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LEONISMOS

LEONISMOS

25
Out17

A dança da (in)competência


Leonardo Rodrigues

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Antes de mais, este não é um post a dizer a ninguém "és feio, mas sem ofensa". Temos todos uma parte menos bonita, até no que à competência diz respeito. E é disso que quero falar. 

Acredito que a todos devem ser dadas as mesmas ferramentas e oportunidades. Alguns pegarão nisto e irão transformar as suas vidas e as de outros. Outros, mesmo com mérito, nem sempre conseguem lá chegar. Há ainda uma outra esfera que, de forma geral, decide fazer uso do poder político. 

A política não se faz apenas no Estado, está em todo o lado, até nas reuniões de condomínio, e tem que ver com likeabiliy e saber usar a palavra. É o tal jogo de cintura. Seremos hipócritas se dissermos que nunca deixámos uma verdade incómoda no ar para que tivesse um efeito x ou y. 

Existem pessoas que não têm um talento nem capacidade especial, apenas isto, jogo de cintura nível ventre da Shakira. Embora este comportamento por vezes seja sufocante de observar, parece a mais natural dança de sobrevivência, em grandes empresas e no Estado. 

É com esta dança que, muitas vezes, aqueles à margem da competência sobem. Curiosamente, e com pena, nem sempre quem promove isto se apercebe e, pior ainda, quem está na base da cadeia alimentar não ousa dizê-lo. 

Talvez não tenha muito que ver, mas isto faz-me pensar num conceito de economia, chamado de Mão Invisível, a regulação natural e mágica da economia. Como que por magia, parece que deixamos tudo se auto regular, enquanto observadores passivos.

Atenção que sei que metade das vezes não é nada assim. Contudo, quero dizer que seja onde for, para haver uma mudança real, temos de nos juntar à dança, dando o exemplo, dançando e fazendo diferente. É a formula de sempre. 

 

 

 

17
Out17

As árvores vivem de pé


Leonardo Rodrigues

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A vida real não é um espetáculo de grandes planos e de música cinematográfica. Sinto, vez após vez, que os cenários que se descrevem como dantescos se apresentam assim perante nós. 

Pior, as pessoas que elegemos, sucessivamente, fazem o mesmo. Querem pareceres, relatórios, análises e, se ainda houver dinheiro, um desenho. Depois do frenesim mediático, tudo morre, ano após ano. E com a morte mediática, vem a morte da floresta e das gentes. 

Não temos de ir muito longe nesta curta linha de tempo, a Câmara de Leiria sabia que o pinhal necessitava de limpeza. Creio que tinham deixado para 2018. Agora que sobrou um bocadinho de pinhal, talvez mandem fazer um museu em 2020 - desde que, claro, não disturbe o OE.

A culpa não é exclusivamente da inoperância de quem tem meios e autoridade para atuar. É também das empresas com sede de lucro, de quem não faz nem deixa fazer com os terrenos, de quem não limpa, de quem suja, de quem não quer saber, e de quem acha por bem queimar centenas de anos. Como a mãe de uma amiga diz, "quando a lei é branda o homem é mau".

O eucalipto não tinha de ser um inimigo a abater, se não fosse a espécie predominante. É muito bonito termos meio milhão de proprietários florestais, mas corre mal quando temos menos de 16% de floresta pública. Sabemos que o sobreiro - embora existam espécies melhores - serve de "tampão", por causa da cortiça, mas o pinheiro e eucalipto ganham a discussão económica. 

Não tenho dúvidas de que vamos conseguir replantar, que temos conhecimento que chegue para recuperar, mas tem de haver uma completa reestruturação deste sistema. Não chegam palavras de ação sem a ação. Tal como as doenças, a solução mais eficaz, e barata, é prevenir. Além de ser tempo de punir, é de dar o exemplo. Temos de ir para a rua mostrar descontentamento, é verdade, mas também de sair para cuidar.

E, embora a lei tenha de ser dura lex sed lex, serve apenas de relações públicas, se a consciência de um povo não a acompanhar. Precisamos de uma mudança de consciência, precisamos que Portugal perceba que não comemos graças ao dinheiro dos 2% que a floresta alimenta, mas que 100% respira graças às árvores que, vivendo em pé, sem dias de folga, tornam o nosso ar respirável. 

 

 

25
Set17

Entrevista a Ricardo Robles, candidato à CML


Leonardo Rodrigues

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Foto: Paulete Matos

 

Numa altura em que a geringonça política provou ser uma máquina que funciona, as eleições autárquicas ganham nova vida. E, por consequência, a mensagem torna-se mais difícil de distinguir, especialmente quando a Assunção troca as roupas de designer e o Mercedes, para se misturar com o povo de calças de ganga e bicicleta. São também lançadas ideias que vão além das 20 estações, por exemplo segregação nas carruagens do metro. Coisas de outros tempos. 

