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LEONISMOS

LEONISMOS

01
Jan18

2017, o ano em que aconteceu quase tudo


Leonardo Rodrigues

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Nunca me fez tanto sentido avaliar o ano anterior, sem remorsos pelo que fiz e não fiz, apenas com muita gratidão pelo que aconteceu. No início de 2017 decidi que queria fazer mais, em todas as esferas da minha vida, e creio que cumpri, muitas vezes por mero acaso. Vários sonhos que tinha na gaveta materializaram-se, outros, como faz parte das condições da vida, continuam à espera da sua vez.

Pela primeira vez, o que se encontra mais presente foi o que correu bem. Se por um lado estou mais paciente, a não reagir de imediato às coisas, por outro estou mais transparente e mais convicto quando penso diferente, com uma frontalidade renovada. Em bom português, aprendi também a aceitar que os bois vão andar sempre à frente da carroça, mas que isto não implica que o nosso tempo não seja ouro.

Entre muitos acontecimentos, há um que mudou todos os dias seguintes. Dei oficialmente o passo de me mudar com alguém que cumpre todos os requisitos da lista que cheguei a escrever outrora: bondade, inteligência, partilha, companheirismo, beleza e sentido de humor. Em parte, ele é o responsável pelo incremento de serotonina, que me ajuda a não desistir. Deixei de ter medo de dizer amo-te, com conta peso e medida, e creio ter aprendido a domar a ciumeira que sempre me foi caraterística. 

Pouco tempo depois, adotámos a Dóris, por via de um salvamento digno de um filme do James Bond. Finalmente, esta cadela que muito sofreu tem um lar que a acolhe e providencia tudo o que precisa. Escusado será dizer que ela ajudou a sedimentar a família que estamos a construir. 

Após dois anos, foi também altura de regressar à Madeira, a minha terra, com um membro novo na família. Percebi que estávamos todos diferentes, restando apenas o carinho que sempre nutrimos uns pelos outros, e pela própria terra. Foi a primeira vez que senti que podia ficar mais tempo.

Conhecer foi a palavra de ordem, cá dentro e lá fora. No norte lusitano vi nevar pela primeira vez. Tive a oportunidade de viajar para para 3 outros países. Itália, dono da abençoada Toscana; Grécia, o berço da Civilização; e Turquia, para andar no limbo da Euroásia

Seja ridículo ou não, ir a Itália e sentir a Toscana, algo que queria fazer desde os meus 13 anos, confirmou-me que tudo é possível, que daqui para a frente as coisas só poderão ser melhores, venha o que vier. Foi também importante para perceber que tenho de me respeitar mais e fazer o que me faz feliz, sem me acomodar. 

Nada nos chega do nada. As relações, as viagens, a paz de espírito, requerem trabalho e não só daquele que assegura uma transferência para a nossa conta todos os meses. 

Este ano, também foi o melhor período para este blog, que conseguiu, dentro e fora da comunidade Sapo gerar mais de 100 000 visualizações. Muitas pessoas contentes, outras chateadas, mas o saldo é positivo. O blog além de volta e meia me dar uns presentes, novamente, trouxe pessoas encantadoras para a minha vida. Poder fazer chegar experiências, e tudo o que escrever os meus Leonismos implica, a tanta gente é um privilégio.

Ao passar para 2018 comi as 12 passas, como manda a tradição. Mas, como desejo pedi apenas 1, que fique tudo bem, comigo e com os outros - implique isto o que implicar. Sem a pressão de falhar mil objetivos, mas com o intuito de fazer melhor. 

 

