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LEONISMOS

LEONISMOS

21
Ago17

A mulher que está no mesmo sítio há 20 anos


Leonardo Rodrigues

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Cruzamo-nos com as pessoas mais extraordinárias todos os dias. Arrisco-me a congeminar que todas o são, pudéssemos nós ouvir as suas histórias e pensamentos.

Geralmente deixo-me levar pelas histórias que vou construindo, mas é sempre melhor ouvi-las. Não há muito tempo, estávamos a caminhar debaixo do sol ardente de Atenas, quando dei por mim a subir uma rua para entrar numa galeria de arte, algures no bairro de Plaka. 

Era um sítio apetecível para um turista deslumbrado com a Grécia, com pinturas que mostravam o melhor do país e do mundo. Os quadros eram de um único autor, cujo nome tenho num cartão. 

Não demorou muito até começar a conversar com a única pessoa que lá estava. Era uma mulher nos seus quarentas, com imensa vida dentro dela, um olhar taciturno e um sotaque inglês super peculiar. Era a mulher do artista.

Questionei-a, com entusiasmado, o quão maravilhoso era ter visitado aqueles locais todos. Ela disse-me que não viu nenhum, e que está em Atenas há 20 anos, desde que veio da Albânia à procura de uma vida melhor.

Ele pinta, ela vende. Assim é todos os dias da semana, de manhã à noite. Falámos pouco mais, já que entretanto me tinha desencontrado da minha companhia.

Desde então que penso nesta conversa, na forma como as palavras se organizaram e expressão que tinha no rosto.

Nenhuma forma de viver é errada, caso os olhos indiquem que está tudo bem. Poderemos, nós, deixar-nos ficar no mesmo sítio da vida, contra a nossa vontade? Ou melhor, estamos no sítio onde queremos estar?

 

04
Ago17

É fácil ser agricultor num apartamento, sem terra - IKEA DIY


Leonardo Rodrigues

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Enquanto menino do campo, quer com vontade ou a contra gosto, estive sempre ligado à agricultura.

Ajudava a minha avó quando era mais novo, mesmo sem perceber os meandros da coisa, já que isso me fazia sentir um dos "grandes". Mais tarde, o meu contacto com a terra resumiu-se a plantar uma árvore no jardim que ficava atrás do meu quarto, já que preferia andar com a cabeça nos livros.

Com a vinda para a cidade, achei que cultivar passava a ser uma coisa distante, pelo menos enquanto não tivesse a minha porção de terra. E, mesmo tendo, ocuparia uma parte significativa do meu tempo.

Estava errado. Para começar, não há necessidade de haver terra para se cultivar. Há necessidade de 3 coisas, água, nutrientes e luz - que pode não ser solar, mas LED. Ao cultivo feito desta forma, chama-se hidroponia.

Existem muitos vídeos que explicam como fazer o nosso próprio sistema de cultivo, mas encontrei um bastante acessível à maioria na gigante sueca IKEA. Chama-se VÄXER e, até ao momento, permite cultivar 9 espécies de plantas comestíveis. 

Lembrem-se da lição mais importante de todas, crescer a nossa própria comida é como crescer o nosso dinheiro. E podemos, em qualquer casa, começar a fazer por isso. 

Poderia explicar passo a passo, mas a IKEA tem um vídeo bem melhor do que mais parágrafos:

 Eu segui os passos, assim:

 

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Como cá em casa temos muita luz natural, não comprei os LED's - o mais caro. Poupei dinheiro, gastei quase 30 euros, e as plantas cresceram na mesma. Ora vejam.

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Espero que se sintam inspirados em meter mãos à obra, já que não suja nada. Ah, e que acompanhem o blog no Facebook, o que também não suja nada.

 

 

 

24
Jul17

difficultJet, um filme easyJet e Portway


Leonardo Rodrigues

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Antes de relatar a minha experiência recente, quero dizer que gosto de viajar com a easyJet, mesmo que um copo de vinho custe 6 euros. Gosto, mas apenas quando corre tudo bem. Quando corre mal, comprovei que a empresa não tem como acompanhar os passageiros. Assenta numa virtualidade, em inglês.

Sexta feira, dia 7 de julho, fui trabalhar cheio de entusiasmo, afinal na parte da tarde iria para a Madeira, visitar a família que não via há 2 anos. Mais próximo do voo, segundo a aplicação, as minhas férias estavam atrasadas 3 horas. Liguei para o aeroporto, não sabiam de nada. Liguei para a easyJet que, de forma concisa, disse que teria de lá estar à hora inicial, caso o atraso fosse revertido não esperariam e que devo estar atento à aplicação, não telefonar. Lá fomos nós.

