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LEONISMOS

LEONISMOS

09
Dez16

Descobri que o PSD tem Facebook e faz vídeos


Leonardo Rodrigues

Para um partido, ter uma página de Facebook é algo que deveria fazer todo o sentido. O PSD faz-me contrariar a frase que escolhi para começar o post. Especialmente quando o partido usa este meio para deturpar a realidade, oferecendo um ponto de vista que, de tão próprio, nem os seus militantes entendem. Descobri um vídeo além-ridículo acerca das ciclovias e das bicicletas. Ei-lo:

 

Os números e interpretações do PSD são sempre curiosos. Geralmente, e enfatizando os últimos tempos, pouco contribuem para o debate público, muito menos para uma mudança e educação dos portugueses. Os números não são realistas e, pelas imagens, cobrem uma zona muito reduzida. TPC: ler definição de amostras representativas e maiorias parlamentares.

 

O inverno veio para ficar, embora se vá disfarçando de verão. Não é só agora que de repente vamos para as ruas contabilizar as bicicletas. Vou no meu quarto ano em Lisboa e o aumento é real. Os lisboetas sabem, só falta o PSD. 

 

Sempre que espero o autocarro pela manhã, num time frame variável entre 10 minutos a 1 hora, dependendo do estado de espírito da Carris, conto pelo menos 5 bicicletas e pelo menos um ciclista buzina-me por estar a dormir na ciclovia. O meu colega de casa, outro exemplo próximo, vai todos os dias de bicicleta para o trabalho. Estas ciclovias permitem, ainda, aos fãs da trotineta e do skate chegar a sítios.

 

Custa a muito boa gente que o betão e calçada são para andar, e que o pavimento rosa é para as bicicletas. Muitas vezes porque o do pedestre está degradado - e aí subscrevo, não é justo. Outras, só porque sim. O pedestre quer passeios em condições, o condutor uma estrada sem buracos e o ciclista exatamente o mesmo. Podem não fazer intenções de usar bicicleta, mas isto não é motivo para se opor a uma alternativa que polui zero e melhora a vida de todos - dos que caminham com menos fumo, dos que conduzem com mais espaço  na estrada e dos que querem um assento no autocarro.

 

O mundo, Portugal não pode ser exceção, necessita de alternativas de mobilidade sustentáveis, para o planeta e para a nossa saúde. Que a aposta passa pelos transportes públicos não há dúvidas, mas neste momento é isto 
 
Claro que nem sempre seremos nós a beneficiar diretamente das nossas infraestruturas. Em Lisboa, para além dos lisboetas, avistam-se todos os dias dezenas de turistas a usar bicicletas - são menos nos transportes públicos, menos a usarem outros meios poluentes como os táxis e ubers. É uma boa notícia para o ar - não se esqueçam deste dado adquirido. 
 
Porque estaria o PSD a tentar denegrir algo que faz parte do futuro? Não é com o futuro que o partido está sempre preocupado? Talvez porque o futuro das autárquicas é mais importante?
 
PS. CML, as ciclovias estão a ir a bom porto, que a Carris siga a mesma estrada.
 
 
 
 
23
Set16

"Parabéns Carris, pelo serviço de m***a"


Leonardo Rodrigues

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Como não posso escrever uma reclamação por dia, vou escrever um post e deixá-lo cá para sempre. Os clientes da Carris sabem que a experiência, infelizmente, é intemporal, nunca melhora e só há sinais de que piore. Tenho visto os autocarros com "Parabéns Carris" e apercebi-me que é sentido de humor negro por parte dos senhores que não dependem do seu próprio serviço. Mas, como muitos não entenderão, eu explico o que eles querem realmente dizer: "Parabéns Carris, pelo serviço de merda -  já o prestamos há décadas".

 

Vivo em Lisboa há mais de 3 anos, mas só me queixo agora da empresa, o que se deve a diversos fatores: vivia ao lado da faculdade; andava fosse que distância fosse a pé e metia-me no metro quando estava cansado; utilizava pontualmente o autocarro. Nos últimos quatro meses, fruto do meu novo emprego, que fica nos subúrbios da cidade, entendi o mal de que todos se queixam: Carris, a merda da Carris. 

