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LEONISMOS

LEONISMOS

27
Out17

Grandes males, grandes bens e uma viagem de sonho a Itália


Leonardo Rodrigues

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No topo das coisas mais aborrecidas que nos podem acontecer estão pedidos de férias rejeitados e, claro, voos cancelados. Quando combinados, a catástrofe pode transforma-se num milagre. 

O meu voo para casa foi cancelado, como vos contei no post difficultJet, um filme easyJet e Portway, e o outcome foi um voucher de consolo de 170 euros. Pouco tempo depois, com mais férias por gozar, e com muita vontade de fazer praia, pedi os restantes dias para setembro, mas afinal só me deixavam em novembro. 

A pergunta que se instaurou foi, onde podemos ir os dois com 170 euros em novembro? A resposta inicial parecia apontar para os clássicos Londres e Paris. Contudo, rapidamente se tornou óbvio que a resposta certa seria Itália.  

Quase sem acreditar no que estava a fazer, marquei ambas as passagens - de ida e volta - com um saldo de voucher positivo de 3 euros. 

Poucos minutos depois estava a lacrimejar. Sem gastar um cêntimo que fosse, estava a preparar a realização de um sonho com mais de 10 anos, visitar Itália. Sempre namorei o nome do país, bem como a sua grande História. Mas acredito que uma relação mais profunda se iniciou quando li o livro Entre dois Mares, de Carmine Abate e sedimentou-se com a Última Viagem do Valentina, de Santa Montefiore. Claro que o meu coração ficou destroçado quando percebi que a vila onde se passava o romance, algures na costa de Amalfi, não era um sítio real. 

Ainda assim, continuei a construir a minha ideia de Itália, onde o azul vibrante contrasta com o verde vivo e, quando chega a altura do ano, os mágicos tons de castanho. Onde bruschettas caem do céu e vinho jorra das fontes. Onde as pessoas são calorosas e falam com as mãos. E onde tudo tem uma vista com som a pássaros e se anda a tropeçar na História. 

 

31
Jul17

Istambul, 3 dias no centro do mundo


Leonardo Rodrigues

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Vou poder dizer, enquanto viver, que estive na Turquia antes de abolirem o ensino da teoria da evolução nas suas escolas. Comecei por onde se tem de começar, a mítica cidade de Istambul. É, para mim, o centro do mundo, onde as coisas do Oriente e do Ocidente se juntam para se separarem. 

A cidade é imensa, não fosse o lar de quase quinze milhões de pessoas. Surpreende pelos contrastes, que vão além de arranha céus e prédios de madeira. As mesquitas avistam-se mais alto que tudo. Tem um sofisticado sistema de transportes, e um aparelho turístico irrepreensível. Na cidade dos rooftops, pode-se comer bem e barato, apenas se não cedermos à pressão do comerciantes.

Tínhamos três dias e, graças à localização privilegiada do nosso Airbnb, junto da praça de Sultanahmet, fizemos tudo o que é obrigatório.

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Começámos pela Mesquita Azul. Embora na prática não sejam colocados entraves aos homens com calções, o correto são calças para os homens, e as mulheres devem estar o mais cobertas possível, com ênfase para a cabeça e os ombros, porque Alá assim disse. Os sapatos não são permitidos, ficam à porta ou facultam-nos um saco. As mulheres muçulmanas oram dentro de umas salas recônditas, uma vez que não se devem expor na dianteira, com os homens. O seu interior é muito trabalhado, é mágica e, de tão imensa, não me espantaria se tocasse realmente no céu - embora não seja maior do que a Hagia Sophia.

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Sinónimo da imponência de Constantinopla, em tempos de Constantino II, Haghia Sophia foi inicialmente uma basílica, a Magna Ecclesia. Com as mudanças de poder, acabou por se tornar numa mesquita. Hoje em dia é um museu dos mais visitados do mundo, graças à iniciativa de Ataturk, o presidente que aproximou a cidade do Ocidente e promoveu uma clara separação do Estado e religião. A entrada custa 10 euros e vale cada cêntimo.  Ficámos horas a contemplar os imensos pormenores. 

 

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Ainda naquela parte da cidade, a Basílica Cisterna, uma maravilha romana onde poderiam estar milhares de litros de água, que abasteciam a cidade, é outro must. Curiosamente, devido à renovação dos povos de Constantinopla, a Basílica como que se perdeu. Quando os habitantes começaram a conseguir pescar peixes com baldes das suas caves, lá descobriram a construção milenar. É arrepiante estar dentro da cisterna, mais ainda se pensarmos que uma construção daquela magnitude mobilizou milhares de escravos. Acredita-se que o "pilar das lágrimas" foi lá colocado em homenagem aos que morreram. Espero que sim. 

 

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Para se almoçar bem e barato ali perto, nada como ir comer até ao telhado do Doy Doy, um maravilhoso restaurante de cozinha tradicional turca, a preços e vistas bem apetecíveis.

