Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

LEONISMOS

LEONISMOS

10
Jun16

Assinei contrato: o que aprendi


Leonardo Rodrigues

13903385550_39f7316982_c.jpg

Flazingo

 

Depois de muito procurar emprego, assinei ontem um contrato de 6 meses. A procura teve momentos mais ativos do que outros. Não significa isto que alguma vez tivesse parado, em alguns momentos foi complicado manter o foco e a preocupação era-me paralisante. Não me apetecia escrever, não me apetecia falar, honestamente queria dormir e acordar quando no mundo os arco-íris tivessem mesmo um pote de ouro no final. Não conseguir um emprego significava que, depois de anos por minha conta, teria de voltar à Madeira, viver com a família e chatear-me. Assustador. Vontade de trabalhar nunca faltou, sempre quis depender apenas de mim. Ter emprego dá-nos essa liberdade e, para mim, significa viver onde quero, onde está e acontece tudo o que me importa. As ofertas de trabalho remunerado existem, aos milhares - não há para todos, certo, mas há para muitos. Fui, sem brincar, a dezenas de entrevistas, inclusive a várias segundas entrevistas. Muitos foram os sinais de como aquele seria o meu novo local de trabalho: "olhe, gostei mesmo muito", "parabéns pelas notas", por aí fora. Gostavam de mim, mas gostaram mais de outro. Aconteceu-me de tudo, ser aceite numa consultora que entretanto cancelou o recrutamento, "conseguir" um estágio do IEFP pelo qual não posso esperar. Eventualmente, uma das empresas de recrutamento que me chamou várias vezes deixou de telefonar e passou a enviar email a dizer que ainda não era daquela. Isto acabou.

 

Se há algo que fiz sempre foi pedir feedback ao longo do processo. Cheguei, inclusive, a perguntar aos recrutadores coisas que toda a gente quer saber como "é verdade que detestam Europass?". São essas pequenas aprendizagens, que podem parecer óbvias, mas que nem sempre temos em mente, que irei partilhar, do currículo às entrevistas.

 

Currículo

É na construção do currículo que estão os bastidores do espetáculo, é este o primeiro passo que decide se damos um segundo, quiçá, um terceiro. Eu tenho dois modelos diferentes e altero o conteúdo consoante aquilo a que me candidato. Temos de adaptar. Acho mais cliché odiar o Europass do que utilizá-lo, mas a minha opinião não importa, importa a dos recrutadores. Nesta matéria ouvi essencialmente duas coisas: "não temos problemas, é muito comum, o meu problema com o seu currículo é a ausência de datas". Aqui não se encerra o assunto, um bom amigo disse-me: "se estou a recrutar para uma vaga e recebo centenas de currículos, não posso ler todos, nem entrevistar todos os candidatos, então, é olhar para os 20 que se destacam [- os que não usam o dito cujo -], os que mostram empenho e criatividade. Claro que depois de os ler vou estar mais perto do candidato que procuro.". Faz sentido. Pelo sim pelo não, façam noutro modelo. Não precisam de algo over the top, apenas que vos diferencie e que, de forma sucinta, mostre o melhor de vós, a vossa experiência, capacidades e interesses. Só depois de o fazer é que comecei a ser chamado. Há um post de que gosto muito, escrito por alguém que está do lado de quem emprega e que cobre estas matérias muito bem, vejam Erros fatais no currículo.

 

Candidatura

Enviem currículos para trabalhos que vos interessem e que sentem conseguir realizar. Na fase do já estou para tudo, enviei currículos para cargos que não me interessavam, para os quais nenhum dos meus currículos fazia sentido. Isso culminou numa entrevista em que, depois de dois dedos de conversa, perguntaram-me: "o que é que ganho em tê-lo cá em vez de um dos outros 30 candidatos?". Costumo ter as respostas na ponta na língua, mas não soube responder-lhe. Não sabia responder porque mentir é das coisas que cada vez consigo fazer menos. Por vezes apetece-me dizer algo de bom para não abusar da sinceridade, mas a minha cara já está a assumir outros contornos. Enquanto posso dizer aos meus amigos "tens um macaco no nariz", "quando queres ir à loja para trocarmos essas botas?", "desculpa, mas ele só te quer para aquilo", "não dormes há quantos dias?", ao senhor não lhe podia dizer que aquele cargo e condições não faziam sentido, então despedimo-nos cordialmente. Se não me tivesse desvalorizado ao candidatar-me teríamos ambos poupado tempo.

