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LEONISMOS

LEONISMOS

05
Dez17

Airbnb e o futuro do turismo de aplicação


Leonardo Rodrigues

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Estou perfeitamente ciente dos aspetos negativos, mas nunca precisámos tanto do Airbnb como este ano. Tal como os hotéis, há de todos os gostos e feitios. Pode ser um quarto, um apartamento ou um palácio, com apenas um twist: conseguimos ter mais por um valor inferior. 

É mais conveniente ter uma casa emprestada, com tudo o que precisamos para uma estadia confortável e personalizada. Além de podermos cozinhar, o que pode ajudar a reduzir as despesas de viagem, muitos sítios já incluem o pequeno almoço. 

É uma plataforma que funciona, totalmente orientada para os futuros hóspedes. Os pagamentos são realizados na íntegra dentro da mesma, pelo que em caso de algo menos lícito o nosso dinheiro fica salvaguardado. Algo que me parece fundamental, ao contrário de sites como o Booking - que também utilizamos - , que apenas destacam a parte positiva dos comentários, o Airbnb mostra o comentário por inteiro de quem lá ficou. Só comenta quem utilizou, depois da estadia e pagamento.

Os anfitriões também podem dar feedback sobre as pessoas que hospedam, construindo-se uma verdadeira comunidade que permite transformar este serviço em algo mais seguro. Ficamos todos, desta forma, a saber com o que contar. 

A meu ver, nas terras mais reconditas, partilhar a casa que não é utilizada ou a casa de férias, com este turismo de aplicação, é praticamente inócuo e até serve como dinamizador da economia local.

Para entrarmos nos aspetos negativos, temos de nos debruçar nas grandes cidades ou naquelas que, por diversos fatores, sabemos que serão turisticamente apetecíveis. Aqui é que a porca torce o rabo: os senhorios escolhem progressivamente fazer numa semana o que fariam num mês, o que é lógico. Os turistas - até nós quando o somos - , preferirem o Airbnb também é compreensível.

Aqui começa o problema da habitação e dos transportes. Mas, como grande parte dos problemas, só existe enquanto quem pode não investe e legisla. É por isso que as soluções encontradas nos países a norte, que passam pelo mesmo, se tornam interessantes. Em certas zonas proíbe-se o arrendamento de curta duração, sem que a porca torça o rabo. Além de impostos, este tipo de alojamentos passam a incluir uma taxa turística superior no valor.

O ruído não deveria ser um argumento válido, é uma questão de civismo. Todos os Airbnb's que utilizámos este ano, localizados em prédios, proibiam festas. As cidades, novamente, não podem é ser tão brandas a lidar com o ruído. E, sim, Portugal e Lisboa são brandos a lidar com o ruído provocado tanto pelos vizinhos, como estabelecimentos e clientes. 

Quanto à destruição do setor hoteleiro, isso sabemos que não é bem assim, basta olharmos para a taxa de ocupação. Mais, alguns hotéis e hostels também disponibilizam os seus quartos na plataforma. Paralelamente, o Airbnb tem fomentado a criação de algumas empresas que fazem a gestão deste tipo de alojamentos.

A aplicação existe desde 2008, mas ainda não foi feito que chegue para permitir uma convivência saudável entre anfitriões, habitantes e turistas. Soubémos ontem de um acordo inédito entre o Airbnb e o Turismo de Portugal que visa pôr termo ao que não for legal. É um excelente passo em direção ao futuro, mas ainda vamos caminhar muito até lá, com ou sem vontade. 

31
Out17

Kevin Spacey, ser gay não é para as ocasiões


Leonardo Rodrigues

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Ontem, assim que acordei, percebi que se calhar o vilão Francis Underwood e Kevin Spacey não são assim tão diferentes. Digo isto por um motivo apenas, tentou criar uma diversão mediática para algo injustificável como é o assédio sexual, o que é agravado por ter sido dirigido a um menor.

Primeiro, começou por admitir que aquele seria um ato horrendo, e, embora não se lembre, pede desculpa. Depois, diz que as acusações o incentivaram a falar de outros assuntos, utilizando este momento para dizer que escolheu viver como homem gay, fazendo, por fim, um compromisso de auto análise. Felizmente não resulta para ninguém, nem pode.

