Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

LEONISMOS

LEONISMOS

23
Mar17

Vou ao melhor barbeiro de Lisboa, porque mereço


Leonardo Rodrigues

StockSnap_7M505B7MYV.jpg

 

Todos usamos diferentes escapes para sobreviver as nossas vidas cada vez mais exigentes. Escapadinhas, banhos de imersão, massagens, vinho, dia de folga fora da folga, etc. Eu subscrevo a todas estas técnicas de sobrevivência ninja, mas recentemente descobri um novo método de o fazer, de cuidar de mim, ir ao barbeiro. 

Tem acontecido sempre em dias de folga, que por vezes coincidem com saídas da cidade. Ir ao barbeiro não dá o super poder de sair da cidade, mas isso quase que acontece lá.

Pente 1.5 no cabelo, 4 na barba, corrigir as linhas e dar um jeitinho com a tesoura. São estes os meus pedidos. Depois não tenho de fazer mais nada.

Ter a barba que tenho envolve que todos os dias tenha de a lavar duas vezes, primeiro com o shampoo, depois com o condicionador, pentear, aparar aqui e ali. Dá imenso trabalho, mas, quando cumpro o ritual, estou diferente, sinto-me bonito e confiante, e isso dá-me poder e, confesso, agrada o D

Ir ao barbeiro faz precisamente isso, mas é no dia do mês em que decido que não vou cuidar de ninguém e que vou deixar que cuidem de mim. É o meu Obrigado, Leonardo, por te aturares a ti e aos outros. Além disso, o barbeiro faz um trabalho melhor a deixar a minha barba apresentável. 

Quem tem feito este rico trabalho é Francisco, um dos sócios da Barbearia Carlos, em Alvalade. É daquelas à antiga, irrepreensíveis na arte e no atendimento. Estão lá sempre três senhores, um mais velho do que o outro, mas é pela cadeira do Francisco que toda a gente espera. É com ele que, além do bom trabalho que faz com a nossa penugem, tem uma boa conversa, que pode ir da geografia às suas aspirações no mundo do rock. Nada disto compromete que o brilho dos seus olhos seja maioritariamente obtido com a profissão herdada do pai.

Mesmo que a Av. de Roma não fique no vosso caminho, experimentem uma barbearia tipicamente lisboeta. Não vão querer gastar dez euros noutra coisa. 

22
Mar17

Dia em que vi algodão a cair do céu pela primeira vez


Leonardo Rodrigues

fotografia.JPG

 

Foi no mês que passou. Tínhamos acabado a nossa visita à belíssima cidade do Sabugal, onde o ponto alto é mesmo o ponto mais alto, o topo do Castelo das Cinco Quinas, com vistas sobre o Côa. 

Ainda no castelo, depois de uma quase escalada às escuras para chegar ao cimo, começou a chover, o ar ficou mais rápido e frio, e o pensamento de que poderia nevar construiu-se na minha cabeça.

Só verbalizei este meu desejo íntimo de, por uma vez na vida, ver a neve a cair em vez de gelo no chão, quando cheguei ao museu. Era uma ideia que nos deixava a ambos sorridentes. O rapaz que lá trabalhava prontamente nos fechou a boca, explicando que, no Fundão, terra onde se localizava a nossa próxima "casa", a Cerca Design House, não nevava há quase dez anos. Não sei se é necessário deixar por escrito que não gostei deste museu. 

No caminho que se apresentava de condução difícil para o meu ele, entre Google Maps, troca de cabos para carregar as nossas baterias que duram cada vez menos e muito Carpool Karaoke, começámos a ver a chuva a ficar cada vez mais branca, grossa e leve.

Não demorou muito para que sentíssemos a necessidade de encostar. Fui o primeiro a ir para a rua. Sentia e não sentia o frio. É verdadeiramente mágico ver aquilo que é água sólida, tingida de branco, a cair de forma tão leve e graciosa. Ao mais pequeno toque, naquela fase, volta ao seu estado liquido.

Ele filmou e não há margem para dúvidas, de que estava feliz e que, mediante justificação plausível na minha cabeça, faço uma cena, umas mais felizes que outras. 

Ficámos nisto um bom tempo, totalmente alheios aos acidentes e às estradas cortadas, na companhia um do outro, com os nossos momentos de profunda lamechice registados numa dezena de selfies. A ele surgiam memórias de uma Nova Iorque que lhe foi próxima e em mim surgiam emoções por afinidade.