 

Dou por mim, metade da semana, a demorar mais de uma hora a chegar ao trabalho e, uns bons 90 minutos para regressar a casa. Se a Carris conseguisse cumprir com a publicidade enganosa, sob forma de horários de paragem, demoraria 30. Durante o verão, chegar a casa chegou a demorar-me 3 horas. Raros são os dias em que não me chateio.

 

Um part-time, com os tempos de espera, o sol das paragens, o ar parado irrespirável dos autocarros, torna-se num full-time.

 

Claro que já perguntei aos condutores o que se está a passar, eles não têm a certeza, mas também parecem cansados de conduzir com um sovaco na cara. Um respondeu-me: "eu saio quando eles me mandam sair".

 

É nesta frase que quero pegar para justificar a fotografia que vêem acima. São três autocarros da carreira 731 a chegar em simultâneo à paragem. Foram os três que falharam todos os horários daquela hora que estivemos à espera. Assim que o 1 º autocarro da frota parou, o motorista, em vez de tentar cumprir com 3º horário falhado, foi discutir com o que vinha em 2º lugar. Lá esperamos mais um pouco. Afinal, qual é o problema de todos os meses canalizar perto de 40 euros para treinar a paciência?

 

Foto explicada, falemos do famoso 750. Apanhar o 750 em Alvalade é desafiante, mais à frente, pode ser impossível. À hora que tenho de o apanhar, escreve-se na paragem que passa com a frequência de 11 minutos. Hoje esperei meia hora. Na semana passada esperei uma hora, tive que desistir de esperar e cheguei ao emprego 40 minutos atrasado. São menos 40 minutos no meu salário. Nem todos podem apanhar um táxi sempre que o serviço que pagam de várias formas não é cumprido.

 

Para os portugueses que vivem fora da nossa capital excecional, até vou dar mais contexto. A carreira do 750 passa, entre o Oriente e Algés, por muitas zonas onde o metro não chega e acaba por ser a melhor alternativa para um número considerável de passageiros, que trabalham longe da sua residência. É feita todos os dias por autocarros biarticulados velhos. Não me recordo de, nestes últimos meses, ter entrado num que tivesse o ar condicionado a funcionar, embora o vidro apregoe que tem - já nas paragens a informação não vale muito. Refiro-me a este autocarro como o autocarro do terror.

 

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Todos os dias este autocarro biarticulado vai cheio. As pessoas, desesperadas, porque estão dependentes para cumprir horários, entram pelas portas traseiras. Ficamos encostados uns nos outros e para sair há necessidade de empurrar. Respirar bem não é possível fruto da inexistência de ar condicionado. Durante uma hora, respiramos tão bem como numa ETAR.

 

Naqueles autocarros onde o ar condicionado funciona - existem -, é possível que o deixe a cheirar a mofo ou que fique demasiado frio, mesmo com os 30 graus no exterior. 

 

Há algo ainda mais curioso, acho que a Carris é uma nadinha elitista. A qualidade dos autocarros e frequência dos mesmos parece-me variar de acordo com as zonas. Um autocarro biarticulado que vá para as Amoreiras(783) é novo, o ar condicionado funciona sempre e até tem wi-fi. Enquanto espero por um 750 cheio, passam 783 - um cheio, os outros dois quase vazios. Coisas semelhantes acontecem com outras carreiras, mas o post vai longo e ainda não me queixei do 714.

 

O 714 é outra das 3 possíveis carreiras que posso apanhar junto do meu trabalho, sendo que no regresso é a única que faz sentido. Para além do elevado tempo de espera e de muitas vezes só passarem autocarros num sentido, o autocarro fica completamente cheio em Belém devido ao elevado número de turistas, à semelhança do elétrico 15E. Todos os dias o autocarro tem de saltar paragens porque já não cabe mais ninguém. Mais frequentemente do que queria, saio várias paragens antes porque é insuportável continuar a viagem que paguei naquelas condições.

 

Claro que se fosse para escrever sobre as pequenas infrações dos motoristas, por vezes má educação, não acabaria o post hoje e estaria a fazer generalizações injustas. O problema está lá em cima. Todos os dias, dou por mim a falar com estranhos na paragem, para desanuviarmos acerca do quanto a empresa mexe com as nossas vidas. Nem sei o que sugerir, não me pagam para isso. Acho que se a empresa conseguir cumprir com os autocarros previstos já é um bom principio e nós agradecemos.

 

 

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