Não sei se com isto esperou refugiar-se por detrás da comunidade LGBTI. A comunidade que há demasiados anos tem de ser uma comunidade. Que, há demasiados anos, tem de se demarcar de atos destes. Que, há demasiados anos, tem de explicar que pedofilia e homossexualidade não são a mesma coisa. Que, há demasiados anos, tem de explicar que o seu amor é válido. Que, há demasiados anos, sofre diariamente preconceito porque ama diferente. Que nunca escolheu nada disto.
Acho genuinamente que deveria tê-lo feito antes, pois há muito tempo que a janela está aberta. Ninguém tem de escrever a sua sexualidade na testa, é verdade, mas, enquanto figura pública com as responsabilidades que advêm da exposição, lamento que tenha escolhido este momento para o fazer, desta forma. A mensagem tende a misturar-se.

Ser gay não é uma escolha, muito menos para quando dá jeito, tal como não é ser heterossexual, Mr Kevin.

Foto: Netflix

 

 

 

 

25
Out17

A dança da (in)competência


Leonardo Rodrigues

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Antes de mais, este não é um post a dizer a ninguém "és feio, mas sem ofensa". Temos todos uma parte menos bonita, até no que à competência diz respeito. E é disso que quero falar. 

Acredito que a todos devem ser dadas as mesmas ferramentas e oportunidades. Alguns pegarão nisto e irão transformar as suas vidas e as de outros. Outros, mesmo com mérito, nem sempre conseguem lá chegar. Há ainda uma outra esfera que, de forma geral, decide fazer uso do poder político. 

A política não se faz apenas no Estado, está em todo o lado, até nas reuniões de condomínio, e tem que ver com likeabiliy e saber usar a palavra. É o tal jogo de cintura. Seremos hipócritas se dissermos que nunca deixámos uma verdade incómoda no ar para que tivesse um efeito x ou y. 

Existem pessoas que não têm um talento nem capacidade especial, apenas isto, jogo de cintura nível ventre da Shakira. Embora este comportamento por vezes seja sufocante de observar, parece a mais natural dança de sobrevivência, em grandes empresas e no Estado. 

É com esta dança que, muitas vezes, aqueles à margem da competência sobem. Curiosamente, e com pena, nem sempre quem promove isto se apercebe e, pior ainda, quem está na base da cadeia alimentar não ousa dizê-lo. 

Talvez não tenha muito que ver, mas isto faz-me pensar num conceito de economia, chamado de Mão Invisível, a regulação natural e mágica da economia. Como que por magia, parece que deixamos tudo se auto regular, enquanto observadores passivos.

Atenção que sei que metade das vezes não é nada assim. Contudo, quero dizer que seja onde for, para haver uma mudança real, temos de nos juntar à dança, dando o exemplo, dançando e fazendo diferente. É a formula de sempre. 

 

 

 

17
Out17

As árvores vivem de pé


Leonardo Rodrigues

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A vida real não é um espetáculo de grandes planos e de música cinematográfica. Sinto, vez após vez, que os cenários que se descrevem como dantescos se apresentam assim perante nós. 

Pior, as pessoas que elegemos, sucessivamente, fazem o mesmo. Querem pareceres, relatórios, análises e, se ainda houver dinheiro, um desenho. Depois do frenesim mediático, tudo morre, ano após ano. E com a morte mediática, vem a morte da floresta e das gentes. 

Não temos de ir muito longe nesta curta linha de tempo, a Câmara de Leiria sabia que o pinhal necessitava de limpeza. Creio que tinham deixado para 2018. Agora que sobrou um bocadinho de pinhal, talvez mandem fazer um museu em 2020 - desde que, claro, não disturbe o OE.

A culpa não é exclusivamente da inoperância de quem tem meios e autoridade para atuar. É também das empresas com sede de lucro, de quem não faz nem deixa fazer com os terrenos, de quem não limpa, de quem suja, de quem não quer saber, e de quem acha por bem queimar centenas de anos. Como a mãe de uma amiga diz, "quando a lei é branda o homem é mau".

O eucalipto não tinha de ser um inimigo a abater, se não fosse a espécie predominante. É muito bonito termos meio milhão de proprietários florestais, mas corre mal quando temos menos de 16% de floresta pública. Sabemos que o sobreiro - embora existam espécies melhores - serve de "tampão", por causa da cortiça, mas o pinheiro e eucalipto ganham a discussão económica. 

