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LEONISMOS

LEONISMOS

26
Mai16

Dia do Riso, todos os dias


Leonardo Rodrigues

Ontem um trio maravilha, do qual fazia parte, decidiu sentar-se numa esplanada no Saldanha para beber café e comer um pastel de nata - coisas que um lisboeta tem de fazer para não perder a nacionalidade - , conversar, depois rir e olhar para quem passava. Centenas passaram por nós, de carro e a pé, posso garantir que éramos dos poucos a rir, os únicos conscientes que pode não haver amanhã ou daqui a uma hora. Os restantes caminhavam para alguma coisa, com ar sério, como se o arroz fosse queimar se não andassem cabisbaixo, com cara de poucos amigos, perdidos em pensamentos. Os portugueses estão tristes. Aquele português, com os olhos na Calçada, muitas vezes também sou eu. Há quem não se lembre de como chegou a casa por cansaço, por embriaguez, eu por vezes não me lembro porque vim em piloto automático, perdido em pensamentos. A minha querida professora e companheira de loucura, da esplanada, acenou enquanto ria para algumas pessoas. A maior parte não viu ou não conseguiu entender. Porque haveria alguém de sorrir a um estranho, estaria ela doida? Uma senhora, talvez a pessoa com o olhar mais triste que vimos, parou. A doida disse-lhe, É dia do riso, ria. Primeiro não conseguiu compreender e olhou para toda a gente na mesa, ri para confirmar. Ela riu de volta, acho que até murmurou um agradecimento. Talvez não lhe estivesse a ocorrer porque o dia foi mau, mas, para além de ser linda, tinha um sorriso fabuloso, desenhado exclusivamente para ela. Talvez aqueles segundos lhe tenham servido para perceber que se o arroz queimar, pode fazer massa, que vai bem com tudo. Nem sempre me lembro das opções. Ontem, por exemplo, acordei chateado porque uma entrevista no dia anterior tinha corrido mal, já tinha decidido: sofrer o dia todo. Depois, ainda de manhã, ao beber um café no Miradouro da Portas do Sol, percebi, com ajuda, que independentemente do que estivesse a acontecer na minha vida tinha a liberdade de estar ali, rodeado de gente, enquanto o sol insistia em dar cor aos meus braços e pernas, com um ventinho que passava para atenuar o processo. Até os pássaros cantavam para relembrar a primavera. Para poder apreciar o momento, só tive de retirar uma coisa que já não estava acontecer da equação. Reescrevam também a vossa equação e depois dêem um boa gargalhada - sem café não será a mesma coisa! 

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Prova da maravilhosa manhã de ontem

 

22
Mai16

E se você fosse a Catarina Martins?