Numa procura por coerência, e por ser o primeiro ano em que vivo as eleições em Lisboa, decidi entrevistar o candidato que apoio, Ricardo Robles, do BE. Nesta entrevista, que pretende ser esclarecedora, o candidato dá-nos a conhecer a visão que tem para a cidade de Lisboa, percorrendo tópicos que são bandeira de campanha: habitação, transportes, precariedade e transparência. Houve ainda tempo para conversarmos sobre direitos, tanto de pessoas como de animais. 

 

Leonardo Rodrigues: Quem é Ricardo Robles, e porque podem os lisboetas confiar em ti?

Ricardo Robles: Nasci em Almada, sou Engenheiro Civil de profissão - especialista em reabilitação e eficiência energética -, activista, estive na fundação do Bloco de Esquerda. Nos últimos quatro anos fui líder da bancada do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Lisboa. O nosso mandato na Assembleia Municipal provou que o Bloco faz falta também na Câmara, e temos propostas que melhorarão a vida de quem cá vive e de quem cá quer viver. Creio que estes são os principais motivos pelos quais os lisboetas nos devem confiar os seus votos, seja na lista que  encabeço à Câmara Municipal de Lisboa, seja na lista à Assembleia Municipal, seja ainda nas listas de todas as freguesias de Lisboa. 

 

LR: Que rotinas tens, individualmente e em família, quando não estás em campanha para a maior Câmara do país?

RR: As rotinas são semelhantes às da maioria dos lisboetas: trabalho, família, amigos, lazer. Sempre que posso gosto de praticar desporto, sobretudo futebol com os amigos. Na fase da campanha algumas destas coisas ficam adiadas. 

 

LR: Enquanto lisboeta, a vida tem vindo a mudar para melhor ou pior?

RR: Haverá certamente aspetos em que a vida de quem vive em Lisboa - e de quem nos visita, já agora - melhorou, e outros em que piorou. Todos os que, como nós, gostam da democratização do turismo,  de ter uma cidade cosmopolita e aberta ao mundo, sentem que isso foi algo de muito bom para Lisboa. Faltou, no entanto, estar precavido para a outra face da moeda. A vida de quem cá vive piorou bastante no acesso à habitação, pois a procura de Lisboa, conjugada com a política dos Vistos Gold, provocou um aumento dos preços na habitação que, literalmente, expulsa os lisboetas de locais onde antigamente habitavam. A este respeito, não temos como não nos lembrar da Lei dos Despejos, lei essa que tem em Assunção Cristas a sua autora.  A mobilidade em Lisboa, nomeadamente a qualidade dos transportes, está também muito pior. O Governo PSD/CDS desinvestiu no Metro e na Carris para desvalorizar estas empresas públicas, preparando-as para uma entrega a privados. Este desinvestimento - que se deu ao nível de motoristas, comboios/autocarros/ elétricos, nas oficinas etc... - teve um impacto brutal que todos nós sentimos: aumento dos tempos de espera, carruagens e autocarros cheios e uma experiência terrível que todos sentimos no dia-a-dia.

 

LR: No teu entender, qual deverá ser o foco da CML no próximo mandato?

RR: As nossas prioridades estão bem definidas: habitação, transportes, luta contra a precariedade, e, por fim, mas muito importante, transparência. Acrescentando algo ao que já disse sobre habitação e transportes diria o seguinte: na habitação é necessário estancar a venda de património municipal, para que este possa ser colocado no mercado a preços acessíveis. Se tal for feito, não só temos habitação disponível a preços acessíveis, como o mercado poderá ver-se obrigado a baixar os preços que atualmente estão a ser praticados. Quanto aos transportes, bater-nos-emos contra a ideia da linha circular que Fernando Medina quer criar no Metro. Ao invés, a nossa proposta vai no sentido de estender a linha de Metro a zonas que não o têm, e falo da zona ocidental (Campolide, Campo de Ourique, Alcântara, Ajuda e Belém). Queremos tornar ainda Lisboa na cidade precariedade zero, pois não é admissível que a CML não valorize e não dignifique o trabalho. Os falsos recibos verdes têm de terminar, e a CML tem de privilegiar parceiros que respeitem a lei laboral. Quanto à transparência, e assim tenhamos força para tal, iremos pugnar por uma informação completa e exaustiva de todos os negócios que envolvam a CML. O BE, nestes últimos 4 anos, esteve na linha da frente da denúncia de uma série de decisões que nos levantaram dúvidas como p. ex. a adjudicação dos terrenos denominados como triângulo dourado, o conhecido processo do Hospital da Luz. Estas são algumas linhas gerais do nosso programa.

 

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LR: O que pode o Bloco de Esquerda fazer por Lisboa, e que o PS apenas prometeu? 