Não tenho dúvidas de que vamos conseguir replantar, que temos conhecimento que chegue para recuperar, mas tem de haver uma completa reestruturação deste sistema. Não chegam palavras de ação sem a ação. Tal como as doenças, a solução mais eficaz, e barata, é prevenir. Além de ser tempo de punir, é de dar o exemplo. Temos de ir para a rua mostrar descontentamento, é verdade, mas também de sair para cuidar.

E, embora a lei tenha de ser dura lex sed lex, serve apenas de relações públicas, se a consciência de um povo não a acompanhar. Precisamos de uma mudança de consciência, precisamos que Portugal perceba que não comemos graças ao dinheiro dos 2% que a floresta alimenta, mas que 100% respira graças às árvores que, vivendo em pé, sem dias de folga, tornam o nosso ar respirável. 

 

 

13
Set17

E se o seu filho quiser experimentar um vestido?


Leonardo Rodrigues

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A resposta mais simples de todas é: pode ser que, noutra vida, tenha sido escocês. 

Porquê é que eu me lembrei de escrever tal coisa? Ora, uns pais no Reino Unido retiraram o seu filho da escola porque outro aluno, com 6 anos, foi autorizado a usar vestido. Acham que a escola os deveria ter consultado, acerca da vida de alguém que não está a seu cargo.

Muitas crianças, por todo o mundo, sentem que nasceram num corpo errado. Isto não tem nada que ver com orientação sexual. Por exemplo, pode haver alguém no corpo de uma rapariga, que sinta que é um homem, e que goste de mulheres. Aqui, mesmo necessitado de uma mudança, é heterossexual. 

E, por muito que nos custe a perceber, pode não ter nada que ver com isso. Pode simplesmente preferir usar um vestido, sem isto carecer de psicanálise. Realmente, e não me acusem de politicamente correto, se uma mulher pode usar calças, porque não pode o homem usar um vestido ou saia, se assim entender?

Quando era mais novo, lembro-me de dois dias em que experimentei coisas de senhora. Vesti um vestido, calcei uns saltos e pintei-me, ou borrei-me, de maquilhagem. Noutro, depilei tudo, até as sobrancelhas. Não tinha esta referência da minha mãe, ela apenas tinha os sapatos de salto guardados, nunca usou a bendita maquilhagem, com muita pena minha. Eventualmente, começou a pedir-me que lhe tratasse da manicura e, isso sim, foi um tiro pela culatra. 

A verdade é que quando vi o resultado não gostei, continuava a identificar-me com as roupas de sempre. Se tivesse sido doutra forma, acho que não haveria ninguém capaz de lidar com isso à minha volta, o que teria tornado tudo ainda mais complicado. 

Será que temos mesmo de ensinar a complicar a vida dos outros? Quando digo complicar, não estou a colocar em pé de igualdade o sentido crítico. Devemos questionar o que nos rodeia, e procurar saber mais. Nunca escolher isolar-nos a nós, ou outros, de uma questão que merece ser compreendida. Desconstruir, desconstruir, desconstruir. 

Para responder, pelo menos hoje, a uma questão que coloco aos outros, se o seu filho quiser experimentar um vestido, tem que agir com a naturalidade com que o deixa brincar com um carro, ou permite que leve a camisola azul para a escola novamente. Ninguém fez nada errado, apenas vamos todos crescer para ser o que sempre fomos, e é mais fácil se houver sempre apoio.

 

Deixo-vos a entrevista com os pais, à BBC:

 

 

 

25
Ago17

Um livro educativo não é um artigo de opinião


Leonardo Rodrigues

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Ontem ao jantar, porque a televisão trouxe novamente o assunto para dentro da sala, discutia-se os tais livros da Porto Editora. 

Em vez de ser criado um livro de atividades para x idades, criaram-se dois, separados por sexo. O mesmo faz-se com o gel de banho, com ao desodorizante, entre outros exemplos. Acontece que, nestes, mesmo mudando o rótulo a qualidade não fica comprometida. E, claro, está comprovado que esta estratégia de marketing consegue impulsionar mais vendas do que versões familiares - iguais. 

