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LEONISMOS

LEONISMOS

05
Ago17

In a Hearbeat - E se dois meninos se amarem?


Leonardo Rodrigues

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Há um novo vídeo a correr a Internet de uma ponta à outra. É da autoria de Beth David, e chama-se, traduzido por mim, Numa Pulsação. Cá em casa vimos esta curta ontem, por duas vezes, e não deu para conter a comoção. Este sucesso mostra, de forma simples e inocente, a possibilidade de amor entre dois meninos. Acho que o faz da forma certa, sem chocar, tornando mais fácil explicar o amor a todos. E, prova, novamente, que o amor não escolhe um sexo, por mais que os olhares possam não estar habituados. Por vezes, quando o nosso coração escolhe, somos julgados. Mas, para amar, lá está, há coisas que não podem importar, como o sexo, a cor, a idade e as opiniões dos outros. Como ouvi no outro dia, amor é amor. Se o coração falar mais alto, o amor não tem remédio senão vencer, sempre. Além de mexer convosco, acho que, em 4 minutos, estarão com um sorriso no rosto.

 

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31
Jul17

Istambul, 3 dias no centro do mundo


Leonardo Rodrigues

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Vou poder dizer, enquanto viver, que estive na Turquia antes de abolirem o ensino da teoria da evolução nas suas escolas. Comecei por onde se tem de começar, a mítica cidade de Istambul. É, para mim, o centro do mundo, onde as coisas do Oriente e do Ocidente se juntam para se separarem. 

A cidade é imensa, não fosse o lar de quase quinze milhões de pessoas. Surpreende pelos contrastes, que vão além de arranha céus e prédios de madeira. As mesquitas avistam-se mais alto que tudo. Tem um sofisticado sistema de transportes, e um aparelho turístico irrepreensível. Na cidade dos rooftops, pode-se comer bem e barato, apenas se não cedermos à pressão do comerciantes.

Tínhamos três dias e, graças à localização privilegiada do nosso Airbnb, junto da praça de Sultanahmet, fizemos tudo o que é obrigatório.

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Começámos pela Mesquita Azul. Embora na prática não sejam colocados entraves aos homens com calções, o correto são calças para os homens, e as mulheres devem estar o mais cobertas possível, com ênfase para a cabeça e os ombros, porque Alá assim disse. Os sapatos não são permitidos, ficam à porta ou facultam-nos um saco. As mulheres muçulmanas oram dentro de umas salas recônditas, uma vez que não se devem expor na dianteira, com os homens. O seu interior é muito trabalhado, é mágica e, de tão imensa, não me espantaria se tocasse realmente no céu - embora não seja maior do que a Hagia Sophia.

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Sinónimo da imponência de Constantinopla, em tempos de Constantino II, Haghia Sophia foi inicialmente uma basílica, a Magna Ecclesia. Com as mudanças de poder, acabou por se tornar numa mesquita. Hoje em dia é um museu dos mais visitados do mundo, graças à iniciativa de Ataturk, o presidente que aproximou a cidade do Ocidente e promoveu uma clara separação do Estado e religião. A entrada custa 10 euros e vale cada cêntimo.  Ficámos horas a contemplar os imensos pormenores. 

 

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Ainda naquela parte da cidade, a Basílica Cisterna, uma maravilha romana onde poderiam estar milhares de litros de água, que abasteciam a cidade, é outro must. Curiosamente, devido à renovação dos povos de Constantinopla, a Basílica como que se perdeu. Quando os habitantes começaram a conseguir pescar peixes com baldes das suas caves, lá descobriram a construção milenar. É arrepiante estar dentro da cisterna, mais ainda se pensarmos que uma construção daquela magnitude mobilizou milhares de escravos. Acredita-se que o "pilar das lágrimas" foi lá colocado em homenagem aos que morreram. Espero que sim. 

 

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Para se almoçar bem e barato ali perto, nada como ir comer até ao telhado do Doy Doy, um maravilhoso restaurante de cozinha tradicional turca, a preços e vistas bem apetecíveis.

