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LEONISMOS

LEONISMOS

15
Fev17

Férias cá dentro: até à Casa Grande de Juncais


Leonardo Rodrigues

Este mês, após uns tempos intensos, posso dizer que estive totalmente de férias.  Aproveitei para fazer 14 dias seguidos. Na primeira semana deixei-me ficar por Lisboa para fazer absolutamente nada. E, porque agora a vida é bondosa a esse ponto, fiz coincidir a segunda semana com quem diz ser a cara metade. 

 

Escolhemos ficar por Portugal, afinal há sempre muito para descobrir no nosso país. Cá dentro também se expandem horizontes e há regalos para todos os sentidos: paisagens de cortar a respiração, iguarias que provocam salivação, ar tão puro que faz desmaiar e silêncio para os nossos ouvidos. Para aguçar ainda mais o apetite, todas as nossas terras estão repletas de História e histórias.

 

 

O nosso destino final era Juncais, mas, de férias, tem de haver tempo para desvios. Até Juncais, o desvio digno de nota foi Belver, concelho do Gavião. Inicialmente o objetivo era vermos o castelo do século XII, mas depressa abandonámos a ideia para contemplar as vistas maravilhosas para o Tejo. Quanto mais se sobe, mais bonito fica o rio. O silêncio, momentaneamente interrompido pelos pássaros, oficializou o início das férias - segunda parte para mim. 

 

O tempo, entre espantos, selfies e lamechices, foi passando. E, com isso, a nossa hora limite para check in na Casa Grande de Juncais. O Turismo Rural não tem facilitismos de 24horas. Ainda assim, a Isabel, quem ajuda a gerir este solar de granito do século XVI, arranjou-nos uma solução: o Sr. Carlos.

 

Chegamos pelas 20h a Juncais, onde fomos simpaticamente recebidos pela nossa solução. O Sr. Carlos entregou as chaves, fez-nos uma explicação geral de onde se encontrava tudo e explicou que de manhã nos deixaria um cesto com pão fresco na cozinha.

 

Quando abrimos a porta do nosso estúdio, humildemente apelidado de Paraíso 2, deixou de se sentir o frio da serra. Estava quentinho, graças ao aquecimento central e ao meu objetivo de vida: uma salamandra cheia de lenha acesa. Uma welcome drink acompanhada de chocolates e caramelos também estavam à nossa espera, o que foi a cereja no topo do bolo. 

 

Por falar em bolo, o nosso pequeno almoço também aguardava pacientemente na cozinha: bolo caseiro, laranjas da zona para sumo, queijo, manteiga e fiambre. O pão, já sabem, todas as manhãs antes de acordar já lá está.

 

Sendo que a viagem tinha sido longa e que os restaurantes ficam a uns bons minutos, utilizamos a nossa kitchenette equipadíssima para fazer o jantar. Depois, foi caminhada à chuva para conhecer a aldeia, xixi e cama, numa senhora cama, num senhor quarto.

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Se ficaram curiosos para saber como a restante viagem se seguiu sigam-me no Facebook e vejam umas deixas no Instagram. O próximo capítulo vai até o segundo ponto mais alto de Portugal, na Serra da Estrela. 

 

02
Fev17

Temos de desligar!


Leonardo Rodrigues

 

 

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Vivo numa relação de amor ódio com ficar sem bateria. Se houver algo que não pode esperar, é um pesadelo. Se não, é uma dádiva e acordarmos para coisas que nunca reparámos, como ver que o nome da estação Roma, refletida num dos vidros da carruagem é amoR.

Os tempos são insustentáveis. Deixar passar os reflexos da luz que dizem amoR não é grave, mas já deixar passar o Amor porque um retângulo convenceu-nos que a nossa vida está toda lá dentro, pode ser.

Os nossos telemóveis tornaram-se o centro, até dos jantares. Supostamente está lá tudo: as várias contas de email, o Facebook, o Messenger, o Snapchat, o Instagram, as aplicações onde se encontra o sexo e amor, as noticias, as memórias fotográficas, as notas, a agenda, o despertador, os mapas. Tudo, porra. E as notificações não nos largam, fazendo com que o trabalho, os colegas, os amigos, as estrelas e as desgraças se deitem connosco.

