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LEONISMOS

LEONISMOS

17
Abr17

A Perfeição Existe?


Leonardo Rodrigues

A questão não é nova, mas intemporal, e surge em muitas mesas. 

Foi na semana passada. O jantar ia tão avançado que, no máximo, ainda havia um pouco de gelado por comer. Isto é o mesmo que dizer que as mãos deixaram de segurar talheres para segurar telemóveis. Não é preciso muito para que, se ainda houver conversa, a mesma ter como base o que o visor está a mostrar.

A linha entre evolução do sentido estético, graças ao Instagram, e os rapazes e raparigas que cortam a respiração é ténue. Se a pessoa estiver com menos roupa, mais fácil se torna. 

Não são pessoas quaisquer, têm, além de um estilo de vida fabuloso, um corpo, uma pele e sorrisos que toda a gente parece querer ter. São representações de conceitos de beleza estabelecidos muito exigentes, distantes da maioria das pessoas, mesmo das que cuidam de si. Aí começa a comparação. Comparação com pessoas que talvez não sejam exatamente assim.

E continuamos a alimentar estas ideias diariamente, através da nossa dieta visual, nos media tradicionais, redes sociais, pornografia e publicidade.

Impomos-nos estes padrões, que levam a uma baixa autoestima, indo por vezes a extremos como a anorexia.  Por outro lado, impomos os nossos padrões aos outros, fazendo-os sentirem-se menores, ou maiores. Insatisfação de dois gumes. Nada é suficiente.

O que é feito de se gostar dos je ne sais quoi das pessoas?

Não quero dizer com isto que devemos deixar de ter preferências, cruzar os braços, engordar a ponto de ter problemas de saúde. Não cuidar da nossa higiene, e os piores cenários que vos surgirem. Mas acho que temos de parar de viver para fantasias colocadas em pedestais. Talvez 50% das vezes não tenhamos realmente de Mudar, podemos apenas cuidar mais de nós. 

Certo dia, um amigo disse-me o seguinte, Se estivesses sozinho numa ilha como saberias que o teu pior defeito é um defeito? Talvez nem defeito se tivesse. Tiveram mesmo que mo dizer, Leonardo, o teu nariz é torto. Neste momento é uma situação mais distante. 

Claro que gosto de cuidar de mim e de ter as minhas vaidades. É bom oferecer-me certas coisas. Se alguém reparar é um ponto extra e não tem de ser mais do que isso.

Já ouvi que "demasiado perfeito não existe", com um sorriso matreiro. A realidade é que não pode, para isso era necessário que a perfeição existisse em primeiro lugar.

 

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23
Mar17

Vou ao melhor barbeiro de Lisboa, porque mereço


Leonardo Rodrigues

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Todos usamos diferentes escapes para sobreviver as nossas vidas cada vez mais exigentes. Escapadinhas, banhos de imersão, massagens, vinho, dia de folga fora da folga, etc. Eu subscrevo a todas estas técnicas de sobrevivência ninja, mas recentemente descobri um novo método de o fazer, de cuidar de mim, ir ao barbeiro. 

Tem acontecido sempre em dias de folga, que por vezes coincidem com saídas da cidade. Ir ao barbeiro não dá o super poder de sair da cidade, mas isso quase que acontece lá.

Pente 1.5 no cabelo, 4 na barba, corrigir as linhas e dar um jeitinho com a tesoura. São estes os meus pedidos. Depois não tenho de fazer mais nada.

Ter a barba que tenho envolve que todos os dias tenha de a lavar duas vezes, primeiro com o shampoo, depois com o condicionador, pentear, aparar aqui e ali. Dá imenso trabalho, mas, quando cumpro o ritual, estou diferente, sinto-me bonito e confiante, e isso dá-me poder e, confesso, agrada o D

Ir ao barbeiro faz precisamente isso, mas é no dia do mês em que decido que não vou cuidar de ninguém e que vou deixar que cuidem de mim. É o meu Obrigado, Leonardo, por te aturares a ti e aos outros. Além disso, o barbeiro faz um trabalho melhor a deixar a minha barba apresentável. 

Quem tem feito este rico trabalho é Francisco, um dos sócios da Barbearia Carlos, em Alvalade. É daquelas à antiga, irrepreensíveis na arte e no atendimento. Estão lá sempre três senhores, um mais velho do que o outro, mas é pela cadeira do Francisco que toda a gente espera. É com ele que, além do bom trabalho que faz com a nossa penugem, tem uma boa conversa, que pode ir da geografia às suas aspirações no mundo do rock. Nada disto compromete que o brilho dos seus olhos seja maioritariamente obtido com a profissão herdada do pai.

Mesmo que a Av. de Roma não fique no vosso caminho, experimentem uma barbearia tipicamente lisboeta. Não vão querer gastar dez euros noutra coisa. 

13
Jun16

Insónia pré primeiro dia


Leonardo Rodrigues

Existe uma patologia que, a meu entender, está a ser ignorada: insónia pré primeiro dia. Os primeiros dias, sejam do que for, são, por norma, determinantes. Há a quase obrigatoriedade de realçar o melhor de nós, com o sistema operativo a funcionar em pleno. Isto causa ansiedade. Ontem, não fosse um pré primeiro dia, deu-me esta insónia. Não a tinha desde os tempos de escola. Toda a gente sentiu aquele nervoso miudinho na barriga no domingo que antecedia o primeiro dia de aulas. Eu sentia todos os domingos. Neste dia, tudo parece começar de novo, o nosso telemóvel, penteado, guarda roupa e o amor incondicional pelos colegas com quem não trocámos nem uma SMS durante as férias. Na vida adulta, esta insónia acontece aquando do regresso ao trabalho. Hoje comecei no emprego novo -  isto significa pura e simplesmente não adormecer. Ontem, pelas 20h, ainda não sabia que a minha paranóia com o despertador ia regressar, mas já me sabia nervoso. Lavei loiça, varri tudo, lavei e dobrei roupa. A minha tia passou-me a OCD para curar os nervos. Depois da casa, lembrei-me que também eu tinha imenso que fazer por mim, preparei uma mochila com cadernos onde já sabia não poder escrever e um livro que sabia não vir a abrir. Para complementar, achei por bem colocar a agenda que não uso, 3 canetas da mesma cor e cartões que nunca utilizo, tudo pode falhar. E, para piorar tudo, olhei-me ao espelho e vi que a barba precisava de um jeitinho. O jeitinho transformou-se em: lavagem com champô e condicionador, aparar com o pente no número quinze, depois com o catorze e, como nada me parecia alinhado, fui buscar uma tesoura. Demorei uma hora para não falhar um milímetro. Entretanto chegou a 1 da manhã, aí descobri que a máquina xpto que comprei no meu primeiro ano de faculdade também tem algo para aparar os pêlos do nariz... Depois, as horas pareciam demasiado estreitas para conseguir dormir e havia uma questão que dizia para me manter alerta: será que o despertador vai tocar? O meu telemóvel já me pregou partidas traumatizantes. Não só tocou como estava a olhar para ao telemóvel para desligá-lo por 4 vezes. Mesmo tendo sido feriado municipal e tendo eu apanhando dois autocarros, com transbordo e caminhada por um bairro desconhecido -  O Google Maps traíu-me duas vezes - fui dos primeiros a chegar. Sobrevivi e fui bem recebido. Acontece que não dormir fez-me concordar com tudo e levantar questões às quais obtive respostas que não me lembro. O que me vale é que amanhã o dia nasce outra vez e que, desta vez, serei (re)acordado por dois despertadores humanos.

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