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LEONISMOS

LEONISMOS

24
Jan18

Visitar Milão num dia - ideias sobre o que saber, ver e fazer


Leonardo Rodrigues

6772611083_773f3c44f6_b.jpgFoto: "Milan from above" by Suvodeb Banerjee is licensed under the CC BY 2.0

Porque a vida assim decidiu, após muitos anos de espera, finalmente aterrei na terra que tem a forma de uma bota. Com um plano muito ambicioso, a primeira paragem foi Milão, a cidade que nunca esteve na lista. 

No comboio com muito bom ar, e que parte do aeroporto de Malpensa sempre pontual, ficamos com a garantia que não nos aproximamos de uma cidade qualquer. 

Como os turistas devem saber antes de lá chegar, a paragem de metro onde querem sair para começar a visita, graças à sua principal atração, apelida-se de Duomo, com a saída para a Piazza del Duomo. 

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Sei que as opções são variadas, mas acredito que primeiro devem atravessar a Galleria Vittorio Emanule II. 

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Existe, mais ou menos a meio, um touro no chão. Reza, de boca em boca, que devemos pisar os testículos do touro com o calcanhar e rodopiar duas vezes, se quisermos a boa sorte. Mesmo contra estas tradições, não querendo perturbar nenhum deus romano, lá o fizemos - depois dos 3 grupos de turistas chineses antes de nós.  

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Depois de passarem por pizzarias, Prada e companhia, poderão chegar à praça onde a estátua representa ninguém menos do que o Leonardo da Vinci. Claro que foi oportuno fotografar alguém tão ilustre, com quem partilho o nome. 

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À vossa esquerda, estará o majestoso Teatro alla Scala, uma paragem obrigatória. Porque Itália às vezes recebe bem os estrangeiros à primeira visita, conseguimos assistir ao ensaio de uma ópera que ainda não está em exibição. Não é falácia dizer que vimos uma ópera no Scala. Após as 13 horas, o ensaio termina, as luzes acendem-se e passa a ser permitido fotografar. Depois de andarem por entre os vestidos luxuosos de Maria Callas e bustos de vultos da grandiosidade de outros tempos, aproveitem para passar na loja do museu e comprar boa música a preço de feira. Como Callas outrora disse, "La Scala é tutto". Tudo.

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É altura de seguir até à Catedral e, claro, subir o Duomo - se não quiserem pagar extra para ir de elevador - de forma a terem a melhor vista da cidade. Nesta Catedral gótica irão espantar-se com a sua grandiosidade, dos mármores às pinturas, mas há algo que não deixa ninguém indiferente, a escultura de São Bartolomeu, que foi esfolado vivo. 

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Quando se está a conhecer a cidade, a vontade de ficar parado num restaurante é pouca. Se em Istambul podem comprar milho na rua, em Milão podem comprar massa fresca, sandes e pizzas al taglio. Optei pela massa fresca com pesto para o almoço.

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Ainda no tópico de coisas boas para o palato, dizem que os melhores gelados de Milão estão na Gelateria Solferino, uma gelataria passada para os filhos quando o dono chegou aos 80 - foi mais ou menos isso que lêmos na revista da easyJet. Testámos apenas 4 das 200 variedades e confirma-se, pelo menos em Milão não há melhor a 2,5 euros. A escolha mais ousada recai no gelado de rum. 

Antes de darem o dia por encerrado, passem na igreja Basilica San Vittore al Corpo, que é ofuscada pelo Museu da Ciência da tecnologia "Leonardo da Vinci". Se as voluntárias estiverem de bom humor, é possível visitar o túmulo do imperador Teodósio, e o presbitério - área de acesso interdito. Perguntar o porquê de haver pouca luz e mostrarem-se completamente deslumbrados com a igreja - o que não é difícil - pode ajudar. 

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À noite, depois de caminhar na agitação da cidade, se optarem por não ir à ópera, nada melhor do que apanhar um elétrico para fazer uma visita aos canais que ainda restam na cidade. Estão ladeados por restaurantes e bares, uns mais conceptuais do que outros, e é aqui que a noite vive. 