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O Grand Bazaar é outra paragem obrigatória. Pensemos neste como um centro comercial tradicional, térreo, que se estende por vários quilómetros. Não tenham ilusões, vão perder-se nas milhentas ruas. Enquanto se perdem e encontram uma das muitas saídas, lembrem-se de regatear sempre o preço. Na primeira tentativa de lá entrar - domingo - estava fechado. Nos dias de semana fecha pelas 19.

 

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Algo incontornável, para reabastecer na rua, e que podem comprar com apenas 8 liras turcas, ou dois euros, é a sandes de peixe. Esta é vendida do lado ocidental da cidade, mesmo junto ao mar do estreito do Bosforo. Tentei saber qual a mistura de especiarias que lá se colocava, mas ninguém me conseguiu explicar. Nas lojas, encaminharam-me sempre para a fish spice, que tinha muito pouco a ver...

 

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Por falar em fish spice, tenho de falar em especiarias. Embora não estivéssemos conscientes, passámos pelo bazar das especiarias, que também estava na nossa lista. Acontece que naquele momento estávamos de mau humor, e só nos queríamos afastar do Grand Bazaar. Minutos antes, fomos abordados por dois engraxadores, que nos tentaram cobrar 90 liras turcas por conversa fiada e por nos terem molhado as sapatilhas. Não me pareceu que assaltos fossem frequentes, mas sim os esquemas para enganar turistas. De qualquer modo, rumávamos ao lado moderno, onde se avista a grandiosa torre. 

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É na torre de Galata, do lado ocidental, que se tem a melhor vista da cidade, para ambas as margens do Golden Horn e para o lado Asiático. É das atrações mais caras e não esperem descontos, se não tiverem cidadania turca. 

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Por estas paragens, existe algo muito frequente em Istambul, prédios inteiros convertidos em restaurante. Encontrámos um que se chamava Galata Konak Café. Além de doçaria irrepreensível no piso térreo, tinham uma vista muito semelhante à da torre de Galata, no último andar, mas gratuita.         

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Porque uma caminhada assim o quis, fomos ter à estação aonde chegava e donde saía o icónico expresso do Oriente. Outrora, foi o comboio mais luxuoso do mundo, e ligava metade da Europa ao Oriente. Transportou grandes vultos, da realeza às estrelas. Embora não conseguisse conter o entusiasmo, foi fácil entender que os tempos áureos dos caminhos de ferro acabaram.  

 

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Ir a Istambul sem ir aos banhos turcos é como ir a Roma e não ver o papa. É uma experiência cara, mas vale a pena. Os banhos turcos chamam-se Hamam e experimentámos a Çemberlitas Hamami. Dão-nos uma chave para a cabine, onde indicam para ficar apenas de toalha e chinelos. A chave fica no pulso. Depois é altura de rumar a uma sala quente onde a temperatura é superior a 40 graus. Quando já não aguentamos a humidade, chega uma pessoa que nos manda deitar, estala as costas e esfrega-nos vigorosamente com uma luva. O passo seguinte é o banho frio. Embora seja tudo muito rápido, e bem pago, há uma grande insistência na gorjeta.

 

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Andámos durante estes dias, em média, 12 horas, mas nem assim conseguímos ter tempo para ir além do exterior do Palácio de Topkapı nem visitar a Ásia. Ficará para a próxima viagem.

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Acho que é normal não saber o que esperar desta cidade. Começamos com receio do que se ouve e lê, mas acabamos por perceber que é mais segura do que a nossa e que as pessoas são muito afetuosas. Contudo, existem diferenças culturais estranhas à vista e aos ouvidos. Cinco vezes por dia entoam-se passagens do Alcorão para toda a cidade, anunciando os momentos de oração. Curiosamente, ou não, o livro sagrado do Islão está disponível gratuitamente nas mesquitas, em muitas línguas. Trouxe a minha cópia, para ter a certeza do que diz.

Istambul poderia ser uma cidade europeia, apenas ainda mais limpa e cuidada. Recomenda-se com muita nostalgia, e memórias que já não cabem num post que vai longo. 