RR: Esta é uma questão muito importante. O PS está na CML há 10 anos - 8 com maioria absoluta - e há uma série de promessas adiadas. Há exemplos recorrentes, como corredor bus na A5, que todos os actos eleitorais vem à tona, mas que nunca foi cumprido; há exemplos que mostram a incapacidade do PS, como o de terem - e bem - levado a cabo um estudo para ver quantas creches eram necessárias e, depois desse levantamento ter sido feito, apenas terem criado 12 das 60 creches prometidas. Em conclusão, o PS assume-se nestas eleições com um discurso do "agora é que é", mas os lisboetas sabem que se 8 anos de maioria absoluta não tornaram as promessas realidade, não serão mais 4 que o farão. Esta é a prova que as maiorias absolutas, nas Câmaras como no País, não são benéficas para a população.

 

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LR: Antevês uma solução para o caos que diariamente os lisboetas enfrentam com a Carris e o Metro?

RR: Isso dependerá do resultado eleitoral. Se a escolha for dar força ao BE, cremos que é possível voltar a dar dignidade à Carris e ao Metro. Em ambos os casos, será necessário investir e tomar medidas que favoreçam a população. Aproveito para acrescentar mais duas propostas do BE que passam por baixar os preços dos bilhetes, para que seja possível recuperar os 59 milhões de passageiros que os transportes perderam;  e aumentar a frequência dos comboios e das carreiras - neste caso, estudando novas rotas – que é essencial para que as pessoas possam optar por não usar carro. 

 

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LR: O custo no acesso à habituação no concelho de Lisboa continua a ficar mais elevado, quer através do arrendamento quer através da compra. Como se devolve a cidade a quem já não a pode pagar? 

RR: A habitação é um dos maiores problemas em Lisboa. Já tive oportunidade de vos responder a algumas questões quanto a este problema, mas há mais a dizer. A CML tem direito de preferência sobre todas as transações sobre imóveis que sejam realizadas no Município. Este direito tem de ser exercido, para que, posteriormente, a CML possa colocar estas casas no mercado a preços acessíveis. Outra medida que é essencial passa por tornar obrigatório que quando um prédio em propriedade horizontal vai ser construído ou reabilitado, o construtor saiba que tem de deixar uma percentagem de fogos para habitação a custos controlados. Nós defendemos que seja pelo menos de 25%. Exemplificando, se se constrói um prédio com 100 fogos, 25 destes terão de ser reservados para habitação a custos controlados pela CML. Só assim é possível combater os desequilíbrios que temos sentido.

 

LR: O turismo, que tanto contribuí para os bons números da economia, está a mudar as nossas vidas, nem sempre para melhor. Temos de receber menos pessoas ou criar melhores condições para as receber, sem comprometer as de quem pertence à cidade? 

RR: O turismo é bom para a cidade de Lisboa, é bom para os lisboetas e, claro, é bom para quem nos visita pois tem acesso a uma cidade com uma riqueza ímpar, a todos os níveis. O tempo tem dado razão ao BE nesta questão, já que há 4 anos tínhamos a cobrança da taxa turística que é agora cobrada. O problema é que Fernando Medina entregou às entidades que exploram o turismo a gestão da verba que o Município cobra, isto é, tira com uma mão para dar com a outra. A grande diferença é que o BE propõe que a taxa turística sirva para minorar os efeitos do turismo, desde logo servindo para financiar a já referida habitação que será colocada no mercado a preços acessíveis. Propomos ainda que esta taxa turística seja aumentada para 2 euros por noite. 

 

LRMuitos jardins e espaços verdes em Lisboa, fora do sítios que inglês vê, estão entregues à sua sorte. Pode a câmara cuidar de todos?

RR: Pode e deve. É uma obrigação da CML zelar pela sua propriedade. A manutenção de alguns dos espaços verdes passaram para a responsabilidade das juntas de freguesia. Em ambos os casos a manutenção deve ser uma prioridade para que os lisboetas possam usufruir destes espaços.

Fugindo aqui ao âmbito da pergunta, mas uma vez que é colocada a função do Município como zelador do património municipal, queria referir o estado lastimável em que se encontram a esmagadora maioria dos bairros municipais. Temos conhecimento de muitos elevadores que não funcionam - deixando as pessoas de mobilidade reduzida presas em casa ou dependentes de familiares -, pequenos reparos que ficam por fazer, a limpeza nestes bairros é descurada. A CML não pode ser o pior dos senhorios. No outro dia, em visita a um destes bairros, uma senhora contou-me que foi à Gebalis pedir para que esta assumisse a pintura de uma zona da sua casa que estava degradada e aquela empresa disse-lhe que levasse ela as tintas e pintasse. É um caso, como tantos outros, que revela que algo tem de mudar. 

 

LR: Com uma câmara liderada pelo BE, continuaria o Terreiro do Paço a ser cedido à ILGA para o Arraial Pride, nos atuais moldes? 