Para quem tiver mais tempo, há uma paragem obrigatória, por guardar uma obra prima de Leonardo Da Vinci. É a Igreja Santa Maria delle Grazie, que guarda A Última Ceia. Mas, como só entram grupos de 15 numa sala que é desumidificada a cada visita, só conseguirão garantir o lugar reservando semanas antes.

Na impossibilidade dessa visita, deixem-se perder nas ruas imponentes da cidade, e deslumbrem-se nas montras do Distrito da Moda, já que pagar o que lá está não é para todos os bolsos. A minha maior extravagância em Milão foi mesmo comprar cadernos na Moleskine, onde existem em todas as cores e feitios. 

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Há sempre alguma coisa para fazer nesta cidade cosmopolita, quer seja ir jantar ao novo sítio da moda, quer seja um concerto ou uma exposição. No Palazzo Reale, que fica quase ao lado da Catedral, visitámos uma exposição única do incompreendido Caravaggio, um misto entre genial e mórbido. Algures no centro existia uma exposição do aclamado fotógrafo Sebastião Salgado. 

As possibilidades onde vão querer estar são quase infinitas. É um mito quando se diz que Milão é aborrecida. Está é uma cidade onde tudo e todos se encontram. 

 

18
Jan18

Como funcionam as companhias aéreas low cost?


Leonardo Rodrigues

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Há quem se pergunte como é que uma companhia aérea low cost tem lucro, especialmente quando uma ida a Milão de avião fica mais barata do que, por exemplo, uma viagem de comboio de Lisboa a Braga. Fui descobrir os meandros das viagens baratas, uma das maravilhas dos tempos modernos, e podem ficar descansados. Se a coisa for bem feita, por vezes, até conseguem fazer mais dinheiro que uma companhia aérea normal. 

Os bilhetes são vendidos sem tudo o que é acessório e, pelo valor do bilhete, estamos apenas a pagar o essencial, a viagem do ponto A ao ponto B. Bagagem, se for necessário, e escolha dos lugares, pagam-se separadamente. No fundo, os bilhetes acabam por ser feitos à medida, de acordo com as necessidades. Depois, vende-se comida, perfumes, brinquedos e gadjets a bordo, que ajudam a rentabilizar os voos. E esta é a parte superficial.

Há muito mais por detrás desta possibilidade de viajar mais barato, e tem que ver com a redução de custos ou otimização da operação. No valor do bilhete, está também o valor da aeronave, taxas aeroportuárias, combustível e, claro, staff.

As companhias aéreas low cost têm, por norma, uma frota com menos de metade da idade das restantes, 5 anos em vez de 12. Conseguem comprá-los mais baratos, não porque compram em segunda mão, mas sim porque fazem encomendas tão grandes do mesmo modelo que têm um desconto formidável. Uma frota mais recente, significa maior eficiência de combustível, uma das maiores despesas das companhias. A última vantagem em usar 1 ou 2 modelos de avião está no custos de formação, sendo que é mais rápido, e low cost, treinar com apenas 1 tipo de aeronave. 

Por último, como já devem ter imaginado, o motivo para utilizarem aeroportos tão longe, terminais mais modestos ou autocarros e escadas - em vez de mangas - , é o menor valor cobrado pelo aeroporto à companhia. Além disso, sendo que existe menos tráfego, ganham tempo, permitindo ainda mais voos e menos atrasos. Feitas as contas, os aviões só estão a ser rentabilizados se estiverem no ar. 

Para nós, passageiros, as vantagens de viajar com companhias como a easyJet e a Ryanair são mais do que muitas. Pelas leis do mercado, as outras companhias não têm remédio senão arranjar formas de competir. Além disso, temos a possibilidade de visitar o mundo por menos, em aviões mais novos, e, quando é o caso, fazer compras inteligentes a bordo. 

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07
Jan18

"Fare il portoghese" - quem são os portugueses para os italianos?


Leonardo Rodrigues

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Há quem tenha chegado a Itália e tivesse lido num jornal "x portugueses assistaram ao jogo y". Infelizmente não estão propriamente a falar dos portugueses de Portugal, mas sim de quem assistiu ao jogo e não pagou bilhete. 

