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LEONISMOS

LEONISMOS

15
Abr17

Nudista por um dia


Leonardo Rodrigues

Não tenho dúvidas, as motivações para se ir a uma praia de nudismo podem ter uma componente voyeurista e/ou de exibicionismo. E também pode não ter nada a ver com nenhuma das anteriores. Nem tudo tem de ser sexual.

As praias onde é possível praticar nudismo, espero poder escrever isto assim, quase por regra, localizam-se em sítios recônditos, nem sempre de fácil acesso, como a do Meco. Não me refiro à do café, refiro-me à outra. Off the beaten track, significa menos gente e uma natureza menos tocada. Silêncio e pureza. 

Nestes sítios algumas pessoas sentem que podem, literalmente, despir os preconceitos e perder as camadas de conceitos que a sociedade obriga a vestir. E é algo que todos fazemos, mesmo com consciência de que nascemos sem cuecas e que, se a nossa mãe, enquanto adulta respeitável as estivesse a usar, sairíamos com mais dificuldade. 

Ontem à hora de almoço estava a dizer uma coisa sobre o assunto a uns colegas, pela hora do lanche estava a fazer outra totalmente diferente. Surgiu-me na cabeça porque não e, de repente, já não tinha os calções de banho. 

A suspeitar muito desta nova liberdade que me tinha concedido, estar como cheguei ao mundo na rua, decidi voltar-me de barriga para baixo. Afinal de contas, os rabos são socialmente mais aceites do que pilas, da mesma forma que as mamas são mais aceites do que vaginas. Sim, conheço esta última palavra.

Por momentos, abstraí-me das pessoas à minha volta e concentrei-me na novidade que era sentir o sopro do vento e o penetrar dos raios de sol, distribuídos por igual a cada milímetro do meu corpo. Isto com o som da ondulação do mar a preencher-me a cabeça. 

Depois voltei-me e sorri. Era o meu corpo de todos os dias, apenas num cenário diferente. Não estava na sala, no quarto, na casa de banho nem na cozinha. O meu corpo estava tal como era numa praia, a contrastar com a areia e com o mar. Um contraste deveras libertador, elementar e desprovido de conceitos. Foi natural.

Não sei quando voltarei a sentir o impulso de tirar os calções em público, mas confesso que se estiver numa praia onde isso não é pecado, é bem possível que os tire.

 

 

09
Dez16

Descobri que o PSD tem Facebook e faz vídeos


Leonardo Rodrigues

Para um partido, ter uma página de Facebook é algo que deveria fazer todo o sentido. O PSD faz-me contrariar a frase que escolhi para começar o post. Especialmente quando o partido usa este meio para deturpar a realidade, oferecendo um ponto de vista que, de tão próprio, nem os seus militantes entendem. Descobri um vídeo além-ridículo acerca das ciclovias e das bicicletas. Ei-lo:

 

Os números e interpretações do PSD são sempre curiosos. Geralmente, e enfatizando os últimos tempos, pouco contribuem para o debate público, muito menos para uma mudança e educação dos portugueses. Os números não são realistas e, pelas imagens, cobrem uma zona muito reduzida. TPC: ler definição de amostras representativas e maiorias parlamentares.

 

O inverno veio para ficar, embora se vá disfarçando de verão. Não é só agora que de repente vamos para as ruas contabilizar as bicicletas. Vou no meu quarto ano em Lisboa e o aumento é real. Os lisboetas sabem, só falta o PSD. 

 

Sempre que espero o autocarro pela manhã, num time frame variável entre 10 minutos a 1 hora, dependendo do estado de espírito da Carris, conto pelo menos 5 bicicletas e pelo menos um ciclista buzina-me por estar a dormir na ciclovia. O meu colega de casa, outro exemplo próximo, vai todos os dias de bicicleta para o trabalho. Estas ciclovias permitem, ainda, aos fãs da trotineta e do skate chegar a sítios.

 

Custa a muito boa gente que o betão e calçada são para andar, e que o pavimento rosa é para as bicicletas. Muitas vezes porque o do pedestre está degradado - e aí subscrevo, não é justo. Outras, só porque sim. O pedestre quer passeios em condições, o condutor uma estrada sem buracos e o ciclista exatamente o mesmo. Podem não fazer intenções de usar bicicleta, mas isto não é motivo para se opor a uma alternativa que polui zero e melhora a vida de todos - dos que caminham com menos fumo, dos que conduzem com mais espaço  na estrada e dos que querem um assento no autocarro.

