Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

LEONISMOS

LEONISMOS

05
Out17

McDonald's, assim se faz um hambúrguer vegetariano


Leonardo Rodrigues

IMG_0726.JPG

Encerrei o meu último dia de praia com uma loucura, fui ao McDonald's testar a alternativa vegetariana aos hambúrgueres de carne e peixe. 

Há cerca de 6 anos que não comprava nada, além de um gelado, num restaurante da marca, devido à minha escolha alimentar. E fiz muito bem. Além da grande quantidade de sal que os produtos têm, este hambúrguer deixa muito a desejar. 

É muito engraçada a expressão que diz algo como: "ir ao McDonald's comer uma salada, é o mesmo do que solicitar a uma profissional do sexo um abraço". Contudo, se esta cadeia quiser captar o interesse deste segmento crescente, necessita de mais e melhores alternativas.

Como muitos dos males vêm por bem, decidi partilhar convosco uma das minhas últimas aventuras culinárias, um hambúrguer de quinoa e grão de bico. Mas claro que não podia ser feito apenas com estes ingredientes. 

IMG_0735.JPG

Ingredientes principais: quinoa, grão de bico, cogumelos frescos, cenoura, cebola, tomate, azeitonas pretas e milho doce. Temperos: caril, alho, pimenta preta, salsa, azeite e oregãos frescos.

Modus operandi: Cozer a quinoa, com o dobro de água, até evaporar completamente. Partir cogumelos frescos, cenoura, cebola, tomate em quadrados. Juntar milho doce, azeitonas e a quinoa cozida. Triturar a maior parte desta mistura, colocando uma pequena porção de lado - servirá para dar textura. Com a água bem escorrida, triturar o grão com salsa até ficar numa pasta bastante consistente. Por fim, é só colocar tudo no mesmo recipiente, adicionar os temperos, misturar e moldar os hambúrgueres. Vai ao forno a 180 graus durante sensivelmente meia hora.

Nota: eles ficam ligeiramente húmidos, mas, caso sintam que não tem uma boa consistência, podem sempre adicionar uma farinha à vossa escolha

 IMG_0727.JPGIMG_0733.JPG

Desta vez, e por estar a ter mais atenção ao que como, servi com pão integral biológico do Lidl e uma salada de rúcula, espinafres, tomate e pinhões. 

A receita é versátil e, como tal, podem adaptar a vosso gosto, com os vossos ingredientes preferidos.

 

Não percam pitada deste blog, acompanhem pelo Facebook, aqui

 

 

 

 

27
Set17

Não temos de comprar tudo biológico


Leonardo Rodrigues

orgânico.jpeg

Há uma  consciencialização cada vez maior dos efeitos que a alimentação pode ter na nossa saúde. Sabemos que consumir alimentos processados, com açúcar refinado e gorduras saturadas faz mal, contribuindo para doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes.

Há evidência científica que correlaciona o consumo de alimentos produzidos com pesticidas ao grande C. Acontece que a produção biológica continua a não ser acessível para todos os bolsos. 

No entanto, por ser uma boa tendência, e por haver cada vez mais procura, começa a haver muito mais oferta. O que é bom tanto para a nossa saúde, como para a do nosso planeta. 

Embora nem todos possamos comprar apenas biológico, podemos minimizar a quantidade dos pesticidas com "truques" simples como tirar a casca e lavar os alimentos com vinagre. Ou, se formos mesmo muito sortudos, fazendo crescer a nossa própria comida.

Segundo um estudo da EWG - Enviromental Working Group -, os seguintes alimentos, na sua lista anual, são considerados como mais limpos/seguros, mesmo quando não biológicos: milho doce, abacate, ananás, couve, cebola, ervilhas congeladas, papaia, espargos, mango, beringela, couve flor, meloa, kiwi, mamão e toranja.

Os menores vestígios de pesticidas explicam-se com a forma como crescem, a densidade da casca e a quantidade de pesticidas utilizada para este tipo de cultivo.

Cá em casa, acompanhado a crescente facilidade em adquirir produtos biológicos, uma boa gestão do orçamento e muita atenção aos preços, começamos a conseguir aumentar a fatia de biológicos consumidos, todos os meses. Lembrem-se que tendências de consumo definem o que será a oferta, baixando valores. 