Uma vez ultrapassado o controlo de segurança, sentámos no chão à espera da porta de embarque. É um terminal para sardinhas. A hora do voo mudou diversas vezes, para melhor e pior. Quando recebemos a notificação a dizer que, mais uma vez, tinham saído a horas, no ecrã lia-se "cancelado". 

Ok, o passo seguinte era uma fila em que estariam 2 funcionários da Portway a atender mais de 100 passageiros. Remarcámos, através de um sms, o voo para dois dias depois - vaga mais próxima disponível. Um funcionário que falou com todos nós garantiu que se permanecêssemos na fila teríamos lugar no "voo extra do dia seguinte". Parecia risonho. Éramos dos primeiros, por isso "conseguimos" chegar ao balcão 1 hora depois para ouvir que só haveria voo terça, ou seja, após 4 dias. 

Lá podiam pedir um hotel ou remarcar o voo. Não têm acordos com outras companhias e, se quiseremos o voo com outra companhia pagamos nós - se for mais caro, não devolvem a diferença. Caso quiséssemos o hotel, teríamos de concluir o pedido através de um link enviado por sms. Testámos a possibilidade de hotel, a confirmação só chegou perto da meia noite. Imaginem quem foi atendido 3 horas depois.

De qualquer modo, fomos assegurados de que existiria uma indemnização de 250 euros, ao abrigo das diretrizes EC261/2004. O pedido tinha, novamente, de ser formalizado online, tal como outras despesas. Tudo coisas simples para os idosos que nos acompanhavam.

Para recuperámos as malas, tivemos de regressar ao outro terminal, ligar do telefone do segurança para pedir várias vezes à Portway que nos levasse ao tapete. Quando se dignaram a sair, foi para entregar um objeto perdido - solicitado após o nosso pedido. Tive quase de suplicar que nos deixasse levantar as malas de um voo sem avião. Assim passaram 5 horas no aeroporto de Lisboa.  

Ao nosso pedido de indemnização, a easyJet respondeu dizendo que não pagaria, uma vez que se tratava de uma situação extraordinária, devido a condições meteorológicas, mas que nos dariam um vale através do chat - penso que só conseguem aceder se houver o link no email.

Expressei o meu descontentamento por ter perdido 5 horas no aeroporto e dois dias de férias, mas garantiram-me que nos dariam um vale, por email, no mesmo valor da indemnização, então decidimos aceitar. Afinal, era apenas 1 vale para ambos no valor de 150 libras, ou seja, 170 euros. Distante dos 500 euros.

Lá voltei novamente, após muito refresh à página, e tentei explicar que não é aceitável prestarem informações erradas, mas nunca responderam diretamente a nada. Fiquei na mesma.

Sou capaz de entender as condições meteorológicas em Madrid, só não percebo que me façam perder tempo. A postura de uma empresa evidencia-se quando algo corre mal. É uma low cost, sim, mas isso não tem de se refletir no atendimento. Pelo contrário, fazem imenso dinheiro com a sua "eficiência". Assim sendo, há que investir mais num atendimento fidedigno e personalizado.

11
Jul17

Look de verão para homem #1


Leonardo Rodrigues

É oficial, o verão chegou. Com a nova estação, é também altura de fazer algumas mudanças ou complementos no vestuário, seja porque motivo for.

Eu tenho preferência por artigos que possa usar sempre, nas mais variadas ocasiões. Como tal, já fiz a minha whishlist de verão, para comprar sem ir a uma grande superfície comercial.

 

Trendhim - 77,95 €

É pela organização e funcionalidade que devemos começar. Encontrei esta mochila na loja online Trendhim.pt, cheia de divisórias. Tanto dá para um belo dia de praia, como para um de trabalho.

Boné Zara - 12.95€

 

Desde criança que não uso um boné de ganga, mas este da Zara é uma boa desculpa para retomar os ensinamentos de moda da minha mãe.

 

 

 

LaRedoute - 10.99€

Para o bem e para o mal, ando obcecado com produtos de padrões alternativos. Esta t-shirt com aves da LaRedoute parece-me bem para esta nova fase. 

 

Trendhim - 51,95 €

Mesmo que as horas por vezes sejam esquecidas, um relógio novo nunca estragou o visual a ninguém.

 

Trendhim - 17,95€

 

Modelo intemporal de óculos da Trendhim, que permite ter dinheiro na conta ao fim do mês.  

