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LEONISMOS

LEONISMOS

19
Jan17

Não volto para o armário, deitei-o fora


Leonardo Rodrigues

Recentemente colocou-se a hipótese de irmos passar as nossas férias à minha ilha. Após a última conversa que tive com um membro da família, decidimos manter o plano inicial e rumar para norte.

Recuando no tempo, assim que tomei consciência de quem era, mesmo que não tivesse um conceito de antemão, passei também a ter um segredo. O ambiente à minha volta exercia uma influência castradora. E, no fundo, eu próprio também não queria ser quem era.

Os tempos mudaram, assisti a uma transformação das pessoas e das mentalidades à minha volta. Mas, mais do que os progressos dos outros, orgulho-me do meu percurso. Nem no emprego necessito fingir ser quem não sou. Saí e deitei o famoso armário fora para viver a minha vida.

Fruto disto, e porque a vida assim quis, no ano passado passei a ter a meu lado alguém que considero digno de apresentar a toda a família. Ontem uma pessoa, que surpreendentemente não foi a mãe, pediu-me para nos comportarmos como amigos - impôs esta condição - , isto porque não queria ter de dar explicações à filha.

Há uma ideia em que insisto há muito: as crianças são uma tábua rasa. Se a elas forem transmitidos bons valores e conhecimentos, mais fácil será de não perpetuar preconceitos. Não me cabe a mim educar filhos que não são meus. Ainda assim, pergunto-me, que educação é aquela que não assume que existe mais do que o preto e o branco, escondendo os lindos tons de cinzento que os separam?

Algo que é fundamental compreender por todos é que os casais gays não pretendem fazer em público, em família, mais do que os heteros fazem. Não há cá tratamentos especiais. O escárnio de algumas pessoas está em fazermos o mesmo, como tocar numa mão, agarrá-la, fazer uma carícia na cara ou dar um beijo. O afeto não pode ser um tabu.

E, com isto, não posso compactuar, mesmo que amenizem dizendo que "aceitam o meu modo de vida, mas que...". E são muitos os "mas que" que só servem para andarmos mais devagar. 
Enquanto casal homossexual, não temos, nem vamos, agir de forma diferente da um casal heterossexual. Desculpem, mas já não andamos com nenhuma cruz às costas.

27
Jun16

Surreal é a própria vida: próxima exposição de Thomas Mendonça


Leonardo Rodrigues

 

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As imagens têm um poder imediato que a palavra só pode ambicionar. Numa entrevista anterior, Thomas Mendonça falou-me da sua vida, de onde vem a sua estética, os porquês disto e daquilo, mas, só com o visionamento destas fotografias, que remontam ao início, nesta viagem pelas suas memórias, é que tudo fica claro e as peças do puzzle se unem: a mistura do pop com o “sério”, as brincadeiras de género e o surreal - que às tantas é bem real. Cuidadosamente retiradas de uma caixa de lata vermelha e dispostas sobre a sua cama, as fotografias de Thomas revelam uma infância onde se respirou surrealidade. Uma mãe que parece a Lady Di, um pai que só pode ter resultado dum cruzamento entre James Dean e Brad Pitt, o tio que decide ser apropriado vestir-se de mulher no final de ano. É notória uma forte presença de marcas que, já nos anos 90, estavam impregnadas nas nossas mentes como a Barbie, Mickey, Planet Hollywood e, ainda, pessoas vestidas de personagens do nosso imaginário coletivo como o Zorro e Bugs Bunny. É nestas fotografias que o Thomas pega para criar os desenhos da sua próxima exposição, “Surreal é a própria vida”, dando-lhes uma nova vida com contornos que realçam o surreal das mesmas, mantendo-se fiel à sua estética. Para além da visita guiada pelas suas memórias, o Thomas concedeu-me uma entrevista que já podem ler no dezanove, aqui.13530372_1872675279626485_663222540_n.jpg13553362_1872674996293180_446026029_n.jpg13552557_1872675269626486_360597231_n.jpg13553396_1872675276293152_904353251_n.jpg13552529_1872675249626488_1242439143_n.jpg