Leonardo Rodrigues

Quinta-feira passada, estava eu à espera do meu 726, a torrar numa paragem nos Anjos, quando ouço o seguinte "O autocarro já deveria ter passado", seguido dum, Mas "Eles só fazem o que querem". Eles quem, senhora? É redutor ver mal em tudo. O autocarro não estava atrasado, passou na hora que era suposto, essa hora era desconfortável apenas porque o não gostar de esperar e o calor intenso são um mal comum. Não tem nada a ver com Eles - a entidade que serve para tudo. Tenho amigos da América Latina que viveram meses suficientes em Lisboa para elogiarem a nossa rede de transportes. Não damos valor nem pensamos sobre o que temos, só no que não temos. Chateamos-nos com o que não importa. Não é só a saudade que nos está no sangue, no sangue está também uma forma de pensar pequenina e mesquinha. Isso assenta em frases como: Eles só fazem o que querem. Antes de enviarem informações à boca para articular tamanhas barbaridades, formulem questões simples como: eles quem? Não estou aqui para me chatear com os meus momentos Carris - costumo ter conversas maravilhosas com estranhos. Estou chateado com a polémica do E se fosse consigo?/Catarina Martins. Podia começar com um simples não é uma coincidência assim tão grande, afinal ela trabalha lá ao pé, mas alguém no Facebook já tem resposta para isso, a resposta é: Eles não trabalham. Não sei se escrevem isto para obterem gostos de estranhos ou se acreditam no que escrevem. Se acreditam, já tiveram a humildade de questionar as vossas crenças? A ideia de político na maior parte das cabeças é de alguém mau, que nada numa piscina de dinheiro. Como em qualquer outra coisa, há bom e há mau. As pessoas estão chateadas porque uma cidadã - uma deputada também o é - conhecida do público interveio. Pegam em qualquer coisa, até num auricular, para retirar mérito a uma grande atitude. Perante tal situação, acho que não me iria questionar se um agressor tem um auricular, alguns têm Mercedes. Acho que isto acontece porque se o que a deputada pelo BE fez for legítimo então os políticos talvez não sejam assim tão maus, talvez alguns até queiram realmente ajudar - isto enquanto alternam entre a piscina de notas e a Assembleia, claro. Outras das questões aqui acho que tem que ver com a forma de tratamento. A Catarina, por educação, mesmo a tremer, disse consigo. É uma pergunta legítima, e se fosse consigo? Há uns anos, perguntei a um miúdo, que estava a gozar com o único negro na escola, se a pele fosse dele, se era ok eu chamar-lhe de preto e coisas que não me atrevo a escrever aqui. Ele disse-me que não e encolheu-se no assento do autocarro. Na minha presença, pelo menos, nunca mais o vi a insultar ninguém. É uma pergunta eficaz. Aos que a chamam de atriz, explico-vos, somos todos atores e nós também representamos vários papéis na sociedade. A Catarina enquanto "atriz" social, cumpriu o seu papel mais elementar de todos, o de humana. O "E se fosse consigo?" não é um programa de apanhados. Acredito que mais do que entreter, a Conceição Lino pretende ajudar a educar. Educar não cabe apenas aos pais nem às escolas. Os media, querendo ou não, também o fazem. Muito boa gente neste país não estaria a pensar questões relacionadas com bullying, homofobia e obesidade se não fosse o programa. Ao verem o que acontece - pode acontecer, como preferirem -  consciências despertam para a realidade, formam-se. Isto leva, espero eu, à ação. Não têm de intervir a ponto de colocarem a vossa segurança em risco, podem só chamar alguém que possa, tudo é melhor que ignorar. Quando estava no secundário, por exemplo, notava que muitas ações eram condicionadas pelo que era "fixe". Imaginem se respeitar, defender os outros, pensar de forma aberta se tornar "fixe" graças a programas destes. E vá, se estivessem no lugar da Catarina Martins, intervinham ou socorriam-se de pensamentos como "entre marido e mulher não se mete a colher"? Isso é o que importa.

21
Mai16

Porto Tónico: Verão dentro dum copo


Leonardo Rodrigues

Provei recentemente, e pela primeira vez, o Porto Tónico. Não foi um qualquer, como os que se servem por aí a preço de ouro. Este tinha o verão lá dentro. Quando vi a bebida a ser preparada à minha frente nem conseguia falar, só observar. É belíssima, os aromas que se vão libertando também. Só pensava "verão dentro dum copo", o que é curioso. O verão é quente, a bebida é fresca. A associação só se pode dever ao facto de no verão precisarmos de coisas frescas, com cor, preferencialmente dentro de copos. Embora a foto não seja ilustrativa, visto haver pouca luz, espero que o modo de preparação vos permita entender. 

 

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Igredientes:

  • Limão
  • Laranja
  • Hortelã
  • Vinho do Porto branco seco
  • Água tónica
  • Paus de canela

 

Modo de preparação: Sou supersticioso com a ordem pela qual se colocam os ingredientes, por isso vou tentar explicar o que vi. Esmaguem a hotelã q.b - posso usar q.b como entender - , sem a desfigurar completamente, afinal os olhos comem primeiro. Depois, coloquem dois paus de canela dentro do copo e uma rodela de limão - parcialmente espremida. A isto segue-se a colocação do gelo. A quantidade vai depender do tamanho do copo, este, por exemplo, tinha 4 pedras. Quando o gelo estiver lá dentro, é hora de adicionar o vinho do porto e de ver nevoeiro - no verão, isto só melhora, eu sei. Depois do vinho, a água tónica, 50/50 é o ideal. Raspem um pouco de casca de laranja para lhe dar o toque final. Voilá. Repetiam o processo consoante o número de convidados.

 

Agora que já podem beber o verão, não se sintam gratos a mim, agradeçam ao Miguel do saliva.pt que me apresentou a bebida.

