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LEONISMOS

LEONISMOS

13
Set17

E se o seu filho quiser experimentar um vestido?


Leonardo Rodrigues

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A resposta mais simples de todas é: pode ser que, noutra vida, tenha sido escocês. 

Porquê é que eu me lembrei de escrever tal coisa? Ora, uns pais no Reino Unido retiraram o seu filho da escola porque outro aluno, com 6 anos, foi autorizado a usar vestido. Acham que a escola os deveria ter consultado, acerca da vida de alguém que não está a seu cargo.

Muitas crianças, por todo o mundo, sentem que nasceram num corpo errado. Isto não tem nada que ver com orientação sexual. Por exemplo, pode haver alguém no corpo de uma rapariga, que sinta que é um homem, e que goste de mulheres. Aqui, mesmo necessitado de uma mudança, é heterossexual. 

E, por muito que nos custe a perceber, pode não ter nada que ver com isso. Pode simplesmente preferir usar um vestido, sem isto carecer de psicanálise. Realmente, e não me acusem de politicamente correto, se uma mulher pode usar calças, porque não pode o homem usar um vestido ou saia, se assim entender?

Quando era mais novo, lembro-me de dois dias em que experimentei coisas de senhora. Vesti um vestido, calcei uns saltos e pintei-me, ou borrei-me, de maquilhagem. Noutro, depilei tudo, até as sobrancelhas. Não tinha esta referência da minha mãe, ela apenas tinha os sapatos de salto guardados, nunca usou a bendita maquilhagem, com muita pena minha. Eventualmente, começou a pedir-me que lhe tratasse da manicura e, isso sim, foi um tiro pela culatra. 

A verdade é que quando vi o resultado não gostei, continuava a identificar-me com as roupas de sempre. Se tivesse sido doutra forma, acho que não haveria ninguém capaz de lidar com isso à minha volta, o que teria tornado tudo ainda mais complicado. 

Será que temos mesmo de ensinar a complicar a vida dos outros? Quando digo complicar, não estou a colocar em pé de igualdade o sentido crítico. Devemos questionar o que nos rodeia, e procurar saber mais. Nunca escolher isolar-nos a nós, ou outros, de uma questão que merece ser compreendida. Desconstruir, desconstruir, desconstruir. 

Para responder, pelo menos hoje, a uma questão que coloco aos outros, se o seu filho quiser experimentar um vestido, tem que agir com a naturalidade com que o deixa brincar com um carro, ou permite que leve a camisola azul para a escola novamente. Ninguém fez nada errado, apenas vamos todos crescer para ser o que sempre fomos, e é mais fácil se houver sempre apoio.

 

Deixo-vos a entrevista com os pais, à BBC:

 

 

 

12
Set17

Passatempo: 2 convites duplos para o Festival de Cinema Queer 21


Leonardo Rodrigues

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Não é segredo, nem foi, que o Festival de Cinema Queer estará em breve de volta ao São Jorge. Algo que é, para muitos, a semana de overdose visual e cultural mais aguardada do ano.

Este ano são 90 filmes, de 32 países. Para tornar este regresso do Festival ainda melhor, uni-me ao Queer para oferecer, por agora, 2 convites duplos - há mais, em breve - para "Homogeneous, Empty Time", a estrear dia 20 de setembro. 

Esta longa metragem de Thunska Pansittivorakul e Harit Srikha é, de certa forma, um regresso à violência, procurando a fundação da Tailândia enquanto nação. Fá-lo, confrontando várias realidades, quer do aluno do secundário, quer de líderes de uma direita saudosista. Às tensões entre muçulmanos, por exemplo, teremos acesso através de um olhar de um casal de lésbicas. Além do contexto político de uma nação fragmentada, iremos aceder ao lado místico, dos fantasmas que pairam na vida de muitos.

 

 

Como ganhar os convites:

1 - Colocar gosto na página do blog, aqui

2 - Comentar, no Facebook, a publicação do passatempo com o nome de quem levariam convosco, aqui.

3 - Partilhar a mesma de forma pública. 

