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LEONISMOS

LEONISMOS

06
Mar17

Mértola, para sempre


Leonardo Rodrigues

Há uns tempos dei continuidade ao meu projeto de descoberta do sul. O objetivo era novamente Albufeira, mas, desta vez, com um twist. Este twist traduziu-se em muitas novas estradas e localidades com nomes difíceis de memorizar. Por questões práticas, motivados pelo acaso e pelo cansaço, sentimos necessidade de pernoitar em Mértola.

Este nome, como tantos outros, devido à minha insularidade, não me disse nada. Chegámos pela noite com o objetivo de todo o viajante após horas de estrada, comer. O único restaurante disponível para nos receber àquela hora foi o restaurante Muralha. Com pão, sopa, prato principal e o jarro de vinho que acompanha estas andanças, os 5 maravilhosos conseguiram jantar bem por 10 euros cada. 

Eu digo que quando bem se come, bem se deita, mas no nosso caso foi apenas escolher onde deitar. Tínhamos duas opções viáveis: Beira Rio e Hotel Museu. Porque o segundo era mais novo e quente que o primeiro e como ele sofre com o frio, a escolha estava feita. O nome cumpre-se apenas na medida em que existe uma ruína romana no seu interior devidamente preservada. Recordo-me de ter feito uma cena pacífica na receção, que era mais um pedido desesperado, para garantir que o nosso quarto tinha uma vista igual à das fotografias.

De malas desfeitas, saímos para a noite de Mértola que se resumia ao bar Lancelot. O bar descreve-se numa palavra: hipster. As luzes são coloridas e as paredes pintadas com arte. Ali, essencialmente, conversa-se sem consciência das horas, com a companhia de álcool e baralhos de cartas enormes. Escolhemos o UNO e eu tentei resgatar as regras inventadas na adolescência que me tornaram o inequívoco vencedor.

Durante a noite a vila não nos disse muito, até riscámos o carro devido à estreiteza das ruas.

Para mim o mais impactante de Mértola, e daí o para sempre, foi lá acordar. Acordar naquele quarto em específico do Hotel Museu, onde bastou-me meter a cabeça fora da janela para estar no calmo Guadiana, assim, sem por nem tirar. A vista persegue-me desde então, a água que reflete as margens estreitas, a névoa lá ao fundo, as canoas coloridas. O silêncio imenso. Tudo coisas que fazem o rural que há em mim pensar em não regressar a Lisboa, desde que pudesse manter a mesma companhia. 

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Enquanto primeiro a acordar, coube-me ir explorar a vila sozinho. Prescindi do pequeno almoço no hotel, embora só custasse 6 euros, para descobrir o que lá havia. Afinal, após ter aberto a janela senti-me logo motivado a sair para fotografar e, claro, beber o café que me mantém vivo. Como em todas as viagens para fora, compreendi que o meu dinheiro vale mais do que em Lisboa. A moeda é a mesma, mas os preços têm bom senso.

 

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Depois de inspirarmos o ar puro tivémos de seguir viagem, com direito a paragens por Alcoutim e Cacela Velha, até Albufeira. Mas é Mértola e a suas vistas que continuam a insistir voltar à memória.

 

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20
Fev17

Até ao ponto mais alto de Portugal Continental


Leonardo Rodrigues

Post anterior.

 

Acordar naturalmente em Juncais para ouvir o som dos pássaros e sinos das ovelhas é indescritível, mas melhor é a realização de que o pão fresco apareceu mesmo na cozinha antes de acordarmos e que há café suficiente para duas famílias. Quanto à salamandra, continua lá, a tornar a manhã na serra mais quente e mágica.

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Após o pequeno almoço, sabendo que Casa Grande de Juncais disponibiliza bicicletas, decidimos que assim andaríamos até ao almoço. Enquanto a Isabel foi preparar um meio de transporte mais verde, fomos espreitar o Café Central - mais ou menos o único de Juncais. Sem surpresas, foi fácil  meter conversa com quem lá estava, pareciam entusiasmados por sermos da capital e por estarmos na famosa "casa grande". Passados uns minutos, estávamos reunidos na praça com a dona do café e a amiga, um senhor que em vez de café bebe um vinho - apurámos que os elementos da Junta de Freguesia fazem o mesmo às 9:30 -  e o Max, o cão mais popular, seguido da Pipoca. É agora das minhas memórias sorridentes.

 

 

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Após a receção maravilhosa, com as bicicletas já à porta e com muito por explorar, fomos conhecer melhor a aldeia. Aquando de um dos meus estacionamentos, junto da fonte que também é um miradouro, rompi as calças. Perdi a elegância, mas não me espalhei. Confirmo que andar de bicicleta não se esquece mesmo.

 

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Convictos das nossas capacidades, a ambição levou-nos a descer até ao rio Mondego - 6 km. Foi uma viagem magnífica, não fossem todos os santos ajudarem a descer, com vistas de cortar a respiração e uma sensação de liberdade tremenda. Cá em baixo, havia a ponte, o rio - como prometido pelo mapa - , uma casa de pedra e muito verde. Ele descreveu o ambiente como "bucólico", acompanhando-se de uma cara que liberta serotonina só de pensar. Esta memória está tão viva que também cheira ao alecrim que crescia na ponte para Juncais. Regressar para almoçar causou-me dores no rabo que dificultaram os dias seguintes.

 

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Foto: Dele

 

Durante a tarde o nosso objetivo era alcançar o ponto mais alto de Portugal Continental, na Serra da Estrela. Dito e feito. O percurso fez-se pela belíssima e alta Seia, dona da fantástica freguesia do Sabugueiro. As vistas até lá cima só conseguiam ficar melhores e eu, à medida que a bateria carregava, lá ia disparando fotos compulsivamente. Com muita pena minha, a fraca luz nem sempre permite ao telemóvel fazer jus aos lugares, daí a partilha não ser igualmente compulsiva.

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Lá em cima, além da típica selfie que tiramos como se fosse uma bandeira, não deu para fazer muito. O vento era tanto que tínhamos um pássaro a voar em contra mão - é verdade, pensei em trazê-lo - , a neve era só gelo e havia nevoeiro. O nosso instinto foi procurar abrigo na versão de centro comercial da Serra. Devido ao chamamento, degustação de muito queijo, e uma vendedora muito persuasiva, gastei um balúrdio num único queijo. Acho que no fundo paguei tanto porque ela também me explicou um truque para o queijo durar para sempre, limpar os fungos aka bolor com um esfregão. Relembro que o queijo e enchidos - para quem está para aí virado - é mais barato nas aldeias que, por pouco, ainda não são polos de turismo. 

 

Até ao jantar, devido ao demorado e perigoso caminho de regresso - por Manteigas e afins - , com direito às paisagens mais estonteantes, quase que declarávamos o distrito da Guarda o melhor de Portugal. É mais prudente e razoável tomar a posição pública de que são todos lindos, de férias exagera-se tudo.  

 

Das opções não tão variadas que tínhamos para jantar, escolhemos um restaurante em Fornos de Algodres chamado de O Pote. Luxos, modernices e cortesias não tinham. Aqui vai-se quando se quer comer bem e barato. Ora, a entrada era composta por pão, queijo local e chouriço. As belas doses industriais, um jarro de vinho, sobremesa e café custaram-nos menos de 14 euros. Bem alimentados, bem nos deitámos.

 

O dia seguinte tem um nome: Penascosa - lá vão ver-se as famosas gravuras de Foz Côa. Fiquem atentos à próxima aventura pelo Facebook e pelo Instagram.

 

 

 

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