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LEONISMOS

LEONISMOS

04
Jun16

De Blogger para Blogger


Leonardo Rodrigues

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Apercebi-me de algo recentemente, só tenho entrevistado - e preparado entrevistas - a pessoas exteriores ao mundo dos blogs. Isto é algo que não faz sentido quando no Sapo Blogs há blogs - também não são todos - que têm, efetivamente, gente dentro. Esta gente começa a ser-me querida, mesmo que não lhes diga, mesmo que nem sempre tenha tempo de comentar ou de favoritar. Por vezes interrogo-me sobre que mais há para saber, que mais são para além do que expõem, para além do que o blog permite. Parecendo que não, o nome do blog e a "linha editorial" limitam. No outro dia, conheceram-me pessoalmente, e disseram-me que era mais divertido do que mostrava ser, que o meu blog só mostrava o lado sério. Se assim é, aconteceu. Só escrevo e, lá está, publico quando algo me move para tal, quando há tempo. Leonismos à parte, demorou a surgir o impulso em mim, mas a partir de agora, faça chuva faça sol, todas as semanas, em 10 questões, irei dar a conhecer a parte de dentro dos que estão cá dentro e descobrir quem são para além dos blogs. De Blogger para Blogger. O primeiro convidado habita este planeta Desde 1979.

15
Dez15

Abrigo dos Sem Abrigo


Leonardo Rodrigues

Este é um post diferente dos que tenho feito até agora, o que vos vou mostrar de seguida é o meu trabalho final para a cadeira de fotojornalismo, onde as imagens tem de ser mais fortes do que as palavras.

 

Inicialmente pensei em fazer um portfólio que consistia em fotografar desconhecidos, que via com frequência, e fantasiar acerca das suas histórias, mas a realidade acabou por se impor sobre a ficção.

 

Há uns dias, após regressar ao meu primeiro bairro em Lisboa, passei por um sem abrigo que já não via há um ano. Notei que ele agora fazia algo pelos trocos que pedia, pintava. Não eram coisas tristes e sem cor, ou só com duas cores, os desenhos eram alegres, cheios de vida, com mais cores do que as do arco-íris. Isto agora fez-me lembrar o trecho dum dos meus poemas favoritos de Pessoa, "E canta como se tivesse/Mais razões pra cantar que a vida."

 

Fiquei contente, claro, mas segui caminho, afinal de contas é o que toda a gente faz, mesmo em vésperas de natal.

 

No dia após o meu reparo, quando acordei sentia um conforto tremendo ao estar quentinho na cama e a ouvir o bonito som da chuva, que não me podia tocar. Depois, como é costume, comecei a percorrer o bairro mentalmente, árvores e carros em frente, bom dia ao senhor do café à direita, esperar pelo verde à esquerda e lá estava ele, o sem abrigo pintor.

 

Acontece que não era um dia como os outros que têm contrariado as leis do inverno, chovia e muito. Onde é que ele se estava a abrigar, perguntei-me, e como? Sei que existem sítios onde podem passar a noite, mas nem todos o fazem.

 

O sítio onde este passa as noites não sei se encontrei, mas no meu percurso desde Sete Rios até aos Restauradores capturei vários "abrigos" que metem dó a qualquer um, então na Avenida da Liberdade não há quem os esconda, embora todos o tentem ignorar.

 

Abaixo estão alguns dos abrigos dos que não têm abrigo. Feliz natal e, em época de agradecer coisas, agradeçam-se o presente de terem um teto e uma cama.

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03
Ago15

Drama!


Leonardo Rodrigues

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Quando não há, inventa-se.

 

Porquê e para quê, perguntam-se e pergunto-me.

 

Chego a uma conclusão, o drama serve para conferir sentido. É a forma que alguns escolhem para dar sentido à vida que, de si, tem pouco ou nenhum. O esforço é mínimo, a irritação do povo que percebe máxima. E isto, diga-se de passagem, é mórbido.

 

Mas, mórbido ou não, o entretenimento egoísta de um dos intervenientes é sempre garantido. Entretem-se reproduzindo uma telenovela que sempre teve e terá o mesmo enredo e onde apenas, com sorte, se varia o nome das personagens.

 

Pois bem, se há coisa que sei é: quando a telenovela começa é hora de mudar o canal.

 

29
Jul15

Obrigado, Lisboa (com fotos)


Leonardo Rodrigues

 

 

Hoje, ao remexer no meu baú de fotografias digital, decidi que ia partilhar convosco um pouco da minha complexa relação com Lisboa e alguns dos sítios que desde o primeiro dia que lhes pisei se tornaram favoritos, que me fizeram sentir pertencer à cidade, que me tornaram mais português, signifique isto o que significar. (Ver galeria abaixo)

 

Há cerca de dois anos, ainda com 18, mudei-me para Lisboa. A primeira impressão não foi a melhor, felizmente não perdurou como a maioria das primeiras impressões. Tinha demasiado medo para desfrutar e para permitir-me contemplar. Estava sozinho e não conhecia nada, tinha de encontrar casa e as aulas começavam dentro de uma semana.