Existem várias versões para este fenómeno, mas vou aceitar a que me contou o segurança do Teatro alla Scala. Reza a História que em meados do século XVIII, o Papa declarou que os portugueses não teriam de pagar para entrar num espetáculo realizado no Teatro Argentina, em sinal de agradecimento ao nosso reino pelo envio de jóias e outras riquezas provenientes do Brasil.

A notícia não demorou a espalhar-se, e os romanos, como sabiam que tinham apenas de indicar a nacionalidade, fizeram-se passar por portugueses para não pagar. O resultado disto é a expressão "fare il portoghese", ou seja, passar por português. Hoje a expressão persiste, mas como o sentido da mesma perdeu-se, é frequente pensar-se que são os portugueses que não querem pagar nada. 

Toda a gente sabe que isto não é verdade, teremos todo o gosto em pagar desde que esteja em promoção. 

 

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07
Dez17

O que saber antes de escolher um rent a car


Leonardo Rodrigues

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A grande aventura de uma road trip noutro país começa no rent a car. Pela primeira vez, tive necessidade de escolher o melhor e comecei por algo que afinal não cumpre o seu propósito, as críticas online. 

Na maioria dos casos, percebe-se uma coisa, tendemos a não ler os termos e condições daquilo que estamos a contratar online. Chegamos ao balcão e parece que querem cobrar o dobro ou reter uma "quantia exorbitante" no cartão de crédito, ou ainda facultar-nos um carro que não escolhemos.

Para começar, escolhemos uma categoria de carro, podendo o rent a car ter vários modelos. Caso no momento da recolha não tenha determinada categoria, o upgrade deve ser gratuito. 

Todos os rent a car, sem exceção, se o site não deixar claro, funcionam da seguinte forma: há necessidade de deixar um depósito/caução. Este valor pode ser descontado e devolvido posteriormente ou, em alternativa, fica apenas bloqueado no cartão de crédito. O depósito é uma segurança para o rent a car, embora também sirva para nos empurrar para o seguro.

No que ao seguro diz respeito, por norma, a proteção média é mais do que suficiente. Para nós, a melhor segurança é o seguro. Caso algo aconteça, já está pago e vamos todos continuar amigos. Por vezes, os seguros podem isentar-nos do pagamento do depósito ou reduzir o mesmo, embora nem sempre se aplique. 

Temos de perceber que os rent a cars, e quem lá trabalha, fazem dinheiro muito graças aos extras que disponibilizam como o GPS ou Wi-Fi. Pensem numa companhia aérea low cost: não vão precisar de tudo o que apresentam e é ok dizer que não.  

Embora pareça mais barato reservar através de um agregador, sendo que os agregadores tendem a vender o seu próprio seguro, recomendo ler as letras pequenas que dizem que possivelmente nos venderão outro seguro no rent a car. Além do seguro do agregador não nos ajudar relativamente ao depósito, o seguro no balcão não tem intermediários, pelo que, com a cobertura certa, à partida não teremos de avançar com o dinheiro.

Podem ainda existir valores extra devido à política de combustível, para pessoas mais novas, com carta há pouco tempo ou que sejam mais velhas. Alguns países podem obrigar a equipamento de inverno, algo que pode também ser vendido à parte. Caso tenhamos cometido alguma infração, especialmente dentro da União Europeia, irá chegar uma carta para que a mesma seja paga ou, dependendo das condições, o rent a car pode cobrar no cartão utilizado para pagamento.

Ao recolher o carro, é recomendado confirmar que os danos pré existentes estão iventariados e tirar fotografias ao carro. 

Recentemente, em Itália, optámos por escolher a Europcar, uma vez que foi a única que além do bom preço, deixava claro quanto seria pago no balcão, já com o seguro e equipamento de inverno, assim como quanto custaria a caução. O processo de recolha e drop off do veículo foi muito suave, sem nada sneaky. 

Para quem viaja com um budget, não podem haver surpresas e escolher bem é determinante para um saldo positivo.

 

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12
Set17

Passatempo: 2 convites duplos para o Festival de Cinema Queer 21


Leonardo Rodrigues

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Não é segredo, nem foi, que o Festival de Cinema Queer estará em breve de volta ao São Jorge. Algo que é, para muitos, a semana de overdose visual e cultural mais aguardada do ano.