 

Zara - 17,95 €

 

Como o verão é apenas suportável com as pernas ao léu, escolhi também estas bermudas da Zara.

 

Seaside - 44,50  €

Por fim, mas não menos importantes, o look pode ser concluíndo com estes sapatos desportivos da Seaside. Sejamos sinceros, dão com tudo. 

 

 

 

 

 

24
Mai17

Salvámos a Dóris Carraça


Leonardo Rodrigues

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Não sei se devo reclamar capacidades premonitórias para mim, que, segundo reza a lenda, correm no sangue da família, mas vou.

Antes da mudança, e sem acreditar que ele algum dia quereria morar comigo, sugeri um cão e mil visitas ao canil. Na casa que chamei minha durante o último ano não era possível. Portanto, ele já sabia que, tal como o meu sistema de cultivo interior, mesmo aos meus cuidados, teria de ficar hospedado na dele. Lá adiou-se e por pouco não esquecia a ideia. 

Há cerca de um mês fomos uns dias para fora, mais precisamente nenhures. Numa das corridas que ele volta e meia me convence a fazer, separámos-nos para eu apanhar uma pinhas para a lareira, o que é como quem diz, descansar sem ser julgado. Quando o avistei novamente não estava sozinho, corria um cão atrás dele. E eu também corri desalmadamente pensado que ele ia ficar sem um bocado. 

Quando lá cheguei deparei-me com a coisa mais querida e inofensiva que alguma vez vi. Deitou-se à primeira festinha. Pensei logo, temos uma cachorrinha.  A amiga que entretanto alcançámos garantiu-me que ele estava rendido ao cão. Não me permiti acreditar. 

A cadela batizada recentemente de Dóris Carraça, embora sedenta de amor, estava suja, magra e, sem exagerar, com dezenas de carraças a devorá-la.

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Seguiu-nos até casa e, mesmo sem termos a certeza de que seria um elemento da família, fomos a um hipermercado, já que as farmácias da terra não tinham nada, comprar uma pipeta de Frontline, shampoo, coleira, trela e muita comida. 

Aproveitámos para passar na polícia e nos bombeiros com uma foto dela para sabermos se tinha sido dada como desaparecida, mas ninguém a parecia ter reclamado.

Comeu alarvamente a comida que lhe fiz, ainda não ama ração nenhuma. De seguida, tomou o que foi claramente o seu primeiro banho e tivemos a cata-la durante a ação do Frontline. O que é certo é que passou a noite à lareira e depois fez da nossa mala uma cama. No regresso, seguiu o carro. Pouco tempo depois, convidámo-la a entrar. 

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Está há um mês connosco, devidamente vacinada e registada. É muito amada por nós e pelas pessoas do bairro. Tem uma sala imensa, a cozinha e a varanda para brincar, e roer enquanto estamos fora. Vai à rua durante várias horas, em três momentos. Não falta abrigo, nem comida nem água. O rabo dela, segundo os indicadores de felicidade dos cães, diz que é uma cadela muito feliz com os novos papás. E nós com ela.

Por favor, não deixem as vidas pelas quais são responsáveis sem um responsável. Nem nesta época de férias nem nunca. Eles só podem contar connosco e não vão sempre encontrar um novo lar.

 

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Antes que o post acabe, a Dóris também foi ao aeroporto para receber o Salvador Sobral. 

 

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20
Mai17

As paredes agora são nossas


Leonardo Rodrigues

A cadela que entrou nas nossas vidas, para ser a nossa versão de filho adotivo, finalmente adormeceu, o que significa que me posso deitar no sofá. Assim foi ontem. Deitei e olhei em frente, e é impossível não reparar no poster emoldurado de um concerto do Rufus Wainwright, algo que me trouxe flashbacks. Claro que não são flashbacks do Rufus, afinal só o vamos ver no fim do mês. São flashbacks da minha vida, tudo o que aconteceu, a um ritmo cada vez mais rápido, até ao momento de agora. Faz-me pensar numa canção triste e melancólica, por vezes poética, que não sei qual é, mas que chega ao refrão e ganha vida, atinge o clímax e está tudo bem. Sinto-me no refrão da minha canção. Existem tantas coisas que desenhei na minha cabeça e que ainda não se materializaram, mas estou, ao fim de muita tentativa e erro, a partilhar a vida com um ele sólido, nas paredes que passaram a ser nossas. Ponderei bem, tinha dúvidas e queria escrever que ainda as tenho, mas tudo parece certo e natural. Nosso. Como se esta canção já estivesse escrita para legendar o meu desenho. 