RR: O Bloco de Esquerda estará, como sempre esteve, na linha da frente no apoio aos direitos LGBTI. Como tal, o BE valoriza todas formas que sirvam para cristalizar estes direitos na nossa sociedade. O Arraial Pride continuará a realizar-se - podendo a CML aprofundar a forma de colaboração, garantindo, p.ex., um protocolo de cedência do espaço por 5 anos -, mantendo-se, igualmente, o Festival Queer, a Marcha do Orgulho LGBTI sendo que, também nestes casos, o caminho é aprofundar formas de colaboração. É importante garantir o apoio da CML às associações que se envolvem na preparação e realização destes eventos.

Todas as formas de combate à descriminação, onde se inclui também, por exemplo,  Festival da Diversidade, contarão com o apoio do Bloco de Esquerda, afinal, esta é uma das nossas matrizes identitárias.

 

LR: Continuam a existir na cidade situações em que grupos LGBTI são vítimas de algum tipo de violência. Pode também uma câmara educar, para promover igualdade entre todos e combater o bullying?

RR: Claro que sim. Sabemos bem que as alterações legislativas são importantes, mas não são suficientes. Há um caminho que começou a ser percorrido, mas que ainda tem estrada para andar. Esperando que todos os tipos de violência sejam julgados e condenados, a CML tem de fazer o que lhe compete para promover a igualdade e os direitos LGBTI. O Bloco de Esquerda defende a abertura de um Centro Municipal de Acolhimento e Cidadania LGBT+. Um espaço que defenda e promova os direitos humanos e que ajude  e albergue vítimas de discriminação e violência, preste apoio social e psicológico e disponibilize aconselhamento jurídico.

 

LR: Em 2017, têm as touradas lugar numa cidade como Lisboa?

RR: Não. Uma CML liderada pelo BE não apoiará qualquer atividade tauromáquica. No nosso programa assumimos explicitamente um compromisso de não autorização de espetáculos com animais. A associação de Turismo de Lisboa, que é presidida pelo presidente da Câmara Municipal, não deve associar-se a espetáculos com animais nem participar na publicitação dos mesmos.

 

LR: Para terminar, com tópico dos animais, a atual câmara parece impotente no que diz respeito a animais sem lar. Que sugeres para melhorar a qualidade destes coabitantes?

RR: Nesta campanha, já tive oportunidade de visitar a Casa dos Animais, o LxCRAS e de intervir em vários debates sobre os direitos dos animais. A Casa dos Animais de Lisboa (CAL), o centro de recolha oficial, é responsabilidade direta da Câmara Municipal. Nos últimos anos estas instalações melhoraram com algumas obras, fruto da pressão cidadã, mas continuam a ser insuficientes para garantir o bem-estar dos animais da nossa cidade. A Casa dos Animais está sobre lotada e fecha as portas quando os munícipes pedem ajuda para que acolha e trate animais. Tal não pode acontecer, pelo que a CAL tem de estar aberta 24 horas por dias, sete dias por semana.

Iremos igualmente lutar por campanhas de esterilização e adopção, sendo que só assim poderemos garantir o bem estar animal, bem como ir diminuindo o número de animais errantes.

Uma palavra final para a figura do/a provedor/a dos animais. Este papel terá de se assumir como verdadeiramente independente e com meios que lhe permitam exercer a sua função. Defendemos também que o/a provedor/a não seja encontrado/a por meio de nomeação política, mas sim através de uma eleição. 

LR: Obrigado!

 

Seja qual for a vossa cor política, votem sempre!

 

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09
Dez16

Descobri que o PSD tem Facebook e faz vídeos


Leonardo Rodrigues

Para um partido, ter uma página de Facebook é algo que deveria fazer todo o sentido. O PSD faz-me contrariar a frase que escolhi para começar o post. Especialmente quando o partido usa este meio para deturpar a realidade, oferecendo um ponto de vista que, de tão próprio, nem os seus militantes entendem. Descobri um vídeo além-ridículo acerca das ciclovias e das bicicletas. Ei-lo:

 

Os números e interpretações do PSD são sempre curiosos. Geralmente, e enfatizando os últimos tempos, pouco contribuem para o debate público, muito menos para uma mudança e educação dos portugueses. Os números não são realistas e, pelas imagens, cobrem uma zona muito reduzida. TPC: ler definição de amostras representativas e maiorias parlamentares.

 

O inverno veio para ficar, embora se vá disfarçando de verão. Não é só agora que de repente vamos para as ruas contabilizar as bicicletas. Vou no meu quarto ano em Lisboa e o aumento é real. Os lisboetas sabem, só falta o PSD. 

 

Sempre que espero o autocarro pela manhã, num time frame variável entre 10 minutos a 1 hora, dependendo do estado de espírito da Carris, conto pelo menos 5 bicicletas e pelo menos um ciclista buzina-me por estar a dormir na ciclovia. O meu colega de casa, outro exemplo próximo, vai todos os dias de bicicleta para o trabalho. Estas ciclovias permitem, ainda, aos fãs da trotineta e do skate chegar a sítios.