Este ano são 90 filmes, de 32 países. Para tornar este regresso do Festival ainda melhor, uni-me ao Queer para oferecer, por agora, 2 convites duplos - há mais, em breve - para "Homogeneous, Empty Time", a estrear dia 20 de setembro. 

Esta longa metragem de Thunska Pansittivorakul e Harit Srikha é, de certa forma, um regresso à violência, procurando a fundação da Tailândia enquanto nação. Fá-lo, confrontando várias realidades, quer do aluno do secundário, quer de líderes de uma direita saudosista. Às tensões entre muçulmanos, por exemplo, teremos acesso através de um olhar de um casal de lésbicas. Além do contexto político de uma nação fragmentada, iremos aceder ao lado místico, dos fantasmas que pairam na vida de muitos.

 

 

Como ganhar os convites:

1 - Colocar gosto na página do blog, aqui

2 - Comentar, no Facebook, a publicação do passatempo com o nome de quem levariam convosco, aqui.

3 - Partilhar a mesma de forma pública. 

 

Vejam, ainda, o trailer do festival:

Nota: Sendo um filme para maiores de 16 anos, não serão aceites participantes de idade inferior. Apenas serão consideradas válidas as participações que cumpram os requisitos acima indicados. A cada uma será atribuído um número. Posteriormente, serão escolhidos dois números através do random.org, que irão ser contactados via mensagem privada no dia 18-9-2017. Os bilhetes destinam-se exclusivamente a esta sessão, não podendo haver troca nem convertê-los em dinheiro. 

08
Set17

Objetos onde vivem histórias


Leonardo Rodrigues

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Quando era mais novo, pensava que o mundo possuía mais magia do que agora. Acreditava, entre muitas coisas que lá descobri não serem verdade, que os meus peluches, embora não me respondessem, eram dotados da capacidade de ouvir e sentir.

Justificava o facto de não se mexerem, nem produzirem som com o processo de fabrico. Mas claro que o coelho azul que me fazia companhia tinha, de alguma forma, o sopro da vida lá dentro. Claro que lhe podia confidenciar o que me inquietava, num mundo que nunca chegaria a perceber. Ainda mais natural era pedir desculpa quando tinha sido injusto, não havia culpa nele. O mesmo para as árvores, e assim por diante.

Por algum motivo, comecei a lembrar-me disto ontem, quando finalmente consegui instalar este candeeiro turco que comprámos em Istambul. Vê-lo aceso trouxe-me de volta à loja, que se encontrava numa rua ladeada por árvores bem verdes. Lá quase só se vendiam candeeiros e sabonetes artesanais. Que raio de combinação, pensei eu!

Mas não é apenas isso, o rapaz que nos vendeu o candeeiro, quase à hora do sol se pôr, era sírio. Falava um inglês que se aprendia ao ritmo lento do turco, mas que fora suficiente para termos uma conversa que vou guardar para sempre. Disse-me que a vida no país que ama acabou e que, embora a família ainda lá esteja, sente-se otimista com o novo começo, num país cheio de cor e vida. Prova disso foi ter-me dito baixinho, como se fosse para Alá não ouvir, que tinha fumado, embora não tivesse violado o jejum da comida - mandatório durante o Ramadão. Claro que não percebi esta escolha, mas não me cabia a mim questioná-la. Como me disse, era a vontade inquestionável de Alá.

Neste candeeiro que agora vai ser aceso todos os dias guardo a viagem, as pessoas e as emoções que tudo me trouxe. Por isso acumulamos coisas. Afinal os objetos realmente têm vida, mas que depende de nós e das histórias e emoções que neles depositamos.  É tudo sempre nosso.

28
Ago17

Cães que não me importava de adotar: Pérsia


Leonardo Rodrigues

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De jantares e viagens de carro surgem boas ideias. Há uns tempos, vieram duas amigas jantar cá a casa. Uma delas faz voluntariado na AZP - Associação Zoófila Portuguesa, tratando dos cães abandonados que esta instituição acolhe. 

Ela, ao cruzar-se com a brincalhona da nossa Dóris, decidiu que precisávamos da Pérsia, cadela acolhida, para lhe fazer companhia. Expliquei-lhe que de momento não iríamos acolher outra cadela, mas que poderíamos ir visitá-la. Mais tarde, ao ler a Sónia, do Cocó na Fralda, que adoro, pensei se existe uma rubrica "Casas onde a cocó não se importava de morar", a blogosfera pode precisar de "Cães que não me importava de adotar". Dito e feito. 