 

Tudo o que era novo e diferente causava-me uma certa desconfiança, agora consigo encarar estes episódios com a curiosidade necessária. Precisei de uma semana numa cidade que me era estranha e que tive de passar a conhecer melhor que palma da minha mão, para entranhar a máxima pessoana, Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

 

Rapidamente entendi que Lisboa não é apenas mais uma capital. Há nesta cidade uma luz que a distingue de todas as outras. Os prédios que outrora foram colocados aqui e ali por acaso e necessidade, por mais que olhe, não parecem fazer sentido doutra forma e, permitam-me, são mais arte do que muita “obra de arte” que por aí anda. Enquanto no resto da Europa todos os caminhos vão dar a Roma, em Lisboa todos os caminhos parecem dar ao Tejo, o rio que aparenta e cheira a mar. Gosto que Lisboa adormeça todas as noites com o lisboetas e com os que cá estão de passagem, de sentir que sou a única pessoa acordada noite dentro, de andar por aí e sentir uma cidade que se tornou fantasma do dia para a noite, onde só há a luz dos postes que iluminam por iluminar.

 

Percebo, agora, talvez não tenha sido eu a escolher a cidade, escolhi um curso, depois escolhemo-nos os dois.

 

Obrigada, Lisboa, por me dares amores, desilusões e amigos que são agora família. Obrigado por abalares convicções e por ajudares a sedimentar outras. Obrigado por me ensinares vulnerabilidade e humildade. E, mais importante do que tudo, obrigado por me deixares tratar a bica por café.

 

 

Podem encontrar mais das minhas fotos aqui.

24
Jun15

E Depois do Adeus?


Leonardo Rodrigues

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Embora tenha algumas novidades para breve, só tenho escrito e publicado coisas duma subjetividade enorme. Reparo que a sociedade incute-nos esta ideia absurda de que temos de nos preocupar com certas coisas só porque sim. Percebo o porquê de algumas inquietações, mas há mais nesta vida do que política, economia e o monte de esterco que daí vem. O que me interessa, sim, são pessoas, lugares, ideias, felicidade. 

 

O importante nem sempre se estuda, procura, tão pouco se encontra, tem por hábito acontecer. A felicidade acontece em palavras, conversas, risos, olhares, toques, a luz que está a bater no prédio de certa maneira enquanto escrevo isto, o pássaro que decidiu cantar para ti durante o almoço do outro dia, pessoas. 

 

Essencialmente pessoas. A nossa vida é feita de, com e para pessoas, não me faz sentido doutra maneira. Os outros fazem tanto parte de nós como nós deles, nem que apenas como mero reflexo (irei desenvolver esta ideia num post mais à frente, com uma entrevista).

 

Saber que existem pessoas que nos servem de porto seguro, que há alguém sempre lá, num lá que é cá, é tão reconfortante. O problema é quando o lá deixa de ser cá. E isto, sem floreados, quer dizer que as pessoas partem e é uma treta, pelo menos de início. 

 

É sabido que uns capítulos têm de encerrar para outros começarem e que quando num livro deixa de haver capítulos é imperativo começar noutro, e só assim se vive. Mas sabemos também que a ressaca literária é muito mais custosa quando se anda a abrir e a fechar fascículos da Vida.

 

Durante este período existem personagens que te vão despertar maravilhas para depois te as tirar, dizendo que "não faz mal”, e o som do que está entre aspas só a mim pertence. Se não fez mal talvez venha a engordar, dizem, não sei, mas engordar também não é lá grande coisa, pode matar - o desgosto matou. 

 

Talvez seja a cidade, o fado, esta coisa de se ser português e ter a nostalgia no sangue. A saudade começa quando ainda cá estão entre nós. Achamos que nunca vamos recuperar e, surpresa, um mês depois já nem nos lembramos muito bem ou pelo menos fomos capazes de reprimir isso bem lá para dentro - não andássemos nós a fazê-lo desde os Descobrimentos. 

 

Aprendi muito cedo que não se deve dizer nunca, talvez também não se deva dizer adeus, o “até já” é bem mais pacífico. Tenho é me esquecido disto.

 

E depois do adeus? Não sei muito bem. No dia em que comecei a escrever este texto não estava contente por ter dito adeus, mas, desde aí, já apaguei e reformulei muita coisa, não estou tão irado. Compreendo melhor, embora a ideia de ausência ainda mexa comigo. Só posso dizer com segurança que umas personagens têm de partir para podermos conhecer e aprender com as outras - muitas vezes já lá estavam mas que não eram vistas. Depois de um ou mais adeuses digam outros tantos ou mais olás, o tempo há de se encarregar do resto.

 

 

 

22
Abr15

Finalmente!


Leonardo Rodrigues

Pronto, é desta.

Há já 3 anos que digo que vou começar um blog, para falar disto e daquilo, entrevistar Aquele e Aquela, com as intenções mais nobres do que as do papa e mudar qualquer coisa. Nunca o fiz. Dava muito trabalho.

Não tinha tempo, ora era o estudar para a frequência - para a qual acabei por não estudar nem comparecer - , ora era ver a Oprah a entrevistar as Kardashians - que afinal também são Jenner. Tive também a oportunidade de ver 3 vezes as 10 temporadas de Friends - os episódios eram curtos e iriam permitir-me ser produtivo mais rapidamente, dar o empurrãozinho que o português que sou precisa, acreditei eu. Na véspera de algo de importante lembrei-me de ficar uma noite a ler sobre procrastinação crónica, a minha hipocondria prontamente me diagnosticou com essa patologia. 

Talvez isto tudo seja porque não tenho nada para dizer, talvez não tenha boas intenções nenhumas ou se calhar porque não vou mudar nada. Não sei.

Ainda tenho muito que aprender ou desaprender, não tive tempo para decidir, mas quando cá passarem vão ter que levar com aquilo a que pretensiosamente chamei de Leonismos. Se não escrever mais nada é porque esta não é uma boa ideologia, voltem a ser católicos capitalistas. 

 

 

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