 

18
Mai16

Dia Nacional Contra a Homofobia e Transfobia: Debate 19


Leonardo Rodrigues

Ontem, dia 17 de maio, em Lisboa, fez-se mais do que hastear a bandeira que celebra a diversidade nos Paços do Concelho da Câmara de Lisboa, para celebrar o Dia Nacional Contra a Homofobia e Transfobia. O portal dezanove, que se tem vindo a afirmar como O Portal de notícias e cultura LGBTI em Portugal, organizou um debate de reflexão sobre a evolução dos direitos LGBTI. Deste debate, que tomou lugar na Casa Independente, fizeram parte deputados da direita à esquerda, foram estes Ângela Guerra (PSD), Heloísa Apolónia ("Os Verdes"), Isabel Moreira (PS), José Soeiro (Bloco de Esquerda) e Paula Santos (PCP). Para se dar início, e depois da recente legislação aprovada, nada melhor que perguntar se há muito mais a fazer. A primeira interveniente, do PSD, considerou que a maior parte do caminho está percorrido e que, neste momento, podemos apenas "promenorizar algumas situações". Isabel Moreira demonstrou uma opinião contrária, admitindo, ainda assim, a grande conquista que foi o 13 de maio, "o dia de nossa senhora, o primeiro caso histórico de PMA" - quis tanto pedir-lhe um autografo naquele momento, mas optei por respirar e deixá-la continuar a intervenção. José Soeiro seguiu a linha de pensamento de Moreira, admitindo os avanços, que são cada vez mais rápidos, e apontou o que falta fazer em três frentes: lei de identidade de género, "que continua dentro do paradigma da patologização", a educação sexual em Portugal "que praticamente não existe" e, em terceiro lugar, a questão da doação de sangue, referindo-se aos grupos de risco como uma noção "ultrapassada", dando foco aos "comportamentos de risco", que, como diz e muito bem, depende de "práticas sexuais concretas", algo que transcende a orientação sexual. Heloísa Apolónia introduziu duas palavras de ordem, "debate e educação", afinal só assim se consegue "formar consciências". "Há muito para além daquilo que a legislação consegue responder". Para servir de suporte a esta ideia, Paula Santos apontou a fiscalização como algo de essencial para que a nossa Constituição possa ser comprida. Sinto que o restante debate, mesmo com a diversidades das questões colocadas, retornou sempre à questão inicial e há de voltar sempre. Já se fez muito, mas o trabalho dificilmente acabará tão cedo, especialmente em matérias trans, como os últimos minutos do debate vieram a comprovar. Nesta hora e meia houve ainda tempo para se falar sobre PrEP, do famoso cartaz do Bloco e do caso da mulher agredida por um taxista no Porto - que, relembro, ainda não foram tomadas ações contra o mesmo. Recomendo vivamente que assistam ao debate e que tirem as vossas próprias conclusões, uma vez ser altamente educativo, mesmo para aqueles que estão dentro destas temáticas. Se não conseguirem assistir até ao final, fiquem também com esta dúvida: será que Isabel Moreira irá conseguir convencer António Costa a participar na Marcha de Orgulho LGBT? 

 

15
Mai16

Hoje volto ao Caderno e à Caneta


Leonardo Rodrigues

É assustador o quanto dependemos das novas tecnologias. Sei que as uso muito, constantemente, mas raramente as penso como uma dependência por mais de cinco segundos. Afinal, se quero ver um filme ou uma série estou a uma pesquisa de distância. Com a música, sem a qual não sei viver, o mesmo. Se, ao andar por aí, vejo algo que considere digno de moldura, basta-me deslizar o dedo para cima num ecrã bloqueado e imortalizar o que quer que seja. Em frações de segundo posso fazer um segundo durar para sempre. É sedutor. Se estou a ter um pensamento digno de best seller internacional basta-me abrir as notas do telemóvel e anotar. Achava eu. A maior parte dos meus posts começam com pensamentos muito desconexos oriundos das notas do meu telemóvel, muitas menos vezes do meu caderno que se fecha a elástico. Para nele escrever, tenho de o ter comigo juntamente com uma caneta. Um smartphone está sempre comigo, na mão, no bolso ou na cabeceira. Tudo parece jogar a favor da tecnologia. Até nos faz acreditar que melhora a nossa relação com o mundo. Isto, claro, até o dia em que nos falha. Hoje falhou-me. Apagou todas as minhas estimadas notas. Estavam lá às centenas. Centenas de coisas que considerei, literalmente, dignas de nota pura e simplesmente desapareceram. Antes, confesso, fotografava mais do que escrevia, agora escrevo mais do fotografo, porque isto permite-me guardar o que vai cá dentro, em vez do que vai lá fora. Esta manhã, senti-me a perder parte do meu dentro. Pensar que nunca mais vou pensar ou escrever o que perdi exatamente da mesma forma assusta-me. Senti-me um drogado sem droga. Fiquei mais meia hora na cama a adiar o meu primeiro café. Depois lembrei-me que em tempos ouvi que o suporte mais durável era o papel - pensem num papiro. Na altura, ri-me, qual papel quando temos CD's, pens e discos eternos? Hoje, para além de me apetecer substituir uma maçã de dois anos pela amora com seis, decidi que as coisas dignas de nota, daqui para a frente, têm de ser Anotadas em Papel, com Caneta. Pode ser que assim durem vidas.