 

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Caso tenham alguma dúvida enviem email para leonismos@sapo.pt, e acompanhem sempre o blog através do Facebook e Instagram.

17
Abr17

A Perfeição Existe?


Leonardo Rodrigues

A questão não é nova, mas intemporal, e surge em muitas mesas. 

Foi na semana passada. O jantar ia tão avançado que, no máximo, ainda havia um pouco de gelado por comer. Isto é o mesmo que dizer que as mãos deixaram de segurar talheres para segurar telemóveis. Não é preciso muito para que, se ainda houver conversa, a mesma ter como base o que o visor está a mostrar.

A linha entre evolução do sentido estético, graças ao Instagram, e os rapazes e raparigas que cortam a respiração é ténue. Se a pessoa estiver com menos roupa, mais fácil se torna. 

Não são pessoas quaisquer, têm, além de um estilo de vida fabuloso, um corpo, uma pele e sorrisos que toda a gente parece querer ter. São representações de conceitos de beleza estabelecidos muito exigentes, distantes da maioria das pessoas, mesmo das que cuidam de si. Aí começa a comparação. Comparação com pessoas que talvez não sejam exatamente assim.

E continuamos a alimentar estas ideias diariamente, através da nossa dieta visual, nos media tradicionais, redes sociais, pornografia e publicidade.

Impomos-nos estes padrões, que levam a uma baixa autoestima, indo por vezes a extremos como a anorexia.  Por outro lado, impomos os nossos padrões aos outros, fazendo-os sentirem-se menores, ou maiores. Insatisfação de dois gumes. Nada é suficiente.

O que é feito de se gostar dos je ne sais quoi das pessoas?

Não quero dizer com isto que devemos deixar de ter preferências, cruzar os braços, engordar a ponto de ter problemas de saúde. Não cuidar da nossa higiene, e os piores cenários que vos surgirem. Mas acho que temos de parar de viver para fantasias colocadas em pedestais. Talvez 50% das vezes não tenhamos realmente de Mudar, podemos apenas cuidar mais de nós. 

Certo dia, um amigo disse-me o seguinte, Se estivesses sozinho numa ilha como saberias que o teu pior defeito é um defeito? Talvez nem defeito se tivesse. Tiveram mesmo que mo dizer, Leonardo, o teu nariz é torto. Neste momento é uma situação mais distante. 

Claro que gosto de cuidar de mim e de ter as minhas vaidades. É bom oferecer-me certas coisas. Se alguém reparar é um ponto extra e não tem de ser mais do que isso.

Já ouvi que "demasiado perfeito não existe", com um sorriso matreiro. A realidade é que não pode, para isso era necessário que a perfeição existisse em primeiro lugar.

 

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15
Abr17

Nudista por um dia


Leonardo Rodrigues

Não tenho dúvidas, as motivações para se ir a uma praia de nudismo podem ter uma componente voyeurista e/ou de exibicionismo. E também pode não ter nada a ver com nenhuma das anteriores. Nem tudo tem de ser sexual.

As praias onde é possível praticar nudismo, espero poder escrever isto assim, quase por regra, localizam-se em sítios recônditos, nem sempre de fácil acesso, como a do Meco. Não me refiro à do café, refiro-me à outra. Off the beaten track, significa menos gente e uma natureza menos tocada. Silêncio e pureza. 

Nestes sítios algumas pessoas sentem que podem, literalmente, despir os preconceitos e perder as camadas de conceitos que a sociedade obriga a vestir. E é algo que todos fazemos, mesmo com consciência de que nascemos sem cuecas e que, se a nossa mãe, enquanto adulta respeitável as estivesse a usar, sairíamos com mais dificuldade. 

Ontem à hora de almoço estava a dizer uma coisa sobre o assunto a uns colegas, pela hora do lanche estava a fazer outra totalmente diferente. Surgiu-me na cabeça porque não e, de repente, já não tinha os calções de banho. 