08
Jun16

De Blogger para Blogger: Luís Veríssimo, Desde 1979


Leonardo Rodrigues

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Virtualmente muita gente salta para a minha vida de carne e osso, a partir dos blogs, embora sejam muitos os scones prometidos, isso ainda não tinha acontecido. Até há uns dias e até o Luís, colaborador do dezanove, me despertar de uma sesta com um email a perguntar se podiam publicar algo que escrevi. Mal sabia eu que daqui surgiria uma amizade. Afinal, enquanto seguidor do seu blog, Desde 1979, já o conhecia mais ou menos, pensava é que era outra pessoa - deus, para não escrever Kikas, sabe que confundo os blogs todos. Depois de o conhecer pessoalmente, De Blogger para Blogger, lancei-lhe o desafio para ser o meu primeiro convidado. Conheçam, então, mais um pouco do Luís. 

 

Leonardo Rodrigues: Como estamos no Leonismos, comecemos por falar sobre mim. Que história é essa de eu ser mais divertido pessoalmente?

Luís Veríssimo: São as minhas primeiras impressões a falar. Quando te comecei a ler e a seguir julguei-te muito sério. Tanto que o nosso contacto inicial foi por email e foi extremamente formal. Daí ter julgado que eras muito mais velho do que realmente és. Depois quando te conheci vi um outro Leonardo: expansivo, extrovertido, divertido, falador, bem disposto e com um sentido de humor muito incisivo. Lia-te com cinzentismo, agora leio-te com todas as cores do arco-íris. Gosto muito mais deste Leonardo.

 

LR: Agora sim, quem é o Luís ou os Luíses?

LV: Sou o Luís de vários Luíses. Cheio de contradições e uma mistura dos vários Luíses que povoam e povoaram a minha vida. Não tanto como os heterónimos de Fernando Pessoa, que isso também já seria demasiada pretensão, mas mais como diria Mário de Sá-Carneiro: «Eu não sou eu nem sou o outro, / Sou qualquer coisa de intermédio: / Pilar da ponte de tédio / Que vai de mim para o Outro.». Um ser incompleto em busca da perfeição da vida que sabe que não existe.

 

LR: És a única pessoa que conheço que termina as mensagens com um ponto final. De onde vem a veia de bem escrever, por SMS, no blog e, agora, para o dezanove?

LV: Obrigado. És das poucas pessoas que diz que escrevo bem. Se bem que não necessito de elogios. Aliás, até nem lido lá muito bem com elogios.

Não sei de onde vem esta veia para a escrita… Sei que sempre gostei de ler e sempre gostei de escrever. Até cheguei a escrever poemas. Contudo a poesia na família está reservada para a minha prima Carla Veríssimo. Sei que gosto de brincar com as palavras. Mas, custa-me muito a escrever. As palavras custam-me a sair. Muitas vezes os textos estão estruturados na cabeça, mas não conseguem sair de lá para o teclado do portátil. Enquanto que se calhar alguém demoraria uns meros 30 minutos a escrever um texto, costumo demorar horas a escrever um post para o blog ou um artigo para o dezanove e, mesmo assim, é muito provável que contenha erros, ou que faltem vírgulas… *suspiro*
Em relação à pontuação é mania. Defendo a teoria que nós humanos, como animais de hábitos que somos, devemos escrever correctamente onde e quando quer que seja, tanto numa SMS, nas mensagens de um chat qualquer ou nas redes sociais. Porque se não escrevermos correctamente em situações de escrita rápida e automática acabaremos por, irremediavelmente, vir a não escrever bem num email profissional ou num texto importante e que requeira mais cuidado e atenção.

 

LR: Para além da escrita, existem duas coisas de que gostas muito e que, inclusive, acreditas que andam de mãos dadas, a comida e o sexo. Como é que estes se ligam?

