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LEONISMOS

LEONISMOS

26
Mai17

Ser Pai (e Mãe) não é fácil


Leonardo Rodrigues

Podem dizer que tenho uma cadela e não uma filha, podem dizer tudo e mais um par de botas velhas. Como diria a minha mãe, só sabe quem passa. Quem vive a experiência. 

Ao longo da minha vida tive muitos animais de estimação, mas tinha-os na minha casa da Madeira. Estava sempre tudo bem, podiam escolher onde dormir, quando ir à casa de banho, comiam de tudo e tinham um sem fim de espaço. A Madeira é efetivamente um jardim com imensas possibilidades. Parecia que se criavam sozinhos com comida e amor. 

Isto é porque estes animais eram um género de sobrinhos. Eu ajudava com isto e aquilo, mas estava mais presente para a brincadeira e os afetos. Agora estou eu e ele na linha da frente, responsáveis por uma vida chamada Dóris. Não é uma sobrinha, é mesmo filha. 

Boletim de vacinas em dia, desparasitação, registo, comida boa, tempo para passear e brincar tudo check. Ontem, mesmo com tudo em check, algo estava errado, acordámos com a sala vomitada e a cozinha com cocó. Ela tentou fazê-lo em dois extremos da casa, pelo que não era uma desobediência, mas uma necessidade enquanto os papás dormiam. 

O passeio da manhã fez-se com diarreia. Quando regressei depois do almoço estava a vomitar água e claramente não tinha comido. Levei-a à rua, mais diarreia. Não queria voltar a entrar no prédio. Quando entrou, pouco tempo depois, começou a ganir e ir para o pé da porta. Lá fui eu de meias e chinelos correr com ela até ao jardim mais próximo. Disse à vizinha que já falava com ela. Isto repetiu-se por mais 3 vezes. 

Entretanto já tinha ligado ao veterinário e enviado fotografias do cocó, o que se revelou tranquilizante. Isto podia estar a acontecer por uma série de motivos. Era muito cedo para alarmismos. Para ajudá-la, deveria apenas moderar o consumo de água e fazer arroz com frango, sem sal. 

Eu não como carne, mas ontem à noite fui comprar peito de frango e lá fiz um prato diferente para cada um, para mim, ele e Dóris. A Dóris foi a única sem apetite. Custou-me imenso ver o cão mais afetuoso e energético que conheço assim. Embrulhei-a numa mantinha e tive a dizer-lhe que estava tudo bem sem saber. 

Hoje acordámos e a taça da "comida da panela" estava vazia. Acabaram-se os cocós moles e estava novamente elétrica. O que ingeriu e que fez mal já está fora dela. Agora vamos continuar atentos, mas isto foi, para mim, um valente susto. Ser pai não é fácil. 

 

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23
Abr17

Fui ver o dérbi e ganhei um clube


Leonardo Rodrigues

Duas horas antes, logo após saber que ia ver o meu primeiro jogo de futebol ao vivo, gratuitamente, comecei a escrever este post. O tom era completamente diferente e atribuía uma clara vitória ao Sporting.

Há muito por dizer, mas quero primeiramente referir que apenas ontem interessei-me genuinamente por futebol, além de um ocasional interesse ou outro que pudesse haver por um jogador bem parecido.

Ontem, da fila 23 do estádio de Alvalade, ri, gritei, bati palmas, disse vários palavrões - que costumo só pensar - e arranquei os pêlos da barba porque o cabelo escasseia.

Mais do que as minhas manifestações animais pelo clube do meu mais que tudo, ganhei um clube. Sou do Sporting, aquele clube que possivelmente ainda me fará ser despedido. A experiência ensinou-me que só é fixe ser do Porto ou do Benfica. Especialmente do Benfica.

Como ele diz e bem, é fácil ser dos que ganham, difícil é ser do Sporting e, isso, à sua maneira, é amor. Para ele, isto significa ter prejuízos administrativos com as ações que comprou do Sporting.

Voltemos ao início. Acreditávamos que a sorte do Sporting iria mudar, uma vez que, mesmo através de casa, segundo diz a nossa experiência, consigo fazer ganhar. Vi o jogo de Portugal contra a França e foi o que se viu.

Durante os primeiros minutos a teoria do amuleto pareceu ganhar evidência. Mas claro que nem indo ao estádio consigo realizar os meus milagres. Talvez devesse formar-me n'A Bola, mas vou arriscar.

Não poderia porque, embora o agora meu clube crie oportunidades fantásticas, não as aproveitam. Ainda por cima, pagam dois jogadores, talvez seja o mesmo - ainda não os reconheço - , para fazer  um dos erros que sempre cometi no futebol, olhar para a bola e não lhe tocar. Ocasionalmente, decidem que podem eles fazer milagres sozinhos, num desporto que é coletivo.

Não poderia ganhar por um outro motivo. Os jogadores do Benfica, paralelamente aos treinos convencionais de futebol, estão com certeza a ter aulas de simulação de falta avançada. E isto não me parece ter muito de glorioso.