A suspeitar muito desta nova liberdade que me tinha concedido, estar como cheguei ao mundo na rua, decidi voltar-me de barriga para baixo. Afinal de contas, os rabos são socialmente mais aceites do que pilas, da mesma forma que as mamas são mais aceites do que vaginas. Sim, conheço esta última palavra.

Por momentos, abstraí-me das pessoas à minha volta e concentrei-me na novidade que era sentir o sopro do vento e o penetrar dos raios de sol, distribuídos por igual a cada milímetro do meu corpo. Isto com o som da ondulação do mar a preencher-me a cabeça. 

Depois voltei-me e sorri. Era o meu corpo de todos os dias, apenas num cenário diferente. Não estava na sala, no quarto, na casa de banho nem na cozinha. O meu corpo estava tal como era numa praia, a contrastar com a areia e com o mar. Um contraste deveras libertador, elementar e desprovido de conceitos. Foi natural.

Não sei quando voltarei a sentir o impulso de tirar os calções em público, mas confesso que se estiver numa praia onde isso não é pecado, é bem possível que os tire.

 

 

15
Fev17

Dizer amo-te


Leonardo Rodrigues

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Já tinha este post nos rascunhos há uns dias e hoje, após o dia que encheu o meu refeitório de corações, parece-me boa ideia concluir.

Há quem diga e julgue que os gestos falam mais alto do que as palavras. Como se alguma coisa pudesse significar mais do que palavras, do que uma palavra. Isso só é válido quando se banalizam as palavras, especialmente uma que, em tão poucas letras, pode significar tanto: amo-te. 

Por vezes agimos de uma forma que não queremos, da mesma forma que dizemos coisas que não sentimos. Agir contra a nossa natureza custa. Curiosamente, proferir o que realmente pensamos e sentimos também, sente-se uma pequena dorzinha.

Dizer amo-te, saíndo bem lá do fundo, é cirúrgico. Para mim, é quase como se sentisse que o meu peito se rasga para sair de lá dentro algo muito intimo. É sincero. Por outro lado, quando me é dito continua a acontecer algo de extraordinário em mim. Num episódio recente foram as lágrimas que começaram a cair apenas por o ouvir. Sem soluços, só um calor imenso. Afinal, o quão valioso é amar reciprocamente?

Pareceu-me que, à minha volta, de tanto se ouvir e dizer palavras como esta, retira-se o som das mesmas e, por consequência, perdem o seu significado e efeito. Criar um dia que manipule a economia das palavras e dos gestos deixa-me a pensar.

Olhem, sou por dizer menos e significar mais. Que se demonstre tudo, mas sem gastar a grandiosidade das palavras e das emoções. 

 

 

 

02
Fev17

Temos de desligar!


Leonardo Rodrigues

 

 

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Vivo numa relação de amor ódio com ficar sem bateria. Se houver algo que não pode esperar, é um pesadelo. Se não, é uma dádiva e acordarmos para coisas que nunca reparámos, como ver que o nome da estação Roma, refletida num dos vidros da carruagem é amoR.

Os tempos são insustentáveis. Deixar passar os reflexos da luz que dizem amoR não é grave, mas já deixar passar o Amor porque um retângulo convenceu-nos que a nossa vida está toda lá dentro, pode ser.

Os nossos telemóveis tornaram-se o centro, até dos jantares. Supostamente está lá tudo: as várias contas de email, o Facebook, o Messenger, o Snapchat, o Instagram, as aplicações onde se encontra o sexo e amor, as noticias, as memórias fotográficas, as notas, a agenda, o despertador, os mapas. Tudo, porra. E as notificações não nos largam, fazendo com que o trabalho, os colegas, os amigos, as estrelas e as desgraças se deitem connosco.

Sabem o que não está no telemóvel, nem mesmo no computador? As pessoas, de carne e osso, as conversas olhos nos olhos, o toque e os tiques, os cheiros dos lugares. O que vemos nos ecrãs são as representações disso. Temos de optar: representações ou os que temos ao nosso lado, à mesa e na cama?

Sinto que a ilusão de aproximação serve apenas para que a concretude das coisas se deteriore. O que sobra de nós, pode ser insuficiente.