LV: Aqui há umas semanas fiz uma entrevista a Adrian de Berardinis, o The Bear-Naked Chef, para o dezanove, em que ele dizia que “Para mim cozinhar é algo extremamente sexy. É um processo muito sensual. Escolhem-se os ingredientes certos e dá-se-lhes a maior atenção e carinho. É algo como fazer amor quando se prepara um prato. [...] a parte do cérebro que é estimulada pela comida é a mesma que nos excita sexualmente.”. Entendo a comida e o sexo um pouco desta forma. Para ambos é necessário uma relação e um enamoro, mesmo que essa relação seja ocasional ou mesmo estilo pastilha elástica em que se masca e se deita fora, mesmo para essas situações há um envolvimento. O sexo envolve-nos num estado tal de enebriamento, a comida também. Basta ver como as cenas de comida são retratadas em séries e filmes. São cenas extremamente difíceis de fazer, pois têm que transmitir aquele desejo pela comida que todos temos e normalmente, quando são bem feitas, esse desejo é semelhante ao desejo sexual. Lembrei-me agora assim de repente de três filmes onde isso acontece de forma mais ou menos encapuzada: “Feios, Porcos e Maus” (1976, de Ettore Scola); “O Cozinheiro, o Ladrão, a Sua Mulher e o Amante Dela” (1989, de Peter Greenway) e o inevitável “Nove Semanas e Meia” (1986, de Adrian Lyne). Todos eles filmam a comida e a própria relação com a comida de forma bastante muito sensual e sexual.

 

LR: E a paixão pelo cinema surgiu como?

LV: Não sei bem como é que surgiu. Sei que surgiu durante a infância. O meu irmão, eu e a minha mãe gostávamos de ver filmes e séries. Lembro-me que víamos religiosamente a “Missão Impossível”. Eu era o mais acérrimo. A partir de uma certa altura até passei a ir ao cinema sozinho. O gosto pelo cinema vem das imagens em movimento que são reproduzidas num ecrã e que têm a proeza de nos dizer algo, às vezes muito, outras vezes nada, mas dizem sempre algo, mesmo que o filme seja uma porcaria.

 

LR: Essa paixão precoce pelo cinema já te deixou em apuros…

LV: Já. *risos* Em miúdo fui apanhado uma vez a ver o “Alien - O 8.º Passageiro” (1979), o primeiro da saga. Devia ter uns 8 ou 9 anos, não sei ao certo. Sei que tinha visto a promoção que o filme ia dar e queria vê-lo, mas como ia dar tarde e continha cenas violentas não tive permissão dos meus pais. Esperei que toda a gente se deitasse e se deixasse dormir. Esperei. Quando julguei que era seguro, levantei-me e pus-me a ver o filme na sala. Passado um bocado um dos meus pais levantou-se e deu comigo. Zangou-se, deve-me ter dado umas palmadas no rabo, deitei-me, não vi o filme e ainda por cima tive pesadelos. Mas, adorei as imagens que vi, e, ainda hoje em dia, é um dos filmes de ficção científica preferidos.

 

LR: Dizes não ter alcunhas, mas há uma pessoa que te trata por Catrapiz. Fala-me de vocês.

LV: Já tive algumas alcunhas. A que me atribuíram na adolescência ainda me persegue. Amigos e antigos colegas da escola que frequentei na adolescência, ainda me tratam pelo nome de guerra que me atribuíram na altura.

Essa do Catrapiz não é bem uma alcunha. É mais um nome carinhoso pelo qual às vezes o meu companheiro me trata. Estamos juntos, vai fazer em Julho 8 anos, “and the livin' is easy”. Não muito mais a dizer… 

 

LR: Praticamente casado, o que é que te falta conquistar antes da crise dos quarenta?

LV: Tudo!!! Continuar a chatear os amigos e a família, ter um emprego estável (ou pelo menos um trabalho mais substancial), ter filhos (algo que sei não está nos planos imediatos e provavelmente nunca estará). Acho que no meu caso a crise dos 40 já começou…

 

LR: Voltaste em força ao mundo dos blogs, partilha lá a grande novidade connosco.

LV: Vou tentar - ainda não sei se consigo - criar uma rubrica regular sobre culinária, onde irei partilhar receitas, dicas, sugestões, etc. Nessa vertente da cozinha, vou convidar pessoas para partilharem a cozinha, a mesa e a comida comigo, poderão cozinhar, poderão ser suas as receitas, haverá espaço para tudo isso. Vamos ver no que dá.

 

Obrigado, Luís!