Sabem o que não está no telemóvel, nem mesmo no computador? As pessoas, de carne e osso, as conversas olhos nos olhos, o toque e os tiques, os cheiros dos lugares. O que vemos nos ecrãs são as representações disso. Temos de optar: representações ou os que temos ao nosso lado, à mesa e na cama?

Sinto que a ilusão de aproximação serve apenas para que a concretude das coisas se deteriore. O que sobra de nós, pode ser insuficiente.

Não proponho uma abolição de algo que melhora a vida moderna em muitos aspetos. Proponho, sim, que por vezes se deixe o telemóvel desligar ou usar o modo de voo. Desta forma conseguímos ouvir melhor quem está ao nosso lado e ver as nuvens sem photoshop que estão no céu.

 

26
Jan17

Cura para o mau humor: Friends


Leonardo Rodrigues

Há muitos anos que encontrei um medicamento que cura qualquer estado de espírito menos bom. Chama-se Friends, vem sob a forma de episódios e é administrado via visual e auditiva. Não é o mais refinado dos humores, ainda assim é tão genial que nunca desilude e as piadas da série permanecem intemporais. São 10 as temporadas e iniciei o meu quarto tratamento esta semana. Isto é: voltar a ver duzentos e tal episódios. Não dá para evitar, a serotonina reproduz-se a um ritmo alucinante com com camaradagem deste grupo funcional de tão disfuncional - a estupidez do Joey, o sarcasmo do Chandler, a futilidade da Rachel, a OCD da Monica, a intelectualidade do Ross e, acima de tudo, a genialidade da Phoebe. Se estão a ter um dia ou uma semana assim-assim, o melhor mesmo é pegar numa manta, café e tratarem-se com uns quantos episódios. Queria escolher um meme que ilustrasse bem este post, mas, com as minhas dificuldades de decisão, tive de escolher aleatoriamente. 

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28
Nov16

Sugestões para Oferecer este Natal (não custam, mas agradam os olhos)


Leonardo Rodrigues

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O Natal é muito mais do que os presentes materiais que se dão, mas é inegável que também fazem parte. Se, à semelhança de mim, estiverem a esticar o subsídio de Natal e o crescimento da família vos traz pensamentos de políticas anti-natalidade, tenho algumas sugestões. Aqui consta a lista de algumas das coisas que vou oferecer aos meus outros e onde vou comprar. 

O Mantra

Não é uma loja, é mesmo um mantra. Repitam comigo: Este Natal não vou comprar meias nem chocolates, muito menos me desgraçar. 

 

 

 

Odisseias

Haverá melhor presente do que uma experiência? De hotéis a restaurantes, as experiências Odisseias variam entre os 14,99 e os 174,90 euros. Existe uma opção perfeita para todos, o tio que sonha saltar de um avião, a sobrinha que quer ser fotógrafa e a mãe que precisa de ser internada num SPA. Este natal decidi que, para além dos miminhos que vão resistir ao tempo, hei de oferecer à minha cara metade uma experiência para dois. odisseias.jpg

 

Bairro Arte

Nesta loja encontram-se os presentes pouco convencionais, que fazem as delícias dos mais exigentes. Não são de luxo, mas têm o seu quê de exclusivo. Se fossem mais baratos penso que teria a loja em casa. Elegi vários artigos.

 

Projetor Smartphone (21,99€) - Sem necessidade de fios ou bateria, este projetor de cartão permite tornar qualquer parede, por intermédio de um telemóvel, numa tela de cinema.

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Mapa raspadinha (17,99€) - enquanto aspirante a viajante profissional, considero este um must have - estou a ter dúvidas se esta lista é mesmo para os outros. Não se riscam destinos, descobrem-se e depois raspa-se a descoberta no mapa. 

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Caneca Monstro (13,90€) - Para fazer as delícias dos mais novos e limitar o seu consumo de bolochas, que tal esta caneca?

 

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FNAC

Na Fnac, além do que já se sabe, relembro que podem encontrar os cadernos que para meio mundo são os melhores: Moleskine. Existem em cada vez mais cores e parecem-me o presente ideal para os criativos das nossas vidas. Os blocos de notas começam em 1,97€.

