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LEONISMOS

LEONISMOS

21
Mai16

Porto Tónico: Verão dentro dum copo


Leonardo Rodrigues

Provei recentemente, e pela primeira vez, o Porto Tónico. Não foi um qualquer, como os que se servem por aí a preço de ouro. Este tinha o verão lá dentro. Quando vi a bebida a ser preparada à minha frente nem conseguia falar, só observar. É belíssima, os aromas que se vão libertando também. Só pensava "verão dentro dum copo", o que é curioso. O verão é quente, a bebida é fresca. A associação só se pode dever ao facto de no verão precisarmos de coisas frescas, com cor, preferencialmente dentro de copos. Embora a foto não seja ilustrativa, visto haver pouca luz, espero que o modo de preparação vos permita entender. 

 

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Igredientes:

  • Limão
  • Laranja
  • Hortelã
  • Vinho do Porto branco seco
  • Água tónica
  • Paus de canela

 

Modo de preparação: Sou supersticioso com a ordem pela qual se colocam os ingredientes, por isso vou tentar explicar o que vi. Esmaguem a hotelã q.b - posso usar q.b como entender - , sem a desfigurar completamente, afinal os olhos comem primeiro. Depois, coloquem dois paus de canela dentro do copo e uma rodela de limão - parcialmente espremida. A isto segue-se a colocação do gelo. A quantidade vai depender do tamanho do copo, este, por exemplo, tinha 4 pedras. Quando o gelo estiver lá dentro, é hora de adicionar o vinho do porto e de ver nevoeiro - no verão, isto só melhora, eu sei. Depois do vinho, a água tónica, 50/50 é o ideal. Raspem um pouco de casca de laranja para lhe dar o toque final. Voilá. Repetiam o processo consoante o número de convidados.

 

Agora que já podem beber o verão, não se sintam gratos a mim, agradeçam ao Miguel do saliva.pt que me apresentou a bebida.

 

06
Mar16

Entrevista com "Um Estranho por Dia"


Leonardo Rodrigues

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Parece que descobri o projeto "Um Estranho por Dia" um pouco mais tarde do que o resto de Portugal. Na semana passada, alguém achou por bem partilhar comigo a página dos quatro rapazes que vêem na foto acima. Uma hora depois, lá estava eu ainda a ver imagens de estranhos, que se iam tornando conhecidos à medida que lia as suas histórias. Depois do Você na TV, a Tarde é Sua e aparecerem no Público, Miguel A. Lopes - o fundador do projeto - deu ao Blog Leonismos a conhecer o lado de quem fica atrás das câmaras a imortalizar os anónimos. 

 

Leonardo Rodrigues: Antes de falarmos do projeto, quem são vocês?

Miguel Lopes: Somos quatro fotojornalistas, Miguel A. Lopes, Rui Soares, Rui Miguel Pedrosa e João Porfírio.

 

LR: Por quem e em que circunstâncias surge "Um Estranho por Dia"?

ML: No dia 29 de novembro fotografei o Benjamim. Coloquei um post com a foto no meu Facebook a dizer que iria começar a fotografar uma pessoa estranha por dia. Nos comentários à foto o Rui Soares e o Rui Miguel Pedrosa acharam muita piada e que gostariam de fazer o mesmo. Perguntei-lhes o que achavam de criarmos um projeto, e o nome Um Estranho Por Dia surgiu-me logo na cabeça. Eles concordaram e eu convidei o João Porfírio também a participar. O João foi estagiário na Lusa onde trabalho e achei que ele iria gostar e todos concordámos que sim e criámos nessa noite o projeto.

 

LR: Como é que os vossos 4 destinos se cruzam?

ML: Já conhecia o Rui Soares aqui de Lisboa, cruzávamo-nos em alguns serviços. Da mesma maneira conheci o Rui Miguel Pedrosa, mas penso que em campanhas eleitorais onde andei pelo país, pois o Pedrosa é de Leiria. O João, como disse, foi estagiário na Lusa, onde o fiquei a conhecer melhor.

 

LR: De que forma é que descobrem estas pessoas extraordinárias e as abordam?

ML: Não há fórmula mágica. Os estranhos vão aparecendo, são pessoas comuns com quem nos cruzamos e por alguma razão nos chamam à atenção ou nós a elas.

 

LRTive a oportunidade de reparar que no Você na TV pediram-vos para mostrar a vossa fotografia favorita e explicar o porquê. E agora, ainda permanecem as mesmas?