 

O mundo, Portugal não pode ser exceção, necessita de alternativas de mobilidade sustentáveis, para o planeta e para a nossa saúde. Que a aposta passa pelos transportes públicos não há dúvidas, mas neste momento é isto 
 
Claro que nem sempre seremos nós a beneficiar diretamente das nossas infraestruturas. Em Lisboa, para além dos lisboetas, avistam-se todos os dias dezenas de turistas a usar bicicletas - são menos nos transportes públicos, menos a usarem outros meios poluentes como os táxis e ubers. É uma boa notícia para o ar - não se esqueçam deste dado adquirido. 
 
Porque estaria o PSD a tentar denegrir algo que faz parte do futuro? Não é com o futuro que o partido está sempre preocupado? Talvez porque o futuro das autárquicas é mais importante?
 
PS. CML, as ciclovias estão a ir a bom porto, que a Carris siga a mesma estrada.
 
 
 
 
29
Nov16

A empregada sabotou o dia em que eu conheci os pais


Leonardo Rodrigues

A primeira vez deixa-nos com os nervos à flor da pele, mexe com os intestinos, faz pulsar a veia da testa e, se for o caso, pode doer. Isto para a maioria das primeiras vezes. Quando conheci os pais dele deveria ter sido assim, mas a verdade é que nem tive tempo para pensar na grandiosidade da coisa até estar sentado, primeiro a respirar, depois a jantar. Estive demasiado ocupado a ser eletrocutado pela adrenalina.

Para o aniversário, ele decidiu fazer um jantar com os pais. Eu, enquanto namorado fofo e boa dona de casa, prontamente me propus a cozinhar. Queria, mesmo fora de água, sentir o conforto da cozinha. Quando chegou o dia ainda me tentou com a ideia do restaurante, mas não deixei. Ele ia trabalhar, a Fátima fazia as limpezas semanais e eu tornava o jantar possível. Parecia simples.

Estando de folga, dormi até às quinhentas, iludido pela simplicidade da vida. Levantei-me para ir fazer as compras e, como tinha tempo, decidi que ia comprar, comparar e comprar mais no Lidl, Pingo Doce e, para ter a certeza, Continente. Como estavam todos tão próximos, porque não? Fiquei quatro horas a passear sacos de um lado para outro, sempre com a ideia de que a empregada estava a fazer a sua magia.

Quando regresso a casa vi tudo como deixámos, até o pacote de Tuc se estava à vista de todos na mesa da sala. A Fátima não tinha feito magia. Embora tenha vasculhado a casa para perceber se tinha acontecido alguma coisa à mulher, não precisei de gastar mais neurónios para perceber que estava por minha conta.

Coloquei os calções mais curtos que encontrei, agarrei no aspirador como se a minha vida dependesse de matar o pó, lavei loiça, esterilizei a casa de banho, dobrei roupa e escondi coisas que não têm sítio fixo dentro dos armários.

Ele apanhou-me a 2/3 do desmaio. Com um sorriso na cara, contou-me que a empregada decidiu ir à segurança social e, como aquilo demora, achou melhor passar lá em casa no dia seguinte. 

Cozinhei para as 10 pessoas, as crianças comeram tudo, os adultos elogiaram, rimos muito. Portei-me bem e senti pertença. Mesmo que alguma coisa não seja, temos uma fotografia que vai ficar para sempre e que me faz sorrir.

No que diz respeito à Fátima, arranjei forças para perdoar-lhe porque no dia seguinte ela compensou com uma sopa sublime. Agora que ela vai para Londres de férias, eu vou aperfeiçoar as minhas sopas, assim reduzimos a nossa dependência e, com sorte, ela percebe que não me pode deixar à beira de novo ataque prozac sem aviso.

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 Imagem: A Criada Mal Criada

28
Nov16

Sugestões para Oferecer este Natal (não custam, mas agradam os olhos)


Leonardo Rodrigues

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O Natal é muito mais do que os presentes materiais que se dão, mas é inegável que também fazem parte. Se, à semelhança de mim, estiverem a esticar o subsídio de Natal e o crescimento da família vos traz pensamentos de políticas anti-natalidade, tenho algumas sugestões. Aqui consta a lista de algumas das coisas que vou oferecer aos meus outros e onde vou comprar. 