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O Grand Bazaar é outra paragem obrigatória. Pensemos neste como um centro comercial tradicional, térreo, que se estende por vários quilómetros. Não tenham ilusões, vão perder-se nas milhentas ruas. Enquanto se perdem e encontram uma das muitas saídas, lembrem-se de regatear sempre o preço. Na primeira tentativa de lá entrar - domingo - estava fechado. Nos dias de semana fecha pelas 19.

 

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Para reabastecer na rua, e que podem comprar com apenas 8 liras turcas, ou dois euros, é a sandes de peixe. Esta é vendida do lado ocidental da cidade, mesmo junto ao mar do estreito do Bosforo. Tentei saber qual a mistura de especiarias que lá se colocava, mas ninguém me conseguiu explicar. Nas lojas, encaminharam-me sempre para a fish spice, que era diferente da que me deram a provar...

 

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Por falar em fish spice, tenho de falar em especiarias. Embora não estivéssemos conscientes, passámos pelo bazar das especiarias, que também estava na nossa lista. Acontece que naquele momento estávamos de mau humor, e só nos queríamos afastar do Grand Bazaar. Minutos antes, fomos abordados por dois engraxadores, que nos tentaram cobrar 90 liras turcas por conversa fiada e por nos terem molhado as sapatilhas. Não me pareceu que assaltos fossem frequentes, mas sim os esquemas para enganar turistas. De qualquer modo, rumávamos ao lado moderno, onde se avista a grandiosa torre. 

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É na torre de Galata, do lado ocidental, que se tem a melhor vista da cidade, para ambas as margens do Golden Horn e para o lado Asiático. É das atrações mais caras e não esperem descontos, se não tiverem cidadania turca. 

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Por estas paragens, existe algo muito frequente em Istambul, prédios inteiros convertidos em restaurante. Encontrámos um que se chamava Galata Konak Café. Além de doçaria irrepreensível no piso térreo, tinham uma vista muito semelhante à da torre de Galata, no último andar, mas gratuita.         

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Porque uma caminhada assim o quis, fomos ter à estação aonde chegava e donde saía o icónico expresso do Oriente. Outrora, foi o comboio mais luxuoso do mundo, e ligava metade da Europa ao Oriente. Transportou grandes vultos, da realeza às estrelas. Embora não conseguisse conter o entusiasmo, foi fácil entender que os tempos áureos dos caminhos de ferro acabaram.  

 

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Ir a Istambul sem ir aos banhos turcos é como ir a Roma e não ver o papa. É uma experiência cara, mas vale a pena. Os banhos turcos chamam-se Hamam e experimentámos a Çemberlitas Hamami. Dão-nos uma chave para a cabine, onde indicam para ficar apenas de toalha e chinelos. A chave fica no pulso. Depois é altura de rumar a uma sala quente onde a temperatura é superior a 40 graus. Quando já não aguentamos a humidade, chega uma pessoa que nos manda deitar, estala as costas e esfrega-nos vigorosamente com uma luva. O passo seguinte é o banho frio. Embora seja tudo muito rápido, e bem pago, há uma grande insistência na gorjeta.

 

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Andámos durante estes dias, em média, 12 horas, mas nem assim conseguímos ter tempo para ir além do exterior do Palácio de Topkapı nem visitar a Ásia. Ficará para a próxima viagem.

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Acho que é normal não saber o que esperar desta cidade. Começamos com receio do que se ouve e lê, mas acabamos por perceber que é mais segura do que a nossa e que as pessoas são muito afetuosas. Contudo, existem diferenças culturais estranhas à vista e aos ouvidos. Cinco vezes por dia entoam-se passagens do Alcorão para toda a cidade, anunciando os momentos de oração. Curiosamente, ou não, o livro sagrado do Islão está disponível gratuitamente nas mesquitas, em muitas línguas. Trouxe a minha cópia, para ter a certeza do que diz.

Istambul poderia ser uma cidade europeia, apenas ainda mais limpa e cuidada. Recomenda-se com muita nostalgia, e memórias que já não cabem num post que vai longo. 

 

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Caso tenham alguma dúvida enviem email para leonismos@sapo.pt, e acompanhem sempre o blog através do Facebook e Instagram.

18
Jul17

Não nos vimos gregos em Atenas, uma espécie de guia


Leonardo Rodrigues

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Chegar a uma cidade nova causa estranheza, quer seja mais nossa ou mais de outros, muito pelas nossas ideias acerca do que vamos encontrar. Atenas não é exceção. Já só restam vestígios de uma grandeza de outros tempos, sem a glória que lhe atribuem os livros de História. A história agora é outra. Está suja, muitas lojas estão fechadas, os postes de luz acendem-se com espaço de dois apagados e as putas, que vão para a rua antes dos postes acenderem, estão rua sim, rua não. Ah, e o deus Dionísio também parece já não querer saber dos gregos.

