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LEONISMOS

LEONISMOS

08
Mar17

Come-se bem na Cova de uma Loba


Leonardo Rodrigues

cova da loba.jpg

 

Recôndito, ali estava o único restaurante de Linhares da Beira, a fazer jus ao seu nome, Cova da Loba.

Nada é por acaso. Diz que,  e eu sei que se diz muita coisa, que noutros tempos distantes uma tal de Dona Lopa expulsou de casa de Santo António uma criada que não era mais do que o Demo disfarçado, à caça de almas para a sua causa. O Santo devido à semelhança nome-espécie, como agradecimento, transformou-a em loba, com grande longevidade.

Esta vida continuará longa com a condição de trazer a Linhares os melhores frutos do bosque.

No meu entendimento gastronómico e de enólogo, parece-me que o animal à Cova da Loba conseguiu que chegasse o melhor de tudo, frutos do bosque, cogumelos, queijos da serra, vinho, Portugal e a criatividade.

É só com muita criatividade que se consegue pegar no que é nosso, melhorar e apresentar um Portugal novo. Os pratos têm as raízes de sempre, mas satisfazem o olhar fresco e os paladares modernos.

Ele comeu um imponente polvo com uma redução de balsâmico e eu um sublime risotto com cogumelos selvagens e queijo da serra. Os olhos não enganaram e fomos arrebatados pela explosão de sabores inteligentemente combinada e apresentada. 

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Como a loba está de folga às quartas a sua Cova não abre. De resto, é sempre boa altura para visitar, mesmo que neve lá fora há uma lareira dentro. 

 

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22
Fev17

E que tal sushi vegetariano, com carne do monte?


Leonardo Rodrigues

Lembro-me perfeitamente daquela vez em que tive um jantar de sushi quase romântico. Só não o foi porque as minhas peças de sushi acabaram demasiado rápido. Afinal só haviam duas opções adequadas a mim e um restaurante depressa fica sem manga e abacate. A  realidade é que a cozinha pode sempre ser muito mais. O sushi pode ir além do peixe. E, melhor, pode ser feito com a carne do monte: os cogumelos. Recentemente  descobri uma receita deliciosa no site Olives for Dinner que decido agora partilhar.

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Tempo total: 1h30m| Cozedura: 90 min | Peças: 4/8

 

Arroz de sushi:

1 chávena de arroz para sushi
2 chávenas de água
1 colher de chá de vinagre de arroz
1 colher de chá de açúcar
1/2 colher de chá de sal

Cogumelos
2 chávenas de cogumelo cardo cortado em rodelas. Tire o topo, corte cada em 4 a 6 peças, e mergulhe em água morna por cerca de 20 minutos.
1 ovo
1 chávena de maizena 

Óleo

Molho
1/2 chávena de maionese
1 colher de sopa de sriracha -  molho de malagueta, alho, vinagre, sal e açúcar, a gosto.

Empratar

4 folhas nori torradas
4 colheres de sopa de sementes de sésamo preto(opcional)
1 abacate em fatias picadas

 

Modus Operandi

1. Uma vez cozido o arroz, temperar com vinagre de arroz, açúcar e sal. Deixar arrefecer.

2.Para fritar os cogumelos, coloque óleo em abundância numa panela em lume médio alto. Leva 5 a 7 minutos para que o óleo esteja pronto. Enquanto espera, coloque um quarto dos cogumelos no ovo e retire o excesso. De seguida coloque a maizena, suavemente pulverizada com as mãos.

3.Teste o óleo com uma pitada de maizena. Se chiar logo está pronto para fritar. Retire qualquer excesso e coloque a fritar até ficar dourado - não mais de 3 minutos. Coloque os cogumelos fritos em papel para drenar o excesso de óleo, enquanto repete o processo para os restantes cogumelos. 

4.Para montar os rolos, divida o arroz arrefecido em 4 porções. Cubra o tapete de sushi com com um plástico. Coloque uma folha de nori - lado brilhante para baixo. Humedecer os dedos com um pouco de água para evitar que o arroz fure. Em seguida espalhar o arroz uniformemente sobre uma folha nori, deixando uma pequena parte sem nada no topo. Polvilhe com uma colher de sopa de sementes de sésamo. 