 

Acompanhem o blog através do Facebook

31
Jul17

Istambul, 3 dias no centro do mundo


Leonardo Rodrigues

20226157_1802390560071804_4343633166704050176_n.jp

 

Vou poder dizer, enquanto viver, que estive na Turquia antes de abolirem o ensino da teoria da evolução nas suas escolas. Comecei por onde se tem de começar, a mítica cidade de Istambul. É, para mim, o centro do mundo, onde as coisas do Oriente e do Ocidente se juntam para se separarem. 

A cidade é imensa, não fosse o lar de quase quinze milhões de pessoas. Surpreende pelos contrastes, que vão além de arranha céus e prédios de madeira. As mesquitas avistam-se mais alto que tudo. Tem um sofisticado sistema de transportes, e um aparelho turístico irrepreensível. Na cidade dos rooftops, pode-se comer bem e barato, apenas se não cedermos à pressão do comerciantes.

Tínhamos três dias e, graças à localização privilegiada do nosso Airbnb, junto da praça de Sultanahmet, fizemos tudo o que é obrigatório.

20226055_1365426460178904_8118933218301837312_n.jp

Começámos pela Mesquita Azul. Embora na prática não sejam colocados entraves aos homens com calções, o correto são calças para os homens, e as mulheres devem estar o mais cobertas possível, com ênfase para a cabeça e os ombros, porque Alá assim disse. Os sapatos não são permitidos, ficam à porta ou facultam-nos um saco. As mulheres muçulmanas oram dentro de umas salas recônditas, uma vez que não se devem expor na dianteira, com os homens. O seu interior é muito trabalhado, é mágica e, de tão imensa, não me espantaria se tocasse realmente no céu - embora não seja maior do que a Hagia Sophia.

20394457_932264343579221_8709388387099869184_n.jpg

Sinónimo da imponência de Constantinopla, em tempos de Constantino II, Haghia Sophia foi inicialmente uma basílica, a Magna Ecclesia. Com as mudanças de poder, acabou por se tornar numa mesquita. Hoje em dia é um museu dos mais visitados do mundo, graças à iniciativa de Ataturk, o presidente que aproximou a cidade do Ocidente e promoveu uma clara separação do Estado e religião. A entrada custa 10 euros e vale cada cêntimo.  Ficámos horas a contemplar os imensos pormenores. 

 

B7466D2F-191A-4B14-91C6-1B83CB0E65C1.jpg

 

Ainda naquela parte da cidade, a Basílica Cisterna, uma maravilha romana onde poderiam estar milhares de litros de água, que abasteciam a cidade, é outro must. Curiosamente, devido à renovação dos povos de Constantinopla, a Basílica como que se perdeu. Quando os habitantes começaram a conseguir pescar peixes com baldes das suas caves, lá descobriram a construção milenar. É arrepiante estar dentro da cisterna, mais ainda se pensarmos que uma construção daquela magnitude mobilizou milhares de escravos. Acredita-se que o "pilar das lágrimas" foi lá colocado em homenagem aos que morreram. Espero que sim. 

 

IMG_0149.JPG

 

37DB1EE2-E165-47F0-BE2C-F3D357CB03E7.jpg

 

Para se almoçar bem e barato ali perto, nada como ir comer até ao telhado do Doy Doy, um maravilhoso restaurante de cozinha tradicional turca, a preços e vistas bem apetecíveis.

IMG_1388.JPG

 

O Grand Bazaar é outra paragem obrigatória. Pensemos neste como um centro comercial tradicional, térreo, que se estende por vários quilómetros. Não tenham ilusões, vão perder-se nas milhentas ruas. Enquanto se perdem e encontram uma das muitas saídas, lembrem-se de regatear sempre o preço. Na primeira tentativa de lá entrar - domingo - estava fechado. Nos dias de semana fecha pelas 19.

 

A737C015-9F33-4CB0-9FD1-70CC5656964A.jpg

 

Para reabastecer na rua, e que podem comprar com apenas 8 liras turcas, ou dois euros, é a sandes de peixe. Esta é vendida do lado ocidental da cidade, mesmo junto ao mar do estreito do Bosforo. Tentei saber qual a mistura de especiarias que lá se colocava, mas ninguém me conseguiu explicar. Nas lojas, encaminharam-me sempre para a fish spice, que era diferente da que me deram a provar...