O Mantra

Não é uma loja, é mesmo um mantra. Repitam comigo: Este Natal não vou comprar meias nem chocolates, muito menos me desgraçar. 

 

 

 

Odisseias

Haverá melhor presente do que uma experiência? De hotéis a restaurantes, as experiências Odisseias variam entre os 14,99 e os 174,90 euros. Existe uma opção perfeita para todos, o tio que sonha saltar de um avião, a sobrinha que quer ser fotógrafa e a mãe que precisa de ser internada num SPA. Este natal decidi que, para além dos miminhos que vão resistir ao tempo, hei de oferecer à minha cara metade uma experiência para dois. odisseias.jpg

 

Bairro Arte

Nesta loja encontram-se os presentes pouco convencionais, que fazem as delícias dos mais exigentes. Não são de luxo, mas têm o seu quê de exclusivo. Se fossem mais baratos penso que teria a loja em casa. Elegi vários artigos.

 

Projetor Smartphone (21,99€) - Sem necessidade de fios ou bateria, este projetor de cartão permite tornar qualquer parede, por intermédio de um telemóvel, numa tela de cinema.

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Mapa raspadinha (17,99€) - enquanto aspirante a viajante profissional, considero este um must have - estou a ter dúvidas se esta lista é mesmo para os outros. Não se riscam destinos, descobrem-se e depois raspa-se a descoberta no mapa. 

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Caneca Monstro (13,90€) - Para fazer as delícias dos mais novos e limitar o seu consumo de bolochas, que tal esta caneca?

 

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FNAC

Na Fnac, além do que já se sabe, relembro que podem encontrar os cadernos que para meio mundo são os melhores: Moleskine. Existem em cada vez mais cores e parecem-me o presente ideal para os criativos das nossas vidas. Os blocos de notas começam em 1,97€.

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Bertrand

Na loja de cima também podem comprar os livros, eu sei. Porque estaria eu a recomendar comprar livros noutra? Bem, é na Bertrand que continuo a acumular euritos no meu cartão de leitor - nunca tive coragem de fazer o cartão FNAC. O segundo livro desta trilogia de Mia Couto já está nas prateleiras e recomenda-se. Este Natal vou oferecer o Livro 1 (18,80€) e o 2(18,80€) a um casal.

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IKEA

A multinacional sueca tem vindo a reforçar a sua presença em todo o país e tem (quase) tudo para todos os bolsos. Decoração de parte, encontrei um peluche ótimo para as crianças mais novas, e que constaria na minha lista de natal se não achasse que a minha idade já passou. É um peluche e um fantoche e compra-se com 5 4,99 euros.

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Se estiverem por lá, pensando também nos adultos, que tal oferecer flores que durem mais do que uma semana? O IKEA tem outra resposta a custar 4,99€.

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Se não quiserem comprar nada daqui para oferecer aos vossos, podem inspirar-se nesta lista para me presentearem. Boas compras, boas prendas, boas festas!

 

 

 

 

 

 

 

25
Nov16

Nova Plataforma que Promete Agitar os Blogs - Sapo Friendly


Leonardo Rodrigues



Quantas vezes já pensaram "era tão bom que eu pudesse escrever, ter a certeza que o conteúdo cumpre os melhores requisitos para ser encontrado (SEO - se não sabem o que isto é, precisam mesmo) e ainda personalizar a partilha nas mais diversas redes sociais, tudo de uma só vez"?

Talvez não tenham pensado bem assim, mas eu quero poupar linhas. A resposta surgiu nos comentários de vários blogs durante estes dias, no Leonismos inclusive: o Swonkie. O nome é fofo e a plataforma também. A melhor parte: é compatível com o nosso Sapo, não fosse esta startup ser portuguesa.

Assim que concluírem o registo, que podem - e devem - fazer através de uma rede social, e embora a plataforma seja bastante intuitiva, alguém muito bem disposto vai estar online para vos dar as boas vindas e acompanhar em qualquer questão que tenham. Depois é só Escrever, Partilhar e Promover - as palavras de ordem.

Após os primeiros posts irão começar a ter acesso a estatísticas detalhadas do vosso desempenho nas redes sociais, de forma a conseguirem evoluir. 

