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LEONISMOS

LEONISMOS

24
Jun15

E Depois do Adeus?


Leonardo Rodrigues

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Embora tenha algumas novidades para breve, só tenho escrito e publicado coisas duma subjetividade enorme. Reparo que a sociedade incute-nos esta ideia absurda de que temos de nos preocupar com certas coisas só porque sim. Percebo o porquê de algumas inquietações, mas há mais nesta vida do que política, economia e o monte de esterco que daí vem. O que me interessa, sim, são pessoas, lugares, ideias, felicidade. 

 

O importante nem sempre se estuda, procura, tão pouco se encontra, tem por hábito acontecer. A felicidade acontece em palavras, conversas, risos, olhares, toques, a luz que está a bater no prédio de certa maneira enquanto escrevo isto, o pássaro que decidiu cantar para ti durante o almoço do outro dia, pessoas. 

 

Essencialmente pessoas. A nossa vida é feita de, com e para pessoas, não me faz sentido doutra maneira. Os outros fazem tanto parte de nós como nós deles, nem que apenas como mero reflexo (irei desenvolver esta ideia num post mais à frente, com uma entrevista).

 

Saber que existem pessoas que nos servem de porto seguro, que há alguém sempre lá, num lá que é cá, é tão reconfortante. O problema é quando o lá deixa de ser cá. E isto, sem floreados, quer dizer que as pessoas partem e é uma treta, pelo menos de início. 

 

É sabido que uns capítulos têm de encerrar para outros começarem e que quando num livro deixa de haver capítulos é imperativo começar noutro, e só assim se vive. Mas sabemos também que a ressaca literária é muito mais custosa quando se anda a abrir e a fechar fascículos da Vida.

 

Durante este período existem personagens que te vão despertar maravilhas para depois te as tirar, dizendo que "não faz mal”, e o som do que está entre aspas só a mim pertence. Se não fez mal talvez venha a engordar, dizem, não sei, mas engordar também não é lá grande coisa, pode matar - o desgosto matou. 

 

Talvez seja a cidade, o fado, esta coisa de se ser português e ter a nostalgia no sangue. A saudade começa quando ainda cá estão entre nós. Achamos que nunca vamos recuperar e, surpresa, um mês depois já nem nos lembramos muito bem ou pelo menos fomos capazes de reprimir isso bem lá para dentro - não andássemos nós a fazê-lo desde os Descobrimentos. 

 

Aprendi muito cedo que não se deve dizer nunca, talvez também não se deva dizer adeus, o “até já” é bem mais pacífico. Tenho é me esquecido disto.

 

E depois do adeus? Não sei muito bem. No dia em que comecei a escrever este texto não estava contente por ter dito adeus, mas, desde aí, já apaguei e reformulei muita coisa, não estou tão irado. Compreendo melhor, embora a ideia de ausência ainda mexa comigo. Só posso dizer com segurança que umas personagens têm de partir para podermos conhecer e aprender com as outras - muitas vezes já lá estavam mas que não eram vistas. Depois de um ou mais adeuses digam outros tantos ou mais olás, o tempo há de se encarregar do resto.

 

 

 

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