 

Vejam, ainda, o trailer do festival:

Nota: Sendo um filme para maiores de 16 anos, não serão aceites participantes de idade inferior. Apenas serão consideradas válidas as participações que cumpram os requisitos acima indicados. A cada uma será atribuído um número. Posteriormente, serão escolhidos dois números através do random.org, que irão ser contactados via mensagem privada no dia 18-9-2017. Os bilhetes destinam-se exclusivamente a esta sessão, não podendo haver troca nem convertê-los em dinheiro. 

08
Set17

Objetos onde vivem histórias


Leonardo Rodrigues

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Quando era mais novo, pensava que o mundo possuía mais magia do que agora. Acreditava, entre muitas coisas que lá descobri não serem verdade, que os meus peluches, embora não me respondessem, eram dotados da capacidade de ouvir e sentir.

Justificava o facto de não se mexerem, nem produzirem som com o processo de fabrico. Mas claro que o coelho azul que me fazia companhia tinha, de alguma forma, o sopro da vida lá dentro. Claro que lhe podia confidenciar o que me inquietava, num mundo que nunca chegaria a perceber. Ainda mais natural era pedir desculpa quando tinha sido injusto, não havia culpa nele. O mesmo para as árvores, e assim por diante.

Por algum motivo, comecei a lembrar-me disto ontem, quando finalmente consegui instalar este candeeiro turco que comprámos em Istambul. Vê-lo aceso trouxe-me de volta à loja, que se encontrava numa rua ladeada por árvores bem verdes. Lá quase só se vendiam candeeiros e sabonetes artesanais. Que raio de combinação, pensei eu!

Mas não é apenas isso, o rapaz que nos vendeu o candeeiro, quase à hora do sol se pôr, era sírio. Falava um inglês que se aprendia ao ritmo lento do turco, mas que fora suficiente para termos uma conversa que vou guardar para sempre. Disse-me que a vida no país que ama acabou e que, embora a família ainda lá esteja, sente-se otimista com o novo começo, num país cheio de cor e vida. Prova disso foi ter-me dito baixinho, como se fosse para Alá não ouvir, que tinha fumado, embora não tivesse violado o jejum da comida - mandatório durante o Ramadão. Claro que não percebi esta escolha, mas não me cabia a mim questioná-la. Como me disse, era a vontade inquestionável de Alá.

Neste candeeiro que agora vai ser aceso todos os dias guardo a viagem, as pessoas e as emoções que tudo me trouxe. Por isso acumulamos coisas. Afinal os objetos realmente têm vida, mas que depende de nós e das histórias e emoções que neles depositamos.  É tudo sempre nosso.

28
Ago17

Cães que não me importava de adotar: Pérsia


Leonardo Rodrigues

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De jantares e viagens de carro surgem boas ideias. Há uns tempos, vieram duas amigas jantar cá a casa. Uma delas faz voluntariado na AZP - Associação Zoófila Portuguesa, tratando dos cães abandonados que esta instituição acolhe. 

Ela, ao cruzar-se com a brincalhona da nossa Dóris, decidiu que precisávamos da Pérsia, cadela acolhida, para lhe fazer companhia. Expliquei-lhe que de momento não iríamos acolher outra cadela, mas que poderíamos ir visitá-la. Mais tarde, ao ler a Sónia, do Cocó na Fralda, que adoro, pensei se existe uma rubrica "Casas onde a cocó não se importava de morar", a blogosfera pode precisar de "Cães que não me importava de adotar". Dito e feito. 

Fui, então, conhecer a AZP, com uma outra amiga minha. Embora, no seu âmago, não sejam uma instituição de acolhimento, têm uma sala onde estão 5 cães sem teto permanente. 

As condições estão longe de ser ideais, mas estão acolhidos, têm água, comida, longos passeios com quem se voluntaria, e amor. Embora seja o indispensável, não chega. Estes animais que foram entregues à sorte da cidade, também merecem um sistema de apoio mais estável, num lar que tenha melhores condições, com uma família fixa. 

A Pérsia, é uma cadelinha arraçada de podengo, muito parecida com a Dóris, que foi abandonada na IC16, correndo risco de atropelamento. Uma pessoa bem intencionada trouxe-a para esta associação, onde está já há 9 meses.image1.jpeg

É uma cadelinha muito querida, cheia de energia e adora pessoas. Neste momento, devido ao contacto com um cão mais empolgado, está a perder a capacidade de socializar com cães, pelo que é importante que encontre um lar rapidamente. 