Fui, então, conhecer a AZP, com uma outra amiga minha. Embora, no seu âmago, não sejam uma instituição de acolhimento, têm uma sala onde estão 5 cães sem teto permanente. 

As condições estão longe de ser ideais, mas estão acolhidos, têm água, comida, longos passeios com quem se voluntaria, e amor. Embora seja o indispensável, não chega. Estes animais que foram entregues à sorte da cidade, também merecem um sistema de apoio mais estável, num lar que tenha melhores condições, com uma família fixa. 

A Pérsia, é uma cadelinha arraçada de podengo, muito parecida com a Dóris, que foi abandonada na IC16, correndo risco de atropelamento. Uma pessoa bem intencionada trouxe-a para esta associação, onde está já há 9 meses.image1.jpeg

É uma cadelinha muito querida, cheia de energia e adora pessoas. Neste momento, devido ao contacto com um cão mais empolgado, está a perder a capacidade de socializar com cães, pelo que é importante que encontre um lar rapidamente. 

Quando a deixámos de volta ao seu abrigo, notou-se a tristeza, algo a que não foi possível ficar indiferente. Espero que este post possa encontrar alguém merecedor daquela cadela. Em caso de interesse, podem enviar-me um email para leonismos@sapo.pt.

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21
Ago17

A mulher que está no mesmo sítio há 20 anos


Leonardo Rodrigues

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Cruzamo-nos com as pessoas mais extraordinárias todos os dias. Arrisco-me a congeminar que todas o são, pudéssemos nós ouvir as suas histórias e pensamentos.

Geralmente deixo-me levar pelas histórias que vou construindo, mas é sempre melhor ouvi-las. Não há muito tempo, estávamos a caminhar debaixo do sol ardente de Atenas, quando dei por mim a subir uma rua para entrar numa galeria de arte, algures no bairro de Plaka. 

Era um sítio apetecível para um turista deslumbrado com a Grécia, com pinturas que mostravam o melhor do país e do mundo. Os quadros eram de um único autor, cujo nome tenho num cartão. 

Não demorou muito até começar a conversar com a única pessoa que lá estava. Era uma mulher nos seus quarentas, com imensa vida dentro dela, um olhar taciturno e um sotaque inglês super peculiar. Era a mulher do artista.

Questionei-a, com entusiasmo, o quão maravilhoso era ter visitado aqueles locais todos. Ela disse-me que não viu nenhum, e que está em Atenas há 20 anos, desde que veio da Albânia à procura de uma vida melhor.

Ele pinta, ela vende. Assim é todos os dias da semana, de manhã à noite. Falámos pouco mais, já que entretanto me tinha desencontrado da minha companhia.

Desde então que penso nesta conversa, na forma como as palavras se organizaram e expressão que tinha no rosto.

Nenhuma forma de viver é errada, caso os olhos indiquem que está tudo bem. Poderemos, nós, deixar-nos ficar no mesmo sítio da vida, contra a nossa vontade? Ou melhor, estamos no sítio onde queremos estar?

 

03
Ago17

As praias mais exclusivas da Madeira


Leonardo Rodrigues

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A Madeira, além de um jardim, é também um fantástico destino de praia. Aliás, a Pérola do Atlântico, é um destino para tudo e para todos, bem como o seu microclima. 

Há quem pense que as pedras, em vez da areia, podem ser um incómodo maior do que realmente é. Mas, até mesmo para esses visitantes, há solução. Importámos areia da ilha vizinha, o Porto Santo, e agora também temos praias de areia amarela. Além destas "artificiais", e as de pedra, pode-se escolher entre areia escura, piscinas naturais, as dos hotéis e mais umas quantas praias pagas. 

Mas não é de nenhuma destas que vos quero falar hoje. Quero falar-vos de duas praias apenas descobertas, por mim, agora. Fazem parte do mesmo trilho e chamam-se Baía D'Abra e, um pouco depois, o Cais do Sardinha.