ML: Acho que há várias histórias que nos marcam, nessa altura tínhamos o projecto há pouco tempo e por questões de tempo fomos obrigados a escolher apenas uma cada um, mas há muitas muitas histórias que nos tocaram. As minhas (cliquem nas imagens para ler as histórias):

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Benjamim

 

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José António

 

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 Marta Félix

 

As do Rui Soares:

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 Patrícia Morgado

 

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Pedro Maria Carneiro

 

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Ana F.

 

As do Rui Miguel Pedrosa:

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António Moreira

 

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Carlos (Tatiana é o nome artístico)

 

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Alcino Oliveira

 

E as do João Porfírio:

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 Daniel S. e Ricardo M.

 

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Maria Rita

 

LRPor vezes o que fazem parece ter uma função terapêutica na vida das pessoas. Como é que isso se tem manifestado?

ML: Sim, talvez haja pessoas que tenham a necessidade de desabafar e muitas vezes sentimos que falam connosco o que não falam com mais ninguém, ou naqueles minutos sentem que alguém as está a ouvir e a dar-lhes atenção.

 

LRÉ frequente emocionarem-se com as histórias que vos contam?

ML: Sim, obviamente que sim. Há histórias que foram autênticos murros no estômago. Histórias fortes de vidas duras ou de acontecimentos muito tristes que marcaram sem dúvida a vida dos nossos estranhos, e a nós também. 

 

LR: Mantêm contacto com os desconhecidos que fotografam?

ML: Sim. Obviamente é impossível manter contacto com todos, mas há estranhos dos quais nos tornamos amigos e quando nos cruzamos falamos sempre.

 

LRO relato que me ficou no pensamento é o do arrumador de carros. Nunca mais poderei olhar para um da mesma forma. Como é saber que este trabalho tem um impacto tão bom em quem o vê? 

ML: É brutal! Acho que isso tem um efeito muito positivo em nós os quatro. Dá-nos força e motivação para continuar cada vez com mais vontade de conhecer estranhos.

 

LR: Para terminar, gostava de entender a vossa perspectiva relativamente ao rumo que a profissão de fotojornalista está a tomar. 

ML: Olhamos todos com muita apreensão e preocupação. Cada vez os jornais vendem menos, falando do papel, muitos têm acabado por fechar e têm levado muitos fotojornalistas para o desemprego e isso é preocupante. Mas há um contra-senso pois o que tem mudado é o formato, com a internet a ser o principal mercado são precisos muito mais conteúdos. Acho que é uma fase de transição e há que encontrar novas formas de financiamento.

 

Obrigado!

 

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26
Dez15

Resolução para 2016


Leonardo Rodrigues

Neste ano que quase passou, entre mil, tinha como resolução escrever mais e chateia-me que não o tenha feito. A verdade é que não tenho sempre o que escrever, embora, enquanto pessoa atenta que sou, por vezes tenha a felicidade de ouvir uma mãe a dizer à filha que a vai por a ganir no supermercado ou uma senhora a dizer ao marido que lhe há de fazer o dobro dos galos, mas não há muito que retirar dali a não ser: automedicar-me antes de decidir casar e ter filhos, ou não o fazer.

 

Quando tenho demasiado também costumo abster-me. Há uns tempos disse-vos que ia rumar a sul e lá fui, mas foi tão bom que, com demasiado pano para mangas, decidi guardar tudo para mim.

 

Como 2015 está a acabar, e sendo que encontrei a minha nova resolução no Porto, prefiro levar-vos para norte - o ponto cardeal que todos têm medo de perder - e contar-vos fragmentos das minhas visitas até à resolução para o ano novo.

 

As viagens que até lá tenho feito revelam-se sempre palco de novas descobertas e, mais recentemente, aprendizagens, afinal descobrir nem sempre implica aprender.

 

Na primeira visita, quando tinha apenas oito anos, escolho recordar-me apenas de ouvir 10 vezes uma palavra começada por "c", num jantar com amigos da família. Da boca da minha mãe, até à data, só tinha ouvido a que começa com "m" e, pela minha tia, a f word. Quero com isto dizer que não aprendi nada, apenas descobri uma palavra nova que não podia usar.

 

Na segunda, já maior de idade e com um doutoramento em palavras curtas com significados fortes, não aprendi mais, mas pude empregar tal vocabulário, ainda que mentalmente, ao descobrir que nunca vou entender como funciona o metro do Porto - possivelmente por casmurrice.

 

Na terceira, sendo que na maior parte do tempo só tive a companhia da chuva, ao caminhar, aprendi que o mais importante não é a companhia dos outros ou os níveis de pluviosidade, mas a minha capacidade de desfrutar de mim. Então, com um sorriso na cara, dançando com o vento e com a chuva, lá subi e desci tudo o que era rua e percorri os essenciais, da Ponte D. Luís à Livraria Lello.