Quando a deixámos de volta ao seu abrigo, notou-se a tristeza, algo a que não foi possível ficar indiferente. Espero que este post possa encontrar alguém merecedor daquela cadela. Em caso de interesse, podem enviar-me um email para leonismos@sapo.pt.

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25
Ago17

Um livro educativo não é um artigo de opinião


Leonardo Rodrigues

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Ontem ao jantar, porque a televisão trouxe novamente o assunto para dentro da sala, discutia-se os tais livros da Porto Editora. 

Em vez de ser criado um livro de atividades para x idades, criaram-se dois, separados por sexo. O mesmo faz-se com o gel de banho, com ao desodorizante, entre outros exemplos. Acontece que, nestes, mesmo mudando o rótulo a qualidade não fica comprometida. E, claro, está comprovado que esta estratégia de marketing consegue impulsionar mais vendas do que versões familiares - iguais. 

Sendo sempre o objetivo o lucro, segmentar os livros em termos de idade é compreensível, acompanha o desenvolvimento das crianças e torna o livro mais leve. Não sei se entendo uma segmentação em termos de sexo, mas mesmo dividindo desta forma, o mesmo não deveria ter um nível de complexidade diferente.

No livro da Porto Editora, além daquele labirinto simplificado, temos exercícios com menos opções para as raparigas e representações de tarefas tradicionalmente associadas à mulher e outras aos homens. 

Li, em vários sítios, comentários em que sentia masculinidades afetadas, outros consideravam o fim da liberdade de expressão. 

Tradicionalmente, e reavivando a memória, as mulheres ficavam em casa, não estudavam nem votavam. Mudar isto não for ser policamente correto, apenas correto.

Como o conhecimento não é desodorizante, deve ser igual. A nossa formação começa numa idade tenra. Não é justo uma menina ter de ambicionar casar e ter filhos, enquanto o rapaz ambiciona ser astronauta.  

Por uma série de fatores, cada humano terá as suas diferenças, quererá interessar-se por isto ou por aquilo, mas, no que à educação académica diz respeito, tem de lhe ser dado acesso ao mesmo. As oportunidades não se devem excluir. Um livro educativo não é um artigo de opinião. 

 

 

 

21
Ago17

A mulher que está no mesmo sítio há 20 anos


Leonardo Rodrigues

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Cruzamo-nos com as pessoas mais extraordinárias todos os dias. Arrisco-me a congeminar que todas o são, pudéssemos nós ouvir as suas histórias e pensamentos.

Geralmente deixo-me levar pelas histórias que vou construindo, mas é sempre melhor ouvi-las. Não há muito tempo, estávamos a caminhar debaixo do sol ardente de Atenas, quando dei por mim a subir uma rua para entrar numa galeria de arte, algures no bairro de Plaka. 

Era um sítio apetecível para um turista deslumbrado com a Grécia, com pinturas que mostravam o melhor do país e do mundo. Os quadros eram de um único autor, cujo nome tenho num cartão. 

Não demorou muito até começar a conversar com a única pessoa que lá estava. Era uma mulher nos seus quarentas, com imensa vida dentro dela, um olhar taciturno e um sotaque inglês super peculiar. Era a mulher do artista.

Questionei-a, com entusiasmo, o quão maravilhoso era ter visitado aqueles locais todos. Ela disse-me que não viu nenhum, e que está em Atenas há 20 anos, desde que veio da Albânia à procura de uma vida melhor.

Ele pinta, ela vende. Assim é todos os dias da semana, de manhã à noite. Falámos pouco mais, já que entretanto me tinha desencontrado da minha companhia.

Desde então que penso nesta conversa, na forma como as palavras se organizaram e expressão que tinha no rosto.

Nenhuma forma de viver é errada, caso os olhos indiquem que está tudo bem. Poderemos, nós, deixar-nos ficar no mesmo sítio da vida, contra a nossa vontade? Ou melhor, estamos no sítio onde queremos estar?

 

05
Ago17

In a Hearbeat - E se dois meninos se amarem?