Não proponho uma abolição de algo que melhora a vida moderna em muitos aspetos. Proponho, sim, que por vezes se deixe o telemóvel desligar ou usar o modo de voo. Desta forma conseguímos ouvir melhor quem está ao nosso lado e ver as nuvens sem photoshop que estão no céu.

 

26
Jan17

Cura para o mau humor: Friends


Leonardo Rodrigues

Há muitos anos que encontrei um medicamento que cura qualquer estado de espírito menos bom. Chama-se Friends, vem sob a forma de episódios e é administrado via visual e auditiva. Não é o mais refinado dos humores, ainda assim é tão genial que nunca desilude e as piadas da série permanecem intemporais. São 10 as temporadas e iniciei o meu quarto tratamento esta semana. Isto é: voltar a ver duzentos e tal episódios. Não dá para evitar, a serotonina reproduz-se a um ritmo alucinante com com camaradagem deste grupo funcional de tão disfuncional - a estupidez do Joey, o sarcasmo do Chandler, a futilidade da Rachel, a OCD da Monica, a intelectualidade do Ross e, acima de tudo, a genialidade da Phoebe. Se estão a ter um dia ou uma semana assim-assim, o melhor mesmo é pegar numa manta, café e tratarem-se com uns quantos episódios. Queria escolher um meme que ilustrasse bem este post, mas, com as minhas dificuldades de decisão, tive de escolher aleatoriamente. 

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19
Jan17

Não volto para o armário, deitei-o fora


Leonardo Rodrigues

Recentemente colocou-se a hipótese de irmos passar as nossas férias à minha ilha. Após a última conversa que tive com um membro da família, decidimos manter o plano inicial e rumar para norte.

Recuando no tempo, assim que tomei consciência de quem era, mesmo que não tivesse um conceito de antemão, passei também a ter um segredo. O ambiente à minha volta exercia uma influência castradora. E, no fundo, eu próprio também não queria ser quem era.

Os tempos mudaram, assisti a uma transformação das pessoas e das mentalidades à minha volta. Mas, mais do que os progressos dos outros, orgulho-me do meu percurso. Nem no emprego necessito fingir ser quem não sou. Saí e deitei o famoso armário fora para viver a minha vida.

Fruto disto, e porque a vida assim quis, no ano passado passei a ter a meu lado alguém que considero digno de apresentar a toda a família. Ontem uma pessoa, que surpreendentemente não foi a mãe, pediu-me para nos comportarmos como amigos - impôs esta condição - , isto porque não queria ter de dar explicações à filha.

Há uma ideia em que insisto há muito: as crianças são uma tábua rasa. Se a elas forem transmitidos bons valores e conhecimentos, mais fácil será de não perpetuar preconceitos. Não me cabe a mim educar filhos que não são meus. Ainda assim, pergunto-me, que educação é aquela que não assume que existe mais do que o preto e o branco, escondendo os lindos tons de cinzento que os separam?

Algo que é fundamental compreender por todos é que os casais gays não pretendem fazer em público, em família, mais do que os heteros fazem. Não há cá tratamentos especiais. O escárnio de algumas pessoas está em fazermos o mesmo, como tocar numa mão, agarrá-la, fazer uma carícia na cara ou dar um beijo. O afeto não pode ser um tabu.

E, com isto, não posso compactuar, mesmo que amenizem dizendo que "aceitam o meu modo de vida, mas que...". E são muitos os "mas que" que só servem para andarmos mais devagar. 
Enquanto casal homossexual, não temos, nem vamos, agir de forma diferente da um casal heterossexual. Desculpem, mas já não andamos com nenhuma cruz às costas.

