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LEONISMOS

LEONISMOS

27
Dez17

A minha relação com o alcóol mudou


Leonardo Rodrigues

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Porque quis ser solidário com alguém que estava a deixar uma substância, não há muito tempo, decidi retirar uma que consumisse todos os dias e que influenciasse o meu estado de espírito. Primeiro pensei no café, mas a última vez que tentei foi doloroso, então optei por retirar o vinho ao jantar e, com isso, todo o álcool. 

O que era um ato de solidariedade para com outra pessoa, tornou-se mais do que isso. Apercebi-me de que era estranho ser o único a beber água e sumo, havendo vinho à mesa. Mais, notei no primeiro dia - mau por sinal - , que já não ia aumentar para dois copos de vinho e relaxar no sofá. Tinha de ser interno e não externo. 

Após uma semana já não era assim tão estranho. Passei a acordar com mais energia, já não sentia tanto sono e a minha dor de cabeça que ataca de tarde estava domada. Curiosamente, o meu corpo ficou menos inchado, o meu sono melhor e sou capaz de ter perdido peso.

O maior desafio incidiu na esfera social. Foi estranho dizer que não ia beber. "Como assim não bebes, é o vinho que tu gostas", foi a resposta mais comum. Houve quem se sentisse mal por só me poder oferecer água - das melhores coisas do mundo. Claro que também houve quem se prontificasse a fazer um cocktail sem álcool.

É habitual no nosso círculo, especialmente nos jantares, haver vinho à mesa - na nossa mesa, na do resto da família, na dos amigos. Se tivermos algum evento, as probabilidades de haver vinho são de 100%. Gradualmente, passei a ter o meu copo de vinho ao jantar novamente. É uma linha muito ténue. 

Na imprensa saem sistematicamente notícias de estudos que indicam que não é assim tão mau, vendendo literalmente que é bom para o colesterol, coração e que até previne o cancro. O que essas notícias tendem a ignorar é que a substância chave, o resveratrol, é muito residual no vinho industrial e que a ligação entre o álcool, que é bastante aditivo, e o cancro é considerável. Parece uma certa publicidade que dá a entender que quanto mais daquela gordura em concreto comermos, menos colesterol teremos.

Há uma semana soube que uma prima minha morrera. À semelhança do meu avô e do meu pai, ela durante muitos anos socorreu-se todos os dias do álcool como um escape.

É verdade que 1 ou 2 copos não são uma garrafa, mas eu sei que no fundo também eu depositei, por vezes, neste ritual do fim do dia, a minha recompensa. Por esse motivo, voltei a cessar o consumo. Não porque estou a apoiar ninguém ou por pensar que toda a gente deve deixar de beber, mas porque estou convicto de que é uma opção benéfica.

 

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