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LEONISMOS

LEONISMOS

27
Jan16

E o Mercado da Figueira?


Leonardo Rodrigues

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Mercado da Ribeira para aqui, Mercado de Campo de Ourique para acolá, e o Mercado da Figueira?

 

Há uns tempos, numa das minhas caminhadas, que me continuam a permitir encontrar sempre uma ruela nova, qual não foi a minha surpresa quando encontrei, não uma rua, mas um mercado novo. Curiosamente, o achado deu-se numa das praças mais importantes de Lisboa, por onde passo quase semanalmente, a Praça da Figueira.

 

Imaginem só se, com o meu passo acelerado de quem já só quer ir beber um último café e atirar-se num sofá, não tivesse olhado de relance para o lado esquerdo e encontrado aquela porta tão discreta que diz Mercado da Figueira. Se a minha surpresa com este mercado parecer desmedida, justifico-a com o facto de ser da Madeira e isto serve-me para justificar tudo.

 

Ainda assim, para ter a certeza e não refugiar-me na minha isularidade para justificar este post, perguntei a vários lisboetas, com já trinta anos disto, se conheciam o Mercado da Figueira. Sei que três não é uma amostra significativa, mas responderam-me que não, daí a quase obrigatoriedade deste post.

 

Depois de pesquisas feitas, tornou-se um conhecido. Este mercado nasceu duma iniciativa de feirantes, em 1755, naquilo que eram meras ruínas do Hospital de Todos os Santos - destruído no mesmo ano pelo terramoto que devastou a cidade. Tal foi o sucesso que em 1855 é construído um mercado coberto que, infelizmente, foi deitado abaixo nos anos 50, devido a uma catastrofe pior, Salazar, ups, Duarte Pacheco.

 

Enquanto os mercados da moda apostam num estilo chique industrial, este renasce pelas mãos da VARN, que decide manter muitos dos contornos originais, mais tradicionais, onde se fez apenas as adapatações necessárias para estar à altura das necessidades e exigências dos nossos dias.

 

À entrada, antes de chegarmos ao mercado prorpiamente dito, percorremos um corredor ladeado por garrafas, com o que de melhor se faz nos lagares portugueses. Corredor corrido, temos duas opções, a cafetaria à esquerda e o mercado, convenientemente adaptado a supermercado, à direita. O primeiro apelo é o visual, afinal quem vê caras não vê corações, primeiro vê-se a cara e só depois o coração. É um coração português, com produtos portugueses, cheios de qualidade, da fruta ao peixe.

 

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Cansado, muito passou-me ao lado, mas, na cafetaria, senti uma enorme tentação por me tornar diabético. Embora houvesse pão fresco e muitas sandes, foram os bolos que falaram comigo. Tudo tinha um ar acabado de fazer, quente, cheiroso, doce, e, quase mais importante que os adjetivos anteriores, barato. Vejam só que um menu com sandes, sumo natural e café fica a 1.95€. É de salientar que os sumos naturais, feitos com a fruta das bancas, vendem-se a 1€ e, podem, tal como eu, pedir para levar e continuar o passeio pela nossa belissima capital.

 

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Depois de comprar o meu caril no Martim Moniz hei de passar por lá muitas mais vezes, nem que seja para uma frutose fresquinha que me permita seguir calçada.

 

Em tempos em que poupar é palavra de ordem, porque não fazê-lo com qualidade?

14
Out15

Recreativa dos Anjos, RDA para os amigos


Leonardo Rodrigues

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 @ruidiasmonteiro

 

Não é um bar, muito menos um restaurante, as placas sobre os balcões assim o deixam claro. No entanto, é pela comida que se sabe da existência da Recreativa dos Anjos e é pela comida que lá se volta. O que importa esclarecer, logo no início, é que existem bastantes mais razões para entrarmos no número 69 da R. Regueirão dos Anjos.

 

As paredes, que dão corpo à garagem onde se localiza o RDA, preconizam que o recheio há de ser ótimo, diferente e cheio de cor.

 

Em Lisboa, e começando por falar na comida, dificilmente se conseguirá comer tão bem, em qualidade e quantidade, por tão pouco. Lá, com quatro euros, podem comer uma deliciosa sopa - nada que ver com a água colorida servida em muitos restaurantes - , um prato principal e uma cerveja - que, mesmo não sendo a única bebida em stock, parece ser a mais apropriada.