 

IMG_1621.JPG

 

Por falar em fish spice, tenho de falar em especiarias. Embora não estivéssemos conscientes, passámos pelo bazar das especiarias, que também estava na nossa lista. Acontece que naquele momento estávamos de mau humor, e só nos queríamos afastar do Grand Bazaar. Minutos antes, fomos abordados por dois engraxadores, que nos tentaram cobrar 90 liras turcas por conversa fiada e por nos terem molhado as sapatilhas. Não me pareceu que assaltos fossem frequentes, mas sim os esquemas para enganar turistas. De qualquer modo, rumávamos ao lado moderno, onde se avista a grandiosa torre. 

IMG_1611.JPG

É na torre de Galata, do lado ocidental, que se tem a melhor vista da cidade, para ambas as margens do Golden Horn e para o lado Asiático. É das atrações mais caras e não esperem descontos, se não tiverem cidadania turca. 

19051368_135867703651277_7445558826771677184_n.jpg

Por estas paragens, existe algo muito frequente em Istambul, prédios inteiros convertidos em restaurante. Encontrámos um que se chamava Galata Konak Café. Além de doçaria irrepreensível no piso térreo, tinham uma vista muito semelhante à da torre de Galata, no último andar, mas gratuita.         

19051344_231100800739521_5463389960348368896_n.jpg

Porque uma caminhada assim o quis, fomos ter à estação aonde chegava e donde saía o icónico expresso do Oriente. Outrora, foi o comboio mais luxuoso do mundo, e ligava metade da Europa ao Oriente. Transportou grandes vultos, da realeza às estrelas. Embora não conseguisse conter o entusiasmo, foi fácil entender que os tempos áureos dos caminhos de ferro acabaram.  

 

71F8ACEE-45A7-4E14-94CC-F00F8A56C365.jpg

Ir a Istambul sem ir aos banhos turcos é como ir a Roma e não ver o papa. É uma experiência cara, mas vale a pena. Os banhos turcos chamam-se Hamam e experimentámos a Çemberlitas Hamami. Dão-nos uma chave para a cabine, onde indicam para ficar apenas de toalha e chinelos. A chave fica no pulso. Depois é altura de rumar a uma sala quente onde a temperatura é superior a 40 graus. Quando já não aguentamos a humidade, chega uma pessoa que nos manda deitar, estala as costas e esfrega-nos vigorosamente com uma luva. O passo seguinte é o banho frio. Embora seja tudo muito rápido, e bem pago, há uma grande insistência na gorjeta.

 

47E2ADBF-FF26-4682-AAB7-A39F3781E375.jpg

 

Andámos durante estes dias, em média, 12 horas, mas nem assim conseguímos ter tempo para ir além do exterior do Palácio de Topkapı nem visitar a Ásia. Ficará para a próxima viagem.

IMG_1308.JPG

 

Acho que é normal não saber o que esperar desta cidade. Começamos com receio do que se ouve e lê, mas acabamos por perceber que é mais segura do que a nossa e que as pessoas são muito afetuosas. Contudo, existem diferenças culturais estranhas à vista e aos ouvidos. Cinco vezes por dia entoam-se passagens do Alcorão para toda a cidade, anunciando os momentos de oração. Curiosamente, ou não, o livro sagrado do Islão está disponível gratuitamente nas mesquitas, em muitas línguas. Trouxe a minha cópia, para ter a certeza do que diz.

Istambul poderia ser uma cidade europeia, apenas ainda mais limpa e cuidada. Recomenda-se com muita nostalgia, e memórias que já não cabem num post que vai longo. 

 

IMG_1254.JPG

Caso tenham alguma dúvida enviem email para leonismos@sapo.pt, e acompanhem sempre o blog através do Facebook e Instagram.

08
Mar17

Come-se bem na Cova de uma Loba


Leonardo Rodrigues

cova da loba.jpg

 

Recôndito, ali estava o único restaurante de Linhares da Beira, a fazer jus ao seu nome, Cova da Loba.

Nada é por acaso. Diz que,  e eu sei que se diz muita coisa, que noutros tempos distantes uma tal de Dona Lopa expulsou de casa de Santo António uma criada que não era mais do que o Demo disfarçado, à caça de almas para a sua causa. O Santo devido à semelhança nome-espécie, como agradecimento, transformou-a em loba, com grande longevidade.

Esta vida continuará longa com a condição de trazer a Linhares os melhores frutos do bosque.

No meu entendimento gastronómico e de enólogo, parece-me que o animal à Cova da Loba conseguiu que chegasse o melhor de tudo, frutos do bosque, cogumelos, queijos da serra, vinho, Portugal e a criatividade.