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Bertrand

Na loja de cima também podem comprar os livros, eu sei. Porque estaria eu a recomendar comprar livros noutra? Bem, é na Bertrand que continuo a acumular euritos no meu cartão de leitor - nunca tive coragem de fazer o cartão FNAC. O segundo livro desta trilogia de Mia Couto já está nas prateleiras e recomenda-se. Este Natal vou oferecer o Livro 1 (18,80€) e o 2(18,80€) a um casal.

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IKEA

A multinacional sueca tem vindo a reforçar a sua presença em todo o país e tem (quase) tudo para todos os bolsos. Decoração de parte, encontrei um peluche ótimo para as crianças mais novas, e que constaria na minha lista de natal se não achasse que a minha idade já passou. É um peluche e um fantoche e compra-se com 5 4,99 euros.

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Se estiverem por lá, pensando também nos adultos, que tal oferecer flores que durem mais do que uma semana? O IKEA tem outra resposta a custar 4,99€.

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Se não quiserem comprar nada daqui para oferecer aos vossos, podem inspirar-se nesta lista para me presentearem. Boas compras, boas prendas, boas festas!

 

 

 

 

 

 

 

12
Fev16

Doce café sem açúcar


Leonardo Rodrigues

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Ouço e leio bastante acerca de pessoas que se enamoram por sítios onde nunca estiveram. Mas, na impossibilidade de os visitar, há algo de muito melhor para se fazer, e não falo de visitar os sítios cá dentro, falo de se enamorar pelas pessoas que ainda não conhecemos, as de lá que por cá passam e até mesmo as de cá - nem sempre é óbvio que tal coisa é possível.

 

Só não o é porque já ninguém fala com ninguém, porque a cidade fomenta o anonimato e a atitude do cada um por si. O constrangimento de partilhar um elevador apertado durante vários andares com um estranho quase que já não é constrangimento, tão habituados que estamos à arte de não ver e à de focar a atenção na mensagem sem conteúdo que decidimos começar a escrever.

 

A verdade é que há sempre quem queira falar, quem tenha vontade de deitar cá para fora histórias - tanto delas como de outros - , só temos de prestar atenção à cidade e acudir esses pedidos. Os vizinhos do prédio, se tiverem coragem de passar a barreira do bom dia, quem sabe, talvez até acabem por decidir ser boa ideia ir ao café para falar de literatura, de como era a Avenida X há 30 anos, do que era a vida enquanto a filha e o marido por cá andavam e de fazer trocas literárias interessantes, não fossem estar algumas gerações pelo meio.

 

Sim, dou conversa às velhinhas todas, tanto às do prédio como às do autocarro, as conversas ora acabam com lágrimas a querer pular dos olhos, ora com um conhecimento mais vasto sobre as carreiras da Carris. De qualquer das formas, com estas pequenas partilhas há sempre entretenimento garantido e muitos sorrisos, de ambas as partes.

 

Claro que também morro amores por cidades que nunca pisei, mas o que me mata mesmo é isto, as pessoas com quem nunca - prefiro ainda - me cruzei. Os acontecimentos que a vida me tem organizado, os passeios, as muitas viagens de autocarro e as poucas de avião têm-me dito que existem tantas que quero conhecer e que ainda nem vi, com quem quero falar e ainda não sei que palavras vou utilizar e outras para as quais só vou querer olhar, de forma a manter intacta a história que acerca delas contei, sem nada saber.

 

Gostei particularmente de dois episódios recentes, um na livraria Bulhosa das Amoreiras e outro na Gulbenkian. Na Bulhosa, enquanto procurava um livro que não fazia tenções de comprar, o senhor que está do outro lado do balcão, falou-me dos 70 romances que lê por ano e das mais rebuscadas teorias da conspiração - que a mim, confesso, também me dão que pensar. Na Gulbenkian, uma senhora muito amável começou por perguntar-me pelo Wi-Fi e, mal demos por nós, estávamos a contar histórias da vida um ao outro. O que era apenas uma pessoa sem nome a beber café numa manhã solarenga de inverno, passou a uma senhora holandesa que se apaixonou por um português há vinte anos, motivo pelo qual veio para estas terras a sul. O português que fala, curiosamente, aprendeu-o com um curso na universidade clássica e com a vida. O marido, esse, só lhe fala em inglês.

 

Enfim, são estes dois dedos de conversa, cheios de pequenos detalhes, com grandes pessoas de quem não sei o nome e não vou tornar a ver que tornam o meu café sem açúcar doce.

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