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Na Gulbekian

13
Mai16

Cresci na Cozinha


Leonardo Rodrigues

Ainda agora comecei o post e já tenho de me corrigir, Cresci em várias cozinhas, essencialmente em 3. A principal é a lá de casa, na Madeira, uma cozinha que é mais sala do que a própria sala. É a entrada e a saída. Quando lá vivia, funcionava como um género de ponto de encontro, onde comíamos, conversávamos, discutíamos, ríamos e chorávamos. (Não admira que seja um emotional eater, Cresci, mesmo, na Cozinha.) Aqui estavam as caminhas dos cães - um dos problemas para conseguir chegar à escola com a roupa sem manchas, como vos contei aqui. E, era por lá que tinha de passar obrigatoriamente para chegar aos quartos, ao quintal e à casa de banho. Tive de me deixar do lema que afirma que todos os caminhos vão dar a Roma, a minha casa ensinou-me que todos os corredores vão dar à cozinha. Em segundo lugar, está a cozinha da minha avó. Agora que penso nisto, as nossas casas tinham todas plantas bastante estranhas. A sala como que ficava fora de mão, então era na cozinha que liam o jornal, que eu devorava desenhos animados, tentava falar apaixonadamente de coisas que não dominava e que, inevitavelmente, presenciava a minha avó a fazer magia. A magia assumia a forma de bolos que perfumavam as ruas, do milho com couve que tinha de repousar nos pratos, a espetada no forno a lenha, e, por fim, a sopa - escrevi sapo, ando claramente a passar demasiado tempo por estas bandas. Ai a sopa. A sopa que aquela mulher fazia permitiu-me ser daqueles miúdos que nunca fizeram uma birra para comer legumes. Para terminar com isto das minhas 3 cozinhas, temos a a cozinha mais interessante de todas, uma industrial - fascinava-me na altura. Foi aí que a minha mãe, conjuntamente com umas 15 mulheres, tirou 3 cursos de culinária. Se pensam que por isso comi melhor, enganam-se, só mesmo nas provas do final de cada aula. A minha mãe pura e simplesmente não cozinha em casa, essa tarefa ficou para a minha tia.... Sempre gostei de comer e de ajudar na confeção dos pratos, mas, com 15 anos, vi-me na obrigação de também começar a cozinhar só para mim. Isto, porque com esta idade comecei a ter contacto com certo tipo de literatura, como OSHO, algo que me fez optar pelo vegetarianismo. Aí, tornei-me mestre em manipular um certo ingrediente. Porquê contar-vos isto tudo e parar aqui? Porque, meu caros, a Mula mais querida atualmente a habitar este planeta convidou-me a participar numa edição da rubrica "na cozinha com", pelo que esta história acabará por lá. Vou ter uma quarta cozinha na minha vida e, pela primeira vez, fica num curral. Prestem atenção às vossas "Leituras".

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 Fotografia tirada no RDA, pelo Rui - tenho tanto sono que hoje nem edições se me dignei a fazer.

11
Mai16

Sergey Lazarev, és de que Rússia?