Como o amor e neve não enchem barriga, seguimos viagem meia hora depois. Descongelar foi tão fácil porque no hotel, que se cobria novamente de neve, esperavam-nos com chávenas de chá quente e, por causa da neve, partilhavam o mesmo ar de surpresa.

 

 

08
Mar17

Come-se bem na Cova de uma Loba


Leonardo Rodrigues

cova da loba.jpg

 

Recôndito, ali estava o único restaurante de Linhares da Beira, a fazer jus ao seu nome, Cova da Loba.

Nada é por acaso. Diz que,  e eu sei que se diz muita coisa, que noutros tempos distantes uma tal de Dona Lopa expulsou de casa de Santo António uma criada que não era mais do que o Demo disfarçado, à caça de almas para a sua causa. O Santo devido à semelhança nome-espécie, como agradecimento, transformou-a em loba, com grande longevidade.

Esta vida continuará longa com a condição de trazer a Linhares os melhores frutos do bosque.

No meu entendimento gastronómico e de enólogo, parece-me que o animal à Cova da Loba conseguiu que chegasse o melhor de tudo, frutos do bosque, cogumelos, queijos da serra, vinho, Portugal e a criatividade.

É só com muita criatividade que se consegue pegar no que é nosso, melhorar e apresentar um Portugal novo. Os pratos têm as raízes de sempre, mas satisfazem o olhar fresco e os paladares modernos.

Ele comeu um imponente polvo com uma redução de balsâmico e eu um sublime risotto com cogumelos selvagens e queijo da serra. Os olhos não enganaram e fomos arrebatados pela explosão de sabores inteligentemente combinada e apresentada. 

image (10).jpeg

 

image (11).jpeg

 

Como a loba está de folga às quartas a sua Cova não abre. De resto, é sempre boa altura para visitar, mesmo que neve lá fora há uma lareira dentro. 

 

Não perca pitada do blog, siga-me no Facebook e Instagram

 

23
Fev17

Descobrir as Origens em Foz Côa


Leonardo Rodrigues

Estar a uma hora de Foz Côa sem lá ir parece mal. Tanto que parecia que fomos, quase movidos apenas por vitamina C e cafeína. 

Se há algo que não me canso de dizer é que as nossas auto estradas e estradas são lindas. Especialmente a que nos leva a Vila Nova de Foz Côa. Não me refiro ao alcatrão, que por vezes falha, mas às vistas, claro está. 

Embora o caminho nos parecesse belíssimo, pelo verde, pelas casas que íamos avistando aqui e ali, pelas bermas feitas de pedra, nada nos poderia preparar para o que veríamos uma vez no museu. Veríamos o que a seguinte fotografia, que não me permiti editar, captou. Sem pôr nem tirar. 

16602175_2001288716765140_3634906541084021308_o.jp

 

E com esta vista ficámos durante muitos minutos, alternados entre contemplação profunda, gratidão por estarmos os dois ali e fotografias, muitas fotografias, não vá a cabeça esquecer.

O museu realmente está muito bem enquadrado na paisagem - tanto que no regresso tive de esforçar as vistas para conseguir ver. O que o típico turista não reflete é que lá, além de artefactos correspondentes a várias épocas, só temos representações das gravauras. Essas permanecem, muito respeituosamente, na rua, nas rochas onde foram encontradas. 

 

Como a sorte esteve sempre do nosso lado, chegámos a tempo de ver ver o museu e de comprar os dois últimos lugares para a última visita guiada às gravuras existentes em Penascosa. Recomendamos que façam ambas sendo que o valor combinado é de 12 euros. Temos apenas de assegurar o transporte do Museu até Castelo Melhor - uns 30 km - , o ponto de partida para vermos o que resta da arte rupestre em Penascosa.

Uma vez na aldeia pitoresca, é hora de descer aos confins e começar a recuar na História, num todo o terreno, por um caminho de terra batida. O caminho fez-se com dificuldade, mas, como qualquer dificuldade em férias, ultrapassou-se graças à boa companhia e, sem me querer repetir, às vistas. De um lado as vinhas, do outro as oliveiras. As montanhas pareciam não terminar, mas as casas sim e as pessoas com estas.