Há necessidade de se deslocarem a um dos extremos da ilha de carro, ou autocarro, pertencente ao Caniçal, a Ponta de São Lourenço. 

Sendo que têm muito que caminhar, uma vez no ponto de partida, se não levaram mantimentos, podem comprar na food truck que se encontra junto ao início deste percurso, até a um dos extremos da ilhas. Felizmente, ele lembrou-se de comprar água ou teríamos todos ficado lá em baixo com a desidratação.     

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Há necessidade de caminhar sensivelmente uma hora, ou mais, caso seja impossível não parar de contemplar as paisagens sublimes que só a natureza quase intocada pode proporcionar. 

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É um percurso exigente, mas bem sinalizado. Como tem apenas uma faixa, garanto que não há como errar.

Embora um grupo tenha conseguido construir um aldeamento turístico com marina, a Ponta de São Lourenço é uma área protegida. Além das vistas estonteantes, para os amantes da natureza, terão a oportunidade de conviver pacificamente com mais de duzentas espécies que povoam a zona. 

Depois da espera muito aguardada, chegam às águas mais límpidas e cristalinas que a maravilhosa Ilha da Madeira pode oferecer. Primeiro na Baía D'Abra, depois no Cais do Sardinha.

Graças a uma ótima temperatura da água de verão, é só entrar, e continuar a desfrutar de um ótimo dia de família. Sem som, ondas ou pessoas. Só vocês e as pessoas que importaram o suficiente para fazerem tal caminhada juntos. 

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31
Jul17

3 dias em Istambul, no centro do mundo


Leonardo Rodrigues

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Vou poder dizer, enquanto viver, que estive na Turquia antes de abolirem o ensino da teoria da evolução nas suas escolas. Comecei por onde se tem de começar, a mítica cidade de Istambul. É, para mim, o centro do mundo, onde as coisas do Oriente e do Ocidente se juntam para se separarem. 

A cidade é imensa, não fosse o lar de quase quinze milhões de pessoas. Surpreende pelos contrastes, que vão além de arranha céus e prédios de madeira. As mesquitas avistam-se mais alto que tudo. Tem um sofisticado sistema de transportes, e um aparelho turístico irrepreensível. Na cidade dos rooftops, pode-se comer bem e barato, apenas se não cedermos à pressão do comerciantes.

Tínhamos três dias e, graças à localização privilegiada do nosso Airbnb, junto da praça de Sultanahmet, fizemos tudo o que é obrigatório.

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Começámos pela Mesquita Azul. Embora na prática não sejam colocados entraves aos homens com calções, o correto são calças para os homens, e as mulheres devem estar o mais cobertas possível, com ênfase para a cabeça e os ombros, porque Alá assim disse. Os sapatos não são permitidos, ficam à porta ou facultam-nos um saco. As mulheres muçulmanas oram dentro de umas salas recônditas, uma vez que não se devem expor na dianteira, com os homens. O seu interior é muito trabalhado, é mágica e, de tão imensa, não me espantaria se tocasse realmente no céu - embora não seja maior do que a Hagia Sophia.

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Sinónimo da imponência de Constantinopla, em tempos de Constantino II, Haghia Sophia foi inicialmente uma basílica, a Magna Ecclesia. Com as mudanças de poder, acabou por se tornar numa mesquita. Hoje em dia é um museu dos mais visitados do mundo, graças à iniciativa de Ataturk, o presidente que aproximou a cidade do Ocidente e promoveu uma clara separação do Estado e religião. A entrada custa 10 euros e vale cada cêntimo.  Ficámos horas a contemplar os imensos pormenores. 

 

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Ainda naquela parte da cidade, a Basílica Cisterna, uma maravilha romana onde poderiam estar milhares de litros de água, que abasteciam a cidade, é outro must. Curiosamente, devido à renovação dos povos de Constantinopla, a Basílica como que se perdeu. Quando os habitantes começaram a conseguir pescar peixes com baldes das suas caves, lá descobriram a construção milenar. É arrepiante estar dentro da cisterna, mais ainda se pensarmos que uma construção daquela magnitude mobilizou milhares de escravos. Acredita-se que o "pilar das lágrimas" foi lá colocado em homenagem aos que morreram. Espero que sim. 