 

Custa a muito boa gente que o betão e calçada são para andar, e que o pavimento rosa é para as bicicletas. Muitas vezes porque o do pedestre está degradado - e aí subscrevo, não é justo. Outras, só porque sim. O pedestre quer passeios em condições, o condutor uma estrada sem buracos e o ciclista exatamente o mesmo. Podem não fazer intenções de usar bicicleta, mas isto não é motivo para se opor a uma alternativa que polui zero e melhora a vida de todos - dos que caminham com menos fumo, dos que conduzem com mais espaço  na estrada e dos que querem um assento no autocarro.

 

O mundo, Portugal não pode ser exceção, necessita de alternativas de mobilidade sustentáveis, para o planeta e para a nossa saúde. Que a aposta passa pelos transportes públicos não há dúvidas, mas neste momento é isto 
 
Claro que nem sempre seremos nós a beneficiar diretamente das nossas infraestruturas. Em Lisboa, para além dos lisboetas, avistam-se todos os dias dezenas de turistas a usar bicicletas - são menos nos transportes públicos, menos a usarem outros meios poluentes como os táxis e ubers. É uma boa notícia para o ar - não se esqueçam deste dado adquirido. 
 
Porque estaria o PSD a tentar denegrir algo que faz parte do futuro? Não é com o futuro que o partido está sempre preocupado? Talvez porque o futuro das autárquicas é mais importante?
 
PS. CML, as ciclovias estão a ir a bom porto, que a Carris siga a mesma estrada.
 
 
 
 
09
Nov16

"But Nobody Likes Trump" (OPINIÃO)


Leonardo Rodrigues

"But nobody likes Trump", foi isto que ouvi há dois meses da boca de uma filha de emigrantes portugueses nos EUA, com seis anos, enquanto desfrutava de uma combinação de gelado de meloa e gengibre na Gulbenkian. Pensei em escrever sobre este episódio, mas pareceu-me tão irrelevante como especificar o sabor do gelado. Limitei-me a elogiá-la na altura.


Parece razoável dizer que sobrestimámos todos a ambiciosa tangerina laranja com cabelo de golden retriever - uma das melhores coisas que ouvi no decorrer desta eleição. Inicialmente era só uma brincadeira e nunca se os late night shows conseguiram piadas tão boas. A brincadeira foi-se tornando cada vez mais séria, até que hoje acordámos todos de ressaca.


Ouvi logo que acordei: “não vais gostar de ver o que está a acontecer.” Não gosto, custa-me que alguém goste e os motivos questionáveis por detrás desse contentamento.


Foi apregoando desumanidade que venceu. Por isso, esta vitória, é uma preocupação que nos diz respeito a todos, não apenas pelo mercado de capitais, mas pela economia dos valores e direitos que pode regredir.


Embora o voto popular seja de Clinton, não se pode esquecer que a outra metade da América decidiu queimar o voto por alguém pouco transparente, com um discurso baseado na mentira, desconfiança e ódio.


Analisando em detalhe, é muito difícil que alguém que deixou a cruz para Trump não tenha sido, de alguma forma, alvo das suas ofensas. Recuando a 1998, cito-o: “Concorreria como republicano. São o grupo de eleitores mais estúpidos do país. Acreditam em qualquer coisa que passe na FOX News. Eu poderia mentir que eles mesmo assim engoliriam. Aposto que os meus números seriam fantásticos.” Ele estava certo.

Hoje tornei a foto do meu perfil pessoal preta e legendei com “RIP America”. Para alguns isto pareceu exagerado, mas é apenas uma forma simbólica de mostrar luto, solidariedade para com os bons princípios dos americanos e do mundo. Globalização e Americanização são quase o mesmo. A América perdeu e o Mundo também.

Hillary Clinton, ainda assim, deixa-nos esperançosos: "Esta perda dói. Mas, por favor, nunca parem de acreditar que lutar pelo que está certo vale a pena. Vale sempre a pena."

E para terminar ainda em melhor tom, cito um comentário cheio de esperança que encontrei: “Nós não fugimos, não nos escondemos, não nos mudamos para o Canadá, nem Narnia nem Middle Earth, - reagrupamos, organizamos e voltamos dentro de quatro anos. Certo?”

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22
Mai16

E se você fosse a Catarina Martins?