 

Entrevistas

Nesta fase final, da performance, sejam vocês próprios. Representar alguém que não somos é difícil e passa para o outro lado. E, se nos tivermos candidatado a algo em que temos interesse, tudo corre sem esforços, sem nervosismos. Numa das entrevistas, estive a falar durante 5 minutos sobre coisas que detestava, mas que pareciam relevantes. Isto transpareceu e a senhora que me estava a entrevistar parecia enfadada. Quando comecei a falar realmente de mim, dos meus interesses, capacidades, aspirações e do que fazia - este blog, por exemplo - os olhos dela acenderam-se e começámos a ter um diálogo em vez dum monólogo. Embora esse recrutamento tenha sido cancelado, quando voltei à empresa, semanas depois, para falar com outra pessoa, ela viu-me do outro lado do open space e cumprimentou-me com um grande sorriso. Se forem iguais a toda a gente ninguém se vai lembrar. Mais recentemente, na mesma empresa, ligaram para me enviar diretamente para a segunda entrevista. Fiquei.

 

O meu novo emprego, embora só me ocupe a manhã, tem uma certa exigência, mas o salário e as condições estão à altura. Vou ser independente sem deixar de ter vida e, o melhor de tudo, terei tempo para fazer o que gosto e trabalhar noutros projetos sem ter de me questionar onde vou dormir no próximo mês. Na frase anterior não “escrevi dinheiro para beber café” pois o café lá dentro não me custará um cêntimo e, sim, isto pesou no meu entusiasmo aquando do início da entrevista. Confesso que este entusiamo foi o quebra gelo, não fosse as senhoras dos RH terem isto em comum comigo.

 

02
Mai16

Estágios do IEFP? Ai.


Leonardo Rodrigues

Pois é, parece que metade da população ativa está a procura de trabalho, eu não sou exceção.

 

Como sabem, os estágios do IEFP estão na moda. São um autêntico paraíso e, como tal, cada vez mais procurados pelas empresas que, doutra forma, contratam muito pouco. Uma caturreirice para alguns, sei lá.

 

Recentemente surgiu-me uma oportunidade de sonho, não que as condições do estágio mudassem a nível de remuneração, mas as funções a desempenhar - relacionadas com o meu curso, imaginem só - , o local e as pessoas eram perfeitos. Digamos que consegui o trabalho, a empresa oficializou a candidatura, tudo certinho. Feliz que ia ter a minha primeira experiência de trabalho gratificante em 30 dias úteis, acomodei-me.

 

Escrevi 30 dias úteis porque é este o número de dias que, segundo o IEFP, demora a que a candidatura seja revista - claro que a contagem pára quando são pedidos novos documentos. 30 dias é o prazo de validade da esperança, das expectativas(só não faço uso do novo AO com esta palavra). Depois chega a frustração e a incerteza.

 

Hoje, depois de uma entrevista de emprego, já que ficava no caminho, decidi que ia presencialmente saber o que se passava. Sentei-me com uma técnica extremamente simpática e atenciosa que prontamente me esclareceu em tudo - se isto parece ironia, não é. 

 

Fiquei muito contente com a mudança de governo(ainda não sei bem o que acho do nosso PM, mas gosto das ideias duma esquerda mais ou menos em concordância.) Acontece que nunca tinha sentido na pele as implicações destes acontecimentos tão politicamente empolgantes.

 

Hoje senti, quando alguém que trabalha para o Estado me explica que esperar por um governo, esperar por um Orçamento de Estado, não estarmos a nadar em dinheiro e, claro, o aumento de interesse nestes estágios, levou a atraso como nunca antes visto. Não são dias, também não são semanas, mas MESES. MESES!!!!

 

Aqueles que se candidataram a este estágio em outubro, podem começar agora a obter as respostas. Eu candidatei-me em março, portanto terei de aguentar mais algum tempo.

 

A senhora, ao ver a minha cara de frustração, disse-me para não perder a esperança, que não era um não. As coisas estão efetivamente a andar, apenas devagar. Para aqueles que, à semelhança de mim, têm menos de 30 anos e pretendem "o tal" estágio, podem trabalhar entretanto, só terão de se desvincular desse emprego uma vez que a candidatura seja aceite, de forma a serem considerados "Desempregados" pelo IEFP e, então, elegíveis para estágio. 

 

Espero que isto seja de utilidade. Que a procura continue. Ai.

 

 

 

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Copyrighted.com Registered & Protected 
HMLF-E7YY-MGTC-ZU7E

Lugares

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D