 

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Para se almoçar bem e barato ali perto, nada como ir comer até ao telhado do Doy Doy, um maravilhoso restaurante de cozinha tradicional turca, a preços e vistas bem apetecíveis.

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O Grand Bazaar é outra paragem obrigatória. Pensemos neste como um centro comercial tradicional, térreo, que se estende por vários quilómetros. Não tenham ilusões, vão perder-se nas milhentas ruas. Enquanto se perdem e encontram uma das muitas saídas, lembrem-se de regatear sempre o preço. Na primeira tentativa de lá entrar - domingo - estava fechado. Nos dias de semana fecha pelas 19.

 

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Para reabastecer na rua, e que podem comprar com apenas 8 liras turcas, ou dois euros, é a sandes de peixe. Esta é vendida do lado ocidental da cidade, mesmo junto ao mar do estreito do Bosforo. Tentei saber qual a mistura de especiarias que lá se colocava, mas ninguém me conseguiu explicar. Nas lojas, encaminharam-me sempre para a fish spice, que era diferente da que me deram a provar...

 

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Por falar em fish spice, tenho de falar em especiarias. Embora não estivéssemos conscientes, passámos pelo bazar das especiarias, que também estava na nossa lista. Acontece que naquele momento estávamos de mau humor, e só nos queríamos afastar do Grand Bazaar. Minutos antes, fomos abordados por dois engraxadores, que nos tentaram cobrar 90 liras turcas por conversa fiada e por nos terem molhado as sapatilhas. Não me pareceu que assaltos fossem frequentes, mas sim os esquemas para enganar turistas. De qualquer modo, rumávamos ao lado moderno, onde se avista a grandiosa torre. 

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É na torre de Galata, do lado ocidental, que se tem a melhor vista da cidade, para ambas as margens do Golden Horn e para o lado Asiático. É das atrações mais caras e não esperem descontos, se não tiverem cidadania turca. 

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Por estas paragens, existe algo muito frequente em Istambul, prédios inteiros convertidos em restaurante. Encontrámos um que se chamava Galata Konak Café. Além de doçaria irrepreensível no piso térreo, tinham uma vista muito semelhante à da torre de Galata, no último andar, mas gratuita.         

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Porque uma caminhada assim o quis, fomos ter à estação aonde chegava e donde saía o icónico expresso do Oriente. Outrora, foi o comboio mais luxuoso do mundo, e ligava metade da Europa ao Oriente. Transportou grandes vultos, da realeza às estrelas. Embora não conseguisse conter o entusiasmo, foi fácil entender que os tempos áureos dos caminhos de ferro acabaram.  

 

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Ir a Istambul sem ir aos banhos turcos é como ir a Roma e não ver o papa. É uma experiência cara, mas vale a pena. Os banhos turcos chamam-se Hamam e experimentámos a Çemberlitas Hamami. Dão-nos uma chave para a cabine, onde indicam para ficar apenas de toalha e chinelos. A chave fica no pulso. Depois é altura de rumar a uma sala quente onde a temperatura é superior a 40 graus. Quando já não aguentamos a humidade, chega uma pessoa que nos manda deitar, estala as costas e esfrega-nos vigorosamente com uma luva. O passo seguinte é o banho frio. Embora seja tudo muito rápido, e bem pago, há uma grande insistência na gorjeta.

 

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Andámos durante estes dias, em média, 12 horas, mas nem assim conseguímos ter tempo para ir além do exterior do Palácio de Topkapı nem visitar a Ásia. Ficará para a próxima viagem.

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Acho que é normal não saber o que esperar desta cidade. Começamos com receio do que se ouve e lê, mas acabamos por perceber que é mais segura do que a nossa e que as pessoas são muito afetuosas. Contudo, existem diferenças culturais estranhas à vista e aos ouvidos. Cinco vezes por dia entoam-se passagens do Alcorão para toda a cidade, anunciando os momentos de oração. Curiosamente, ou não, o livro sagrado do Islão está disponível gratuitamente nas mesquitas, em muitas línguas. Trouxe a minha cópia, para ter a certeza do que diz.

Istambul poderia ser uma cidade europeia, apenas ainda mais limpa e cuidada. Recomenda-se com muita nostalgia, e memórias que já não cabem num post que vai longo. 

 

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