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23
Abr17

Fui ver o dérbi e ganhei um clube


Leonardo Rodrigues

Duas horas antes, logo após saber que ia ver o meu primeiro jogo de futebol ao vivo, gratuitamente, comecei a escrever este post. O tom era completamente diferente e atribuía uma clara vitória ao Sporting.

Há muito por dizer, mas quero primeiramente referir que apenas ontem interessei-me genuinamente por futebol, além de um ocasional interesse ou outro que pudesse haver por um jogador bem parecido.

Ontem, da fila 23 do estádio de Alvalade, ri, gritei, bati palmas, disse vários palavrões - que costumo só pensar - e arranquei os pêlos da barba porque o cabelo escasseia.

Mais do que as minhas manifestações animais pelo clube do meu mais que tudo, ganhei um clube. Sou do Sporting, aquele clube que possivelmente ainda me fará ser despedido. A experiência ensinou-me que só é fixe ser do Porto ou do Benfica. Especialmente do Benfica.

Como ele diz e bem, é fácil ser dos que ganham, difícil é ser do Sporting e, isso, à sua maneira, é amor. Para ele, isto significa ter prejuízos administrativos com as ações que comprou do Sporting.

Voltemos ao início. Acreditávamos que a sorte do Sporting iria mudar, uma vez que, mesmo através de casa, segundo diz a nossa experiência, consigo fazer ganhar. Vi o jogo de Portugal contra a França e foi o que se viu.

Durante os primeiros minutos a teoria do amuleto pareceu ganhar evidência. Mas claro que nem indo ao estádio consigo realizar os meus milagres. Talvez devesse formar-me n'A Bola, mas vou arriscar.

Não poderia porque, embora o agora meu clube crie oportunidades fantásticas, não as aproveitam. Ainda por cima, pagam dois jogadores, talvez seja o mesmo - ainda não os reconheço - , para fazer  um dos erros que sempre cometi no futebol, olhar para a bola e não lhe tocar. Ocasionalmente, decidem que podem eles fazer milagres sozinhos, num desporto que é coletivo.

Não poderia ganhar por um outro motivo. Os jogadores do Benfica, paralelamente aos treinos convencionais de futebol, estão com certeza a ter aulas de simulação de falta avançada. E isto não me parece ter muito de glorioso.

Dito tudo o que disse, ameaças de morte parecem-me algo precoce para se fazer, sendo que passei a ter clube há menos de um dia e quero ver mais uns jogos.

Ver um jogo de futebol ao vivo é a experiência que, pelo menos durante esta semana, eu estarei a falar e a recomendar todos os dias.

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21
Abr17

Ser vulnerável numa relação


Leonardo Rodrigues

As emoções que surgem em nós como sendo as piores, as mais arrebatadoras, capazes de desenterrar o que enterrámos bem fundo, podem ser as melhores. E, como tudo, é mais fácil de ver quando acontece com o outro. Não o digo com sadismo. Recentemente a pessoa que mais me importa teve um dia inesperado, aliás, completamente oposto do esperado. Eu sei que tudo depende do poder que concedemos às coisas, mas aquela importava-lhe especialmente. Eu, que acho que tenho sempre alguma coisa para dizer e embora arranje sempre alguma coisa reconfortante, fiquei demasiado self conscious e não tinha as palavras. Queria ajudar sem magoar, então dei por mim a concordar com a história que ele se impunha, sem lhe dizer os clichés necessários. Apercebi-me a tempo que não era necessário dizer nada de maior além de que é ok estar assim e que podia deixar-se estar. Mostrei-me presente e disponível para a vulnerabilidade dele. Estar lá e segurá-lo era tudo o que era necessário naquele momento, só depois é que lhe disse o que era a minha perceção do que estava a acontecer e o porquê de talvez não ser assim tão mau. Primeiro partilhar a dor em silêncio, depois já tinha as palavras. Esse momento de partilha foi muito poderoso para mim e acho que para nós enquanto casal. Dos momentos mais importantes. Termos permissão para sermos tão vulneráveis como momento nos exige, sem filtros, é intenso, mexe-nos por dentro e solidifica-nos. É amor.

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17
Abr17

A Perfeição Existe?


Leonardo Rodrigues

A questão não é nova, mas intemporal, e surge em muitas mesas. 

Foi na semana passada. O jantar ia tão avançado que, no máximo, ainda havia um pouco de gelado por comer. Isto é o mesmo que dizer que as mãos deixaram de segurar talheres para segurar telemóveis. Não é preciso muito para que, se ainda houver conversa, a mesma ter como base o que o visor está a mostrar.