18
Mai16

Dia Nacional Contra a Homofobia e Transfobia: Debate 19


Leonardo Rodrigues

Ontem, dia 17 de maio, em Lisboa, fez-se mais do que hastear a bandeira que celebra a diversidade nos Paços do Concelho da Câmara de Lisboa, para celebrar o Dia Nacional Contra a Homofobia e Transfobia. O portal dezanove, que se tem vindo a afirmar como O Portal de notícias e cultura LGBTI em Portugal, organizou um debate de reflexão sobre a evolução dos direitos LGBTI. Deste debate, que tomou lugar na Casa Independente, fizeram parte deputados da direita à esquerda, foram estes Ângela Guerra (PSD), Heloísa Apolónia ("Os Verdes"), Isabel Moreira (PS), José Soeiro (Bloco de Esquerda) e Paula Santos (PCP). Para se dar início, e depois da recente legislação aprovada, nada melhor que perguntar se há muito mais a fazer. A primeira interveniente, do PSD, considerou que a maior parte do caminho está percorrido e que, neste momento, podemos apenas "promenorizar algumas situações". Isabel Moreira demonstrou uma opinião contrária, admitindo, ainda assim, a grande conquista que foi o 13 de maio, "o dia de nossa senhora, o primeiro caso histórico de PMA" - quis tanto pedir-lhe um autografo naquele momento, mas optei por respirar e deixá-la continuar a intervenção. José Soeiro seguiu a linha de pensamento de Moreira, admitindo os avanços, que são cada vez mais rápidos, e apontou o que falta fazer em três frentes: lei de identidade de género, "que continua dentro do paradigma da patologização", a educação sexual em Portugal "que praticamente não existe" e, em terceiro lugar, a questão da doação de sangue, referindo-se aos grupos de risco como uma noção "ultrapassada", dando foco aos "comportamentos de risco", que, como diz e muito bem, depende de "práticas sexuais concretas", algo que transcende a orientação sexual. Heloísa Apolónia introduziu duas palavras de ordem, "debate e educação", afinal só assim se consegue "formar consciências". "Há muito para além daquilo que a legislação consegue responder". Para servir de suporte a esta ideia, Paula Santos apontou a fiscalização como algo de essencial para que a nossa Constituição possa ser comprida. Sinto que o restante debate, mesmo com a diversidades das questões colocadas, retornou sempre à questão inicial e há de voltar sempre. Já se fez muito, mas o trabalho dificilmente acabará tão cedo, especialmente em matérias trans, como os últimos minutos do debate vieram a comprovar. Nesta hora e meia houve ainda tempo para se falar sobre PrEP, do famoso cartaz do Bloco e do caso da mulher agredida por um taxista no Porto - que, relembro, ainda não foram tomadas ações contra o mesmo. Recomendo vivamente que assistam ao debate e que tirem as vossas próprias conclusões, uma vez ser altamente educativo, mesmo para aqueles que estão dentro destas temáticas. Se não conseguirem assistir até ao final, fiquem também com esta dúvida: será que Isabel Moreira irá conseguir convencer António Costa a participar na Marcha de Orgulho LGBT? 

 

11
Mai16

Sergey Lazarev, és de que Rússia?