Dito tudo o que disse, ameaças de morte parecem-me algo precoce para se fazer, sendo que passei a ter clube há menos de um dia e quero ver mais uns jogos.

Ver um jogo de futebol ao vivo é a experiência que, pelo menos durante esta semana, eu estarei a falar e a recomendar todos os dias.

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22
Abr17

Entrevista a Rúben Santos: "tenho receio de não conseguir fazer algo que valha a pena"


Leonardo Rodrigues

Conheci o Rúben pela primeira vez na Feira das Almas. Desde então, fomos por duas vezes colegas de casa. À custa disso, já rimos, choramos e criámos uma das amizades que mais valorizo. Podemos falar, partilhar e teorizar acerca de tudo. Não concordamos com muito, mas não nos censuramos e arranjamos sempre forma de chegar a um consenso. Espero que assim seja sempre. Esta entrevista esteve num ficheiro armazenado na nuvem durante demasiado tempo, porque achava que não saberia fazê-la, mas aqui está o Rúben a partilhar novamente comigo coisas que nem todos sabem, mas que fazem dele quem é. 

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Leonardo Rodrigues: O que respondes a um simples “quem és”?

Rúben Santos: Começa bem. Não terei tão cedo essa resposta. A minha educação moldou-me. Nasci e cresci em Chelas, num bairro social, ao lado havia um bairro de barracas perigoso. Vi muitas coisas e, ao mesmo tempo, tive uma educação bastante libertadora. Saía de casa e só voltava às tantas. Nos fins de semana, só passava as manhãs em casa, voltava para jantar e saía outra vez. Havia alguma supervisão por parte dos meus irmãos. Passava horas a andar de bicicleta, a construir casas em árvores ou em terrenos baldios. Na primária, tive a sorte do ministério da educação implementar um programa educacional experimental, com trabalhos criativos, visitas de estudo quase todas as semanas. Isto levou-me a ter contacto com filmes de Chaplin, por exemplo. Penso que seja daqui que vem a minha veia experimental, de querer ir além. Sou um experimentalista, adoro aprender e estou sempre à procura de algo diferente que me interesse. Acho que isso é procurar-me.

 

LR: Hoje dedicas-te à fotografia em full time, mas antes disso dedicaste 5 anos da tua vida a algo completamente diferente. O que te levou a mudar de rumo?

RS: Sim, antes de estudar e trabalhar em fotografia, estudei 5 anos no IST, de onde saí com um mestrado em Engenharia de Materiais. O sistema de ensino está ultrapassado e, pior que isso, conteve toda a criatividade que foi germinada durante os primeiros anos de vida. Somos obrigados a fazer escolhas com base em nada. Não há contacto com coisas práticas. Os alunos passam horas e horas fechados dentro de salas a consumir informação que alguém escolheu ser importante, quando deviam passar metade desse tempo a fazer algo prático: tirar fotografias, pintar quadros, plantar árvores, construir casas em madeira, um sem número de possibilidades. Ter que escolher uma área, quando se transita do 9º para o 10º não está certo. És muito novo e não fazes a menor ideia de quem és! Podes ser melhor aluno nalgumas disciplinas, mas isso não define quem vais ser. Eu tinha queda para a matemática e físico-química e, portanto, decidi seguir ciências, uma decisão que estava longe do que faço agora. Depois vais para a faculdade e tens que escolher outro curso, com base numa fantasia, porque tens média para o curso ou porque os pais disseram que aquele é o caminho.

 

LR: Porquê a fotografia?

RS: Lembro-me perfeitamente de estar trancado numa cave do IST a polir amostras e começar a chorar. Ainda estava a ultrapassar alguns obstáculos e, se estivesse a fazer alguma coisa que realmente estivesse a gostar, possivelmente isso não teria acontecido. Digo isto porque trabalhei e estudei fotografia ao mesmo tempo, ainda no meio de alguns problemas pessoais, morava praticamente sozinho, pagar o curso e todas as outras despesas e ficava sem dinheiro, mas era feliz, fotografava todos os dias. Ainda hoje não sei se a fotografia será para o resto da minha vida, mas foi uma escolha razoável ter mudado para uma área criativa. Eu pouco conhecia do Rúben criativo. Um dos motivos que me levou a escolher fotografia foi uma experiência de infância. Certa vez, quando o meu pai estava a trabalhar nos Açores, eu e a minha mãe fomos lá ter. Num dos passeios por São Jorge, os meus pais queriam uma fotografia e eu era o único ali. Tirei a minha primeira foto. Tinha uns 5 anos. Penso que essa fotografia ainda existe, tenho que a procurar. Brinquei mais umas vezes com essa máquina e, aos 12 anos, a empresa da minha mãe ofereceu-me a minha primeira máquina analógica! Já não a tenho, mas muito experimentei. Provavelmente foram estes os acontecimentos que me conduziram à fotografia.

 

LR: Muito embora a tua profissão implique que estejas muito tempo atrás da câmara, tu sentes-te igualmente bem do outro lado da lente, frequentemente sem roupa. O que te leva despir para a câmara?