É um privilégio estar cá em baixo. Sente-se um misto de emoções que me fizeram sentir tão grande e tão insignificante em simultâneo. Ouvi com alguma atenção o que a guia automatizada nos disse, mas não conseguia evitar em dispersar-me do pequeno grupo para contemplar o que me envolvia. Duas margens do Côa, num local remoto, intocado, a anos luz de ser tão pisado como o Terreiro do Paço. Com a distância certa era possível ouvir apenas os pássaros e a água, tão perto, tão calma. Faz-nos sentir perto de quem fomos, pensar ao que vamos e, como um amigo meu costuma dizer, regressar às origens.

 

 

Claro que a mente divaga, após as aulas de História destas viagens dentro do país é fácil ver os nossos antepassados que nos deixaram, sob a forma de arte - acredita-se realmente que as gravuras foram feitas por artistas - a preencher as montanhas e a caçar. É também interessante pensar na responsabilidade da arte que carrega as nossas inquietações desde muito cedo, primeiro a caça, depois a religião e agora tudo. Somos muito mais.

De volta a Castelo Melhor, não conseguimos resistir aos encantamentos de uma vendedora - novamente, eu sei - e comprámos um licor biológico de vinho do Porto que só pode ser comprado ali, um vinho e amêndoas caramelizadas com açúcar e canela. 26 euros bem empregues. Já só resta o licor. 

Ela deu-nos uma dica para a nossa próxima e última paragem antes do regresso a Juncais, a Capela de S. Gabriel. Posso escrever apenas que apetece mais do que voltar à origens lá de cima, apetece não partir nunca e as fotos têm voz própria.

 

 

 

Novamente em "casa", Fornos de Algodres, comemos muito bem - e barato -  num restaurante chamado A Praça. Lá em cima é tudo em grande, duas doses gigantes, garrafa de vinho e sobremesa por menos de 20 euros.

A noite, antes de voltarmos ao calor da nossa salamandra, acabou junto ao Mondego a contemplar as estrelas e a lua, que lá em cima se avistam melhor.

 

Fiquem atentos aos próximo capítulos do Leonismos e sigam a página no Facebook e no Instagram - onde têm um sem fim de sítios maravilhosos à dsiposição dos olhos. 

20
Fev17

Até ao ponto mais alto de Portugal Continental


Leonardo Rodrigues

Post anterior.

 

Acordar naturalmente em Juncais para ouvir o som dos pássaros e sinos das ovelhas é indescritível, mas melhor é a realização de que o pão fresco apareceu mesmo na cozinha antes de acordarmos e que há café suficiente para duas famílias. Quanto à salamandra, continua lá, a tornar a manhã na serra mais quente e mágica.

pequeno almoço.jpg

 

Após o pequeno almoço, sabendo que Casa Grande de Juncais disponibiliza bicicletas, decidimos que assim andaríamos até ao almoço. Enquanto a Isabel foi preparar um meio de transporte mais verde, fomos espreitar o Café Central - mais ou menos o único de Juncais. Sem surpresas, foi fácil  meter conversa com quem lá estava, pareciam entusiasmados por sermos da capital e por estarmos na famosa "casa grande". Passados uns minutos, estávamos reunidos na praça com a dona do café e a amiga, um senhor que em vez de café bebe um vinho - apurámos que os elementos da Junta de Freguesia fazem o mesmo às 9:30 -  e o Max, o cão mais popular, seguido da Pipoca. É agora das minhas memórias sorridentes.

 

 

image.jpg

 

Após a receção maravilhosa, com as bicicletas já à porta e com muito por explorar, fomos conhecer melhor a aldeia. Aquando de um dos meus estacionamentos, junto da fonte que também é um miradouro, rompi as calças. Perdi a elegância, mas não me espalhei. Confirmo que andar de bicicleta não se esquece mesmo.

 

16422287_10155093526383487_5038217206467092317_o.j

 

Convictos das nossas capacidades, a ambição levou-nos a descer até ao rio Mondego - 6 km. Foi uma viagem magnífica, não fossem todos os santos ajudarem a descer, com vistas de cortar a respiração e uma sensação de liberdade tremenda. Cá em baixo, havia a ponte, o rio - como prometido pelo mapa - , uma casa de pedra e muito verde. Ele descreveu o ambiente como "bucólico", acompanhando-se de uma cara que liberta serotonina só de pensar. Esta memória está tão viva que também cheira ao alecrim que crescia na ponte para Juncais. Regressar para almoçar causou-me dores no rabo que dificultaram os dias seguintes.