Leonardo Rodrigues

Bem. Sendo este um blog de uma índole mais pessoal, não costumo pronunciar-me muito relativamente ao que se está a passar na comunicação social. No entanto, qual não foi a minha surpresa quando, hoje, abro uma notícia que dá conta de declarações feitas por Sergey Lazarev, o participante russo na Eurovisão. No seguimento de questões relacionadas com a vida dos homossexuais na Rússia, ouve-se: "são rumores", "podem sentir-se seguros no nosso país". Mentira, o rapaz tem passado demasiado tempo no ginásio. Para além de na Rússia terem sido implementadas leis "anti-propaganda gay" - signifique isto o que significar - , temos, em Portugal, prova viva de que assim não é. Essa prova chama-se Margarita Sharapova, uma escritora russa que pediu asilo político ao nosso país em Janeiro de 2013. O motivo? "A liberdade começou a ser sufocada quando Putin chegou ao poder. A máquina do Estado, lenta mas determinadamente, começou a voltar para trás, a lembrar os tempos soviéticos. Todos os meus livros voltaram a ser proibidos. Qualquer um dos meus contos, histórias, novelas sobre qualquer assunto, passaram a ser rejeitados pelos editores. Nos créditos dos filmes onde eu era argumentista, retiraram o meu nome. Tive vários prémios literários, sou membro a União de Escritores, mas o meu nome já não é possível de encontrar. (...) Eu amei uma mulher. Conhecia-a há muitos anos, desde os meus tempos de juventude no circo. Ela era acrobata. Nós passámos a ter muitos problemas depois de sair uma lei sobre propaganda gay. Uma vez fui atacada junto a um clube gay por um grupo de neonazis que me partiu o nariz. Um dia, após um festival de cinema LGBT, a minha companheira foi espancada pela polícia e pouco depois morreu. (...) Agentes (...) aconselharam-me a sair rapidamente do país porque poderia ser presa por qualquer motivo." Nesta citação de uma entrevista dada ao Expresso fica tudo dito. A situação está tão má que se verifica uma segunda vaga de refugiados LGBT. Aproveito para dizer que a escritora aceitou o meu convite para participar numa entrevista, que deixarei brevemente aqui no blog. Confesso que sigo religiosamente o festival e que o russo estava nos meus favoritos. Contudo, não posso torcer por alguém que mente à imprensa internacional sobre uma temática tão sensível. Chamem-me anti propaganda russa. Em baixo deixo-vos o trailer de um documentário que deixa tudo preto no branco.

 

OLYA'S LOVE from Soleil Film on Vimeo.

10
Mai16

Scones: ao pequeno almoço, ao almoço e ao jantar


Leonardo Rodrigues

Tenho um problema, quando descubro um prato novo nas minhas experiências culinárias, a minha tendência é continuar a confecioná-lo até estar perfeito, com pouco tempo de intervalo. Quando redescubro algo, a coisa processa-se da mesma forma. Recentemente, redescobri uma das maiores invenções inglesas de sempre: o scone. Onde? Na Gulbenkian, está claro. Acontece que esta situação trouxe dois problemas, para além do só estarem disponíveis depois das 16 - quero scones sempre, não só para acompanhar o Chá das Cinco - começou a ficar dispendioso estar constantemente a comê-los fora. Depois do bolo de bolacha que me ensinaram a fazer em criança e do bolo de Nutella aos 20 anos, tornou-se óbvio que, aos 21, teria de ser auto suficiente em scones. E consegui, à segunda tentativa.

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Eis os ingredientes:

  • 500g farinha
  • 1 colher de chá de sal (colocam mais e a vossa vida será muito triste)
  • 1 colher de sopa de fermento (cheia, bem cheia)
  • 5 colheres de sopa de açúcar (para os que, como eu, guardam os pacotinhos quando vão ao café, são 5 pacotes)
  • 40g de margarina (coloco sempre 60)
  • 1 chávena de leite (um pouco menos se possível)
  • 1 ovo (grande)

Modo de preparação (fotografar comida, nestes casos, não é crime punível nas redes sociais):

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Como todas as receitas que mais gosto, esta não poderia ser mais fácil. Ora, coloca-se a farinha, o sal, o fermento e açúcar num recipiente e mexe-se bem. Abre-se um furo para colocar o ovo e, com as pontas dos dedos, misturamos tudo. O mesmo com a margarina, que deve ser colocada em cubinhos. Para juntar o leite é fazer novo furo na farinha. Depois, é amassar o suficiente até ficarem com uma bola semelhante à da foto - muito pouco, portanto. Chegando a este passo é altura de pôr o forno a trabalhar a 200º e colocar a massa durante 10min no frigorífico. Findos os 10min, podem moldar os scones de três formas: com uma forma, colher de gelados ou com as mãos, escolho a última para lhes dar um ar interessante (ficam mais parecidos com os da Gulbekian). Colocar no forno durante 15min.