RS: Risos É uma pergunta com a qual ainda me debato. Encontrei, através do facebook, um fotógrafo português que fazia fotografias lindíssimas e, mesmo nesse dia, enviei uma mensagem a pedir-lhe que me fotografasse. Tinha curiosidade. Queria perceber o que era estar sem roupa à frente de uma câmara, queria que o meu corpo se transformasse em algo belo. A primeira vez que realmente reflecti sobre o assunto e escrevi o que me pareceu verdade, foi para a revista Elska. O corpo é o primeiro grande obstáculo para a felicidade e para a liberdade. Ninguém acorda de um dia para o outro a achar que é feio. Alguém to repetiu enquanto crescias, um eco constante em diferentes vozes. Sou gordo. Sou feio. Sou peludo. Há alguém a pendurar adjectivos, como se fossem adereços, e tu aceita-los, talvez de tanto ouvir. O mais irónico é que quando nos referimos ao nosso corpo, usamos um termo possessivo: o meu corpo. Incrível como facilmente desprezamos algo que nos pertence e que conhecemos tão bem. A nudez é o expoente máximo da liberdade. Viver bem com o próprio corpo é o primeiro passo para se viver bem. Por vezes pergunto a amigos se me deixam fotográfa-los. A resposta é negativa e a justificação a mesma, "não me sinto à vontade com o meu corpo". Estar bem comigo, aliado ao meu lado experimental, leva-me a fazer esta série de fotografias.

 

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LR: E isso é sempre bem recebido?

RS: Dei conta de muita desaprovação. Há uns meses atrás senti que fui posto de parte nalgumas ocasiões familiares, um auténtico murro no estômago. Há também quem tenha comentado as fotografias com algo menos positivo e até denunciaram. 

 

LR: Certa vez perguntei-te o que era para ti a arte, e deste-me a resposta mais interessante que ouvi até hoje. Lembras-te?

RS: Sim, lembro-me e é algo que não irei esquecer. Foi num daqueles momentos raros de clarividência em que há um click e tudo faz sentido (a-ha moment). Estava a acabar o curso de fotografia, que foi leccionado por módulos, e aquele era o módulo de fotografia de autor. Foi um dos melhores professores que já tive, notava-se que gostava do que fazia e tinha a preocupação de nos dar bases sólidas para um conhecimento à séria da fotografia como forma de arte. No dia do click, o formador estava a falar de vários fotógrafos, explicando os seus trabalhos e, quando chegou ao artista Todd Hido, percebi tudo. Basicamente, este fotógrafo tinha um fascínio pela linha que separa o que é público do que é privado. É um dos meus fascínios desde miúdo. Recordo-me que todos os sábados à noite, durante o verão, quando regressávamos a pé da casa dos meus tios, às tantas da madrugada, eu olhar para os prédios e ver luzes acessas. Tentava imaginar o que poderia estar a acontecer naquelas casas. Estariam a jogar às cartas? A ver TV? A fazer Sexo? Teriam as luzes sido deixadas acesas sem querer? O fascínio do Todd Hido era o meu fascínio. Eu compreendo-o e não o conheço e tenho a certeza que ele me compreenderia, se me conhecesse.

 

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LR: A vida não tem apenas dessas sensações boas

RS: Infelizmente, não. Pensei que colocar as coisas más em papel fosse mais fácil. Não o é. Perder alguém que te é muito querido é perder uma parte de ti. Nunca se recupera, simplesmente se aprende a viver com menos. A minha mãe faleceu no final de 2007 com cancro. Os meus pais já não viviam juntos. Quando se separaram, eu fiquei com a minha mãe e os meus irmãos mais velhos com o meu pai. A minha vida mudou bastante. Durante três anos morei com a minha irmã, ao fim dos quais decidi ir morar com o meu pai. Morei com ele cerca de quatro meses. Uma noite, a minha madrasta acorda-me aos gritos. Quando cheguei ao quarto dele, ele já não estava. Telefonei ao 112. Não conseguia concentrar-me, chorava compulsivamente, não ouvia nada. A pessoa do outro lado perdeu a calma e gritou: Queres ajudar o teu pai ou não? Disse-me o que fazer para tentar reanimá-lo e desligou o telefone. Eu e o meu pai estávamos sozinhos no quarto, e eu não parava chorar, enquanto pressionava o peito. Não me lembro quando parei, se foi alguém que me parou, se foi à chegada do INEM. Não me lembro.

 

LR: Que perspetiva é que isso te deu da morte?

RS: Da morte não me deu outra perspectiva. Deu-me outra perspectiva da vida. Não sou a mesma pessoa, mudei tanto que já não reconheço a pessoa que fui. A minha mãe tinha um feitio difícil e eu lembro-me de pensar que não queria ser como ela. Era sociável não por querer, dizia o que sentia, sem pensar. Estou cada vez mais parecido com ela, acaba por ser assustador no que me transformei depois dela partir. Não me preocupo muito com o que os outros pensam, também não faço grande reflexão no que digo. Claro que por vezes chego à conclusão que não devia ter feito isto ou dito aquilo, mas afecta-me pouco. Não tenho muito a perder, talvez o meu emprego e algumas pessoas que quero manter perto de mim, mas mesmo isto que referi não posso controlar a 100%. Se perder o emprego, de certeza que haverá outro. Acabei por aceitar-me e viver bem com todas as escolhas que fiz e com todos os percalços do passado.