A linha entre evolução do sentido estético, graças ao Instagram, e os rapazes e raparigas que cortam a respiração é ténue. Se a pessoa estiver com menos roupa, mais fácil se torna. 

Não são pessoas quaisquer, têm, além de um estilo de vida fabuloso, um corpo, uma pele e sorrisos que toda a gente parece querer ter. São representações de conceitos de beleza estabelecidos muito exigentes, distantes da maioria das pessoas, mesmo das que cuidam de si. Aí começa a comparação. Comparação com pessoas que talvez não sejam exatamente assim.

E continuamos a alimentar estas ideias diariamente, através da nossa dieta visual, nos media tradicionais, redes sociais, pornografia e publicidade.

Impomos-nos estes padrões, que levam a uma baixa autoestima, indo por vezes a extremos como a anorexia.  Por outro lado, impomos os nossos padrões aos outros, fazendo-os sentirem-se menores, ou maiores. Insatisfação de dois gumes. Nada é suficiente.

O que é feito de se gostar dos je ne sais quoi das pessoas?

Não quero dizer com isto que devemos deixar de ter preferências, cruzar os braços, engordar a ponto de ter problemas de saúde. Não cuidar da nossa higiene, e os piores cenários que vos surgirem. Mas acho que temos de parar de viver para fantasias colocadas em pedestais. Talvez 50% das vezes não tenhamos realmente de Mudar, podemos apenas cuidar mais de nós. 

Certo dia, um amigo disse-me o seguinte, Se estivesses sozinho numa ilha como saberias que o teu pior defeito é um defeito? Talvez nem defeito se tivesse. Tiveram mesmo que mo dizer, Leonardo, o teu nariz é torto. Neste momento é uma situação mais distante. 

Claro que gosto de cuidar de mim e de ter as minhas vaidades. É bom oferecer-me certas coisas. Se alguém reparar é um ponto extra e não tem de ser mais do que isso.

Já ouvi que "demasiado perfeito não existe", com um sorriso matreiro. A realidade é que não pode, para isso era necessário que a perfeição existisse em primeiro lugar.

 

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15
Abr17

Nudista por um dia


Leonardo Rodrigues

Não tenho dúvidas, as motivações para se ir a uma praia de nudismo podem ter uma componente voyeurista e/ou de exibicionismo. E também pode não ter nada a ver com nenhuma das anteriores. Nem tudo tem de ser sexual.

As praias onde é possível praticar nudismo, espero poder escrever isto assim, quase por regra, localizam-se em sítios recônditos, nem sempre de fácil acesso, como a do Meco. Não me refiro à do café, refiro-me à outra. Off the beaten track, significa menos gente e uma natureza menos tocada. Silêncio e pureza. 

Nestes sítios algumas pessoas sentem que podem, literalmente, despir os preconceitos e perder as camadas de conceitos que a sociedade obriga a vestir. E é algo que todos fazemos, mesmo com consciência de que nascemos sem cuecas e que, se a nossa mãe, enquanto adulta respeitável as estivesse a usar, sairíamos com mais dificuldade. 

Ontem à hora de almoço estava a dizer uma coisa sobre o assunto a uns colegas, pela hora do lanche estava a fazer outra totalmente diferente. Surgiu-me na cabeça porque não e, de repente, já não tinha os calções de banho. 

A suspeitar muito desta nova liberdade que me tinha concedido, estar como cheguei ao mundo na rua, decidi voltar-me de barriga para baixo. Afinal de contas, os rabos são socialmente mais aceites do que pilas, da mesma forma que as mamas são mais aceites do que vaginas. Sim, conheço esta última palavra.

Por momentos, abstraí-me das pessoas à minha volta e concentrei-me na novidade que era sentir o sopro do vento e o penetrar dos raios de sol, distribuídos por igual a cada milímetro do meu corpo. Isto com o som da ondulação do mar a preencher-me a cabeça. 

Depois voltei-me e sorri. Era o meu corpo de todos os dias, apenas num cenário diferente. Não estava na sala, no quarto, na casa de banho nem na cozinha. O meu corpo estava tal como era numa praia, a contrastar com a areia e com o mar. Um contraste deveras libertador, elementar e desprovido de conceitos. Foi natural.

Não sei quando voltarei a sentir o impulso de tirar os calções em público, mas confesso que se estiver numa praia onde isso não é pecado, é bem possível que os tire.

 

 

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