5. Divida os cogumelos em 4 porções. Regue uma porção com o molho até uniformemente revestido. Com a extremidade sem nada distante de si, forme uma fina linha de cogumelos até ao lado mais próximo, adicionando um par de fatias de abacate. Enrole o sushi para longe, segurando o tapete firmemente, mas com cuidado.

6. Uma vez enrolado, sele o fim com água. Agora corte o rolo ao meio com uma faca muito afiada e depois cada metade em metades. Repita novamente se quiser servir 8 peças. Colocar os cogumelos que sobraram no topo.

7. Repetir processo para fazer outros 4 rolos. Finalizar com cebolinho picado.

 

Os produtos para fazer sushi podem ser encontrados, por exemplo, no Lidl - última vez que fiquei surpreendido num supermercado. Espero que este post sirva de inspiração e que permita muitos jantares a dois, mas mesmo só a dois, longe dos restaurantes. 

 

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Fotos e receita: Olives for Dinner

 

01
Fev17

Os vegetarianos não afastam a carne do prato


Leonardo Rodrigues

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Deveria ser um tema datado, mas, mesmo neste novo ano de um século que tudo prometia, temos de continuar a discutir tudo como se fosse novidade.

 

Há duas mãos cheias de anos, ainda no secundário, motivado por livros maravilhosos que me chegaram às mãos, decidi que iria abandonar por completo o consumo de carne. Até hoje, acho que foi das melhores decisões que tomei. Na altura não foi fácil, nem em casa, nem na escola. Tive que aprender a cozinhar aos 14 - era isso ou continuar a afastar a carne dos pratos.

 

Afastar a carne da restante comida é algo que me continuam a sugerir, as piadas - com frango, fiambre, McDonald's e até sexuais - são as mesmas e o escrutínio do vegetarianismo continua. Quem diz vegetarianismo, diz sofrimento animal, alterações climáticas e muitos etc's.

 

Pedem-me continuamente que argumente, nem sempre tenho vontade. Se vir que estão a partir de um ponto de vista trocista, muito menos. Há uma frase de OSHO que gosto muito e que, de alguma forma, sintetiza a razão principal para o vegetarianismo.

 

A vida deseja prolongar a si mesma; o animal não morre de boa vontade. Se alguém o matar, você não irá morrer de boa vontade.

 

Além de mortes pouco dignas, os animais, até à morte, são criados em condições deploráveis - danosas para o meio ambiente e para a saúde de quem os consome. Penso também que se deus quisesse realmente que a nossa alimentação incluísse a carne, para quem usa este argumento, a mesma seria inanimada, cresceria em árvores e não possuiria sistema nervoso central.

 

Não espero que o mundo mude de um dia para o outro nem impingir um modo de vida. Nada deve ser feito assim. Gostava apenas que houvesse respeito mútuo e que todos procurassemos opções mais conscientes, no que diz respeito à sua própria saúde e ao meio ambiente.

 

As opções e combinações são imensas, tanto em casa como fora - muitos restaurantes no Porto já oferecem francesinhas vegetarianas, imaginem só. Quanto ao preço, muitas vezes é mais barato. Mantenham-se curiosos e atentos a futuras receitas a publicar aqui no blog.

19
Jan17

O Melhor Pão de Portugal está em Lisboa


Leonardo Rodrigues

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Há coisa de um mês, o número 14 da Rua Prior Crato ganhou um novo espaço dedicado, por inteiro, ao pão. Chama-se Gleba e, mais ou menos à letra significa, "porção de terreno cultivável". Numa primeira dentada, decidi que lá se fazia o melhor pão de Portugal.

 

Esta padaria, onde também se faz moagem de cereais, nasce pelas mãos de Diogo, um jovem de 21 anos proveniente de Santa Maria da Feira. Depois de estudar cozinha na Suíça, trabalhou em restaurantes com estrelas Michelin, em Londres e em Albufeira. Lisboa, por sua vez, foi a cidade eleita para o mestrado e, segundo o próprio, ficou com tanto tempo livre que decidiu trabalhar.