 

mondego.jpg

Foto: Dele

 

Durante a tarde o nosso objetivo era alcançar o ponto mais alto de Portugal Continental, na Serra da Estrela. Dito e feito. O percurso fez-se pela belíssima e alta Seia, dona da fantástica freguesia do Sabugueiro. As vistas até lá cima só conseguiam ficar melhores e eu, à medida que a bateria carregava, lá ia disparando fotos compulsivamente. Com muita pena minha, a fraca luz nem sempre permite ao telemóvel fazer jus aos lugares, daí a partilha não ser igualmente compulsiva.

image (4).jpeg

  

Lá em cima, além da típica selfie que tiramos como se fosse uma bandeira, não deu para fazer muito. O vento era tanto que tínhamos um pássaro a voar em contra mão - é verdade, pensei em trazê-lo - , a neve era só gelo e havia nevoeiro. O nosso instinto foi procurar abrigo na versão de centro comercial da Serra. Devido ao chamamento, degustação de muito queijo, e uma vendedora muito persuasiva, gastei um balúrdio num único queijo. Acho que no fundo paguei tanto porque ela também me explicou um truque para o queijo durar para sempre, limpar os fungos aka bolor com um esfregão. Relembro que o queijo e enchidos - para quem está para aí virado - é mais barato nas aldeias que, por pouco, ainda não são polos de turismo. 

 

Até ao jantar, devido ao demorado e perigoso caminho de regresso - por Manteigas e afins - , com direito às paisagens mais estonteantes, quase que declarávamos o distrito da Guarda o melhor de Portugal. É mais prudente e razoável tomar a posição pública de que são todos lindos, de férias exagera-se tudo.  

 

Das opções não tão variadas que tínhamos para jantar, escolhemos um restaurante em Fornos de Algodres chamado de O Pote. Luxos, modernices e cortesias não tinham. Aqui vai-se quando se quer comer bem e barato. Ora, a entrada era composta por pão, queijo local e chouriço. As belas doses industriais, um jarro de vinho, sobremesa e café custaram-nos menos de 14 euros. Bem alimentados, bem nos deitámos.

 

O dia seguinte tem um nome: Penascosa - lá vão ver-se as famosas gravuras de Foz Côa. Fiquem atentos à próxima aventura pelo Facebook e pelo Instagram.

 

 

 

15
Set16

Sugestão: Esta é a minha cidade e eu quero viver nela


Leonardo Rodrigues

cidade.jpg

 

A cultura está cada vez mais acessível, só temos de lhe dar atenção. Naturalmente que quando é grátis, o ímpeto de irmos ao seu encontro é maior. Ontem, por felicidades que o destino me traz às mãos, tendo eu planeado ficar por casa, o telefone toca e lá ele me diz: tenho convites para uma peça no D. Maria às 21, vamos? Mesmo sem saber para o que ia, aceitei.

No teatro, vibrei quando descobri que estávamos prestes a ver Esta é a minha cidade e eu quero viver nela, não fosse Lisboa ser a minha cidade e não querer viver em nenhuma outra. Ao me aperceber que não seria em sala, mas nas ruas de Lisboa, sem pausas, o entusiasmo esmoreceu. Contudo, agarrei-me à promessa de Joana Craveiro: "nunca mais a vão ver da mesma forma".

Três horas depois, a promessa foi totalmente cumprida. Mesmo que se olhe com os mesmos olhos, ver-se-ão ruas, prédios e eventos diferentes, que aconteceram e não retornarão de outra forma. As ruas e as suas esquinas renovam-se com as histórias velhas. Os prédios que, mesmo de uma beleza extraordinária que já quase não conseguimos ver, passam a ser notados. As vidas dos que outrora os habitaram renascem pela voz destes extraordinários interpretes, ora na pele de uma prostituta, ora na de uma grande senhora.

Neste espetáculo volante é construída a ponte entre o que foi e o que é, levando-nos a encarar de frente a morte do que era a nossa cidade antes da invasão dos turistas, das bicicletas e os primos tuk tuk. Afinal, a História tornou-se morada de hostels e airbnb - os únicos que se conseguem manter de pé.

Não me sinto no direito de revelar mais, mais deixo-vos com página do espetáculo e convido todos os lisboetas a redescobrir a cidade nestas viagens únicas, que se realizarão de Quarta a Sábado pelas 21:30 - até 24 de setembro.