LR: Nas mudanças profissionais, nos relacionamentos, nas viagens estás sempre à “procura”de alguma coisa. Já sabes o que é isso que tanto procuras?

RS: É bem verdade, mas não sei o que procuro. Sinceramente, começo a compreender que esta busca leva a conhecer-me melhor. Separar aquilo que gosto daquilo que não gosto. Conseguir perceber o que quero fazer e o que não quero fazer. O que realmente faz sentido, do que não faz. Já separo as pessoas também. Felizmente posso escolher com quem me posso dar e estabelecer um relação mais profunda.

 

LR: Algo de que tu falas muito é voltar às origens. Que quer isso dizer?

RS: Acho esta história da cidade um pouco absurda. Cidades gigantes com densidades populacionais enormes não juntaram as pessoas, apenas as estão a afastar (não estou a dizer que o intuito das cidades é juntar as pessoas, mas na minha opinião, seria um benefício). As últimas vezes que tenho tirado férias tem sido para o mais longe e deserto possível. Normalmente, no meio de uma serra ou por aldeias pouco habitadas. Percebi que o contacto com a natureza deixa-me mais optimista, menos ansioso e menos stressado. As pessoas são mais simples, a vida é mais simples, não é preciso muito. Perdeu-se a simplicidade da vida, as pessoas só pensam em comprar uma casa, um carro, ter filhos, criá-los à sua face e mandá-los para a melhor faculdade, ter a casa de férias, trabalhar mais para ganhar mais dinheiro para poder comprar mais coisas. Eu gostava de ver alguém a conseguir colocar essas coisas todas dentro do seu próprio caixão.

 

LR: Fugir da cidade para te dedicares ao teu sonho de voltar às origens. Achas que vai passar de um sonho?

RS: É uma questão que me assombra de vez em quando. Sofro menos quando coloco a hipótese de não ter que ficar para sempre numa cidade. Já pesquisei e há várias formas de conseguir viver numa aldeia ou vila, mas neste momento vou manter-me em cidades.

 

LR: Não gostas de te sentir a envelhecer e só tens 30. Temes a morte?

RS: Sim, tenho receio de não conseguir fazer algo que valha a pena.

 

LR: Achas que a fotografia é aquilo que te vai fazer viver, mesmo depois de já cá não estares?

RS: Bom, gostava de acreditar que sim. Deixar algo que faça sentido e que faça os outros crescer. É isso que me leva a continuar e a fazer coisas. Contudo, não sei se é a fotografia. Talvez faça outra mudança em breve, já estou a precisar.

 

Podem encontrar algum do trabalho do Rúben no seu Instagram, aqui.

 

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17
Abr17

A Perfeição Existe?


Leonardo Rodrigues

A questão não é nova, mas intemporal, e surge em muitas mesas. 

Foi na semana passada. O jantar ia tão avançado que, no máximo, ainda havia um pouco de gelado por comer. Isto é o mesmo que dizer que as mãos deixaram de segurar talheres para segurar telemóveis. Não é preciso muito para que, se ainda houver conversa, a mesma ter como base o que o visor está a mostrar.

A linha entre evolução do sentido estético, graças ao Instagram, e os rapazes e raparigas que cortam a respiração é ténue. Se a pessoa estiver com menos roupa, mais fácil se torna. 

Não são pessoas quaisquer, têm, além de um estilo de vida fabuloso, um corpo, uma pele e sorrisos que toda a gente parece querer ter. São representações de conceitos de beleza estabelecidos muito exigentes, distantes da maioria das pessoas, mesmo das que cuidam de si. Aí começa a comparação. Comparação com pessoas que talvez não sejam exatamente assim.

E continuamos a alimentar estas ideias diariamente, através da nossa dieta visual, nos media tradicionais, redes sociais, pornografia e publicidade.

Impomos-nos estes padrões, que levam a uma baixa autoestima, indo por vezes a extremos como a anorexia.  Por outro lado, impomos os nossos padrões aos outros, fazendo-os sentirem-se menores, ou maiores. Insatisfação de dois gumes. Nada é suficiente.

O que é feito de se gostar dos je ne sais quoi das pessoas?

Não quero dizer com isto que devemos deixar de ter preferências, cruzar os braços, engordar a ponto de ter problemas de saúde. Não cuidar da nossa higiene, e os piores cenários que vos surgirem. Mas acho que temos de parar de viver para fantasias colocadas em pedestais. Talvez 50% das vezes não tenhamos realmente de Mudar, podemos apenas cuidar mais de nós. 

Certo dia, um amigo disse-me o seguinte, Se estivesses sozinho numa ilha como saberias que o teu pior defeito é um defeito? Talvez nem defeito se tivesse. Tiveram mesmo que mo dizer, Leonardo, o teu nariz é torto. Neste momento é uma situação mais distante. 