 

O pão que se faz na Gleba é diferente dos demais. Demora no total 36 horas a fermentar. Farinha, Água e Sal são os 3 ingredientes de ordem. Com um brilho nos olhos, a falar dos microrganismos que tornam tudo possível, explica-me que esta fermentação natural consome os açúcares e degrada o glúten. Desta forma, o pão dura mais, é mais saudável, de melhor digestão e pode ser consumido por intolerantes ao glúten.

 

 

Para tornar isto ainda mais apelativo, fazendo jus ao nome, os produtos utilizados nesta padaria são todos provenientes de pequenos produtores portugueses que, na sua maioria, utilizam práticas sustentáveis. Brevemente o Diogo tenciona certificar os seus produtos.

 

 

Na Gleba irão encontrar Pão de Centeio "Verde" de Trás-os-Montes, Pão de Trigo Barbela de Trás-os-Montes, Broa de Milho "Pigarro" do Minho e Trigamilha. Ocasionalmente, nas edições especiais, poderão comprar pão com queijo da ilha, ou figos e nozes secos ao sol.

 

 

O bairro já está todo a falar deste pão. Além bairro, começam a chegar pessoas de todo o país e até de fora, fruto do boca a boca - foi também assim que descobri. Agora foi a minha vez de passar a mensagem. Só falta vocês julgarem se o Diogo conseguiu ou não finalmente trazer bom pão para a capital.

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 Visitem o site

05
Dez16

É bom dar, quando se pode


Leonardo Rodrigues

Há quem diga que natal deve ser todo o ano. Que devemos tratar sempre todos com respeito e amor, não há dúvidas. Dar a quem não conhecemos, constantemente, não é fácil, arriscaria impossível. Temo-nos a nós e aos nossos primeiro. 

Existem campanhas a decorrer constantemente. Em Lisboa fica difícil encontrar um sítio onde não estejam a tentar chegar-nos à carteira. As motivações não são as mesmas: é o cartão do Barclays, a campanha contra o cancro e também aquela para os patos rastejantes da Antártida. Cansa. Nem sempre tenho disponibilidade para ouvir, digo não obrigado e sigo, perdido com as minhas coisas.

Este sábado fui comprar os ingredientes necessários para um almoço digno de menu de restaurante, e um voluntário do banco alimentar abordou-me. Nem ouvi, dei a minha resposta de sempre e segui. Tive de passar por duas pessoas para perceber de que se tratava.

Estaremos demasiado habituados a dizer não que não sabemos quando dizer sim?

Voltei atrás e pedi um saco. Usei metade do dinheiro que tinha levantado para o nosso almoço e a outra metade para comprar, de forma inteligente, o que vai permitir várias refeições a alguém.

Aquece-me o coração a ideia de que, mesmo que não possa contribuir constantemente, esteja a ajudar a colocar comida numa mesa, algures. Já precisei de ajuda e tive alguém que me estendeu a mão, ergueu um teto e um prato quente.

Se nos arranjam datas em que é mais fácil dar, porque não?

 

23
Nov16

Estarão as melhores pizzas de Lisboa em Almada?


Leonardo Rodrigues

Com a descida das temperaturas a afastar cada vez mais o verão, ficam as boas memórias. Algumas, evidentemente quentes, têm sabor e fazem sentido todo o ano. Uma dessas memórias é a pizza que comi na Casa da Pizza, em Almada. Num dos regressos das maravilhosas tardes de praia com ele, devido ao trânsito, fomos forçados a fazer um pequeno desvio para jantar. Lá demos com a casa onde vive a pizza.

 

O nome trazia muitas promessas, mas garanto-vos que foram cumpridas assim que a pizza perfumada com manjericão fresco nos chegou à mesa.

 

 

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Pizza Meridional (sumo de limão, salmão, manjericão, queijo mozzarela, salmão e orégãos)

 

A melhor parte, paladar de lado, é que esta pizza para duas pessoas custou apenas 10 euros. Se estiverem do lado sul do rio Tejo, sem uma carteira que pague uma fatia de pizza no Avillez, têm a resposta nesta casa.

 

 

Dica: já que estão a poupar na comida, optem por um vinho que não o da casa.

Descubram mais aqui.