Leonardo Rodrigues

Bem. Sendo este um blog de uma índole mais pessoal, não costumo pronunciar-me muito relativamente ao que se está a passar na comunicação social. No entanto, qual não foi a minha surpresa quando, hoje, abro uma notícia que dá conta de declarações feitas por Sergey Lazarev, o participante russo na Eurovisão. No seguimento de questões relacionadas com a vida dos homossexuais na Rússia, ouve-se: "são rumores", "podem sentir-se seguros no nosso país". Mentira, o rapaz tem passado demasiado tempo no ginásio. Para além de na Rússia terem sido implementadas leis "anti-propaganda gay" - signifique isto o que significar - , temos, em Portugal, prova viva de que assim não é. Essa prova chama-se Margarita Sharapova, uma escritora russa que pediu asilo político ao nosso país em Janeiro de 2013. O motivo? "A liberdade começou a ser sufocada quando Putin chegou ao poder. A máquina do Estado, lenta mas determinadamente, começou a voltar para trás, a lembrar os tempos soviéticos. Todos os meus livros voltaram a ser proibidos. Qualquer um dos meus contos, histórias, novelas sobre qualquer assunto, passaram a ser rejeitados pelos editores. Nos créditos dos filmes onde eu era argumentista, retiraram o meu nome. Tive vários prémios literários, sou membro a União de Escritores, mas o meu nome já não é possível de encontrar. (...) Eu amei uma mulher. Conhecia-a há muitos anos, desde os meus tempos de juventude no circo. Ela era acrobata. Nós passámos a ter muitos problemas depois de sair uma lei sobre propaganda gay. Uma vez fui atacada junto a um clube gay por um grupo de neonazis que me partiu o nariz. Um dia, após um festival de cinema LGBT, a minha companheira foi espancada pela polícia e pouco depois morreu. (...) Agentes (...) aconselharam-me a sair rapidamente do país porque poderia ser presa por qualquer motivo." Nesta citação de uma entrevista dada ao Expresso fica tudo dito. A situação está tão má que se verifica uma segunda vaga de refugiados LGBT. Aproveito para dizer que a escritora aceitou o meu convite para participar numa entrevista, que deixarei brevemente aqui no blog. Confesso que sigo religiosamente o festival e que o russo estava nos meus favoritos. Contudo, não posso torcer por alguém que mente à imprensa internacional sobre uma temática tão sensível. Chamem-me anti propaganda russa. Em baixo deixo-vos o trailer de um documentário que deixa tudo preto no branco.

 

OLYA'S LOVE from Soleil Film on Vimeo.

27
Jun15

O Facebook, o Arco Íris e os Monocromáticos do Restelo


Leonardo Rodrigues

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Ontem, assim que me apercebi que o Facebook estava a celebrar algo que me parece determinante para o curso da Humanidade, claro que decidi fazer parte. Afinal de contas estava a fazer um pequeno contributo para a comunidade LGBT, para a normalização do que sempre foi natural e a ganhar uma foto de perfil nova, cheia de vida e de cor. 

 

Minutos depois, fiz o upload da fotografia mais colorida que alguma vez tive no Instagram. Olhem, em 10 minutos perdi mais de 10 seguidores, acho que isto diz muito. Não me incomodou, se lhes é difícil percepcionar uma paleta de cores variadas prefiro que não me sigam. Não deve ser fácil viver num mundo monocromático, eu percebo-vos e têm todo o meu apoio - para procurar ajuda. 

 

Hoje, enquanto regressava do supermercado - espero mesmo que desta vez a comida dure a semana toda - observava toda a diversidade caraterística de Alcântara. Houve progressos sim senhores, já não se gritam insultos, não se muda para o outro lado da rua, nem se espanca ninguém só por ter uma cor diferente. Até sorrimos uns para os outros, vejam lá. E isto é o que me parece, mas também nunca fui dessas coisas, lembro-me, por exemplo, de me meter em confusões para defender um rapaz negro no secundário. Enfim, por outro lado, se alguém na rua for remotamente identificado como homossexual ainda há um insultosito que se tosse, um escarro que teve de tem de ser cuspido naquele preciso momento e que se acompanha de um olhar reprovador.

 

Vejam lá se as seguintes frases fazem sentido: Concordo com isso de se ser preto, mas se fosse na minha família já não achava muita piada;  Pretos, até podem ser, mas dentro de casa; Não me venham com essas pretalhisses; Preto com branco, onde é que já se viu?; Não percebo porque escolheram ser pretos, o branco não é mais bonito?

 

Não me ocorrem mais disparates. Quem estiver a ler isto pode considerar que não posso comparar o racismo com homofobia. Posso, e sabem porquê? Porque são ambas aversões ao que é natural, ao que não se escolhe. Vou dizer duas coisas básicas: a homossexualidade foi observada em mais de 300 espécies e, tendo em conta toda a descriminação que ainda há, acham mesmo que alguém iria fazer tal escolha? Acho que isto chega para meditar.

 

Sempre houve uma aversão perante que é desconhecido, estranho, diferente. Estas palavras costumam confundem-se com o errado. Quando as pessoas se familiarizam com os assuntos começam a ver as coisas com outros olhos. O Facebook fez a sua parte e eu estou a fazer a minha. 

 

Bom fim de semana!

 

P.S. Se quiserem uma foto mais colorida cliquem aqui.

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