Claro que gosto de cuidar de mim e de ter as minhas vaidades. É bom oferecer-me certas coisas. Se alguém reparar é um ponto extra e não tem de ser mais do que isso.

Já ouvi que "demasiado perfeito não existe", com um sorriso matreiro. A realidade é que não pode, para isso era necessário que a perfeição existisse em primeiro lugar.

 

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23
Mar17

Vou ao melhor barbeiro de Lisboa, porque mereço


Leonardo Rodrigues

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Todos usamos diferentes escapes para sobreviver as nossas vidas cada vez mais exigentes. Escapadinhas, banhos de imersão, massagens, vinho, dia de folga fora da folga, etc. Eu subscrevo a todas estas técnicas de sobrevivência ninja, mas recentemente descobri um novo método de o fazer, de cuidar de mim, ir ao barbeiro. 

Tem acontecido sempre em dias de folga, que por vezes coincidem com saídas da cidade. Ir ao barbeiro não dá o super poder de sair da cidade, mas isso quase que acontece lá.

Pente 1.5 no cabelo, 4 na barba, corrigir as linhas e dar um jeitinho com a tesoura. São estes os meus pedidos. Depois não tenho de fazer mais nada.

Ter a barba que tenho envolve que todos os dias tenha de a lavar duas vezes, primeiro com o shampoo, depois com o condicionador, pentear, aparar aqui e ali. Dá imenso trabalho, mas, quando cumpro o ritual, estou diferente, sinto-me bonito e confiante, e isso dá-me poder e, confesso, agrada o D

Ir ao barbeiro faz precisamente isso, mas é no dia do mês em que decido que não vou cuidar de ninguém e que vou deixar que cuidem de mim. É o meu Obrigado, Leonardo, por te aturares a ti e aos outros. Além disso, o barbeiro faz um trabalho melhor a deixar a minha barba apresentável. 

Quem tem feito este rico trabalho é Francisco, um dos sócios da Barbearia Carlos, em Alvalade. É daquelas à antiga, irrepreensíveis na arte e no atendimento. Estão lá sempre três senhores, um mais velho do que o outro, mas é pela cadeira do Francisco que toda a gente espera. É com ele que, além do bom trabalho que faz com a nossa penugem, tem uma boa conversa, que pode ir da geografia às suas aspirações no mundo do rock. Nada disto compromete que o brilho dos seus olhos seja maioritariamente obtido com a profissão herdada do pai.

Mesmo que a Av. de Roma não fique no vosso caminho, experimentem uma barbearia tipicamente lisboeta. Não vão querer gastar dez euros noutra coisa. 

22
Mar17

Dia em que vi algodão a cair do céu pela primeira vez


Leonardo Rodrigues

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Foi no mês que passou. Tínhamos acabado a nossa visita à belíssima cidade do Sabugal, onde o ponto alto é mesmo o ponto mais alto, o topo do Castelo das Cinco Quinas, com vistas sobre o Côa. 

Ainda no castelo, depois de uma quase escalada às escuras para chegar ao cimo, começou a chover, o ar ficou mais rápido e frio, e o pensamento de que poderia nevar construiu-se na minha cabeça.

Só verbalizei este meu desejo íntimo de, por uma vez na vida, ver a neve a cair em vez de gelo no chão, quando cheguei ao museu. Era uma ideia que nos deixava a ambos sorridentes. O rapaz que lá trabalhava prontamente nos fechou a boca, explicando que, no Fundão, terra onde se localizava a nossa próxima "casa", a Cerca Design House, não nevava há quase dez anos. Não sei se é necessário deixar por escrito que não gostei deste museu. 

No caminho que se apresentava de condução difícil para o meu ele, entre Google Maps, troca de cabos para carregar as nossas baterias que duram cada vez menos e muito Carpool Karaoke, começámos a ver a chuva a ficar cada vez mais branca, grossa e leve.

Não demorou muito para que sentíssemos a necessidade de encostar. Fui o primeiro a ir para a rua. Sentia e não sentia o frio. É verdadeiramente mágico ver aquilo que é água sólida, tingida de branco, a cair de forma tão leve e graciosa. Ao mais pequeno toque, naquela fase, volta ao seu estado liquido.

Ele filmou e não há margem para dúvidas, de que estava feliz e que, mediante justificação plausível na minha cabeça, faço uma cena, umas mais felizes que outras. 

Ficámos nisto um bom tempo, totalmente alheios aos acidentes e às estradas cortadas, na companhia um do outro, com os nossos momentos de profunda lamechice registados numa dezena de selfies. A ele surgiam memórias de uma Nova Iorque que lhe foi próxima e em mim surgiam emoções por afinidade.

Como o amor e neve não enchem barriga, seguimos viagem meia hora depois. Descongelar foi tão fácil porque no hotel, que se cobria novamente de neve, esperavam-nos com chávenas de chá quente e, por causa da neve, partilhavam o mesmo ar de surpresa.