 

 

 

08
Jun16

De Blogger para Blogger: Luís Veríssimo, Desde 1979


Leonardo Rodrigues

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Virtualmente muita gente salta para a minha vida de carne e osso, a partir dos blogs, embora sejam muitos os scones prometidos, isso ainda não tinha acontecido. Até há uns dias e até o Luís, colaborador do dezanove, me despertar de uma sesta com um email a perguntar se podiam publicar algo que escrevi. Mal sabia eu que daqui surgiria uma amizade. Afinal, enquanto seguidor do seu blog, Desde 1979, já o conhecia mais ou menos, pensava é que era outra pessoa - deus, para não escrever Kikas, sabe que confundo os blogs todos. Depois de o conhecer pessoalmente, De Blogger para Blogger, lancei-lhe o desafio para ser o meu primeiro convidado. Conheçam, então, mais um pouco do Luís. 

 

Leonardo Rodrigues: Como estamos no Leonismos, comecemos por falar sobre mim. Que história é essa de eu ser mais divertido pessoalmente?

Luís Veríssimo: São as minhas primeiras impressões a falar. Quando te comecei a ler e a seguir julguei-te muito sério. Tanto que o nosso contacto inicial foi por email e foi extremamente formal. Daí ter julgado que eras muito mais velho do que realmente és. Depois quando te conheci vi um outro Leonardo: expansivo, extrovertido, divertido, falador, bem disposto e com um sentido de humor muito incisivo. Lia-te com cinzentismo, agora leio-te com todas as cores do arco-íris. Gosto muito mais deste Leonardo.

 

LR: Agora sim, quem é o Luís ou os Luíses?

LV: Sou o Luís de vários Luíses. Cheio de contradições e uma mistura dos vários Luíses que povoam e povoaram a minha vida. Não tanto como os heterónimos de Fernando Pessoa, que isso também já seria demasiada pretensão, mas mais como diria Mário de Sá-Carneiro: «Eu não sou eu nem sou o outro, / Sou qualquer coisa de intermédio: / Pilar da ponte de tédio / Que vai de mim para o Outro.». Um ser incompleto em busca da perfeição da vida que sabe que não existe.

 

LR: És a única pessoa que conheço que termina as mensagens com um ponto final. De onde vem a veia de bem escrever, por SMS, no blog e, agora, para o dezanove?

LV: Obrigado. És das poucas pessoas que diz que escrevo bem. Se bem que não necessito de elogios. Aliás, até nem lido lá muito bem com elogios.

Não sei de onde vem esta veia para a escrita… Sei que sempre gostei de ler e sempre gostei de escrever. Até cheguei a escrever poemas. Contudo a poesia na família está reservada para a minha prima Carla Veríssimo. Sei que gosto de brincar com as palavras. Mas, custa-me muito a escrever. As palavras custam-me a sair. Muitas vezes os textos estão estruturados na cabeça, mas não conseguem sair de lá para o teclado do portátil. Enquanto que se calhar alguém demoraria uns meros 30 minutos a escrever um texto, costumo demorar horas a escrever um post para o blog ou um artigo para o dezanove e, mesmo assim, é muito provável que contenha erros, ou que faltem vírgulas… *suspiro*
Em relação à pontuação é mania. Defendo a teoria que nós humanos, como animais de hábitos que somos, devemos escrever correctamente onde e quando quer que seja, tanto numa SMS, nas mensagens de um chat qualquer ou nas redes sociais. Porque se não escrevermos correctamente em situações de escrita rápida e automática acabaremos por, irremediavelmente, vir a não escrever bem num email profissional ou num texto importante e que requeira mais cuidado e atenção.

 

LR: Para além da escrita, existem duas coisas de que gostas muito e que, inclusive, acreditas que andam de mãos dadas, a comida e o sexo. Como é que estes se ligam?