Leonardo Rodrigues

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Há um novo vídeo a correr a Internet de uma ponta à outra. É da autoria de Beth David, e chama-se, traduzido por mim, Numa Pulsação. Cá em casa vimos esta curta ontem, por duas vezes, e não deu para conter a comoção. Este sucesso mostra, de forma simples e inocente, a possibilidade de amor entre dois meninos. Acho que o faz da forma certa, sem chocar, tornando mais fácil explicar o amor a todos. E, prova, novamente, que o amor não escolhe um sexo, por mais que os olhares possam não estar habituados. Por vezes, quando o nosso coração escolhe, somos julgados. Mas, para amar, lá está, há coisas que não podem importar, como o sexo, a cor, a idade e as opiniões dos outros. Como ouvi no outro dia, amor é amor. Se o coração falar mais alto, o amor não tem remédio senão vencer, sempre. Além de mexer convosco, acho que, em 4 minutos, estarão com um sorriso no rosto.

 

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04
Ago17

É fácil ser agricultor num apartamento, sem terra - IKEA DIY


Leonardo Rodrigues

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Enquanto menino do campo, quer com vontade ou a contra gosto, estive sempre ligado à agricultura.

Ajudava a minha avó quando era mais novo, mesmo sem perceber os meandros da coisa, já que isso me fazia sentir um dos "grandes". Mais tarde, o meu contacto com a terra resumiu-se a plantar uma árvore no jardim que ficava atrás do meu quarto, já que preferia andar com a cabeça nos livros.

Com a vinda para a cidade, achei que cultivar passava a ser uma coisa distante, pelo menos enquanto não tivesse a minha porção de terra. E, mesmo tendo, ocuparia uma parte significativa do meu tempo.

Estava errado. Para começar, não há necessidade de haver terra para se cultivar. Há necessidade de 3 coisas, água, nutrientes e luz - que pode não ser solar, mas LED. Ao cultivo feito desta forma, chama-se hidroponia.

Existem muitos vídeos que explicam como fazer o nosso próprio sistema de cultivo, mas encontrei um bastante acessível à maioria na gigante sueca IKEA. Chama-se VÄXER e, até ao momento, permite cultivar 9 espécies de plantas comestíveis. 

Lembrem-se da lição mais importante de todas, crescer a nossa própria comida é como crescer o nosso dinheiro. E podemos, em qualquer casa, começar a fazer por isso. 

Poderia explicar passo a passo, mas a IKEA tem um vídeo bem melhor do que mais parágrafos:

 Eu segui os passos, assim:

 

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Como cá em casa temos muita luz natural, não comprei os LED's - o mais caro. Poupei dinheiro, gastei quase 30 euros, e as plantas cresceram na mesma. Ora vejam.

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Espero que se sintam inspirados em meter mãos à obra, já que não suja nada. Ah, e que acompanhem o blog no Facebook, o que também não suja nada.

 

 

 

03
Ago17

As praias mais exclusivas da Madeira


Leonardo Rodrigues

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A Madeira, além de um jardim, é também um fantástico destino de praia. Aliás, a Pérola do Atlântico, é um destino para tudo e para todos, bem como o seu microclima. 

Há quem pense que as pedras, em vez da areia, podem ser um incómodo maior do que realmente é. Mas, até mesmo para esses visitantes, há solução. Importámos areia da ilha vizinha, o Porto Santo, e agora também temos praias de areia amarela. Além destas "artificiais", e as de pedra, pode-se escolher entre areia escura, piscinas naturais, as dos hotéis e mais umas quantas praias pagas. 

Mas não é de nenhuma destas que vos quero falar hoje. Quero falar-vos de duas praias apenas descobertas, por mim, agora. Fazem parte do mesmo trilho e chamam-se Baía D'Abra e, um pouco depois, o Cais do Sardinha.

Há necessidade de se deslocarem a um dos extremos da ilha de carro, ou autocarro, pertencente ao Caniçal, a Ponta de São Lourenço. 

Sendo que têm muito que caminhar, uma vez no ponto de partida, se não levaram mantimentos, podem comprar na food truck que se encontra junto ao início deste percurso, até a um dos extremos da ilhas. Felizmente, ele lembrou-se de comprar água ou teríamos todos ficado lá em baixo com a desidratação.     