 

 

11
Mar17

Quando foi comigo, o paneleiro


Leonardo Rodrigues

 

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Existem dias em que com muita esperança, talvez presunção, penso "já passou", que, enquanto adulto, está tudo bem, que não voltarei a sentir isolamento, que não vou olhar o mundo e pensar que está contra mim e que já fiz o percurso que tinha de ser feito. Está mais perto, mas sair do armário, como lhe chamam, faz apenas parte do início da caminhada.

 

Há muito que queria escrever este post e dizia-me não ter as palavras certas, quando na realidade não existem palavras certas para dizer que enquanto crescia, algumas pessoas, motivadas pelo que outras lhes incutiram como sendo certo, me fizeram sentir errado, sujo, mau, feio, vergonha. Sem que ainda soubesse àquilo a que se referiam ou quem era.

 

Amigos que se mantêm próximos não têm memória. Quem me infligiu dor física e psicológica talvez também não. Eu sim, e agora estou em condições de partilhá-la. É um exercício duro deixar-me guiar pelas memórias que não quero lembrar e sentimentos que não quero sentir, mas é isso que faço convosco hoje. Porque este blog é sobre mim, as coisas boas e más, e o que aprendo com elas. Porque este blog, seja de que forma for, é para outros lerem.

 

O bullying começou na mesma altura em que me apercebi que era diferente, tinha eu uns oito anos. Diferente, aos oito, era tudo o que sabia. Não conhecia palavras para associar à diferença. Não sabia que parte da minha família e comunidade me viam como algo de mau, a precisar de tratamento ou de morrer, como cheguei a ouvir.

 

Antes de sequer ousar expor o que pulsava cá dentro tudo mudou. O meu melhor amigo passou a chamar-me várias coisas menos Leonardo. Paneleiro e "escabaçado" - seja lá isto o que for - eram as mais constantes. Não sabia o que era, mas já mo apontavam, pejorativamente. Ser isso, "padecer" disso, era mau. Essa palavra, nova no meu vocabulário, tinha muito poder - para todos menos para mim: fazia com que me batessem nos intervalos, com que não pudesse usar o computador nas aulas de informática e que cascas de fruta voassem para a minha sopa. 

 

Lembro-me dum episódio em particular, estávamos no intervalo, enquanto um colega me agarrava, outro apertava o pescoço e outro dava pontapés. Gritei o mais alto que pude olhando para alguém responsável, que me devolvia o olhar sem nada fazer. Talvez porque "éramos só crianças a brincar". Aí entendi que quem me poderia proteger não o ia fazer, que estava por minha conta e passei a ter medo do que era o meu lugar favorito, a escola. 

 

A vergonha e o medo manifestavam-se, além das lágrimas, numa dor de cabeça, acompanhada de um formigueiro. Não tinha apetite e implorava que me deixassem ficar em casa. A minha mãe esforçou-se para entender. Como é que alguém que sempre quis estar na fila da frente, com excelentes a tudo e amigos de repente não quer sair de casa? Também ao psicólogo senti que precisava mentir. Quando contei parte do que acontecia foi pior. Mentir deu-me um conceito ridículo de proteção: calar para apanhar menos.

 

Éramos, sim, crianças. Mas há algo que todos precisamos compreender: as crianças são uma tábua rasa. Se o que lá for escrito for mau, elas irão agir de acordo com isso. Se lhes ensinam violência elas vão perpetuá-la. Se lhes ensinam a odiar é ódio que vão sentir. Da mesma forma que, quando envolvidas em amor e respeito, o reproduzem infinitamente, da forma bonita como só elas sabem.

 

No 5º ano, como íamos para escolas diferentes, achei que tudo ia mudar. Os primeiros meses foram fantásticos, conhecimentos e amigos novos, vida nova. Mas claro que "isto" me iria sempre apanhar, fosse como fosse. Uma professora para me mandar calar, a mim e a um amigo, disse para pararmos de estar aos beijinhos. Ainda hoje não entendo. Só beijei um rapaz pela primeira vez aos 18. Num meio pequeno, numa escola, não importa que não fosse verdade. Comentou-se fora da sala e tudo mudou novamente, durante anos. Estava marcado por uma suposta demonstração de afeto. 

 

Achei que a história se iria embora, como as notícias vão, mas não. Os dias de medo regressaram, mas agora ia lidar com muitos mais, de todas as idades, numa escola grande, onde achavam por bem bater e insultar por algo que ainda não compreendia. As dores de cabeça e o formigueiro voltaram. Tomei as medidas possíveis: sentar-me no início do autocarro - os machos curiosamente preferem a parte de trás; deixei de entrar na escola pela entrada principal e ia sempre por detrás dos pavilhões. Havia menos pessoas, parecia mais seguro. Parei de comer na cantina, situações menos boas ocorriam lá. Isso não foi suficiente. Durante anos que não foi. 

 

Na escola faziam sempre festas no final do período e ocasiões especiais. Numa dessas, atiraram-me papéis durante todo o evento. Deixei de ir às festas. Num dos cortejos de carnaval atiraram-me pedras. Deixei de estar presente. Os intervalos eram oportunos para essas coisas, então comecei a ficar dentro dos pavilhões.