LV: Aqui há umas semanas fiz uma entrevista a Adrian de Berardinis, o The Bear-Naked Chef, para o dezanove, em que ele dizia que “Para mim cozinhar é algo extremamente sexy. É um processo muito sensual. Escolhem-se os ingredientes certos e dá-se-lhes a maior atenção e carinho. É algo como fazer amor quando se prepara um prato. [...] a parte do cérebro que é estimulada pela comida é a mesma que nos excita sexualmente.”. Entendo a comida e o sexo um pouco desta forma. Para ambos é necessário uma relação e um enamoro, mesmo que essa relação seja ocasional ou mesmo estilo pastilha elástica em que se masca e se deita fora, mesmo para essas situações há um envolvimento. O sexo envolve-nos num estado tal de enebriamento, a comida também. Basta ver como as cenas de comida são retratadas em séries e filmes. São cenas extremamente difíceis de fazer, pois têm que transmitir aquele desejo pela comida que todos temos e normalmente, quando são bem feitas, esse desejo é semelhante ao desejo sexual. Lembrei-me agora assim de repente de três filmes onde isso acontece de forma mais ou menos encapuzada: “Feios, Porcos e Maus” (1976, de Ettore Scola); “O Cozinheiro, o Ladrão, a Sua Mulher e o Amante Dela” (1989, de Peter Greenway) e o inevitável “Nove Semanas e Meia” (1986, de Adrian Lyne). Todos eles filmam a comida e a própria relação com a comida de forma bastante muito sensual e sexual.

 

LR: E a paixão pelo cinema surgiu como?

LV: Não sei bem como é que surgiu. Sei que surgiu durante a infância. O meu irmão, eu e a minha mãe gostávamos de ver filmes e séries. Lembro-me que víamos religiosamente a “Missão Impossível”. Eu era o mais acérrimo. A partir de uma certa altura até passei a ir ao cinema sozinho. O gosto pelo cinema vem das imagens em movimento que são reproduzidas num ecrã e que têm a proeza de nos dizer algo, às vezes muito, outras vezes nada, mas dizem sempre algo, mesmo que o filme seja uma porcaria.

 

LR: Essa paixão precoce pelo cinema já te deixou em apuros…

LV: Já. *risos* Em miúdo fui apanhado uma vez a ver o “Alien - O 8.º Passageiro” (1979), o primeiro da saga. Devia ter uns 8 ou 9 anos, não sei ao certo. Sei que tinha visto a promoção que o filme ia dar e queria vê-lo, mas como ia dar tarde e continha cenas violentas não tive permissão dos meus pais. Esperei que toda a gente se deitasse e se deixasse dormir. Esperei. Quando julguei que era seguro, levantei-me e pus-me a ver o filme na sala. Passado um bocado um dos meus pais levantou-se e deu comigo. Zangou-se, deve-me ter dado umas palmadas no rabo, deitei-me, não vi o filme e ainda por cima tive pesadelos. Mas, adorei as imagens que vi, e, ainda hoje em dia, é um dos filmes de ficção científica preferidos.

 

LR: Dizes não ter alcunhas, mas há uma pessoa que te trata por Catrapiz. Fala-me de vocês.

LV: Já tive algumas alcunhas. A que me atribuíram na adolescência ainda me persegue. Amigos e antigos colegas da escola que frequentei na adolescência, ainda me tratam pelo nome de guerra que me atribuíram na altura.

Essa do Catrapiz não é bem uma alcunha. É mais um nome carinhoso pelo qual às vezes o meu companheiro me trata. Estamos juntos, vai fazer em Julho 8 anos, “and the livin' is easy”. Não muito mais a dizer… 

 

LR: Praticamente casado, o que é que te falta conquistar antes da crise dos quarenta?

LV: Tudo!!! Continuar a chatear os amigos e a família, ter um emprego estável (ou pelo menos um trabalho mais substancial), ter filhos (algo que sei não está nos planos imediatos e provavelmente nunca estará). Acho que no meu caso a crise dos 40 já começou…

 

LR: Voltaste em força ao mundo dos blogs, partilha lá a grande novidade connosco.

LV: Vou tentar - ainda não sei se consigo - criar uma rubrica regular sobre culinária, onde irei partilhar receitas, dicas, sugestões, etc. Nessa vertente da cozinha, vou convidar pessoas para partilharem a cozinha, a mesa e a comida comigo, poderão cozinhar, poderão ser suas as receitas, haverá espaço para tudo isso. Vamos ver no que dá.

 

Obrigado, Luís!