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28
Out17

post sem fotografia, sobre um momento


Leonardo Rodrigues

A imagem, em relação ao texto, desde há uns séculos, assumiu um papel central, a começar pela imprensa. As nossas casas também seguiram o exemplo. Como não era tão acessível, pelo que dita a lei da natureza, tinha mais valor. A minha avó, quando está lúcida, relembra a sua fotografia de casamento, que foi tudo menos instantânea. Vivendo a norte da ilha, teve necessidade de se deslocar com o marido, antes da luz nascer, até ao sul da ilha a pé. O vestido de casamento e o fato iam na mala. Os momentos tinham tanto valor, que se fazia um sacrifício do tamanho da distância para recordar mais tarde um momento passado. Hoje, basta meter a mão ao bolso e colocar o telemóvel em riste, para guardarmos uma momento que, na grande maioria das vezes, será esquecido. Ontem, decidi fazer uma caminhada anormalmente extensa com a Dóris e deparei-me com um espetáculo belíssimo. Ao chegar ao cimo do parque, a luz quente incidia magicamente em cima do verde acabado de crescer, graças à chuva que finalmente caiu. Os troncos das árvores estavam mais escuros devido às brechas de luz, que só deixavam o verde brilhar. O meu primeiro impulso foi tirar uma fotografia, mas o telemóvel estava em casa a carregar, então comprometi-me a memorizar o momento e, para o efeito, parar durante vários minutos. Tanto que foi apreciado, que hoje se escreve um post sem a fotografia,sem provas, só com palavras.

12
Out17

Pedi um crédito, e o computador said no


Leonardo Rodrigues

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Ontem foi um dia interessante, de me lembrar de histórias. 

Vou começar por contar uma das piores fases, que nunca encontrei forma de abordar no blog. A vida, com a faculdade, ficou diferente. Por isso, há cerca de dois anos e meio, vendi um computador que me tinha custado mais de mil euros e a máquina fotográfica. A alternativa seria ficar sem casa. Confesso que custou, o valor emocional que atribuía àqueles objetos e toda a situação frágil foi avassaladora. Mas, até ao dia de hoje, sei que fiz a escolha inteligente, ter um teto para me recompor. 

Ontem, vi um computador que queria. E, além de estar a um ótimo preço, imaginem só, havia uma campanha sem juros. Fiz o esforço de entrar num centro comercial para saber como se processava tal milagre, oferecido pela Santa Cetelem. Antes de conseguir chegar concretamente à campanha que queria, tive de recusar veemente dois cartões de crédito. 

Depois, tive de ouvi-la a explicar-me tudo  - por vezes com informação de uma campanha anterior - , como se fosse mesmo muito estúpido e não conseguisse fazer contas. Chegou mesmo a dizer-me, com um tom condescendente, "ainda bem que pergunta, faz muito bem em ler as letras pequeninas, eu também leio sempre", quase que tinha um AVC. Se tratarmos as pessoas como crianças, elas assinam coisas?

Tudo bem, aquilo era rápido, e a proposta de sair com um computador que não sobreaquece e precisa estar ligado à corrente, tornava tudo suportável. A decisão não seria tomada por ela, mas sim por um formulário que preenchi e me bebeu os dados do cartão de cidadão em segundos. No final, o formulário disse-me que não, e ela: "pelo menos o José tentou". Detesto que me tratem por José.

Além disto poder ser uma cena do Little Britan, que celebrizou a expressão, computer says no, por estar tão o perto, mas inacessível, lembrei-me de algo que vi este ano, à porta de um McDonald's em Istambul. 

Um menino sujo, enquanto espancava o vidro, chorava como nunca vi ninguém chorar, para pedir comida. Quase imediatamente a seguir, vinha uma empregada afasta-lo dali, como se fosse um pombo à procura de migalhas. Um contraste chocante, com as pessoas que comiam aquela comida apelativa, num espaço cheio de luz. Era apenas um vidro e uns trocos, mas ditava o que uns e outros podem ter. 

Aquela condescendência toda quase que me magoou, mas obriguei-me, minutos depois, porque há sempre, a ver o outro lado da moeda. 

Não me posso comparar a esse menino, em tão pouco tempo passei a ter uma família que me ama, emprego, férias marcadas, uma casa ótima, e uma dispensa que se compõe sempre. Vou continuar a ter um computador velhinho, é verdade, mas fico sempre com mais do que quando vendi o computador xpto. A felicidade não tem mensalidade. 

 

 
 
 
 
15
Set17

Alzheimer: viver sem a memória de quem somos


Leonardo Rodrigues

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Ter Alzheimer é o mesmo do que viver sem termos bem consciência de quem somos, apenas do que fomos.

Foi isso que senti ao ver a senhora a quem aprendi a chamar de avó, embora não o fosse biologicamente, na minha última visita a casa. Vi-a, sem exagerar, quase diariamente durante 18 anos.