09
Dez16

Descobri que o PSD tem Facebook e faz vídeos


Leonardo Rodrigues

Para um partido, ter uma página de Facebook é algo que deveria fazer todo o sentido. O PSD faz-me contrariar a frase que escolhi para começar o post. Especialmente quando o partido usa este meio para deturpar a realidade, oferecendo um ponto de vista que, de tão próprio, nem os seus militantes entendem. Descobri um vídeo além-ridículo acerca das ciclovias e das bicicletas. Ei-lo:

 

Os números e interpretações do PSD são sempre curiosos. Geralmente, e enfatizando os últimos tempos, pouco contribuem para o debate público, muito menos para uma mudança e educação dos portugueses. Os números não são realistas e, pelas imagens, cobrem uma zona muito reduzida. TPC: ler definição de amostras representativas e maiorias parlamentares.

 

O inverno veio para ficar, embora se vá disfarçando de verão. Não é só agora que de repente vamos para as ruas contabilizar as bicicletas. Vou no meu quarto ano em Lisboa e o aumento é real. Os lisboetas sabem, só falta o PSD. 

 

Sempre que espero o autocarro pela manhã, num time frame variável entre 10 minutos a 1 hora, dependendo do estado de espírito da Carris, conto pelo menos 5 bicicletas e pelo menos um ciclista buzina-me por estar a dormir na ciclovia. O meu colega de casa, outro exemplo próximo, vai todos os dias de bicicleta para o trabalho. Estas ciclovias permitem, ainda, aos fãs da trotineta e do skate chegar a sítios.

 

Custa a muito boa gente que o betão e calçada são para andar, e que o pavimento rosa é para as bicicletas. Muitas vezes porque o do pedestre está degradado - e aí subscrevo, não é justo. Outras, só porque sim. O pedestre quer passeios em condições, o condutor uma estrada sem buracos e o ciclista exatamente o mesmo. Podem não fazer intenções de usar bicicleta, mas isto não é motivo para se opor a uma alternativa que polui zero e melhora a vida de todos - dos que caminham com menos fumo, dos que conduzem com mais espaço  na estrada e dos que querem um assento no autocarro.

 

O mundo, Portugal não pode ser exceção, necessita de alternativas de mobilidade sustentáveis, para o planeta e para a nossa saúde. Que a aposta passa pelos transportes públicos não há dúvidas, mas neste momento é isto 
 
Claro que nem sempre seremos nós a beneficiar diretamente das nossas infraestruturas. Em Lisboa, para além dos lisboetas, avistam-se todos os dias dezenas de turistas a usar bicicletas - são menos nos transportes públicos, menos a usarem outros meios poluentes como os táxis e ubers. É uma boa notícia para o ar - não se esqueçam deste dado adquirido. 
 
Porque estaria o PSD a tentar denegrir algo que faz parte do futuro? Não é com o futuro que o partido está sempre preocupado? Talvez porque o futuro das autárquicas é mais importante?
 
PS. CML, as ciclovias estão a ir a bom porto, que a Carris siga a mesma estrada.
 
 
 
 
25
Nov16

Nova Plataforma que Promete Agitar os Blogs - Sapo Friendly


Leonardo Rodrigues



Quantas vezes já pensaram "era tão bom que eu pudesse escrever, ter a certeza que o conteúdo cumpre os melhores requisitos para ser encontrado (SEO - se não sabem o que isto é, precisam mesmo) e ainda personalizar a partilha nas mais diversas redes sociais, tudo de uma só vez"?

Talvez não tenham pensado bem assim, mas eu quero poupar linhas. A resposta surgiu nos comentários de vários blogs durante estes dias, no Leonismos inclusive: o Swonkie. O nome é fofo e a plataforma também. A melhor parte: é compatível com o nosso Sapo, não fosse esta startup ser portuguesa.

Assim que concluírem o registo, que podem - e devem - fazer através de uma rede social, e embora a plataforma seja bastante intuitiva, alguém muito bem disposto vai estar online para vos dar as boas vindas e acompanhar em qualquer questão que tenham. Depois é só Escrever, Partilhar e Promover - as palavras de ordem.

Após os primeiros posts irão começar a ter acesso a estatísticas detalhadas do vosso desempenho nas redes sociais, de forma a conseguirem evoluir. 

O futuro à empresa pertence, mas neste momento a versão Beta é totalmente gratuita e só têm de aproveitar esta oportunidade para escrever e partilhar melhor. 

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