 

Comecei também a riscar os dias num calendário que guardava na carteira. Contava as faltas que podia dar, os dias piores, os feriados, os fins de semana. Sozinho.

 

Acho que até aos 12 todas as manhãs acordava na expetactiva de ter mudado, mas bastava-me chegar à escola para olhar para um rapaz e saber que era um olhar diferente. Achei que não podia ser amado se fosse assim. Cheguei ao ponto de rezar para que se fosse embora, mesmo já não acreditando num deus que cria alguém de uma forma e depois castiga. Não foi embora, não podia, nem tinha.

 

Há um outro episódio antes do secundário que me marcou. Abriu um bar na terriola e fui sair à noite pela primeira vez com os meus amigos. Um rapaz "popular" agarrou-me, apalpou-me e disse-me coisas terríveis. Hoje, embora racionalmente saiba que está tudo bem, sair à noite e pensar em sair causam-me ansiedade.

 

As aulas de educação física eram as piores. É cliché, mas era péssimo em futebol. Os rapazes tinham que jogar futebol. Um rapaz que preferisse jogar volley não podia, uma rapariga que quisesse jogar futebol podia. O professor que tive durante anos, assumidamente homofóbico, tinha uma metodologia de ensino peculiar: "joguem futebol"; beliscar as raparigas, olhar-lhes para o rabo e conversar com os favoritos. Havia uma certa discriminação na avaliação. Estudava e sabia as matérias, tanto para história como para educação física. Curiosamente, a história tinha 19 e a educação física chegar à positiva era complicado. Na parte prática, uma rapariga pior tinha 15, eu nunca mais do que 14.

 

Aos 18 anos, a fazer algo que de forma simples se chama terapia disse pela primeira vez que era gay. A sessão demorou 3 horas porque só após chorar durante este tempo, depois de me ter sido servido um gin e um whiskey - sim isto aconteceu mesmo - é que consegui abanar a cabeça. Demorei tanto tempo porque achava que me iria querer suicidar, que não aguentaria a vergonha se alguém soubesse. Em vez disso fui recebido com um sorriso e um abraço. 

 

Não sei bem o que tem de ser feito, mas o problema é muito profundo. As "vítimas" nem sempre denunciam, e por vezes suicidam-se. Na ausência de uma denúncia por parte da vítima, poderiam ser os colegas. Os colegas por vezes "não vêem", não têm de ser homofóbicos, racistas e afins, podem só ter medo. É difícil ir contra os estabelecido. Resta-nos os professores, mas esses conseguem ser piores. Parece popularucho ou demasiado português dizer isto, mas é verdade. 
 
Quando via pessoas na minha situação e não conseguia fazer nada, sentia-me impotente. Por vezes até tentava gozar, acho que era homofóbico. Falei há uns tempos com um colega que passou algo semelhante na escola e lamentei não ter sido capaz de intervir. Ele disse que não importava e até me confessou que fui das primeiras "crushes" dele. Saber isso foi emocionante para mim. Numa altura em que eu tinha repulsa de mim, havia alguém que reparava. Há sempre alguém. 

 

Nem sempre estive consciente, mas hoje sei que gosto muito de mim. As feridas são quase cicatrizes porque tenho vindo a entender que não seria quem sou sem um passado. E, ser gay não faz de mim menos homem nem é tudo o que sou. Até as emoções menos boas levaram-me a olhar as coisas com outros olhos e aguçou-me o sentido de humor. A honestidade só trouxe vantagens. Não só me permitiu manter as minhas amizades, como possibilitou que as mesmas se fortalecessem e multiplicassem. Permitiu-me amar e ser amado, construir algo com alguém. Permitiu-me ser livre.

 

A vida é cada vez mais plena porque tenho deixado que permaneça em mim um  "e se?", porque me deixei guiar pela imaginação, por curiosidade relativamente a outras vidas. Espero que quem leia, independentemente da vida, cor, peso, ou orientação sexual, se pergunte, com vista ao futuro "e se?" e veja todas as combinações possíveis. 

 

 

08
Mar17

Come-se bem na Cova de uma Loba


Leonardo Rodrigues

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Recôndito, ali estava o único restaurante de Linhares da Beira, a fazer jus ao seu nome, Cova da Loba.

Nada é por acaso. Diz que,  e eu sei que se diz muita coisa, que noutros tempos distantes uma tal de Dona Lopa expulsou de casa de Santo António uma criada que não era mais do que o Demo disfarçado, à caça de almas para a sua causa. O Santo devido à semelhança nome-espécie, como agradecimento, transformou-a em loba, com grande longevidade.

Esta vida continuará longa com a condição de trazer a Linhares os melhores frutos do bosque.

No meu entendimento gastronómico e de enólogo, parece-me que o animal à Cova da Loba conseguiu que chegasse o melhor de tudo, frutos do bosque, cogumelos, queijos da serra, vinho, Portugal e a criatividade.

É só com muita criatividade que se consegue pegar no que é nosso, melhorar e apresentar um Portugal novo. Os pratos têm as raízes de sempre, mas satisfazem o olhar fresco e os paladares modernos.