Sendo sempre o objetivo o lucro, segmentar os livros em termos de idade é compreensível, acompanha o desenvolvimento das crianças e torna o livro mais leve. Não sei se entendo uma segmentação em termos de sexo, mas mesmo dividindo desta forma, o mesmo não deveria ter um nível de complexidade diferente.

No livro da Porto Editora, além daquele labirinto simplificado, temos exercícios com menos opções para as raparigas e representações de tarefas tradicionalmente associadas à mulher e outras aos homens. 

Li, em vários sítios, comentários em que sentia masculinidades afetadas, outros consideravam o fim da liberdade de expressão. 

Tradicionalmente, e reavivando a memória, as mulheres ficavam em casa, não estudavam nem votavam. Mudar isto não for ser policamente correto, apenas correto.

Como o conhecimento não é desodorizante, deve ser igual. A nossa formação começa numa idade tenra. Não é justo uma menina ter de ambicionar casar e ter filhos, enquanto o rapaz ambiciona ser astronauta.  

Por uma série de fatores, cada humano terá as suas diferenças, quererá interessar-se por isto ou por aquilo, mas, no que à educação académica diz respeito, tem de lhe ser dado acesso ao mesmo. As oportunidades não se devem excluir. Um livro educativo não é um artigo de opinião. 

 

 

 

31
Jul17

Istambul, 3 dias no centro do mundo


Leonardo Rodrigues

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Vou poder dizer, enquanto viver, que estive na Turquia antes de abolirem o ensino da teoria da evolução nas suas escolas. Comecei por onde se tem de começar, a mítica cidade de Istambul. É, para mim, o centro do mundo, onde as coisas do Oriente e do Ocidente se juntam para se separarem. 

A cidade é imensa, não fosse o lar de quase quinze milhões de pessoas. Surpreende pelos contrastes, que vão além de arranha céus e prédios de madeira. As mesquitas avistam-se mais alto que tudo. Tem um sofisticado sistema de transportes, e um aparelho turístico irrepreensível. Na cidade dos rooftops, pode-se comer bem e barato, apenas se não cedermos à pressão do comerciantes.

Tínhamos três dias e, graças à localização privilegiada do nosso Airbnb, junto da praça de Sultanahmet, fizemos tudo o que é obrigatório.

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Começámos pela Mesquita Azul. Embora na prática não sejam colocados entraves aos homens com calções, o correto são calças para os homens, e as mulheres devem estar o mais cobertas possível, com ênfase para a cabeça e os ombros, porque Alá assim disse. Os sapatos não são permitidos, ficam à porta ou facultam-nos um saco. As mulheres muçulmanas oram dentro de umas salas recônditas, uma vez que não se devem expor na dianteira, com os homens. O seu interior é muito trabalhado, é mágica e, de tão imensa, não me espantaria se tocasse realmente no céu - embora não seja maior do que a Hagia Sophia.

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Sinónimo da imponência de Constantinopla, em tempos de Constantino II, Haghia Sophia foi inicialmente uma basílica, a Magna Ecclesia. Com as mudanças de poder, acabou por se tornar numa mesquita. Hoje em dia é um museu dos mais visitados do mundo, graças à iniciativa de Ataturk, o presidente que aproximou a cidade do Ocidente e promoveu uma clara separação do Estado e religião. A entrada custa 10 euros e vale cada cêntimo.  Ficámos horas a contemplar os imensos pormenores. 

 

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Ainda naquela parte da cidade, a Basílica Cisterna, uma maravilha romana onde poderiam estar milhares de litros de água, que abasteciam a cidade, é outro must. Curiosamente, devido à renovação dos povos de Constantinopla, a Basílica como que se perdeu. Quando os habitantes começaram a conseguir pescar peixes com baldes das suas caves, lá descobriram a construção milenar. É arrepiante estar dentro da cisterna, mais ainda se pensarmos que uma construção daquela magnitude mobilizou milhares de escravos. Acredita-se que o "pilar das lágrimas" foi lá colocado em homenagem aos que morreram. Espero que sim. 

 

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Para se almoçar bem e barato ali perto, nada como ir comer até ao telhado do Doy Doy, um maravilhoso restaurante de cozinha tradicional turca, a preços e vistas bem apetecíveis.