Leonardo Rodrigues

Quinta-feira passada, estava eu à espera do meu 726, a torrar numa paragem nos Anjos, quando ouço o seguinte "O autocarro já deveria ter passado", seguido dum, Mas "Eles só fazem o que querem". Eles quem, senhora? É redutor ver mal em tudo. O autocarro não estava atrasado, passou na hora que era suposto, essa hora era desconfortável apenas porque o não gostar de esperar e o calor intenso são um mal comum. Não tem nada a ver com Eles - a entidade que serve para tudo. Tenho amigos da América Latina que viveram meses suficientes em Lisboa para elogiarem a nossa rede de transportes. Não damos valor nem pensamos sobre o que temos, só no que não temos. Chateamos-nos com o que não importa. Não é só a saudade que nos está no sangue, no sangue está também uma forma de pensar pequenina e mesquinha. Isso assenta em frases como: Eles só fazem o que querem. Antes de enviarem informações à boca para articular tamanhas barbaridades, formulem questões simples como: eles quem? Não estou aqui para me chatear com os meus momentos Carris - costumo ter conversas maravilhosas com estranhos. Estou chateado com a polémica do E se fosse consigo?/Catarina Martins. Podia começar com um simples não é uma coincidência assim tão grande, afinal ela trabalha lá ao pé, mas alguém no Facebook já tem resposta para isso, a resposta é: Eles não trabalham. Não sei se escrevem isto para obterem gostos de estranhos ou se acreditam no que escrevem. Se acreditam, já tiveram a humildade de questionar as vossas crenças? A ideia de político na maior parte das cabeças é de alguém mau, que nada numa piscina de dinheiro. Como em qualquer outra coisa, há bom e há mau. As pessoas estão chateadas porque uma cidadã - uma deputada também o é - conhecida do público interveio. Pegam em qualquer coisa, até num auricular, para retirar mérito a uma grande atitude. Perante tal situação, acho que não me iria questionar se um agressor tem um auricular, alguns têm Mercedes. Acho que isto acontece porque se o que a deputada pelo BE fez for legítimo então os políticos talvez não sejam assim tão maus, talvez alguns até queiram realmente ajudar - isto enquanto alternam entre a piscina de notas e a Assembleia, claro. Outras das questões aqui acho que tem que ver com a forma de tratamento. A Catarina, por educação, mesmo a tremer, disse consigo. É uma pergunta legítima, e se fosse consigo? Há uns anos, perguntei a um miúdo, que estava a gozar com o único negro na escola, se a pele fosse dele, se era ok eu chamar-lhe de preto e coisas que não me atrevo a escrever aqui. Ele disse-me que não e encolheu-se no assento do autocarro. Na minha presença, pelo menos, nunca mais o vi a insultar ninguém. É uma pergunta eficaz. Aos que a chamam de atriz, explico-vos, somos todos atores e nós também representamos vários papéis na sociedade. A Catarina enquanto "atriz" social, cumpriu o seu papel mais elementar de todos, o de humana. O "E se fosse consigo?" não é um programa de apanhados. Acredito que mais do que entreter, a Conceição Lino pretende ajudar a educar. Educar não cabe apenas aos pais nem às escolas. Os media, querendo ou não, também o fazem. Muito boa gente neste país não estaria a pensar questões relacionadas com bullying, homofobia e obesidade se não fosse o programa. Ao verem o que acontece - pode acontecer, como preferirem -  consciências despertam para a realidade, formam-se. Isto leva, espero eu, à ação. Não têm de intervir a ponto de colocarem a vossa segurança em risco, podem só chamar alguém que possa, tudo é melhor que ignorar. Quando estava no secundário, por exemplo, notava que muitas ações eram condicionadas pelo que era "fixe". Imaginem se respeitar, defender os outros, pensar de forma aberta se tornar "fixe" graças a programas destes. E vá, se estivessem no lugar da Catarina Martins, intervinham ou socorriam-se de pensamentos como "entre marido e mulher não se mete a colher"? Isso é o que importa.

