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LEONISMOS

LEONISMOS

26
Fev16

O que Move a Cidade Europeia, no Brasil


Leonardo Rodrigues

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Não há como ter amigos além fronteiras. Para além de serem aqueles com quem nunca nos chateamos, são aqueles que nos contam novidades realmente novas. 

 

O povo brasileiro têm-me surpreendido imenso, não só pelo pelo seu sentido de humor, como pela sua personalidade calorosa e alegre, que contagia qualquer um. E, claro, também há a sua forma adorável de falar português.

 

Tenho amigos brasileiros que confessam: "o Brasil está um lixo". É verdade, um país que tinha, e tem, tudo para prosperar, continua a afundar-se num poço sem fundo à vista. A responsabilidade, mais do que do povo, é mesmo de quem está lá em cima a sufocar os seus interesses, corrompendo que nem roedores.

 

No entanto, se há coisa que os brasileiros sabem fazer é o olhar para o lado positivo das coisas. E não, não é só com o Carnaval, também o fazem com soluções inovadoras. 

 

Um dos melhores exemplos está em Curitiba, conhecida lá dentro como cidade europeia. Tem esta designação, mais do que pelo clima frio, pelo seu desenvolvimento que se faz notar pela menor taxa de analfabetismo brasileira, passando pela sustentabilidade ambiental, até à fantástica rede de transportes.

 

É dos transportes - que realmente funcionam - que vos quero falar. Aquando do desenvolvimento económico que Curitiba experienciou, surgiu a necessidade de desenvolver a rede de transportes. Numa outra metrópole, ter-se-ia construído uma rede de metro, só que lá não havia dinheiro. Ora, e que pensam eles: não podemos construir metro? Está bem, vamos aplicar o mesmo conceito aos autocarros - mentira, eles pensaram "ônibus". Dito e feito. 

 

Hoje, têm uma rede de transportes metropolitana que funciona. Os autocarros, biarticulados - um género de junção de vários autocarros, como já temos cá, mas muito maiores -, têm faixas próprias EXCLUSIVAS  por toda a cidade. As paragens, como podem ver na foto tirada pelo meu amigo Leif, são tubos de vidro. Estas têm as mesmas funcionalidades de uma estação de metro, onde se compra o título de viagem e se procede à validação do mesmo. O autocarro simplesmente encaixa-se na estrutura de vidro para deixar e recolher os passageiros. Não há como coisas que funcionam à luz do dia. 

 

Depois de Curitiba, para além de sistemas semelhantes terem sido implementados no resto do Brasil, 80 países já seguiram de alguma forma as suas pisadas, dando especial ênfase a Bogotá, na Colúmbia. 

 

Este post com certeza que não há de apresentar uma novidade para todos, nem era esse o objetivo. Tantas linhas sobre o Brasil e os transportes para dizer algo mais simples do que uma rede de transportes, e que podemos todos aplicar: Na ausência da possibilidade de fazermos o que queremos, que tal fazer o seu equivalente ou, quiçá, algo completamente diferente?

 

P.S. Não tendo lá estado, e embora este não seja um post turístico, posso deixar as dicas que me deram. Uma vez em Curitiba, visitar: a Ópera de Arame, o Jardim Botânico e o Museu Oscar Neymer, conhecido como "O Olho".

12
Fev16

Doce café sem açúcar


Leonardo Rodrigues

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Ouço e leio bastante acerca de pessoas que se enamoram por sítios onde nunca estiveram. Mas, na impossibilidade de os visitar, há algo de muito melhor para se fazer, e não falo de visitar os sítios cá dentro, falo de se enamorar pelas pessoas que ainda não conhecemos, as de lá que por cá passam e até mesmo as de cá - nem sempre é óbvio que tal coisa é possível.

 

Só não o é porque já ninguém fala com ninguém, porque a cidade fomenta o anonimato e a atitude do cada um por si. O constrangimento de partilhar um elevador apertado durante vários andares com um estranho quase que já não é constrangimento, tão habituados que estamos à arte de não ver e à de focar a atenção na mensagem sem conteúdo que decidimos começar a escrever.

 

A verdade é que há sempre quem queira falar, quem tenha vontade de deitar cá para fora histórias - tanto delas como de outros - , só temos de prestar atenção à cidade e acudir esses pedidos. Os vizinhos do prédio, se tiverem coragem de passar a barreira do bom dia, quem sabe, talvez até acabem por decidir ser boa ideia ir ao café para falar de literatura, de como era a Avenida X há 30 anos, do que era a vida enquanto a filha e o marido por cá andavam e de fazer trocas literárias interessantes, não fossem estar algumas gerações pelo meio.

 

Sim, dou conversa às velhinhas todas, tanto às do prédio como às do autocarro, as conversas ora acabam com lágrimas a querer pular dos olhos, ora com um conhecimento mais vasto sobre as carreiras da Carris. De qualquer das formas, com estas pequenas partilhas há sempre entretenimento garantido e muitos sorrisos, de ambas as partes.

 

Claro que também morro amores por cidades que nunca pisei, mas o que me mata mesmo é isto, as pessoas com quem nunca - prefiro ainda - me cruzei. Os acontecimentos que a vida me tem organizado, os passeios, as muitas viagens de autocarro e as poucas de avião têm-me dito que existem tantas que quero conhecer e que ainda nem vi, com quem quero falar e ainda não sei que palavras vou utilizar e outras para as quais só vou querer olhar, de forma a manter intacta a história que acerca delas contei, sem nada saber.

 

Gostei particularmente de dois episódios recentes, um na livraria Bulhosa das Amoreiras e outro na Gulbenkian. Na Bulhosa, enquanto procurava um livro que não fazia tenções de comprar, o senhor que está do outro lado do balcão, falou-me dos 70 romances que lê por ano e das mais rebuscadas teorias da conspiração - que a mim, confesso, também me dão que pensar. Na Gulbenkian, uma senhora muito amável começou por perguntar-me pelo Wi-Fi e, mal demos por nós, estávamos a contar histórias da vida um ao outro. O que era apenas uma pessoa sem nome a beber café numa manhã solarenga de inverno, passou a uma senhora holandesa que se apaixonou por um português há vinte anos, motivo pelo qual veio para estas terras a sul. O português que fala, curiosamente, aprendeu-o com um curso na universidade clássica e com a vida. O marido, esse, só lhe fala em inglês.

 

Enfim, são estes dois dedos de conversa, cheios de pequenos detalhes, com grandes pessoas de quem não sei o nome e não vou tornar a ver que tornam o meu café sem açúcar doce.

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