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LEONISMOS

LEONISMOS

27
Jun15

O Facebook, o Arco Íris e os Monocromáticos do Restelo


Leonardo Rodrigues

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Ontem, assim que me apercebi que o Facebook estava a celebrar algo que me parece determinante para o curso da Humanidade, claro que decidi fazer parte. Afinal de contas estava a fazer um pequeno contributo para a comunidade LGBT, para a normalização do que sempre foi natural e a ganhar uma foto de perfil nova, cheia de vida e de cor. 

 

Minutos depois, fiz o upload da fotografia mais colorida que alguma vez tive no Instagram. Olhem, em 10 minutos perdi mais de 10 seguidores, acho que isto diz muito. Não me incomodou, se lhes é difícil percepcionar uma paleta de cores variadas prefiro que não me sigam. Não deve ser fácil viver num mundo monocromático, eu percebo-vos e têm todo o meu apoio - para procurar ajuda. 

 

Hoje, enquanto regressava do supermercado - espero mesmo que desta vez a comida dure a semana toda - observava toda a diversidade caraterística de Alcântara. Houve progressos sim senhores, já não se gritam insultos, não se muda para o outro lado da rua, nem se espanca ninguém só por ter uma cor diferente. Até sorrimos uns para os outros, vejam lá. E isto é o que me parece, mas também nunca fui dessas coisas, lembro-me, por exemplo, de me meter em confusões para defender um rapaz negro no secundário. Enfim, por outro lado, se alguém na rua for remotamente identificado como homossexual ainda há um insultosito que se tosse, um escarro que teve de tem de ser cuspido naquele preciso momento e que se acompanha de um olhar reprovador.

 

Vejam lá se as seguintes frases fazem sentido: Concordo com isso de se ser preto, mas se fosse na minha família já não achava muita piada;  Pretos, até podem ser, mas dentro de casa; Não me venham com essas pretalhisses; Preto com branco, onde é que já se viu?; Não percebo porque escolheram ser pretos, o branco não é mais bonito?

 

Não me ocorrem mais disparates. Quem estiver a ler isto pode considerar que não posso comparar o racismo com homofobia. Posso, e sabem porquê? Porque são ambas aversões ao que é natural, ao que não se escolhe. Vou dizer duas coisas básicas: a homossexualidade foi observada em mais de 300 espécies e, tendo em conta toda a descriminação que ainda há, acham mesmo que alguém iria fazer tal escolha? Acho que isto chega para meditar.

 

Sempre houve uma aversão perante que é desconhecido, estranho, diferente. Estas palavras costumam confundem-se com o errado. Quando as pessoas se familiarizam com os assuntos começam a ver as coisas com outros olhos. O Facebook fez a sua parte e eu estou a fazer a minha. 

 

Bom fim de semana!

 

P.S. Se quiserem uma foto mais colorida cliquem aqui.

25
Abr15

E um 25 de abril pelos touros?


Leonardo Rodrigues

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Nos últimos dias, como muitos de vós devem ter visto, um vídeo feito pelo Nuno Markl e pelo Ricardo Araújo Pereira gerou uma certa polémica nas redes sociais, e com polémica quero dizer ameaças de morte e afins.

 

Não, nenhum deles ameaçou nada, nem ninguém. Pelo contrário, apelavam a que duas petições fossem assinadas, uma para que se parasse de canalizar dinheiros públicos para as touradas - "é capaz de haver duas ou três prioridades" - e outra para que crianças não assistam nem participem nas touradas, "é capaz de ser cedo", diz-nos Ricardo. Parece-me razóavel. 

Tradicionalmente isto é uma heresia. 

Tradicionalmente também já se separou negros dos brancos, já se escravizou e já se queimou com vida muito boa gente. Tradicionalmente ainda se apedreja até a morte - mais mulheres do que homens - quase porque simplesmente apetece, ainda se mata porque existem pessoas com ideias e preferências diferentes, ainda se olha de lado.

Se o que escrevi acima não parecer nada de muito civilizado é porque não é. Matar pouco tem de civilizado. 

Não há muito tempo uma veterinária nos Estados Unidos meteu um espeto num gato e foi despedida, em Portugal talvez ganhasse um reality show. Ou talvez não porque um gato é diferente dum touro. Deus fez o touro para espetar e o gato para animal doméstico. Às vezes esqueço-me disto, tantos são os ensinamentos da sociedade.

Deixo-vos um touro num registo diferente:

Nem tudo o que está enraizado na cultura é bom. Se algo envolve violência, raiva, dor, sangue, talvez seja dispensável, por mais apelativo que possa parecer a alguém. Só se evolui quando se rompe com o estabelecido. 

Hoje celebra-se isso mesmo, a rotura com o Antigo Regime. Se podemos dizer e fazer o que nos apetece, desde, claro, que respeitemos a liberdade do outro, devemos a esta rotura, aos corajosos que foram contra a barbaridade estabelecida. Tal como os mais que muitos portugueses que foram forçados a combater no Ultramar, o touro, se tivesse liberdade, com certeza que sairia "a salto". É preciso que hajam ainda mais corajosos por eles e não contra eles.

E um 25 de abril pelos touros? Talvez não, porque feriados também já quase não temos, mas podem assinar o que está em baixo: 

http://www.enterrartouradas.org (petição em causa no vídeo) 

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=010basta

 

 

 

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