13
Mai16

Cresci na Cozinha


Leonardo Rodrigues

Ainda agora comecei o post e já tenho de me corrigir, Cresci em várias cozinhas, essencialmente em 3. A principal é a lá de casa, na Madeira, uma cozinha que é mais sala do que a própria sala. É a entrada e a saída. Quando lá vivia, funcionava como um género de ponto de encontro, onde comíamos, conversávamos, discutíamos, ríamos e chorávamos. (Não admira que seja um emotional eater, Cresci, mesmo, na Cozinha.) Aqui estavam as caminhas dos cães - um dos problemas para conseguir chegar à escola com a roupa sem manchas, como vos contei aqui. E, era por lá que tinha de passar obrigatoriamente para chegar aos quartos, ao quintal e à casa de banho. Tive de me deixar do lema que afirma que todos os caminhos vão dar a Roma, a minha casa ensinou-me que todos os corredores vão dar à cozinha. Em segundo lugar, está a cozinha da minha avó. Agora que penso nisto, as nossas casas tinham todas plantas bastante estranhas. A sala como que ficava fora de mão, então era na cozinha que liam o jornal, que eu devorava desenhos animados, tentava falar apaixonadamente de coisas que não dominava e que, inevitavelmente, presenciava a minha avó a fazer magia. A magia assumia a forma de bolos que perfumavam as ruas, do milho com couve que tinha de repousar nos pratos, a espetada no forno a lenha, e, por fim, a sopa - escrevi sapo, ando claramente a passar demasiado tempo por estas bandas. Ai a sopa. A sopa que aquela mulher fazia permitiu-me ser daqueles miúdos que nunca fizeram uma birra para comer legumes. Para terminar com isto das minhas 3 cozinhas, temos a a cozinha mais interessante de todas, uma industrial - fascinava-me na altura. Foi aí que a minha mãe, conjuntamente com umas 15 mulheres, tirou 3 cursos de culinária. Se pensam que por isso comi melhor, enganam-se, só mesmo nas provas do final de cada aula. A minha mãe pura e simplesmente não cozinha em casa, essa tarefa ficou para a minha tia.... Sempre gostei de comer e de ajudar na confeção dos pratos, mas, com 15 anos, vi-me na obrigação de também começar a cozinhar só para mim. Isto, porque com esta idade comecei a ter contacto com certo tipo de literatura, como OSHO, algo que me fez optar pelo vegetarianismo. Aí, tornei-me mestre em manipular um certo ingrediente. Porquê contar-vos isto tudo e parar aqui? Porque, meu caros, a Mula mais querida atualmente a habitar este planeta convidou-me a participar numa edição da rubrica "na cozinha com", pelo que esta história acabará por lá. Vou ter uma quarta cozinha na minha vida e, pela primeira vez, fica num curral. Prestem atenção às vossas "Leituras".

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 Fotografia tirada no RDA, pelo Rui - tenho tanto sono que hoje nem edições se me dignei a fazer.

09
Mai16

Transformar Nutella em Sanidade Mental


Leonardo Rodrigues

Lembram-se de quando estive a trabalhar no Call-Center, O Monstro? Pois, talvez não, mas eu não me vou esquecer tão cedo, sonho com isso frequentemente, apenas não é pelo que todos pensam. Deixei de sonhar com as chamadas para começar a sonhar com bolos. Exausto no final de um dia de formação, há um ano, aprendi o segredo da sanidade mental: bolo de Nutella.

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Ovos e Nutella é tudo o que precisam para obterem a miragem acima! Apenas ovos e Nutella! Inicialmente pensei que se tratava de uma brincadeira de mau paladar, mas depois apercebi-me que a vida para fazer sentido não precisa de muito mais do que ovos e Nutella - não adianta fingir que de vez em quando não compram um frasco para o comer à colherada e que, por vezes, não existe mais nada para além de ovos para salvar o jantar.

 

Por ser segunda, nem me demoro mais antes de passar a receita.

 

Ingredientes:

  • 1 frasco de Nutella dos pequenos;
  • 4 ovos grandes

 

Preparação do dito cujo:

Bater bem os ovos até triplicarem de tamanho - boa sorte para fazer isto à mão. Colocar a Nutella no microondas durante 20 segundos para a tornar mais liquida. Depois é só envolver os ovos gradualmente na Nutella - nunca ao contrário - e mexer até que fique homogéneo. Antes de colocar a mistura no recipiente que vai ao forno não esquecer de o untar com margarina. No forno, só precisa de 20 a 25m a 180 graus - há quem defenda 15m, pelo que mais vale ficar atento. Após retirar do forno recomenda-se que fique a reposar durante 1 hora.