É só com muita criatividade que se consegue pegar no que é nosso, melhorar e apresentar um Portugal novo. Os pratos têm as raízes de sempre, mas satisfazem o olhar fresco e os paladares modernos.

Ele comeu um imponente polvo com uma redução de balsâmico e eu um sublime risotto com cogumelos selvagens e queijo da serra. Os olhos não enganaram e fomos arrebatados pela explosão de sabores inteligentemente combinada e apresentada. 

image (10).jpeg

 

image (11).jpeg

 

Como a loba está de folga às quartas a sua Cova não abre. De resto, é sempre boa altura para visitar, mesmo que neve lá fora há uma lareira dentro. 

 

Não perca pitada do blog, siga-me no Facebook e Instagram

 

22
Fev17

E que tal sushi vegetariano, com carne do monte?


Leonardo Rodrigues

Lembro-me perfeitamente daquela vez em que tive um jantar de sushi quase romântico. Só não o foi porque as minhas peças de sushi acabaram demasiado rápido. Afinal só haviam duas opções adequadas a mim e um restaurante depressa fica sem manga e abacate. A  realidade é que a cozinha pode sempre ser muito mais. O sushi pode ir além do peixe. E, melhor, pode ser feito com a carne do monte: os cogumelos. Recentemente  descobri uma receita deliciosa no site Olives for Dinner que decido agora partilhar.

sushi veggie.jpg


Tempo total: 1h30m| Cozedura: 90 min | Peças: 4/8

 

Arroz de sushi:

1 chávena de arroz para sushi
2 chávenas de água
1 colher de chá de vinagre de arroz
1 colher de chá de açúcar
1/2 colher de chá de sal

Cogumelos
2 chávenas de cogumelo cardo cortado em rodelas. Tire o topo, corte cada em 4 a 6 peças, e mergulhe em água morna por cerca de 20 minutos.
1 ovo
1 chávena de maizena 

Óleo

Molho
1/2 chávena de maionese
1 colher de sopa de sriracha -  molho de malagueta, alho, vinagre, sal e açúcar, a gosto.

Empratar

4 folhas nori torradas
4 colheres de sopa de sementes de sésamo preto(opcional)
1 abacate em fatias picadas

 

Modus Operandi

1. Uma vez cozido o arroz, temperar com vinagre de arroz, açúcar e sal. Deixar arrefecer.

2.Para fritar os cogumelos, coloque óleo em abundância numa panela em lume médio alto. Leva 5 a 7 minutos para que o óleo esteja pronto. Enquanto espera, coloque um quarto dos cogumelos no ovo e retire o excesso. De seguida coloque a maizena, suavemente pulverizada com as mãos.

3.Teste o óleo com uma pitada de maizena. Se chiar logo está pronto para fritar. Retire qualquer excesso e coloque a fritar até ficar dourado - não mais de 3 minutos. Coloque os cogumelos fritos em papel para drenar o excesso de óleo, enquanto repete o processo para os restantes cogumelos. 

4.Para montar os rolos, divida o arroz arrefecido em 4 porções. Cubra o tapete de sushi com com um plástico. Coloque uma folha de nori - lado brilhante para baixo. Humedecer os dedos com um pouco de água para evitar que o arroz fure. Em seguida espalhar o arroz uniformemente sobre uma folha nori, deixando uma pequena parte sem nada no topo. Polvilhe com uma colher de sopa de sementes de sésamo. 

5. Divida os cogumelos em 4 porções. Regue uma porção com o molho até uniformemente revestido. Com a extremidade sem nada distante de si, forme uma fina linha de cogumelos até ao lado mais próximo, adicionando um par de fatias de abacate. Enrole o sushi para longe, segurando o tapete firmemente, mas com cuidado.

6. Uma vez enrolado, sele o fim com água. Agora corte o rolo ao meio com uma faca muito afiada e depois cada metade em metades. Repita novamente se quiser servir 8 peças. Colocar os cogumelos que sobraram no topo.

7. Repetir processo para fazer outros 4 rolos. Finalizar com cebolinho picado.

 

Os produtos para fazer sushi podem ser encontrados, por exemplo, no Lidl - última vez que fiquei surpreendido num supermercado. Espero que este post sirva de inspiração e que permita muitos jantares a dois, mas mesmo só a dois, longe dos restaurantes. 