O futuro à empresa pertence, mas neste momento a versão Beta é totalmente gratuita e só têm de aproveitar esta oportunidade para escrever e partilhar melhor. 
25
Nov16

Um colega que me quer comer... a paciência


Leonardo Rodrigues

É sexta feira, perdoo tudo, mas escrevo na mesma. Ao longo destes meses a minha vontade de ir trabalhar cresceu à medida que novos laços foram sendo criados e procedimentos interiorizados. Contudo, não podemos agradar a todos nem todos nos agradam. Tenho um colega que me adora dizer que fiz trapalhada ou inventar um procedimento adicional, fresco e inexistente. Por vezes pede desculpa e assume o erro, outras pede-me que o deixe falar, de forma muito calma, assertiva e irritante. Sempre que preciso que ele faça o seu trabalho, adotei a mesma estratégia: sorrio exageradamente, explico de forma extraordinariamente pausada o que pretendo e aguardo o clique em que nos agradecemos mutuamente. Hoje isto aconteceu, mas embora houvessem várias mensagens onde expliquei toda a situação e também o tivesse feito pessoalmente, quando estava a sair perguntou-me se me ia embora sem uma resposta. Três horas antes tínhamos feito o agradecimento mútuo. Expliquei-lhe apenas já tinha sido tratado, ele voltou ao que estava a fazer e eu vim de fim de semana. Sabem, eu não quero que deus me dê paciência, quero ser aumentado. É pedir muito?
23
Nov16

Estarão as melhores pizzas de Lisboa em Almada?


Leonardo Rodrigues

Com a descida das temperaturas a afastar cada vez mais o verão, ficam as boas memórias. Algumas, evidentemente quentes, têm sabor e fazem sentido todo o ano. Uma dessas memórias é a pizza que comi na Casa da Pizza, em Almada. Num dos regressos das maravilhosas tardes de praia com ele, devido ao trânsito, fomos forçados a fazer um pequeno desvio para jantar. Lá demos com a casa onde vive a pizza.

 

O nome trazia muitas promessas, mas garanto-vos que foram cumpridas assim que a pizza perfumada com manjericão fresco nos chegou à mesa.

 

 

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Pizza Meridional (sumo de limão, salmão, manjericão, queijo mozzarela, salmão e orégãos)

 

A melhor parte, paladar de lado, é que esta pizza para duas pessoas custou apenas 10 euros. Se estiverem do lado sul do rio Tejo, sem uma carteira que pague uma fatia de pizza no Avillez, têm a resposta nesta casa.

 

 

Dica: já que estão a poupar na comida, optem por um vinho que não o da casa.

Descubram mais aqui.

 

 

 

22
Nov16

Quantas vezes vão casar?


Leonardo Rodrigues

O post não se compromete a responder ao mote, até porque são sempre mais as perguntas que as respostas. Dúvidas inquietantes surgem a toda a hora, em todo o lado e com tudo. Ontem foi a vez do programa The Big Picture ajudar a trazer novamente à tona várias questões, como faz o mar com a madeira.

Sempre me referi a Jacqueline Kennedy como Jackie O. Era algo que tinha presente sem saber porquê, só conhecia a trágica história de amor com o Mr. Kennedy. O O, descobri ontem, trata-se afinal de uma herança do segundo marido, o milionário Aristotle Onassis. Fiquei surpreendido, não gostei da ideia de imediato, afinal o amor deles tinha de ser para sempre.

À custa disto, ouvi: sabes lá quantas vezes vais casar. É verdade, sei lá eu, sabemos lá nós. Mas isto dá que pensar.

Além da vida, será que começa tudo a ter uma data de expiração cada vez mais próxima? Não sabemos bem, parece que sim, e, cada vez mais, entramos nas mais diversas esferas da vida - especialmente a amorosa - a acreditar que o fim está ao voltar da esquina. É possível que esteja, nessa ou na esquina do quarteirão seguinte ou noutra ainda mais distante. É um dado adquirido, uma lei superior: se tem um início tem um fim.

Escrevendo isso, quase que apetece legitimar a questão “porque é que se começa se vai acabar?”, mas isto é quase o mesmo que perguntar porque é que se vive se vamos morrer?