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Há necessidade de caminhar sensivelmente uma hora, ou mais, caso seja impossível não parar de contemplar as paisagens sublimes que só a natureza quase intocada pode proporcionar. 

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É um percurso exigente, mas bem sinalizado. Como tem apenas uma faixa, garanto que não há como errar.

Embora um grupo tenha conseguido construir um aldeamento turístico com marina, a Ponta de São Lourenço é uma área protegida. Além das vistas estonteantes, para os amantes da natureza, terão a oportunidade de conviver pacificamente com mais de duzentas espécies que povoam a zona. 

Depois da espera muito aguardada, chegam às águas mais límpidas e cristalinas que a maravilhosa Ilha da Madeira pode oferecer. Primeiro na Baía D'Abra, depois no Cais do Sardinha.

Graças a uma ótima temperatura da água de verão, é só entrar, e continuar a desfrutar de um ótimo dia de família. Sem som, ondas ou pessoas. Só vocês e as pessoas que importaram o suficiente para fazerem tal caminhada juntos. 

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 Lembrem-se de acompanhar o blog através do Facebook.

 

 

31
Jul17

Istambul, 3 dias no centro do mundo


Leonardo Rodrigues

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Vou poder dizer, enquanto viver, que estive na Turquia antes de abolirem o ensino da teoria da evolução nas suas escolas. Comecei por onde se tem de começar, a mítica cidade de Istambul. É, para mim, o centro do mundo, onde as coisas do Oriente e do Ocidente se juntam para se separarem. 

A cidade é imensa, não fosse o lar de quase quinze milhões de pessoas. Surpreende pelos contrastes, que vão além de arranha céus e prédios de madeira. As mesquitas avistam-se mais alto que tudo. Tem um sofisticado sistema de transportes, e um aparelho turístico irrepreensível. Na cidade dos rooftops, pode-se comer bem e barato, apenas se não cedermos à pressão do comerciantes.

Tínhamos três dias e, graças à localização privilegiada do nosso Airbnb, junto da praça de Sultanahmet, fizemos tudo o que é obrigatório.

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Começámos pela Mesquita Azul. Embora na prática não sejam colocados entraves aos homens com calções, o correto são calças para os homens, e as mulheres devem estar o mais cobertas possível, com ênfase para a cabeça e os ombros, porque Alá assim disse. Os sapatos não são permitidos, ficam à porta ou facultam-nos um saco. As mulheres muçulmanas oram dentro de umas salas recônditas, uma vez que não se devem expor na dianteira, com os homens. O seu interior é muito trabalhado, é mágica e, de tão imensa, não me espantaria se tocasse realmente no céu - embora não seja maior do que a Hagia Sophia.

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Sinónimo da imponência de Constantinopla, em tempos de Constantino II, Haghia Sophia foi inicialmente uma basílica, a Magna Ecclesia. Com as mudanças de poder, acabou por se tornar numa mesquita. Hoje em dia é um museu dos mais visitados do mundo, graças à iniciativa de Ataturk, o presidente que aproximou a cidade do Ocidente e promoveu uma clara separação do Estado e religião. A entrada custa 10 euros e vale cada cêntimo.  Ficámos horas a contemplar os imensos pormenores. 

 

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Ainda naquela parte da cidade, a Basílica Cisterna, uma maravilha romana onde poderiam estar milhares de litros de água, que abasteciam a cidade, é outro must. Curiosamente, devido à renovação dos povos de Constantinopla, a Basílica como que se perdeu. Quando os habitantes começaram a conseguir pescar peixes com baldes das suas caves, lá descobriram a construção milenar. É arrepiante estar dentro da cisterna, mais ainda se pensarmos que uma construção daquela magnitude mobilizou milhares de escravos. Acredita-se que o "pilar das lágrimas" foi lá colocado em homenagem aos que morreram. Espero que sim. 

 

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Para se almoçar bem e barato ali perto, nada como ir comer até ao telhado do Doy Doy, um maravilhoso restaurante de cozinha tradicional turca, a preços e vistas bem apetecíveis.