 

sushi 2.jpg

Fotos e receita: Olives for Dinner

 

01
Fev17

Os vegetarianos não afastam a carne do prato


Leonardo Rodrigues

food-plate-rucola-salad.jpg

 

Deveria ser um tema datado, mas, mesmo neste novo ano de um século que tudo prometia, temos de continuar a discutir tudo como se fosse novidade.

 

Há duas mãos cheias de anos, ainda no secundário, motivado por livros maravilhosos que me chegaram às mãos, decidi que iria abandonar por completo o consumo de carne. Até hoje, acho que foi das melhores decisões que tomei. Na altura não foi fácil, nem em casa, nem na escola. Tive que aprender a cozinhar aos 14 - era isso ou continuar a afastar a carne dos pratos.

 

Afastar a carne da restante comida é algo que me continuam a sugerir, as piadas - com frango, fiambre, McDonald's e até sexuais - são as mesmas e o escrutínio do vegetarianismo continua. Quem diz vegetarianismo, diz sofrimento animal, alterações climáticas e muitos etc's.

 

Pedem-me continuamente que argumente, nem sempre tenho vontade. Se vir que estão a partir de um ponto de vista trocista, muito menos. Há uma frase de OSHO que gosto muito e que, de alguma forma, sintetiza a razão principal para o vegetarianismo.

 

A vida deseja prolongar a si mesma; o animal não morre de boa vontade. Se alguém o matar, você não irá morrer de boa vontade.

 

Além de mortes pouco dignas, os animais, até à morte, são criados em condições deploráveis - danosas para o meio ambiente e para a saúde de quem os consome. Penso também que se deus quisesse realmente que a nossa alimentação incluísse a carne, para quem usa este argumento, a mesma seria inanimada, cresceria em árvores e não possuiria sistema nervoso central.

 

Não espero que o mundo mude de um dia para o outro nem impingir um modo de vida. Nada deve ser feito assim. Gostava apenas que houvesse respeito mútuo e que todos procurassemos opções mais conscientes, no que diz respeito à sua própria saúde e ao meio ambiente.

 

As opções e combinações são imensas, tanto em casa como fora - muitos restaurantes no Porto já oferecem francesinhas vegetarianas, imaginem só. Quanto ao preço, muitas vezes é mais barato. Mantenham-se curiosos e atentos a futuras receitas a publicar aqui no blog.

19
Jan17

O Melhor Pão de Portugal está em Lisboa


Leonardo Rodrigues

  pexels-photo.jpg

 


Há coisa de um mês, o número 14 da Rua Prior Crato ganhou um novo espaço dedicado, por inteiro, ao pão. Chama-se Gleba e, mais ou menos à letra significa, "porção de terreno cultivável". Numa primeira dentada, decidi que lá se fazia o melhor pão de Portugal.

 

Esta padaria, onde também se faz moagem de cereais, nasce pelas mãos de Diogo, um jovem de 21 anos proveniente de Santa Maria da Feira. Depois de estudar cozinha na Suíça, trabalhou em restaurantes com estrelas Michelin, em Londres e em Albufeira. Lisboa, por sua vez, foi a cidade eleita para o mestrado e, segundo o próprio, ficou com tanto tempo livre que decidiu trabalhar.

 

O pão que se faz na Gleba é diferente dos demais. Demora no total 36 horas a fermentar. Farinha, Água e Sal são os 3 ingredientes de ordem. Com um brilho nos olhos, a falar dos microrganismos que tornam tudo possível, explica-me que esta fermentação natural consome os açúcares e degrada o glúten. Desta forma, o pão dura mais, é mais saudável, de melhor digestão e pode ser consumido por intolerantes ao glúten.

 

 

Para tornar isto ainda mais apelativo, fazendo jus ao nome, os produtos utilizados nesta padaria são todos provenientes de pequenos produtores portugueses que, na sua maioria, utilizam práticas sustentáveis. Brevemente o Diogo tenciona certificar os seus produtos.

 

 

Na Gleba irão encontrar Pão de Centeio "Verde" de Trás-os-Montes, Pão de Trigo Barbela de Trás-os-Montes, Broa de Milho "Pigarro" do Minho e Trigamilha. Ocasionalmente, nas edições especiais, poderão comprar pão com queijo da ilha, ou figos e nozes secos ao sol.