Ele comeu um imponente polvo com uma redução de balsâmico e eu um sublime risotto com cogumelos selvagens e queijo da serra. Os olhos não enganaram e fomos arrebatados pela explosão de sabores inteligentemente combinada e apresentada. 

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Como a loba está de folga às quartas a sua Cova não abre. De resto, é sempre boa altura para visitar, mesmo que neve lá fora há uma lareira dentro. 

 

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06
Mar17

Mértola, para sempre


Leonardo Rodrigues

Há uns tempos dei continuidade ao meu projeto de descoberta do sul. O objetivo era novamente Albufeira, mas, desta vez, com um twist. Este twist traduziu-se em muitas novas estradas e localidades com nomes difíceis de memorizar. Por questões práticas, motivados pelo acaso e pelo cansaço, sentimos necessidade de pernoitar em Mértola.

Este nome, como tantos outros, devido à minha insularidade, não me disse nada. Chegámos pela noite com o objetivo de todo o viajante após horas de estrada, comer. O único restaurante disponível para nos receber àquela hora foi o restaurante Muralha. Com pão, sopa, prato principal e o jarro de vinho que acompanha estas andanças, os 5 maravilhosos conseguiram jantar bem por 10 euros cada. 

Eu digo que quando bem se come, bem se deita, mas no nosso caso foi apenas escolher onde deitar. Tínhamos duas opções viáveis: Beira Rio e Hotel Museu. Porque o segundo era mais novo e quente que o primeiro e como ele sofre com o frio, a escolha estava feita. O nome cumpre-se apenas na medida em que existe uma ruína romana no seu interior devidamente preservada. Recordo-me de ter feito uma cena pacífica na receção, que era mais um pedido desesperado, para garantir que o nosso quarto tinha uma vista igual à das fotografias.

De malas desfeitas, saímos para a noite de Mértola que se resumia ao bar Lancelot. O bar descreve-se numa palavra: hipster. As luzes são coloridas e as paredes pintadas com arte. Ali, essencialmente, conversa-se sem consciência das horas, com a companhia de álcool e baralhos de cartas enormes. Escolhemos o UNO e eu tentei resgatar as regras inventadas na adolescência que me tornaram o inequívoco vencedor.

Durante a noite a vila não nos disse muito, até riscámos o carro devido à estreiteza das ruas.

Para mim o mais impactante de Mértola, e daí o para sempre, foi lá acordar. Acordar naquele quarto em específico do Hotel Museu, onde bastou-me meter a cabeça fora da janela para estar no calmo Guadiana, assim, sem por nem tirar. A vista persegue-me desde então, a água que reflete as margens estreitas, a névoa lá ao fundo, as canoas coloridas. O silêncio imenso. Tudo coisas que fazem o rural que há em mim pensar em não regressar a Lisboa, desde que pudesse manter a mesma companhia. 

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Enquanto primeiro a acordar, coube-me ir explorar a vila sozinho. Prescindi do pequeno almoço no hotel, embora só custasse 6 euros, para descobrir o que lá havia. Afinal, após ter aberto a janela senti-me logo motivado a sair para fotografar e, claro, beber o café que me mantém vivo. Como em todas as viagens para fora, compreendi que o meu dinheiro vale mais do que em Lisboa. A moeda é a mesma, mas os preços têm bom senso.

 

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Depois de inspirarmos o ar puro tivémos de seguir viagem, com direito a paragens por Alcoutim e Cacela Velha, até Albufeira. Mas é Mértola e a suas vistas que continuam a insistir voltar à memória.

 

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27
Fev17

Casa mais Sustentável com a IKEA - Passatempo


Leonardo Rodrigues

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É da cidade e pensa que não pode e não sabe cultivar? Isso há muito que não é problema, basta ir à internet e retirar umas ideias. Mas, caso prefira encontrar ideias à moda antiga como eu, através de um livro de papel, também é possível e a IKEA tem a solução, chama-se Cultivar em Família.

Cultivar em família é um livro cheio de imagens e DIY, com inspiração para tornar qualquer um em agricultor. Tal como cozinhar, cultivar nem sempre é para estimular o palato, podem também ser para lavar os olhos ou perfumar a casa. Este livro, para toda a família, tem tudo lá dentro: como cultivar batatas num saco, fazer crescer flores em água, cultivar em garrafas penduradas - ou noutra coisa qualquer - , diário de plantas, receita de gelado de brócolos, enfim, é só escolher. 

No meu passeio de hoje pela loja, lembrei-me que seria uma ótima ideia oferecer uma cópia deste livro aos leitores e futuros leitores do blog. Para se habilitarem a ganhar o livro só têm de fazer o seguinte:


1 - Gostar da minha página, aqui;
2 - Colocar gosto na publicação deste post;
- Comentar a publicação com o ingrediente que não pode faltar na cozinha.

Fim do passatempo: 11-3-2017

Vencedor: Victor Isidóro

Nota: este passatempo não é feito em parceria com a IKEA;  a cada participante é atribuído um número que depois, através do random.org, é escolhido aleatoriamente.


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