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O Grand Bazaar é outra paragem obrigatória. Pensemos neste como um centro comercial tradicional, térreo, que se estende por vários quilómetros. Não tenham ilusões, vão perder-se nas milhentas ruas. Enquanto se perdem e encontram uma das muitas saídas, lembrem-se de regatear sempre o preço. Na primeira tentativa de lá entrar - domingo - estava fechado. Nos dias de semana fecha pelas 19.

 

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Para reabastecer na rua, e que podem comprar com apenas 8 liras turcas, ou dois euros, é a sandes de peixe. Esta é vendida do lado ocidental da cidade, mesmo junto ao mar do estreito do Bosforo. Tentei saber qual a mistura de especiarias que lá se colocava, mas ninguém me conseguiu explicar. Nas lojas, encaminharam-me sempre para a fish spice, que era diferente da que me deram a provar...

 

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Por falar em fish spice, tenho de falar em especiarias. Embora não estivéssemos conscientes, passámos pelo bazar das especiarias, que também estava na nossa lista. Acontece que naquele momento estávamos de mau humor, e só nos queríamos afastar do Grand Bazaar. Minutos antes, fomos abordados por dois engraxadores, que nos tentaram cobrar 90 liras turcas por conversa fiada e por nos terem molhado as sapatilhas. Não me pareceu que assaltos fossem frequentes, mas sim os esquemas para enganar turistas. De qualquer modo, rumávamos ao lado moderno, onde se avista a grandiosa torre. 

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É na torre de Galata, do lado ocidental, que se tem a melhor vista da cidade, para ambas as margens do Golden Horn e para o lado Asiático. É das atrações mais caras e não esperem descontos, se não tiverem cidadania turca. 

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Por estas paragens, existe algo muito frequente em Istambul, prédios inteiros convertidos em restaurante. Encontrámos um que se chamava Galata Konak Café. Além de doçaria irrepreensível no piso térreo, tinham uma vista muito semelhante à da torre de Galata, no último andar, mas gratuita.         

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Porque uma caminhada assim o quis, fomos ter à estação aonde chegava e donde saía o icónico expresso do Oriente. Outrora, foi o comboio mais luxuoso do mundo, e ligava metade da Europa ao Oriente. Transportou grandes vultos, da realeza às estrelas. Embora não conseguisse conter o entusiasmo, foi fácil entender que os tempos áureos dos caminhos de ferro acabaram.  

 

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Ir a Istambul sem ir aos banhos turcos é como ir a Roma e não ver o papa. É uma experiência cara, mas vale a pena. Os banhos turcos chamam-se Hamam e experimentámos a Çemberlitas Hamami. Dão-nos uma chave para a cabine, onde indicam para ficar apenas de toalha e chinelos. A chave fica no pulso. Depois é altura de rumar a uma sala quente onde a temperatura é superior a 40 graus. Quando já não aguentamos a humidade, chega uma pessoa que nos manda deitar, estala as costas e esfrega-nos vigorosamente com uma luva. O passo seguinte é o banho frio. Embora seja tudo muito rápido, e bem pago, há uma grande insistência na gorjeta.

 

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Andámos durante estes dias, em média, 12 horas, mas nem assim conseguímos ter tempo para ir além do exterior do Palácio de Topkapı nem visitar a Ásia. Ficará para a próxima viagem.

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Acho que é normal não saber o que esperar desta cidade. Começamos com receio do que se ouve e lê, mas acabamos por perceber que é mais segura do que a nossa e que as pessoas são muito afetuosas. Contudo, existem diferenças culturais estranhas à vista e aos ouvidos. Cinco vezes por dia entoam-se passagens do Alcorão para toda a cidade, anunciando os momentos de oração. Curiosamente, ou não, o livro sagrado do Islão está disponível gratuitamente nas mesquitas, em muitas línguas. Trouxe a minha cópia, para ter a certeza do que diz.

Istambul poderia ser uma cidade europeia, apenas ainda mais limpa e cuidada. Recomenda-se com muita nostalgia, e memórias que já não cabem num post que vai longo. 

 

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Caso tenham alguma dúvida enviem email para leonismos@sapo.pt, e acompanhem sempre o blog através do Facebook e Instagram.