 

 

O bairro já está todo a falar deste pão. Além bairro, começam a chegar pessoas de todo o país e até de fora, fruto do boca a boca - foi também assim que descobri. Agora foi a minha vez de passar a mensagem. Só falta vocês julgarem se o Diogo conseguiu ou não finalmente trazer bom pão para a capital.

image (1).jpeg

 

 Visitem o site

05
Dez16

É bom dar, quando se pode


Leonardo Rodrigues

Há quem diga que natal deve ser todo o ano. Que devemos tratar sempre todos com respeito e amor, não há dúvidas. Dar a quem não conhecemos, constantemente, não é fácil, arriscaria impossível. Temo-nos a nós e aos nossos primeiro. 

Existem campanhas a decorrer constantemente. Em Lisboa fica difícil encontrar um sítio onde não estejam a tentar chegar-nos à carteira. As motivações não são as mesmas: é o cartão do Barclays, a campanha contra o cancro e também aquela para os patos rastejantes da Antártida. Cansa. Nem sempre tenho disponibilidade para ouvir, digo não obrigado e sigo, perdido com as minhas coisas.

Este sábado fui comprar os ingredientes necessários para um almoço digno de menu de restaurante, e um voluntário do banco alimentar abordou-me. Nem ouvi, dei a minha resposta de sempre e segui. Tive de passar por duas pessoas para perceber de que se tratava.

Estaremos demasiado habituados a dizer não que não sabemos quando dizer sim?

Voltei atrás e pedi um saco. Usei metade do dinheiro que tinha levantado para o nosso almoço e a outra metade para comprar, de forma inteligente, o que vai permitir várias refeições a alguém.

Aquece-me o coração a ideia de que, mesmo que não possa contribuir constantemente, esteja a ajudar a colocar comida numa mesa, algures. Já precisei de ajuda e tive alguém que me estendeu a mão, ergueu um teto e um prato quente.

Se nos arranjam datas em que é mais fácil dar, porque não?

 

08
Jun16

De Blogger para Blogger: Luís Veríssimo, Desde 1979


Leonardo Rodrigues

image.jpg

Virtualmente muita gente salta para a minha vida de carne e osso, a partir dos blogs, embora sejam muitos os scones prometidos, isso ainda não tinha acontecido. Até há uns dias e até o Luís, colaborador do dezanove, me despertar de uma sesta com um email a perguntar se podiam publicar algo que escrevi. Mal sabia eu que daqui surgiria uma amizade. Afinal, enquanto seguidor do seu blog, Desde 1979, já o conhecia mais ou menos, pensava é que era outra pessoa - deus, para não escrever Kikas, sabe que confundo os blogs todos. Depois de o conhecer pessoalmente, De Blogger para Blogger, lancei-lhe o desafio para ser o meu primeiro convidado. Conheçam, então, mais um pouco do Luís. 

 

Leonardo Rodrigues: Como estamos no Leonismos, comecemos por falar sobre mim. Que história é essa de eu ser mais divertido pessoalmente?

Luís Veríssimo: São as minhas primeiras impressões a falar. Quando te comecei a ler e a seguir julguei-te muito sério. Tanto que o nosso contacto inicial foi por email e foi extremamente formal. Daí ter julgado que eras muito mais velho do que realmente és. Depois quando te conheci vi um outro Leonardo: expansivo, extrovertido, divertido, falador, bem disposto e com um sentido de humor muito incisivo. Lia-te com cinzentismo, agora leio-te com todas as cores do arco-íris. Gosto muito mais deste Leonardo.

 

LR: Agora sim, quem é o Luís ou os Luíses?

LV: Sou o Luís de vários Luíses. Cheio de contradições e uma mistura dos vários Luíses que povoam e povoaram a minha vida. Não tanto como os heterónimos de Fernando Pessoa, que isso também já seria demasiada pretensão, mas mais como diria Mário de Sá-Carneiro: «Eu não sou eu nem sou o outro, / Sou qualquer coisa de intermédio: / Pilar da ponte de tédio / Que vai de mim para o Outro.». Um ser incompleto em busca da perfeição da vida que sabe que não existe.

 

LR: És a única pessoa que conheço que termina as mensagens com um ponto final. De onde vem a veia de bem escrever, por SMS, no blog e, agora, para o dezanove?

LV: Obrigado. És das poucas pessoas que diz que escrevo bem. Se bem que não necessito de elogios. Aliás, até nem lido lá muito bem com elogios.