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O Grand Bazaar é outra paragem obrigatória. Pensemos neste como um centro comercial tradicional, térreo, que se estende por vários quilómetros. Não tenham ilusões, vão perder-se nas milhentas ruas. Enquanto se perdem e encontram uma das muitas saídas, lembrem-se de regatear sempre o preço. Na primeira tentativa de lá entrar - domingo - estava fechado. Nos dias de semana fecha pelas 19.

 

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Para reabastecer na rua, e que podem comprar com apenas 8 liras turcas, ou dois euros, é a sandes de peixe. Esta é vendida do lado ocidental da cidade, mesmo junto ao mar do estreito do Bosforo. Tentei saber qual a mistura de especiarias que lá se colocava, mas ninguém me conseguiu explicar. Nas lojas, encaminharam-me sempre para a fish spice, que era diferente da que me deram a provar...

 

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Por falar em fish spice, tenho de falar em especiarias. Embora não estivéssemos conscientes, passámos pelo bazar das especiarias, que também estava na nossa lista. Acontece que naquele momento estávamos de mau humor, e só nos queríamos afastar do Grand Bazaar. Minutos antes, fomos abordados por dois engraxadores, que nos tentaram cobrar 90 liras turcas por conversa fiada e por nos terem molhado as sapatilhas. Não me pareceu que assaltos fossem frequentes, mas sim os esquemas para enganar turistas. De qualquer modo, rumávamos ao lado moderno, onde se avista a grandiosa torre. 

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É na torre de Galata, do lado ocidental, que se tem a melhor vista da cidade, para ambas as margens do Golden Horn e para o lado Asiático. É das atrações mais caras e não esperem descontos, se não tiverem cidadania turca. 

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Por estas paragens, existe algo muito frequente em Istambul, prédios inteiros convertidos em restaurante. Encontrámos um que se chamava Galata Konak Café. Além de doçaria irrepreensível no piso térreo, tinham uma vista muito semelhante à da torre de Galata, no último andar, mas gratuita.         

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Porque uma caminhada assim o quis, fomos ter à estação aonde chegava e donde saía o icónico expresso do Oriente. Outrora, foi o comboio mais luxuoso do mundo, e ligava metade da Europa ao Oriente. Transportou grandes vultos, da realeza às estrelas. Embora não conseguisse conter o entusiasmo, foi fácil entender que os tempos áureos dos caminhos de ferro acabaram.  

 

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Ir a Istambul sem ir aos banhos turcos é como ir a Roma e não ver o papa. É uma experiência cara, mas vale a pena. Os banhos turcos chamam-se Hamam e experimentámos a Çemberlitas Hamami. Dão-nos uma chave para a cabine, onde indicam para ficar apenas de toalha e chinelos. A chave fica no pulso. Depois é altura de rumar a uma sala quente onde a temperatura é superior a 40 graus. Quando já não aguentamos a humidade, chega uma pessoa que nos manda deitar, estala as costas e esfrega-nos vigorosamente com uma luva. O passo seguinte é o banho frio. Embora seja tudo muito rápido, e bem pago, há uma grande insistência na gorjeta.

 

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Andámos durante estes dias, em média, 12 horas, mas nem assim conseguímos ter tempo para ir além do exterior do Palácio de Topkapı nem visitar a Ásia. Ficará para a próxima viagem.

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Acho que é normal não saber o que esperar desta cidade. Começamos com receio do que se ouve e lê, mas acabamos por perceber que é mais segura do que a nossa e que as pessoas são muito afetuosas. Contudo, existem diferenças culturais estranhas à vista e aos ouvidos. Cinco vezes por dia entoam-se passagens do Alcorão para toda a cidade, anunciando os momentos de oração. Curiosamente, ou não, o livro sagrado do Islão está disponível gratuitamente nas mesquitas, em muitas línguas. Trouxe a minha cópia, para ter a certeza do que diz.

Istambul poderia ser uma cidade europeia, apenas ainda mais limpa e cuidada. Recomenda-se com muita nostalgia, e memórias que já não cabem num post que vai longo. 

 

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Caso tenham alguma dúvida enviem email para leonismos@sapo.pt, e acompanhem sempre o blog através do Facebook e Instagram.

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