 

Numa primeira ida ao RDA podem surgir as seguintes questões: Servem à mesa? Aceitam multibanco? Posso mesmo entrar para ir buscar a cerveja? Terei mesmo de lavar a loiça que sujar? E, algo que se deve perguntar sempre, há café? Não, não, sim, sim, não, são as respetivas respostas.

 

Depois de esclarecido o elementar, na segunda visita, as questões são menos técnicas e mais teóricas, quem são e qual o objetivo? Entre amassar a base da pizza e limpar a polpa de tomate entornada, um dos voluntários do Forno Comunitário respondeu que são uma associação constituída por vários grupos recreativos, e que estes tomam conta do espaço em diferentes dias da semana. Quanto ao objetivo, tem tanto de simples como de complexo: mostrar que há uma alternativa - se não total, parcial - ao capitalismo desenfreado que se vive nos nossos dias. Coisa que os próprios reconhecem limites, "os alimentos que aqui estão tiveram que ser comprados em algum sítio".

 

Se há algo que não tem limites é um sorriso no rosto com que somos recebidos e um espírito de entre-ajuda sem igual que se observa. Falam com toda a gente como se fossem amigos de há muito. Há quem veja os integrantes do projeto como hipsters, mas a própria palavra está mais em voga do que aquilo que significa, o que eles são é livres. Ou, pelo menos, tentam, fugindo ao sistema de coisas.

 

É de notar ainda um cão e um gato bem dispostos, que muito diplomaticamente partilham o espaço, seguindo assim as pisadas dos donos. Só lhes falta falar.

 

Quem frequenta o espaço, à semelhança dos que lá são voluntários, vêm de todos os lados e vestem-se de forma diferente, na fila tanto pode estar um senhor todo engravatado, como alguém descalço. Mesmo pertencendo a um grupo, não se homogenizaram, e isto é prova do tal conseguir fugir, ainda que parcialmente, ao capitalismo.

 

Se lá forem num domingo ou numa segunda terão a Recreativa do Forno Comunitário dos Anjos para vos receber. Em ambos os dias o prato principal é pizza, cabe ao freguês escolher os ingredientes que lá quer colocar. No que à confeção diz respeito, e isto para os mais entusiastas, têm a possibilidade de meter as mãos na massa, com o apoio de um voluntário. O objetivo é dar a conhecer a todos como utilizar um forno e ensinar a fazer pão. A ideia fundadora do projeto remonta de há muito, quando nem todas as casas tinham forno, então, no centro das aldeias, existiam um forno que poderia ser utilizado por todos, o forno comunitário.

 

De Terça a Sexta a confecção dos pratos passa a ser da responsabilidade dos voluntários da Cantina Cooperativa, embora as atividades fiquem a cargo de outros.

 

Seguindo a ordem dos dias da semana, na terça, para além da Cantina Cooperativa, é dia da oficina de computadores - coletivo 1000101 - tomar conta da garagem. Estes têm como missão promover a auto manutenção informática e a utilização de software livre. Se lá levarem o vosso computador avariado alguém há de resolver o problema e, mais importante que qualquer outra coisa, de forma gratuita.

 

As quartas feiras pertencem à Cicloficina dos Anjos que, para além de repararem bicicletas de forma gratuita, vão ensinado a quem por lá passa a arte para que depois também o possam fazer em casa.

 

A Associação Terapêutica do Ruído, terceiro recreativo, descreve-se como uma entidade devota aos efeitos terapêuticos do mesmo. Segundo a sua página, o ruído em doses elevadas permite a libertação das tensões e frustrações do dia a dia. Se passarem pela Recreativa no último sábado de cada mês se poderão experimentar uma libertação total, muito ruidosa.

 

Por último, mas não com menos importância, temos o recreativo do Bookbloc, que organiza uma discussão quinzenal e aborda essencialmente duas grandes temáticas: a cidade e o feminismo. Para abordar estas temáticas utilizam sempre um texto ou um filme como base.

 

Este mês, para além do que acima foi escrito, haverá ping-pong às quintas e boxe ao sábados. A agenda, que é bem mais vasta e onde constam atividades como workshops e tertúlias, pode ser encontrada no blog da Recreativa ou na sua página do Facebook.

 

Não se admirem por de lá sair com um sorriso nos lábios, talvez seja da companhia, talvez seja da comida maravilhosa que não esvaziou os bolsos, talvez seja por outra coisa qualquer.

 

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