Antes de me mudar, presenciei um momento inicial da sua perda de lucidez, ainda não tinha feito noventa. Estávamos a contar dinheiro e ela encontrou uma moeda estrangeira, fazendo questão de o referir com entusiasmo. Depois, voltámos a contar o dinheiro e, assim que chegámos à tal moeda, aconteceu novamente. Aconteceu uma terceira vez. Coloquei a moeda de lado, e fizemos uma última contagem.

É avassalador ver a nossa avó assim. A senhora que tomou conta de nós, que nos via à distância, que nos contava histórias - que não tivessem de ser censuradas - com tamanha lucidez e detalhe que era o mesmo que recuarmos a outra época, e ver a nossa terra quando tudo era diferente. 

Agora é muito isso que resta, o passado. Estivemos a ver dois dos meus álbuns, mesmo sem que ela tivesse bem a consciência de quem era. Por vezes dizia, este é o Leonardo. Outras, este és tu, não és? E, olha, esta sou eu, verdade? Com uma inocência e doçura nos seus lindos olhos azuis. O seu cabelo cinzento e olhos azuis são coisas que nunca mudaram.

Em vez de estar a reconhecer uma moeda diferente, ela estava a fazer um esforço para conhecer caras que viu durante 50, 20, 30 anos.

E depois lembrei-me que, quando estava no 10º ano, pensei que seria bom escrever um livro sobre a vida daquela Mulher. Mas isso foi impossível, ela não conseguia falar na presença de um gravador ou de um bloco de notas e caneta. E eu nunca tive a memória dela. 

Mas há uma história que, para mim, merece ser partilhada. Quando ela era mais nova, as escolas dos meninos e das meninas eram separadas por alguns quilómetros, naquela terra. E não é que eles não tivessem um olho apurado, tinham mais ainda. Sempre que passavam ao lado da escola, começavam a gritar "Maria Isabel vai casar com o doutor Abel", todos os dias, deixando a minha avó corada. E isso aconteceu. Ela esperou que ele regressasse da tropa, tiveram vários filhos e sempre acolheram toda a gente que por aquela casa passasse. Só a morte os conseguiu separar.

Depois de cuidar de tanta gente, eu inclusive, chegou à altura de cuidarem dela, mesmo que nem sempre saiba o que acontece. Ainda faz ponto cruz, sabe a tabuada, canta as músicas que louvam Salazar e continua a querer ir à missa. Sempre que é fim de semana, e a filha diz que vão à terrinha, vai logo fazer a mala.

E eu despeço-me, sempre consciente de que ela já não sabe quem sou, com memórias que cheiram a bolos, milho e vindimas. 

 

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08
Set17

Objetos onde vivem histórias


Leonardo Rodrigues

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Quando era mais novo, pensava que o mundo possuía mais magia do que agora. Acreditava, entre muitas coisas que lá descobri não serem verdade, que os meus peluches, embora não me respondessem, eram dotados da capacidade de ouvir e sentir.

Justificava o facto de não se mexerem, nem produzirem som com o processo de fabrico. Mas claro que o coelho azul que me fazia companhia tinha, de alguma forma, o sopro da vida lá dentro. Claro que lhe podia confidenciar o que me inquietava, num mundo que nunca chegaria a perceber. Ainda mais natural era pedir desculpa quando tinha sido injusto, não havia culpa nele. O mesmo para as árvores, e assim por diante.

Por algum motivo, comecei a lembrar-me disto ontem, quando finalmente consegui instalar este candeeiro turco que comprámos em Istambul. Vê-lo aceso trouxe-me de volta à loja, que se encontrava numa rua ladeada por árvores bem verdes. Lá quase só se vendiam candeeiros e sabonetes artesanais. Que raio de combinação, pensei eu!

Mas não é apenas isso, o rapaz que nos vendeu o candeeiro, quase à hora do sol se pôr, era sírio. Falava um inglês que se aprendia ao ritmo lento do turco, mas que fora suficiente para termos uma conversa que vou guardar para sempre. Disse-me que a vida no país que ama acabou e que, embora a família ainda lá esteja, sente-se otimista com o novo começo, num país cheio de cor e vida. Prova disso foi ter-me dito baixinho, como se fosse para Alá não ouvir, que tinha fumado, embora não tivesse violado o jejum da comida - mandatório durante o Ramadão. Claro que não percebi esta escolha, mas não me cabia a mim questioná-la. Como me disse, era a vontade inquestionável de Alá.