 
 
21
Mai16

Porto Tónico: Verão dentro dum copo


Leonardo Rodrigues

Provei recentemente, e pela primeira vez, o Porto Tónico. Não foi um qualquer, como os que se servem por aí a preço de ouro. Este tinha o verão lá dentro. Quando vi a bebida a ser preparada à minha frente nem conseguia falar, só observar. É belíssima, os aromas que se vão libertando também. Só pensava "verão dentro dum copo", o que é curioso. O verão é quente, a bebida é fresca. A associação só se pode dever ao facto de no verão precisarmos de coisas frescas, com cor, preferencialmente dentro de copos. Embora a foto não seja ilustrativa, visto haver pouca luz, espero que o modo de preparação vos permita entender. 

 

image

 

Igredientes:

  • Limão
  • Laranja
  • Hortelã
  • Vinho do Porto branco seco
  • Água tónica
  • Paus de canela

 

Modo de preparação: Sou supersticioso com a ordem pela qual se colocam os ingredientes, por isso vou tentar explicar o que vi. Esmaguem a hotelã q.b - posso usar q.b como entender - , sem a desfigurar completamente, afinal os olhos comem primeiro. Depois, coloquem dois paus de canela dentro do copo e uma rodela de limão - parcialmente espremida. A isto segue-se a colocação do gelo. A quantidade vai depender do tamanho do copo, este, por exemplo, tinha 4 pedras. Quando o gelo estiver lá dentro, é hora de adicionar o vinho do porto e de ver nevoeiro - no verão, isto só melhora, eu sei. Depois do vinho, a água tónica, 50/50 é o ideal. Raspem um pouco de casca de laranja para lhe dar o toque final. Voilá. Repetiam o processo consoante o número de convidados.

 

Agora que já podem beber o verão, não se sintam gratos a mim, agradeçam ao Miguel do saliva.pt que me apresentou a bebida.

 

01
Fev16

Passatempo De Mão em Mão: Número Zero, Umberto Eco


Leonardo Rodrigues

Mesmo com um budget quase inexistente, lembrei-me que também posso fazer um passatempo cá no blog. E que melhor do que livros para começar?

 

Ultimamente tenho-me sentido inspirado por tudo, em grande parte devido às minhas férias de quase dois meses.

 

Na semana passada foi altura de ser inspirado por um caixote que encontrei na rua mal saí de casa. Claro que não era um caixote qualquer, estava recheado de livros, acompanhado de um papel que indicava que os livros estavam ali porque já tinham cumprido o seu propósito e que era altura de os passar para outras mãos, dizendo "Free Books/Livros Grátis". Gostei de ver como um caixote com livros, àquela hora da manhã, fez interromper o passo apressado de muitos lisboetas e os colocou a trocar sorrisos e a falar uns com os outros.

 

12552436_1505951013039862_1352851233_n.jpg

Aproveitei esta oportunidade para expandir a minha biblioteca ficando com uma edição de 2004 do livro "Burned Alive", partilhando a ocorrência na minha conta do instagram.

 

Muitos dos meus livros também já cumpriram o seu propósito, podendo ter sido isso ajudar a aquecer numa noite fria de inverno ou distrair-me da confusão que é o metro. Agora estão só a apanhar pó, humidade, e raramente os consigo reler, ora porque estou sempre a adquirir outros, ora porque a bibliografia da faculdade não me permite. Mas o meu maior problema não é ter livros que já só servem para enfeitar, é mesmo mudar-me de casa com eles, visto ter mais livros do que roupa.

 

Como não tenho coragem de os deixar na rua, ao sabor do vento e da chuva, a partir de hoje passo a ter este passatempo chamado De Mão em Mão, permitindo-os passar para outras mãos, na esperança que o novo dono perpetue a vida do livro, de mão em mão.  

 

O primeiro livro que quero partilhar já conta com um post, que podem ler aqui e é, como o título deixou claro, Número Zero, de Umberto Eco. 

 

Para ganharem o livro só têm de fazer isto:

  1. Colocar gosto na página do Blog no Facebook, aqui.
  2. Comentar a ligação do passatempo, no Facebook, com "Eu quero".
  3. Partilhá-la.

 

O vencedor(a) será escolhido aleatoriamente -  através de random.org - e anunciado na próxima segunda feira, dia 8-2-2016, na página do Facebook e, posteriormente, contactado por mensagem privada. Boas partilhas, boas leituras!