18
Mai16

Dia Nacional Contra a Homofobia e Transfobia: Debate 19


Leonardo Rodrigues

Ontem, dia 17 de maio, em Lisboa, fez-se mais do que hastear a bandeira que celebra a diversidade nos Paços do Concelho da Câmara de Lisboa, para celebrar o Dia Nacional Contra a Homofobia e Transfobia. O portal dezanove, que se tem vindo a afirmar como O Portal de notícias e cultura LGBTI em Portugal, organizou um debate de reflexão sobre a evolução dos direitos LGBTI. Deste debate, que tomou lugar na Casa Independente, fizeram parte deputados da direita à esquerda, foram estes Ângela Guerra (PSD), Heloísa Apolónia ("Os Verdes"), Isabel Moreira (PS), José Soeiro (Bloco de Esquerda) e Paula Santos (PCP). Para se dar início, e depois da recente legislação aprovada, nada melhor que perguntar se há muito mais a fazer. A primeira interveniente, do PSD, considerou que a maior parte do caminho está percorrido e que, neste momento, podemos apenas "promenorizar algumas situações". Isabel Moreira demonstrou uma opinião contrária, admitindo, ainda assim, a grande conquista que foi o 13 de maio, "o dia de nossa senhora, o primeiro caso histórico de PMA" - quis tanto pedir-lhe um autografo naquele momento, mas optei por respirar e deixá-la continuar a intervenção. José Soeiro seguiu a linha de pensamento de Moreira, admitindo os avanços, que são cada vez mais rápidos, e apontou o que falta fazer em três frentes: lei de identidade de género, "que continua dentro do paradigma da patologização", a educação sexual em Portugal "que praticamente não existe" e, em terceiro lugar, a questão da doação de sangue, referindo-se aos grupos de risco como uma noção "ultrapassada", dando foco aos "comportamentos de risco", que, como diz e muito bem, depende de "práticas sexuais concretas", algo que transcende a orientação sexual. Heloísa Apolónia introduziu duas palavras de ordem, "debate e educação", afinal só assim se consegue "formar consciências". "Há muito para além daquilo que a legislação consegue responder". Para servir de suporte a esta ideia, Paula Santos apontou a fiscalização como algo de essencial para que a nossa Constituição possa ser comprida. Sinto que o restante debate, mesmo com a diversidades das questões colocadas, retornou sempre à questão inicial e há de voltar sempre. Já se fez muito, mas o trabalho dificilmente acabará tão cedo, especialmente em matérias trans, como os últimos minutos do debate vieram a comprovar. Nesta hora e meia houve ainda tempo para se falar sobre PrEP, do famoso cartaz do Bloco e do caso da mulher agredida por um taxista no Porto - que, relembro, ainda não foram tomadas ações contra o mesmo. Recomendo vivamente que assistam ao debate e que tirem as vossas próprias conclusões, uma vez ser altamente educativo, mesmo para aqueles que estão dentro destas temáticas. Se não conseguirem assistir até ao final, fiquem também com esta dúvida: será que Isabel Moreira irá conseguir convencer António Costa a participar na Marcha de Orgulho LGBT? 

 

11
Mai16

Sergey Lazarev, és de que Rússia?


Leonardo Rodrigues

Bem. Sendo este um blog de uma índole mais pessoal, não costumo pronunciar-me muito relativamente ao que se está a passar na comunicação social. No entanto, qual não foi a minha surpresa quando, hoje, abro uma notícia que dá conta de declarações feitas por Sergey Lazarev, o participante russo na Eurovisão. No seguimento de questões relacionadas com a vida dos homossexuais na Rússia, ouve-se: "são rumores", "podem sentir-se seguros no nosso país". Mentira, o rapaz tem passado demasiado tempo no ginásio. Para além de na Rússia terem sido implementadas leis "anti-propaganda gay" - signifique isto o que significar - , temos, em Portugal, prova viva de que assim não é. Essa prova chama-se Margarita Sharapova, uma escritora russa que pediu asilo político ao nosso país em Janeiro de 2013. O motivo? "A liberdade começou a ser sufocada quando Putin chegou ao poder. A máquina do Estado, lenta mas determinadamente, começou a voltar para trás, a lembrar os tempos soviéticos. Todos os meus livros voltaram a ser proibidos. Qualquer um dos meus contos, histórias, novelas sobre qualquer assunto, passaram a ser rejeitados pelos editores. Nos créditos dos filmes onde eu era argumentista, retiraram o meu nome. Tive vários prémios literários, sou membro a União de Escritores, mas o meu nome já não é possível de encontrar. (...) Eu amei uma mulher. Conhecia-a há muitos anos, desde os meus tempos de juventude no circo. Ela era acrobata. Nós passámos a ter muitos problemas depois de sair uma lei sobre propaganda gay. Uma vez fui atacada junto a um clube gay por um grupo de neonazis que me partiu o nariz. Um dia, após um festival de cinema LGBT, a minha companheira foi espancada pela polícia e pouco depois morreu. (...) Agentes (...) aconselharam-me a sair rapidamente do país porque poderia ser presa por qualquer motivo." Nesta citação de uma entrevista dada ao Expresso fica tudo dito. A situação está tão má que se verifica uma segunda vaga de refugiados LGBT. Aproveito para dizer que a escritora aceitou o meu convite para participar numa entrevista, que deixarei brevemente aqui no blog. Confesso que sigo religiosamente o festival e que o russo estava nos meus favoritos. Contudo, não posso torcer por alguém que mente à imprensa internacional sobre uma temática tão sensível. Chamem-me anti propaganda russa. Em baixo deixo-vos o trailer de um documentário que deixa tudo preto no branco.

 

OLYA'S LOVE from Soleil Film on Vimeo.

02
Mai16

Estágios do IEFP? Ai.


Leonardo Rodrigues

Pois é, parece que metade da população ativa está a procura de trabalho, eu não sou exceção.

 

Como sabem, os estágios do IEFP estão na moda. São um autêntico paraíso e, como tal, cada vez mais procurados pelas empresas que, doutra forma, contratam muito pouco. Uma caturreirice para alguns, sei lá.

 

Recentemente surgiu-me uma oportunidade de sonho, não que as condições do estágio mudassem a nível de remuneração, mas as funções a desempenhar - relacionadas com o meu curso, imaginem só - , o local e as pessoas eram perfeitos. Digamos que consegui o trabalho, a empresa oficializou a candidatura, tudo certinho. Feliz que ia ter a minha primeira experiência de trabalho gratificante em 30 dias úteis, acomodei-me.