Este é um retrato cru, que poderia bem ser nosso. Foi apenas o que vi numa primeira hora, a pensar nas palavras do taxista que dizia que a única Atenas que podia ser contemplada resumia-se à Acrópole e aos bairros que a circundam, Plaka e Monastiraki, e que o resto é uma paisagem de betão e graffitis.

Ele, cansado como a maioria dos gregos, tem a sua razão, ainda assim a cidade tem uma energia muito própria, carregada de uma personalidade plural. Para a sentirmos temos de sair para a rua, tocar, subir e descer, olhar e olhar novamente, e perceber até como o transito e as árvores se comportam.

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Na manhã seguinte, decidido a dar uma oportunidade à cidade, comecei a minha caminhada do hotel - Novotel -  em direção a Plaka. A cidade grita. Os motociclos, que empestam o ar,  são o transporte de eleição. Escasseiam os prédios sem a tal arte que irrita muita gente, e raras são as ruas em que as árvores não parecem cansadas. 

 

O Mercado é uma paragem importante. Conscientes da ausência de cozinha num hotel de 4 estrelas, comprámos apenas fruta e uns frutos secos, embora tudo gritasse para ser comprado em grego, e a bom preço, da carne ao peixe. Foi aqui que, na companhia melhor das companhias, ocorreu-me que poderíamos ser felizes em Atenas. Mais tempo. 

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Só ao chegar a Plaka, antes da Acrópole, é que a cidade parece voltar a ter cor, as flores e árvores ganham vida e os pássaros cantam de novo. O café com gelo é a solução incontornável que gregos e todos os que lá foram parar, numa onda de multiculturalidade intoxicante, usam para conseguir andar debaixo das altas temperaturas.

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A lei diz para primeiro nos deixarmos perder por estas ruas maravilhosas, cheias de cafés, restaurantes e lojas. Só depois é que chega hora de visitar as atrações arqueológicas.

 

A tentação de visitar igrejas no verão é especialmente tentadora. Ou muito me enganei, ou as igrejas nestes bairros mais pitorescos são todas ortodoxas. Mesmo que façam o contributo que divinamente vos permite acender uma vela, pelos desejos e pecados, caso entrem de calções serão escorraçados da igreja por um fiel ou por um padre.

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 A falar com um gato

 

Devo dizer-vos que há um mito em relação à fila que se encontra na incontornável Acrópole. Está lá, mas pode ser completamente ultrapassada se já tivermos um bilhete combinado que custa 30 euros, comprado num outro local. E sim, vale a pena, sendo que são seis as atrações incluídas e que a Acrópole por si só custa 20 euros. Algo ainda mais extraordinário é que um estudante da união europeia não paga nada. O meu cartão universitário continua a aparentar válido... 

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Caso não sejam muito de andar, embora tenham de o fazer, é na Acrópole que se tem uma das melhores vistas para a cidade, não fosse à letra significar "ponto mais alto". A paisagem mudou, é certo, mas foi daquele chão que pessoas que ajudaram a definir o que somos hoje olharam a cidade. O imenso mar de betão branco, ladeado por montanhas, é arrebatador. Não apetece arredar pé.

 

Não é obrigatório, mas jantar ao pé de milhares de anos de história, num local bastante turístico, após horas de caminhada faz parte da praxe. 20 euros por uma garrafa de vinho assim assim, também. 

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Como toda a gente sabe, embora goste mais de gratuito, a palavra barato também tem o seu quê de risonho. Durante estes três dias em Atenas fomos a um sítio que encontrámos logo na primeira noite umas quatro vezes. Têm as melhores pitas que alguma vez comi, de falafel - feito à nossa frente -  e beringela. Não demorou até que começassem a oferecer-nos falafel, dizendo "here my friend". Eu animado com a perspetiva de conseguir comunicar em inglês tentei perceber como faziam aquilo. Deixei um senhor atrapalhado e fiquei na grego. 

 

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Devido à confusão, poluição e tudo o que é inerente à capital de um país em dificuldades, a escolha de hotel de ser muito bem ponderada. O Novotel realmente não poderia ter sido melhor. Tranquilidade, pequeno almoço soberbo, piscina no terraço com vista para a Acrópole, e café com pátio, são a melhor forma de resumir o mesmo. Ah, e o por do sol lá de cima não era nada de se deitar fora. 

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A moderna rede de metro com 3 linhas é a melhor forma de circular pela cidade. Até ao final do ano as máquinas que suportam bilhetes eletrónicos irão começar a funcionar.

 

Porque o post vai longo e é apenas uma espécie de guia, lembro-vos ainda que passeiem pela Syntagma com a noção que os militares não vos permitiram tocar nos degraus, visitem o museu da Acrópole que infelizmente não tivemos tempo e, acima de tudo, façam sempre por se sentirem gregos em Atenas. Um grande ευχαριστώ πολύ/efcharistó polý à cidade.

 

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