12
Set15

Dez Mil Turistas do Mundo | Ten Thousand World Tourists


Leonardo Rodrigues

11017604_1390170534633330_92295482_n.jpg

@andyto 

 

O meu maior sonho foi sempre viajar e escrever, viajar para escrever e escrever para viajar. Todo um ciclo altamente vicioso que, uma vez começado, não quero que acabe.

 

Há uns meses, sabendo bem que ainda não me é possível fazer disso vida, com um curso e uns quantos trabalhos detestavéis como prioridade, decidi criar uma comunidade onde pessoas de todo o mundo tivessem a possibilidade de viajar através de imagens de outros e de partilhar as suas memórias fotográficas com um público mais vasto. E assim se alimenta a alma do (quase) viajante.

  

Onde? No Instagram. Como? Com uma Hashatg. Nos dias de hoje é assim tão simples.

 

É desta simplicidade que surge World Tourists. Esta semana atingi os dez mil seguidores e a hashtag #worldtourists já se encontra em mais de 23 500 publicações. 

 

Para além de ter começado a conhecer melhor o mundo, ainda que virtualmente, conheci pessoas extraordinárias, com vidas que condizem com as fotos. 

 

Por essas terras digitais, de que muito mal se fala, houve um casal que se destacou, tanto que o convidei para uma entrevista que irá ser publicada em breve na minha rubrica Conversas com Vista. Desta entrevista vou apenas revelar que se trata dum jovem casal que percorre o mundo de carro há 7 anos. Para não a perderem coloquem gosto na página do blog.

 

Resta-me desejar a todos um bom fim de semana e muito boas viagens pela comunidade que podem aceder a partir daqui

 

(E sim, já fiz este post, mas não foram apenas os números a mudar. Devido a uma conversa fantástica que tive ontem passarei, também, a escrever e a publicar os posts em inglês, começando hoje.)

 


My biggest dream was always to travel and to write, traveling to write and writing to travel. A vicious circle that once started, I’m hoping it won’t ever end.

 

A few months ago, knowing that I can’t make a living out of this for now, with a degree and a few awful jobs ahead of me, I decided to start a community where people from all over the world could have the chance of taveling through pictures of others and of sharing their own photographic memories with a wider public. This is how we can feed the souls of a (almost) traveler.

 

Where? On Instagram. How? With an hashtag. Nowadays it’s really this simple.

 

And, it’s from this simplicity that World Tourists was born. Yesterday I’ve finally achieved the ten thousand mark. Yup, Instagram is finally showing my number of followers with a k, 10k! When it comes to the hashtag, it’s on almost 24 000 photos. Pretty nice, I must admit.

 

With this project, besides having the chance of getting to know the world a bit better, although in a virtual way, I got the chance of meeting extraordinary people, with life’s that match the photographs.

 

In those digital lands, that we speak so poorly about, there was this couple that really captured my attention. I felt so fascinated with their life that I decided to invite them for an interview for my new rubric on the blog, Conversas com Vista – Talks with a View. From this interview, for now, I’ll just reveal that they are a young couple that have been traveling the world for the last 7 years on their mini van. In order for you not to miss it, please like the blog page here.

 

This is my first post ever with an English version, please ignore the mistakes it may contain. The decision to also write in English and stop my excuses not to was made after the loveliest conversion I had yesterday, with an equally lovely person. I promise I’ll do my best to keep delivering better and more articulated content as the posts go by.

 

That being said, I’m going to wish you all a lovely weekend and really nice trips through this community that you can fly to here.

 

 

 

 

 

 

 

28
Ago15

Sintra


Leonardo Rodrigues

image.jpg

 Foto: Ruben Santos

 

Todos os fins de semana eu e o meu colega de casa procuramos fazer algo de novo, que seja tão divertido como relaxante, mas sempre em Lisboa. Não é mau, até já disse "Obrigado, Lisboa", no entanto, neste, tínhamos forçosamente de sair da cidade e afastar-nos de tudo o que de negativo viver numa cidade implica.

 

Foi um dia que serviu tanto para fazer uma desintoxicação citadina como tecnológica, o destino, como o título do post provavelmente indicará, foi Sintra. Sem telemóveis e apenas munidos de uma máquina fotográfica, não fosse não conseguirmos congelar momentos, lá fomos nós de comboio rumo a norte.