Não tenho muita confiança no “e viveram felizes para sempre”, mas tenho no “vivem felizes há muito tempo”. O para sempre é na verdade para enquanto durar, tal qual as verdades dos livros.

Quando estamos felizes no momento presente não pensamos nos casamentos do futuro. Eu estou feliz e não quero saber. A vida continua a provar-me que passado e futuro não são boas moradas para se viver. Se já estou autorizado a pensar nos meus desejos para 2017, o primeiro é estar mais presente, na vida, para mim e para quem está enquanto está. Tudo expira quando tem que ser. 

15
Nov16

Hoje não sei


Leonardo Rodrigues

Uns dias temos motivos, outros simplesmente os estados de espírito surgem sem qualquer razão aparente. A carapuça assenta tanto aos bons como aos maus. Com os bons é mais fácil, só temos de vivê-los, saborear sem a consciência de que aqueles momentos nem sempre perduram. Com os maus há uma vontade enorme de exorcizar as emoções e de sufocar os pensamentos. Lá parece que conseguimos, temporariamente, depois o pensamento volta a entrar na nossa cabeça e adquire contornos mais fortes, de quase loucura. Aí está o diabo. Há vários anos aprendi que não os podemos deixar na cabeça. Verbalizar e deixar no ar também não serve. Temos de os colocar numa folha, física ou digital. Depois perdem a força, podem ser questionados e novas sensações surgem. Hoje ao tentar fazer pensamento-pergunta-resposta só me deparei com não sei, não sei e não sei. Hoje, que tudo parece ter de ser questionado, eu não sei. Escrevo na esperança de saber.

09
Nov16

"But Nobody Likes Trump" (OPINIÃO)


Leonardo Rodrigues

"But nobody likes Trump", foi isto que ouvi há dois meses da boca de uma filha de emigrantes portugueses nos EUA, com seis anos, enquanto desfrutava de uma combinação de gelado de meloa e gengibre na Gulbenkian. Pensei em escrever sobre este episódio, mas pareceu-me tão irrelevante como especificar o sabor do gelado. Limitei-me a elogiá-la na altura.


Parece razoável dizer que sobrestimámos todos a ambiciosa tangerina laranja com cabelo de golden retriever - uma das melhores coisas que ouvi no decorrer desta eleição. Inicialmente era só uma brincadeira e nunca se os late night shows conseguiram piadas tão boas. A brincadeira foi-se tornando cada vez mais séria, até que hoje acordámos todos de ressaca.


Ouvi logo que acordei: “não vais gostar de ver o que está a acontecer.” Não gosto, custa-me que alguém goste e os motivos questionáveis por detrás desse contentamento.


Foi apregoando desumanidade que venceu. Por isso, esta vitória, é uma preocupação que nos diz respeito a todos, não apenas pelo mercado de capitais, mas pela economia dos valores e direitos que pode regredir.


Embora o voto popular seja de Clinton, não se pode esquecer que a outra metade da América decidiu queimar o voto por alguém pouco transparente, com um discurso baseado na mentira, desconfiança e ódio.


Analisando em detalhe, é muito difícil que alguém que deixou a cruz para Trump não tenha sido, de alguma forma, alvo das suas ofensas. Recuando a 1998, cito-o: “Concorreria como republicano. São o grupo de eleitores mais estúpidos do país. Acreditam em qualquer coisa que passe na FOX News. Eu poderia mentir que eles mesmo assim engoliriam. Aposto que os meus números seriam fantásticos.” Ele estava certo.

Hoje tornei a foto do meu perfil pessoal preta e legendei com “RIP America”. Para alguns isto pareceu exagerado, mas é apenas uma forma simbólica de mostrar luto, solidariedade para com os bons princípios dos americanos e do mundo. Globalização e Americanização são quase o mesmo. A América perdeu e o Mundo também.

Hillary Clinton, ainda assim, deixa-nos esperançosos: "Esta perda dói. Mas, por favor, nunca parem de acreditar que lutar pelo que está certo vale a pena. Vale sempre a pena."

E para terminar ainda em melhor tom, cito um comentário cheio de esperança que encontrei: “Nós não fugimos, não nos escondemos, não nos mudamos para o Canadá, nem Narnia nem Middle Earth, - reagrupamos, organizamos e voltamos dentro de quatro anos. Certo?”

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