07
Jul17

Obrigado, Cristina


Leonardo Rodrigues

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Aqui no blog, já agradeci ao 25 de abril e à cidade de Lisboa. Hoje é dia de agradecer a Cristina Ferreira. 

Ela, mais uma vez, e contra variadíssimos riscos, ousou, colocando na sua capa dois casais do mesmo sexo. Feito o teste, uma capa de um beijo sensual entre sexos opostos não choca, mas do mesmo sim. E porquê?

Porque a homossexualidade continua, por algum motivo, a ser diferente, um desvio à norma, uma aberração, uma calamidade, um prenúncio do fim dos tempos. Só que não é nada disso. É apenas amar pessoas mais parecidas.

Aparece dessa forma na cabeça das pessoas porque, a dada altura, um neurónio foi contaminado com a junção do conceito de mau ao de homossexualidade. Até aqui tudo ok, a minha mãe também me ensinou assim. Mas, quando me confrontei com isto, necessitei de questionar o neurónio infetado, algo que, uns anos depois, levou a uma aceitação da minha paneleirice crónica. 

Quando partilhei parte do meu percurso, fi-lo porque sabia que alguém ia precisar de ler. O agressor, o homem que ainda não o consegue dizer em voz alta, o rapaz que está quase a contar aos amigos, a mãe que lamenta não ter sido capaz de apoiar de imediato o filho, e a mãe que quer falar de bullying com os filhos. Não tive nenhuma reação negativa, e apenas me senti mais forte para continuar a ser eu próprio.

A Cristina Ferreira vai chegar àquelas pessoas onde a minha história, e outras antes de mim, não chegaram. A todos os públicos e a todas as mesas. Alguns dos tais neurónios vão ver o conteúdo questionado, e reagirão mal. É certo que o tabu, onde o é, deixará de ser e voltaremos a falar das coisas como são e que outrora foram às escuras. Só assim se procura saber mais, e só com mais informação se cura o país e o mundo. Por isso lhe agradeço, por nos fazer dar outro passo na direção certa. É preciso tomates.

 

 

27
Jun17

Estuda, para não acabares assim


Leonardo Rodrigues

Esta frase foi proferida, de mãe para filha, enquanto apontava para uma colega minha, numa conhecida loja de roupa. A rapariga é minha colega porque tem de trabalhar em dois sítios, já que um trabalho apenas não chega. E não, isto nada tem que ver com o facto de ela não ter estudado, estudou e muito. Seguiu a sua paixão e licenciou-se em terapia da fala. Poderia ter ficado calada, mas escolheu dar mais informação. Explicou que além de não ser a única licenciada na loja, a outra colega estava a terminar a licenciatura em arquitetura, e que o rapaz nos provadores era advogado. A filha não teve remédio senão rir-se da hipocrisia da mãe. Sabem, as profissões e os canudos não nos definem, se é que algum dia o fizeram. Existem aqueles que, devido a um mercado de trabalho não ideal, não podem exercer o que acham ter nascido para fazer. Há quem estude um curso só porque sim, quem não o possa terminar e quem considere que aquilo não é para eles. Os nossos caminhos são todos diferentes. Não têm de ser julgadas por uma profissão, nem pelos números que caem na conta todos os meses. Apenas pelo seu caráter e ações. 

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18
Mai17

Desculpem-me não ser turco e ter escolhido Lisboa para morar


Leonardo Rodrigues

Com o verão a chegar e muitos dias de férias para gastar, chega a hora de começar a marcar coisas que transcendem o meu orçamento. Um dos pensamentos que mais me dá cabo do orçamento é visitar a família, a casa. Ora, para lá ir não me posso meter num Alfa, nem num Intercidades ou no caos da Rede Expressos. "Casa" é a Madeira e, como tal, preciso de me meter num avião para fazer uma viagem que, comercialmente, não ascende uma hora e meia.  Curiosamente, e com muita sorte, tenho andado a ver viagens para outros destinos e a realidade repete-se. É muitas vezes mais barato, por metade do preço, fazer uma viagem de 5 horas para o Oriente, numa companhia que nos deixa levar bagagem de porão e serve uma refeição quente, do que ir à Madeira, com uma bagagem de mão calculada ao milímetro. Desculpem-me não ser turco e ter escolhido Lisboa para morar. Prometo não o repetir na próxima reencarnação.

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