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LEONISMOS

LEONISMOS

28
Out17

post sem fotografia, sobre um momento


Leonardo Rodrigues

A imagem, em relação ao texto, desde há uns séculos, assumiu um papel central, a começar pela imprensa. As nossas casas também seguiram o exemplo. Como não era tão acessível, pelo que dita a lei da natureza, tinha mais valor. A minha avó, quando está lúcida, relembra a sua fotografia de casamento, que foi tudo menos instantânea. Vivendo a norte da ilha, teve necessidade de se deslocar com o marido, antes da luz nascer, até ao sul da ilha a pé. O vestido de casamento e o fato iam na mala. Os momentos tinham tanto valor, que se fazia um sacrifício do tamanho da distância para recordar mais tarde um momento passado. Hoje, basta meter a mão ao bolso e colocar o telemóvel em riste, para guardarmos uma momento que, na grande maioria das vezes, será esquecido. Ontem, decidi fazer uma caminhada anormalmente extensa com a Dóris e deparei-me com um espetáculo belíssimo. Ao chegar ao cimo do parque, a luz quente incidia magicamente em cima do verde acabado de crescer, graças à chuva que finalmente caiu. Os troncos das árvores estavam mais escuros devido às brechas de luz, que só deixavam o verde brilhar. O meu primeiro impulso foi tirar uma fotografia, mas o telemóvel estava em casa a carregar, então comprometi-me a memorizar o momento e, para o efeito, parar durante vários minutos. Tanto que foi apreciado, que hoje se escreve um post sem a fotografia,sem provas, só com palavras.

22
Jan16

A ver: Os despojos do dia


Leonardo Rodrigues

image.jpg

 

Ontem foi dia, mais noite, de estar presente na inauguração da mais recente exposição de um grande amigo meu, o fotógrafo Rui Dias Monteiro, intitulada "Os despojos do dia".

 

Embora já conhecesse muito do trabalho do Rui e também já tivesse tido privilégio de caminhar e conversar com ele enquanto fotografava, só agora é que julgo ter entendido verdadeiramente o porquê de ele fotografar o que os outros deixam ficar, os despojos.

 

Ele vê e capta aquilo que nós muitas vezes já não somos capazes de ver, tanto que as coisas se repetem, tanto que as deixamos esquecidas. E, sem lhes dar valor, apelidamo-as de lixo. Isto aplica-se tanto à nossa capital, como ao local onde esta sequência foi capturada, Cabo Verde, como ao mundo.

 

O olhar meditativo do Rui só vem a provar novamente que menos é mais. Ele sabe-o e as suas fotos, na sua simplicidade, e "centralidade" como muito bem disseram, transmitem-no.

 

Enquanto muitos fotógrafos tendem a editar excessivamente os seus trabalhos, este limita-se a fazer pequenas correções de luz, nada mais. Tão simples quanto as coisas.

 

Neste trabalho é de salientar que nada é pousado, afinal de contas, para quê mexer no que tão perfeitamente ocorre por si, como que por vontade própria da natureza?

 

"Os despojos do dia" não pretende ser uma crítica à existência daqueles objetos esquecidos na natureza, é mais um convite a pensá-los doutra forma, a olhá-los com outros olhos: E se os despojos dos nossos dias não fossem apenas lixo, mas, com o passar do tempo houvesse uma fusão e se tonassem ornamentos, quiçá "jóias" da própria natureza?

 

É sem dúvida uma exposição a não perder. Aos interessados, podem visita-lá de terça a sábado, das 14 às 19, na Galeria Alecrim 50. Assim será até dia 5 de Março, pelo que certamente há de encaixar nas vossas agendas.

foto do autor

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