 

Confissão:

Podem simplesmente misturar a Nutella e os ovos até que fique uma mistura homogénea e levar ao forno durante 15m. Costumo comer assim que sai do forno, embora seja ainda melhor depois de ficar algumas horas no frigorifico.

 

Depois, voilá,  só têm de comer. Uma vez que isto suaviza a Nutella é compreensível que comam tudo de uma só vez. Se não forem de guardar remorsos, acompanhem com uma bola de gelado.

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Hoje, fruto deste sonho, pelas 7 da manhã, em vez de acabar os outros posts, já estava eu a escrever sobre Nutella nas notas do telemóvel. Pior do que isto é ter decidido que a partir de agora o blog passa a ter a categoria "Sabores". Salvem-se enquanto puderem!

 

Fotos: Kirbie's Cravings

27
Jan16

E o Mercado da Figueira?


Leonardo Rodrigues

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Mercado da Ribeira para aqui, Mercado de Campo de Ourique para acolá, e o Mercado da Figueira?

 

Há uns tempos, numa das minhas caminhadas, que me continuam a permitir encontrar sempre uma ruela nova, qual não foi a minha surpresa quando encontrei, não uma rua, mas um mercado novo. Curiosamente, o achado deu-se numa das praças mais importantes de Lisboa, por onde passo quase semanalmente, a Praça da Figueira.

 

Imaginem só se, com o meu passo acelerado de quem já só quer ir beber um último café e atirar-se num sofá, não tivesse olhado de relance para o lado esquerdo e encontrado aquela porta tão discreta que diz Mercado da Figueira. Se a minha surpresa com este mercado parecer desmedida, justifico-a com o facto de ser da Madeira e isto serve-me para justificar tudo.

 

Ainda assim, para ter a certeza e não refugiar-me na minha isularidade para justificar este post, perguntei a vários lisboetas, com já trinta anos disto, se conheciam o Mercado da Figueira. Sei que três não é uma amostra significativa, mas responderam-me que não, daí a quase obrigatoriedade deste post.

 

Depois de pesquisas feitas, tornou-se um conhecido. Este mercado nasceu duma iniciativa de feirantes, em 1755, naquilo que eram meras ruínas do Hospital de Todos os Santos - destruído no mesmo ano pelo terramoto que devastou a cidade. Tal foi o sucesso que em 1855 é construído um mercado coberto que, infelizmente, foi deitado abaixo nos anos 50, devido a uma catastrofe pior, Salazar, ups, Duarte Pacheco.

 

Enquanto os mercados da moda apostam num estilo chique industrial, este renasce pelas mãos da VARN, que decide manter muitos dos contornos originais, mais tradicionais, onde se fez apenas as adapatações necessárias para estar à altura das necessidades e exigências dos nossos dias.

 

À entrada, antes de chegarmos ao mercado prorpiamente dito, percorremos um corredor ladeado por garrafas, com o que de melhor se faz nos lagares portugueses. Corredor corrido, temos duas opções, a cafetaria à esquerda e o mercado, convenientemente adaptado a supermercado, à direita. O primeiro apelo é o visual, afinal quem vê caras não vê corações, primeiro vê-se a cara e só depois o coração. É um coração português, com produtos portugueses, cheios de qualidade, da fruta ao peixe.

 

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Cansado, muito passou-me ao lado, mas, na cafetaria, senti uma enorme tentação por me tornar diabético. Embora houvesse pão fresco e muitas sandes, foram os bolos que falaram comigo. Tudo tinha um ar acabado de fazer, quente, cheiroso, doce, e, quase mais importante que os adjetivos anteriores, barato. Vejam só que um menu com sandes, sumo natural e café fica a 1.95€. É de salientar que os sumos naturais, feitos com a fruta das bancas, vendem-se a 1€ e, podem, tal como eu, pedir para levar e continuar o passeio pela nossa belissima capital.

 

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Depois de comprar o meu caril no Martim Moniz hei de passar por lá muitas mais vezes, nem que seja para uma frutose fresquinha que me permita seguir calçada.

 

Em tempos em que poupar é palavra de ordem, porque não fazê-lo com qualidade?

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