Não sei de onde vem esta veia para a escrita… Sei que sempre gostei de ler e sempre gostei de escrever. Até cheguei a escrever poemas. Contudo a poesia na família está reservada para a minha prima Carla Veríssimo. Sei que gosto de brincar com as palavras. Mas, custa-me muito a escrever. As palavras custam-me a sair. Muitas vezes os textos estão estruturados na cabeça, mas não conseguem sair de lá para o teclado do portátil. Enquanto que se calhar alguém demoraria uns meros 30 minutos a escrever um texto, costumo demorar horas a escrever um post para o blog ou um artigo para o dezanove e, mesmo assim, é muito provável que contenha erros, ou que faltem vírgulas… *suspiro*
Em relação à pontuação é mania. Defendo a teoria que nós humanos, como animais de hábitos que somos, devemos escrever correctamente onde e quando quer que seja, tanto numa SMS, nas mensagens de um chat qualquer ou nas redes sociais. Porque se não escrevermos correctamente em situações de escrita rápida e automática acabaremos por, irremediavelmente, vir a não escrever bem num email profissional ou num texto importante e que requeira mais cuidado e atenção.

 

LR: Para além da escrita, existem duas coisas de que gostas muito e que, inclusive, acreditas que andam de mãos dadas, a comida e o sexo. Como é que estes se ligam?

LV: Aqui há umas semanas fiz uma entrevista a Adrian de Berardinis, o The Bear-Naked Chef, para o dezanove, em que ele dizia que “Para mim cozinhar é algo extremamente sexy. É um processo muito sensual. Escolhem-se os ingredientes certos e dá-se-lhes a maior atenção e carinho. É algo como fazer amor quando se prepara um prato. [...] a parte do cérebro que é estimulada pela comida é a mesma que nos excita sexualmente.”. Entendo a comida e o sexo um pouco desta forma. Para ambos é necessário uma relação e um enamoro, mesmo que essa relação seja ocasional ou mesmo estilo pastilha elástica em que se masca e se deita fora, mesmo para essas situações há um envolvimento. O sexo envolve-nos num estado tal de enebriamento, a comida também. Basta ver como as cenas de comida são retratadas em séries e filmes. São cenas extremamente difíceis de fazer, pois têm que transmitir aquele desejo pela comida que todos temos e normalmente, quando são bem feitas, esse desejo é semelhante ao desejo sexual. Lembrei-me agora assim de repente de três filmes onde isso acontece de forma mais ou menos encapuzada: “Feios, Porcos e Maus” (1976, de Ettore Scola); “O Cozinheiro, o Ladrão, a Sua Mulher e o Amante Dela” (1989, de Peter Greenway) e o inevitável “Nove Semanas e Meia” (1986, de Adrian Lyne). Todos eles filmam a comida e a própria relação com a comida de forma bastante muito sensual e sexual.

 

LR: E a paixão pelo cinema surgiu como?

LV: Não sei bem como é que surgiu. Sei que surgiu durante a infância. O meu irmão, eu e a minha mãe gostávamos de ver filmes e séries. Lembro-me que víamos religiosamente a “Missão Impossível”. Eu era o mais acérrimo. A partir de uma certa altura até passei a ir ao cinema sozinho. O gosto pelo cinema vem das imagens em movimento que são reproduzidas num ecrã e que têm a proeza de nos dizer algo, às vezes muito, outras vezes nada, mas dizem sempre algo, mesmo que o filme seja uma porcaria.

 

LR: Essa paixão precoce pelo cinema já te deixou em apuros…

LV: Já. *risos* Em miúdo fui apanhado uma vez a ver o “Alien - O 8.º Passageiro” (1979), o primeiro da saga. Devia ter uns 8 ou 9 anos, não sei ao certo. Sei que tinha visto a promoção que o filme ia dar e queria vê-lo, mas como ia dar tarde e continha cenas violentas não tive permissão dos meus pais. Esperei que toda a gente se deitasse e se deixasse dormir. Esperei. Quando julguei que era seguro, levantei-me e pus-me a ver o filme na sala. Passado um bocado um dos meus pais levantou-se e deu comigo. Zangou-se, deve-me ter dado umas palmadas no rabo, deitei-me, não vi o filme e ainda por cima tive pesadelos. Mas, adorei as imagens que vi, e, ainda hoje em dia, é um dos filmes de ficção científica preferidos.

 

LR: Dizes não ter alcunhas, mas há uma pessoa que te trata por Catrapiz. Fala-me de vocês.