 

Escrevi 30 dias úteis porque é este o número de dias que, segundo o IEFP, demora a que a candidatura seja revista - claro que a contagem pára quando são pedidos novos documentos. 30 dias é o prazo de validade da esperança, das expectativas(só não faço uso do novo AO com esta palavra). Depois chega a frustração e a incerteza.

 

Hoje, depois de uma entrevista de emprego, já que ficava no caminho, decidi que ia presencialmente saber o que se passava. Sentei-me com uma técnica extremamente simpática e atenciosa que prontamente me esclareceu em tudo - se isto parece ironia, não é. 

 

Fiquei muito contente com a mudança de governo(ainda não sei bem o que acho do nosso PM, mas gosto das ideias duma esquerda mais ou menos em concordância.) Acontece que nunca tinha sentido na pele as implicações destes acontecimentos tão politicamente empolgantes.

 

Hoje senti, quando alguém que trabalha para o Estado me explica que esperar por um governo, esperar por um Orçamento de Estado, não estarmos a nadar em dinheiro e, claro, o aumento de interesse nestes estágios, levou a atraso como nunca antes visto. Não são dias, também não são semanas, mas MESES. MESES!!!!

 

Aqueles que se candidataram a este estágio em outubro, podem começar agora a obter as respostas. Eu candidatei-me em março, portanto terei de aguentar mais algum tempo.

 

A senhora, ao ver a minha cara de frustração, disse-me para não perder a esperança, que não era um não. As coisas estão efetivamente a andar, apenas devagar. Para aqueles que, à semelhança de mim, têm menos de 30 anos e pretendem "o tal" estágio, podem trabalhar entretanto, só terão de se desvincular desse emprego uma vez que a candidatura seja aceite, de forma a serem considerados "Desempregados" pelo IEFP e, então, elegíveis para estágio. 

 

Espero que isto seja de utilidade. Que a procura continue. Ai.

 

 

 

11
Mar16

O Egoísmo da Eutanásia


Leonardo Rodrigues

Estava no sítio mais mundano de todos quando, depois de um café, decido abrir o Facebook e deparo-me com a carta de um médico.

 

Talvez também a tenham lido, saiu na revista Sábado, intitulava-se de "Sim, matei quatro pessoas e defendo a eutanásia". Com tudo o que se passa(ou) nas nossas vidas e no mundo, nem tudo tem a capacidade de nos aterrar e, quando tem, geralmente faz surgir emoções/opiniões contraditórias. Esta carta não, deixou-me tudo mais claro e sedimentou as minhas convicções relativamente à eutanásia.

 

Resumidamente, este médico realizou 4 eutanásias - uma amiga de infância, o melhor amigo, uma tia e um doente. Assistir a morte não foi algo que se banalizou com o tempo. Este entende que é preferível uma pessoa ser morta de forma digna, sem dor, pelas mãos de outro, desde que, claro, já não haja vida com a qualidade que toda a gente fala. Agora é ele numa fase terminal a querer que lhe assistam a morte.

 

Julgo ter percebido algo com esta carta: a eutanásia não vai contra o tal juramento, nem é contra a Vida, pelo contrário. Estes médicos juram defender Vidas, quem recorre à eutanásia já não tem uma. Apenas porque os pulmões lá vão enviando oxigénio para o sangue e o coração o distribui pelo corpo, não quer dizer que haja vida.

 

Um paciente nunca chega a esta decisão de ânimo leve. Quando o corpo, para alguns a cabeça, nos falhar e estivermos numa contagem decrescente oficial até à cova, de que nos adianta o sangue a correr nas veias? Se depois de feitas todas as tentativas estivermos pior e só restar agonia? E se a vontade de morrer for superior à de viver, estaremos nós a viver? Pois. 

 

Um médico, que luta pela vida diariamente, também não mata à toa. Matar ou deixar morrer, em agonia? Matar ou deixar que façam um tentativa de suicídio dolorosa? Será errado um médico por fim ao que é apenas sofrimento? Pois.

 

Estaremos a respeitar o outro com leis que perpetuam o seu sofrimento? Nada nem ninguém deveria condicionar a liberdade, especialmente quando é uma liberdade que não só não causa dor, como representa o seu termo. Com direitos para a vida consolidados, falta-nos o direito à morte medicamente assistida.

 

Tal como eufonia, à letra, dá conta de um bom som, eutanásia representa uma boa morte. Uma morte que respeita a vida que acabou antes do corpo a falhar.

 

Para terminar, e para quem vê este ato como sendo egoísta, continuo a perguntar-me e perguntar-vos: onde reside o egoísmo, em quem quer acabar de sofrer para finalmente poder descansar ou em quem insiste em condicionar a liberdade do outro, deixando-o à espera que a Morte lhe venha ceifar a vida?

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