 

Como as coisas só podem melhorar, nesta última e quarta visita, sentei-me finalmente no café Majestic e não poderia ter ficado mais satisfeito, especialmente com aquilo que tocava o pianista.

 

Mas só depois de cair o sol, quando fui para a outra margem olhar o Porto, é que viria a encontrar a minha resolução para 2016, e da forma mais caricata possível. Fui abordado por alguém que dizia querer saber as horas, embora as tivesse para me corrigir. Depois perguntou-me se era artista, sem saber ainda se era um assalto, ri-me e disse, com pouca convicção, que quase jornalista. Após alguma conversa e eu a não perceber que tipo de assalto era, ele diz-me ao afastar-se: hoje em dia toda a gente pode ser o que quiser ser, fica bem.

 

Senti-me parvo por ter pensado mal de alguém que tem a capacidade meter conversa com qualquer pessoa, em qualquer lado, e fiquei a pensar naquela frase até hoje, o que me fez decidir que este ano o meu único desejo, mais do que nunca, é ser quem quero ser.

 

Acho que foi a ausência de consciência de quem quero ser que me levou a adiar ou desistir de certas coisas este ano. Penso que não estou sozinho. Da última vez que desistiram das vossas resoluções estavam a ter em consideração a pessoa em que se querem tornar ou a vozinha que diz que não são capazes?

 

Como sei que têm de comer tudo o que encontrarem com açúcar até à nova dieta, vou calar-me com o que me diz um grande amigo meu, "só tens que fazer o que é para fazer a seguir", sem desculpas - essas podem mandar se "f", para o "c" e para a "m".

 

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07
Ago15

Ler +, Viver + e desculpar-se -


Leonardo Rodrigues

 

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Foto sem direitos de autor 

 

Quantos de vós gostariam de ler mais e não o fazem por falta de tempo?

 

Isto de ler nem sempre é fácil à primeira vista, mesmo para quem gosta, especialmente para um trabalhador-estudante que tem de acompanhar mil e uma séries, jantar com os amigos, faltar às aulas para ir até ao Porto, cumprir certas obrigações e fazer sabe-se lá mais o quê.

 

Há quase um ano que não conseguia acabar um livro, excetuando aqueles que se podem ler num dia uma frase, noutro dia outra, acabando tudo por fazer sempre muito sentido.

 

Com aqueles que, para uma compreensão total da obra, se exige uma leitura do princípio, do meio e do fim - mesmo que o autor lá vá trocando a ordem das coisas a seu belo prazer - começava, lia até meio, passava a ter algo de mais importante a fazer e colocava de parte. Eventualmente surgia outro livro que considerava imperativo ler e dava-se uma repetição do ciclo.

 

Esta história que andava a contar da falta de tempo, como muitas das que conto (e que sei que toda a gente conta), parecia-me familiar, há uns tempos tinha uma muito semelhante: não tinha tempo para começar um blog e mantê-lo. Surpresa, não só consegui começar como estou a escrever mais do que nunca e, nos dias e posts de sorte, ainda tendo o privilégio de ser destacado pelo Sapo - algo que agradeço imenso.

 

Agora não falando apenas das leituras, mas falando sempre, fabricamos constantemente histórias que nos impedem de fazer o que gostamos, por vezes destes prazeres tão simples como ler e escrever. Fabricamos não só para não fazer, mas para não viver.

 

Se formos a observar bem, e voltando agora de forma concreta às leituras, até temos tempo. Momentos para ler livros a sério não faltam. As oportunidades estão em todo o lado. Se posso ler tudo o que é notícia, ouvir música, escrever, trabalhar e passear, posso ler a sério. A minha vida está cheia de oportunidades:

 

Ora, temos a viagem de dez minutos de comboio que faço duas vezes por dia, as mil e uma pausas no trabalho, a horita que nos dão porque assim são obrigados e todas as mais que preciosas idas ao café. Ah, e a verdade seja dita, se podemos levar um tablet para a casa de banho e jogar Temple Run, podemos levar um livro.

 

Neste momento estou a ler A filha do Conspirador, de Philippa Gregory. Está a ser uma delícia. Ainda não decidi se vou fazer uma review ou não, maioritariamente porque ainda não decidi se o sei fazer ou não. António Lobo Antunes acha que não se deve falar de livros e talvez use isto como desculpa, até mudar de ideias.

 

Já agora, se quiserem partilhar, adoraria saber o que andam a ler e o que prescrevem para a minha reabilitação literária.

 

 

foto do autor

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