LV: Já tive algumas alcunhas. A que me atribuíram na adolescência ainda me persegue. Amigos e antigos colegas da escola que frequentei na adolescência, ainda me tratam pelo nome de guerra que me atribuíram na altura.

Essa do Catrapiz não é bem uma alcunha. É mais um nome carinhoso pelo qual às vezes o meu companheiro me trata. Estamos juntos, vai fazer em Julho 8 anos, “and the livin' is easy”. Não muito mais a dizer… 

 

LR: Praticamente casado, o que é que te falta conquistar antes da crise dos quarenta?

LV: Tudo!!! Continuar a chatear os amigos e a família, ter um emprego estável (ou pelo menos um trabalho mais substancial), ter filhos (algo que sei não está nos planos imediatos e provavelmente nunca estará). Acho que no meu caso a crise dos 40 já começou…

 

LR: Voltaste em força ao mundo dos blogs, partilha lá a grande novidade connosco.

LV: Vou tentar - ainda não sei se consigo - criar uma rubrica regular sobre culinária, onde irei partilhar receitas, dicas, sugestões, etc. Nessa vertente da cozinha, vou convidar pessoas para partilharem a cozinha, a mesa e a comida comigo, poderão cozinhar, poderão ser suas as receitas, haverá espaço para tudo isso. Vamos ver no que dá.

 

Obrigado, Luís!

13
Mai16

Cresci na Cozinha


Leonardo Rodrigues

Ainda agora comecei o post e já tenho de me corrigir, Cresci em várias cozinhas, essencialmente em 3. A principal é a lá de casa, na Madeira, uma cozinha que é mais sala do que a própria sala. É a entrada e a saída. Quando lá vivia, funcionava como um género de ponto de encontro, onde comíamos, conversávamos, discutíamos, ríamos e chorávamos. (Não admira que seja um emotional eater, Cresci, mesmo, na Cozinha.) Aqui estavam as caminhas dos cães - um dos problemas para conseguir chegar à escola com a roupa sem manchas, como vos contei aqui. E, era por lá que tinha de passar obrigatoriamente para chegar aos quartos, ao quintal e à casa de banho. Tive de me deixar do lema que afirma que todos os caminhos vão dar a Roma, a minha casa ensinou-me que todos os corredores vão dar à cozinha. Em segundo lugar, está a cozinha da minha avó. Agora que penso nisto, as nossas casas tinham todas plantas bastante estranhas. A sala como que ficava fora de mão, então era na cozinha que liam o jornal, que eu devorava desenhos animados, tentava falar apaixonadamente de coisas que não dominava e que, inevitavelmente, presenciava a minha avó a fazer magia. A magia assumia a forma de bolos que perfumavam as ruas, do milho com couve que tinha de repousar nos pratos, a espetada no forno a lenha, e, por fim, a sopa - escrevi sapo, ando claramente a passar demasiado tempo por estas bandas. Ai a sopa. A sopa que aquela mulher fazia permitiu-me ser daqueles miúdos que nunca fizeram uma birra para comer legumes. Para terminar com isto das minhas 3 cozinhas, temos a a cozinha mais interessante de todas, uma industrial - fascinava-me na altura. Foi aí que a minha mãe, conjuntamente com umas 15 mulheres, tirou 3 cursos de culinária. Se pensam que por isso comi melhor, enganam-se, só mesmo nas provas do final de cada aula. A minha mãe pura e simplesmente não cozinha em casa, essa tarefa ficou para a minha tia.... Sempre gostei de comer e de ajudar na confeção dos pratos, mas, com 15 anos, vi-me na obrigação de também começar a cozinhar só para mim. Isto, porque com esta idade comecei a ter contacto com certo tipo de literatura, como OSHO, algo que me fez optar pelo vegetarianismo. Aí, tornei-me mestre em manipular um certo ingrediente. Porquê contar-vos isto tudo e parar aqui? Porque, meu caros, a Mula mais querida atualmente a habitar este planeta convidou-me a participar numa edição da rubrica "na cozinha com", pelo que esta história acabará por lá. Vou ter uma quarta cozinha na minha vida e, pela primeira vez, fica num curral. Prestem atenção às vossas "Leituras".

fotografia.JPG

 Fotografia tirada no RDA, pelo Rui - tenho tanto sono que hoje nem edições se me dignei a fazer.

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Copyrighted.com Registered & Protected 
HMLF-E7YY-MGTC-ZU7E

Lugares

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D