


Leonardo Rodrigues

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 @ruidiasmonteiro

 

Não é um bar, muito menos um restaurante, as placas sobre os balcões assim o deixam claro. No entanto, é pela comida que se sabe da existência da Recreativa dos Anjos e é pela comida que lá se volta. O que importa esclarecer, logo no início, é que existem bastantes mais razões para entrarmos no número 69 da R. Regueirão dos Anjos.

 

As paredes, que dão corpo à garagem onde se localiza o RDA, preconizam que o recheio há de ser ótimo, diferente e cheio de cor.

 

Em Lisboa, e começando por falar na comida, dificilmente se conseguirá comer tão bem, em qualidade e quantidade, por tão pouco. Lá, com quatro euros, podem comer uma deliciosa sopa - nada que ver com a água colorida servida em muitos restaurantes - , um prato principal e uma cerveja - que, mesmo não sendo a única bebida em stock, parece ser a mais apropriada.

 

Numa primeira ida ao RDA podem surgir as seguintes questões: Servem à mesa? Aceitam multibanco? Posso mesmo entrar para ir buscar a cerveja? Terei mesmo de lavar a loiça que sujar? E, algo que se deve perguntar sempre, há café? Não, não, sim, sim, não, são as respetivas respostas.

 

Depois de esclarecido o elementar, na segunda visita, as questões são menos técnicas e mais teóricas, quem são e qual o objetivo? Entre amassar a base da pizza e limpar a polpa de tomate entornada, um dos voluntários do Forno Comunitário respondeu que são uma associação constituída por vários grupos recreativos, e que estes tomam conta do espaço em diferentes dias da semana. Quanto ao objetivo, tem tanto de simples como de complexo: mostrar que há uma alternativa - se não total, parcial - ao capitalismo desenfreado que se vive nos nossos dias. Coisa que os próprios reconhecem limites, "os alimentos que aqui estão tiveram que ser comprados em algum sítio".

 

Se há algo que não tem limites é um sorriso no rosto com que somos recebidos e um espírito de entre-ajuda sem igual que se observa. Falam com toda a gente como se fossem amigos de há muito. Há quem veja os integrantes do projeto como hipsters, mas a própria palavra está mais em voga do que aquilo que significa, o que eles são é livres. Ou, pelo menos, tentam, fugindo ao sistema de coisas.

 

É de notar ainda um cão e um gato bem dispostos, que muito diplomaticamente partilham o espaço, seguindo assim as pisadas dos donos. Só lhes falta falar.

 

Quem frequenta o espaço, à semelhança dos que lá são voluntários, vêm de todos os lados e vestem-se de forma diferente, na fila tanto pode estar um senhor todo engravatado, como alguém descalço. Mesmo pertencendo a um grupo, não se homogenizaram, e isto é prova do tal conseguir fugir, ainda que parcialmente, ao capitalismo.

 

Se lá forem num domingo ou numa segunda terão a Recreativa do Forno Comunitário dos Anjos para vos receber. Em ambos os dias o prato principal é pizza, cabe ao freguês escolher os ingredientes que lá quer colocar. No que à confeção diz respeito, e isto para os mais entusiastas, têm a possibilidade de meter as mãos na massa, com o apoio de um voluntário. O objetivo é dar a conhecer a todos como utilizar um forno e ensinar a fazer pão. A ideia fundadora do projeto remonta de há muito, quando nem todas as casas tinham forno, então, no centro das aldeias, existiam um forno que poderia ser utilizado por todos, o forno comunitário.

 

De Terça a Sexta a confecção dos pratos passa a ser da responsabilidade dos voluntários da Cantina Cooperativa, embora as atividades fiquem a cargo de outros.

 

Seguindo a ordem dos dias da semana, na terça, para além da Cantina Cooperativa, é dia da oficina de computadores - coletivo 1000101 - tomar conta da garagem. Estes têm como missão promover a auto manutenção informática e a utilização de software livre. Se lá levarem o vosso computador avariado alguém há de resolver o problema e, mais importante que qualquer outra coisa, de forma gratuita.

 

As quartas feiras pertencem à Cicloficina dos Anjos que, para além de repararem bicicletas de forma gratuita, vão ensinado a quem por lá passa a arte para que depois também o possam fazer em casa.

 

A Associação Terapêutica do Ruído, terceiro recreativo, descreve-se como uma entidade devota aos efeitos terapêuticos do mesmo. Segundo a sua página, o ruído em doses elevadas permite a libertação das tensões e frustrações do dia a dia. Se passarem pela Recreativa no último sábado de cada mês se poderão experimentar uma libertação total, muito ruidosa.

 

Por último, mas não com menos importância, temos o recreativo do Bookbloc, que organiza uma discussão quinzenal e aborda essencialmente duas grandes temáticas: a cidade e o feminismo. Para abordar estas temáticas utilizam sempre um texto ou um filme como base.

 

Este mês, para além do que acima foi escrito, haverá ping-pong às quintas e boxe ao sábados. A agenda, que é bem mais vasta e onde constam atividades como workshops e tertúlias, pode ser encontrada no blog da Recreativa ou na sua página do Facebook.

 

Não se admirem por de lá sair com um sorriso nos lábios, talvez seja da companhia, talvez seja da comida maravilhosa que não esvaziou os bolsos, talvez seja por outra coisa qualquer.

 

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