Neste candeeiro que agora vai ser aceso todos os dias guardo a viagem, as pessoas e as emoções que tudo me trouxe. Por isso acumulamos coisas. Afinal os objetos realmente têm vida, mas que depende de nós e das histórias e emoções que neles depositamos.  É tudo sempre nosso.

21
Ago17

A mulher que está no mesmo sítio há 20 anos


Leonardo Rodrigues

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Cruzamo-nos com as pessoas mais extraordinárias todos os dias. Arrisco-me a congeminar que todas o são, pudéssemos nós ouvir as suas histórias e pensamentos.

Geralmente deixo-me levar pelas histórias que vou construindo, mas é sempre melhor ouvi-las. Não há muito tempo, estávamos a caminhar debaixo do sol ardente de Atenas, quando dei por mim a subir uma rua para entrar numa galeria de arte, algures no bairro de Plaka. 

Era um sítio apetecível para um turista deslumbrado com a Grécia, com pinturas que mostravam o melhor do país e do mundo. Os quadros eram de um único autor, cujo nome tenho num cartão. 

Não demorou muito até começar a conversar com a única pessoa que lá estava. Era uma mulher nos seus quarentas, com imensa vida dentro dela, um olhar taciturno e um sotaque inglês super peculiar. Era a mulher do artista.

Questionei-a, com entusiasmo, o quão maravilhoso era ter visitado aqueles locais todos. Ela disse-me que não viu nenhum, e que está em Atenas há 20 anos, desde que veio da Albânia à procura de uma vida melhor.

Ele pinta, ela vende. Assim é todos os dias da semana, de manhã à noite. Falámos pouco mais, já que entretanto me tinha desencontrado da minha companhia.

Desde então que penso nesta conversa, na forma como as palavras se organizaram e expressão que tinha no rosto.

Nenhuma forma de viver é errada, caso os olhos indiquem que está tudo bem. Poderemos, nós, deixar-nos ficar no mesmo sítio da vida, contra a nossa vontade? Ou melhor, estamos no sítio onde queremos estar?

 

26
Jul17

Lição: "Fui freira, mas aprendi tudo com a televisão"


Leonardo Rodrigues

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Nestas férias, que tanto bem fizeram, voltei ao sítio que chamei de casa durante os meus primeiros 18 anos de vida, após 2 de ausência. 

Tinha tudo para ser o mais desafiante. Era a primeira vez que apresentava a pessoa a que me refiro como "ele" no blog, a toda a gente - gostava de o chamar de moço, mas a Maria fez primeiro. Curiosamente, ao regressar a sítios como a casa onde a família já não vive, a escola, o caminho x e y, senti-me bem, sem nervosismo em lado algum. É, sem dúvida, a melhor fase da minha vida, onde já tudo sarou.

Acho que a linha do horizonte na ilha também se expandiu, senti isso no carinho das caras conhecidas e das suas palavras.  

Houve uma prova em especial, aquando da visita a uma senhora que foi sempre minha vizinha.Tem mais de 70 anos, e desde miúdo que nos tratamos por tu. Já me tinham dito que ela aguardava a minha visita ansiosamente, e veio a correr, mesmo com a segunda perna partida em recuperação, assim que me ouviu. 

Após uma mão cheia de dedos de conversa, lá o viu na estrada e perguntou-me quem era aquele rapaz. Disse-lhe que vivia com ele. Ela olha-me séria e pergunta, ele é teu colega ou parceiro? Respondi-lhe que parceiro, meio receoso e meio curioso com a sua reação.

Os olhos dela enchem-se de amor e diz-me: "Não faz mal, filho. Sabes que fui freira, mas que aprendi tudo com a televisão. Era nova quando fui para lá, e fizeram-me uma lavagem ao cérebro. Só percebi depois de ter ficado doente e regressado a casa". 

Claro que o chamei para serem apresentados. Ela fez apenas questão de frisar que deveríamos cuidar um do outro e sermos fiéis. Garanti-lhe que cumpríamos os requisitos, de coração cheio.

Os dias insistem em passar, mas não há um em que as atitudes ou palavras das pessoas enormes não me surpreendam. 