 

A viagem de comboio foi agradável, apenas mais curta do que estávamos à espera. Uma vez lá, o passo um foi almoçar na berma da estrada, por baixo da única árvore que nos conseguia proporcionar sombra àquela bem-dita hora do dia. O passo dois foi pedir um mapa, que acabou por não ser necessário, pois os melhores sítios, como viemos a comprovar, não constam nos mapas, acham-se uma vez no local.

 

Já me tinha deslocado para aqueles lados duas vezes anteriormente. Na primeira e na segunda com o coração a sofrer de uma patologia sem terapêutica disponível atualmente, o amor - achava eu. Desta vez, já livre destes males que só se curam com o tempo, desfrutei.

 

Depois de tão deliciosamente subir, com um silêncio a que já não estou habituado, demos com o Castelo dos Mouros. Entre o silêncio, o ar puro e o verde estonteante, abri espaço para pensar nas batalhas que lá tiveram lugar, em como os que estavam em cima detinham sempre uma considerável vantagem estratégica e, com maior inquietação, perguntei-me: será que aquela gente tinha consciência do quão mágico é Sintra?

 

Nós sim, tínhamos, mas era-nos imposto pagar e pagar nada tem de mágico. Então, como bons portugueses que somos, lembrando-se o meu colega de que alguém já lá tinha conseguido entrar sem pagar, decidimos nós também fazer um pequeno desvio.

 

O caminho parecia não ter sido antes caminhado e, se navegado, só por água. Uns arranhões, mosquitos e sustos depois, lá demos nós com um sítio que dinheiro nenhum pode comprar e que não está incluído no preço absurdo do bilhete. Parecia nunca ter sido tocado pelo Homem, não havia ruído, nem lixo. Até o mar se avistava!

 

No castelo, pago, suponho que os visitantes tivessem, quanto muito, a oportunidade de se sentarem em bancos de madeira, enquanto nós, gratuitamente, ficamos deitados em pedras gigantes, que pareciam suspensas no ar.

 

Não estávamos a travar uma guerra como os que deste sítio precisaram antes de nós, mas a sensação de segurança devia ser a mesma. Estávamos protegidos da vida que temos lá em baixo, na terra, e que não queremos. Nada nem ninguém nos podia tocar, corrigir ou perturbar de algum modo. Estávamos acima de todas as coisas e tínhamos o controle total das nossas vidas. Ali não lutávamos por ser alguém, afinal tínhamos  o  privilégio de ser ninguém. No meu último dia acho que as coisas vão ser assim, as luzes desligam-se e deixa de haver luta e finalmente terei descanso, do eterno - que há de saber tão bem se disso houver consciência.

 

Depois de tanta sensação maravilhosa experienciada e com coragem ganha para deixar o descanso eterno temporário, lá seguimos caminho para o nosso próximo destino, o Palácio da Pena. Surpresa, era preciso pagar mais. Então, nós, mais uma vez, tivemos que ir por por vales e montanhas - como canta mais ou menos o hino da RAM. E olhem, entramos e não me lembro de ter pago, nem o fotógrafo de serviço.

 

Já de noite, aconteceu o que todo o dia prometeu, chuva. Não consigo conceber melhor forma de terminar um dia destes do que uma viagem de comboio de noite, com um livro no colo e a chuva a cair do outro lado da janela, que me protegia do delicioso espectáculo da natureza. No livro, tal como na viagem de ida, lia sobre reis e rainhas, e, permitam-me, durante este dia eu fui rei e no meu reino não houveram cá lutas pelo trono, apenas pela melhor pedra, que foi pacificamente partilhada.

 

Antes de concluir com o parágrafo seguinte, deixo-vos com uma dica: prefiram sempre um bilhete de comboio com ida para Sanidade e volta com Sanidade em detrimento do Xanax, Prozac e primos, que não sei o nome. Fica mais barato e tem efeitos duradouros.

 

Sendo que as experiências são sempre melhores quando partilhadas, e, tendo-me excedido nas palavras, deixo-vos com mais algumas fotografias tiradas por Ruben Santos - dizem que cada uma vale mais do que mil palavras.

 

 

image.jpg

 

image.jpg

 

image.jpg

 

image.jpg

 

image.jpg

 

image.jpg

 

 

Podem ver mais do trabalho do Ruben no Behance aqui e no Instagram aqui.

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Copyrighted.com Registered & Protected 
HMLF-E7YY-MGTC-ZU7E

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D