 

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27
Jun17

Estuda, para não acabares assim


Leonardo Rodrigues

Esta frase foi proferida, de mãe para filha, enquanto apontava para uma colega minha, numa conhecida loja de roupa. A rapariga é minha colega porque tem de trabalhar em dois sítios, já que um trabalho apenas não chega. E não, isto nada tem que ver com o facto de ela não ter estudado, estudou e muito. Seguiu a sua paixão e licenciou-se em terapia da fala. Poderia ter ficado calada, mas escolheu dar mais informação. Explicou que além de não ser a única licenciada na loja, a outra colega estava a terminar a licenciatura em arquitetura, e que o rapaz nos provadores era advogado. A filha não teve remédio senão rir-se da hipocrisia da mãe. Sabem, as profissões e os canudos não nos definem, se é que algum dia o fizeram. Existem aqueles que, devido a um mercado de trabalho não ideal, não podem exercer o que acham ter nascido para fazer. Há quem estude um curso só porque sim, quem não o possa terminar e quem considere que aquilo não é para eles. Os nossos caminhos são todos diferentes. Não têm de ser julgadas por uma profissão, nem pelos números que caem na conta todos os meses. Apenas pelo seu caráter e ações. 

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15
Fev17

Dizer amo-te


Leonardo Rodrigues

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Já tinha este post nos rascunhos há uns dias e hoje, após o dia que encheu o meu refeitório de corações, parece-me boa ideia concluir.

Há quem diga e julgue que os gestos falam mais alto do que as palavras. Como se alguma coisa pudesse significar mais do que palavras, do que uma palavra. Isso só é válido quando se banalizam as palavras, especialmente uma que, em tão poucas letras, pode significar tanto: amo-te. 

Por vezes agimos de uma forma que não queremos, da mesma forma que dizemos coisas que não sentimos. Agir contra a nossa natureza custa. Curiosamente, proferir o que realmente pensamos e sentimos também, sente-se uma pequena dorzinha.

Dizer amo-te, saíndo bem lá do fundo, é cirúrgico. Para mim, é quase como se sentisse que o meu peito se rasga para sair de lá dentro algo muito intimo. É sincero. Por outro lado, quando me é dito continua a acontecer algo de extraordinário em mim. Num episódio recente foram as lágrimas que começaram a cair apenas por o ouvir. Sem soluços, só um calor imenso. Afinal, o quão valioso é amar reciprocamente?

Pareceu-me que, à minha volta, de tanto se ouvir e dizer palavras como esta, retira-se o som das mesmas e, por consequência, perdem o seu significado e efeito. Criar um dia que manipule a economia das palavras e dos gestos deixa-me a pensar.

Olhem, sou por dizer menos e significar mais. Que se demonstre tudo, mas sem gastar a grandiosidade das palavras e das emoções. 

 

 

 

13
Fev17

A minha resolução para 2017


Leonardo Rodrigues

Não escrevi sobre isso, mas eu também tenho uma resolução para 2017. Sim, é apenas uma, mas é desta que tudo pode brotar. No ano anterior, comprometi-me a ser e fui. Simplesmente isso deu-me muitas coisas, oportunidades, um emprego, amigos, conversas e um novo amor. Ser, em pleno, não é mais do que estar bem com a pele que vestimos, as coisas que pensamos e até com os pêlos que brotam todos os dias para desconfigurar a linha da barba. Ser em pleno é também não ter medo e saber o que se quer. Talvez seja isto que aconteça a todos com o somar dos anos. Quando somos em pleno ganhamos coisas, pessoas para se falar sobre isto e aquilo e, se formos mesmo sortudos, alguém para nos aquecer à noite. Dito isto, este verbo vale de pouco se não lhe associarmos o fazer. Quero fazer muito mais, muito melhor, dar e mostrar mais de mim. Pegar nos projetos da gaveta e dar-lhes uma vida nova. Quero devolver a cor ao blog, reescrever um post que prometi à Mula e o telemóvel apagou, fazer a entrevista à Vânia, escrever sobre o que vi e provei, gostei, não gostei e calei. Quero e vou, sabe deus lá se podemos mesmo deixar para amanhã o que pode ser feito hoje. 

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Eu a "fazer" férias e andar de bicicleta pela primeira vez em muitooos anos. Foto: D.

 

 

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