 

As quantidades que vos dei servem para fazer entre 12 a 16 scones, dependendo das vossas preferências no tamanho. Isto tudo, na melhor das hipóteses, fica-vos em 1.5€, o preço que pagariam fora de casa só por 1 com um pouco de doce. E, falando em doce, escusado será dizer que uso e abuso de doce quando como estas nuvens amarelas. Os de hoje - na foto -  fizeram-se acompanhar com doce caseiro, "importado" de uma aldeia em Leiria - estou a fazer pressão para conseguir a receita. 

 

Ah, Raquelina, Chic'AnaVânia e A. VenturaS, esta receita podem fazer que não traz remorsos semelhantes aos da Nutella. 

 

 

 

10
Mai16

Vinho, Amor e Felicidade


Leonardo Rodrigues

Gosto de vinho e de tudo o que tem a ver com o mesmo, acontece que de enologia percebo pouco ou nada. Felizmente, cruzo-me com pessoas de bom gosto, entendidas da coisa, que até piadas com Casal Garcia se podem - conseguir não é poder - fazer. Nunca tenho de me dar ao trabalho de escolher, só de respeitar o decantar do vinho, a sua oxigenação e desfrutar. Do vinho e da companhia. Na Madeira, cresci muito perto do vinho. Participei nas vindimas e fui, descalço, para o lagar da minha avó pisar as uvas, ajudando-as a expelir o néctar aprovado e recomendado por deuses. Tudo me parecia contraditório: dezenas de homens eram contratados, pela minha avó, para vindimar, depois tinham de carregar baldes pretos gigantes com cachos de uva Americana, Americana Branca, Jaquê - "a que pinta os lábios e as mãos", "Negramol" - Tinta Negra Mole, um cruzamento de castas francesas usado no fabrico do Vinho Madeira - "Agremón", Chenin, contudo ensinaram-me a não gostar, porque fazia mal e porque era só para adultos. Agora já não acho contraditório, nem os censuro por terem guardado uma das bebidas dos deuses - a outra é o café - só para eles, o meu fígado não estava plenamente desenvolvido então. Ainda assim, a frustração era maior do que naquelas situações em que se pode ver e não se pode tocar, podia ver, podia tocar, podia fazer, mas não podia beber. O fruto proibido tornou-se muito apetecido, mas tive que esperar para poder aprender a gostar de vinho. Gostar de vinho, na minha opinião, sim, aprende-se. Aprendi a gostar de vinho com 19. Curiosamente, não aprendi a gostar pelos tintos, mas sim por um branco, Planalto da Casa Ferreirinha. Aprendi quando me apaixonei. Mas enquanto os amores se vão, os vinhos ficam, durante muitos anos. Enquanto o vinho ajuda a curar amores, nunca ouvi o contrário. Enviei há pouco uma mensagem que dizia "São 15h, já é socialmente aceitável estar bêbado". Sejam felizes.

 

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Foto: IVBAM

 

Nota: consultei a minha mãe e a mãe da minha melhor amiga para saber os nomes dados aos tipos de castas e só não consegui verificar a existência da casta agremón, que a minha mãe insiste em pronunciar agremão. Não se fiem.

09
Mai16

Pertenço oficialmente ao bairro


Leonardo Rodrigues

É verdade, uns meses depois de regressar àquele que foi o meu primeiro bairro lisboeta, só agora sei que faço novamente parte do mesmo. Isto não tem nada que ver com mudanças oficiais de morada, de centro de saúde, com poder dar indicações de olhos fechados, muito menos com receber a correspondência nesta nova casa. São pequenas coisas que ocorrem, como sorrir para alguém que vemos todas as manhãs na rua ou a senhora da padaria sentir que pode desabafar connosco sobre o seu dia. Várias pequenas grandes coisas destas fazem-me sentir confortável, enquadrado, mas há uma que me toca especialmente: chegar ao café e ver alguém a se dirigir para a máquina sem eu ter que abrir a boca. Gosto de que o bom dia seja dado quando me estão a colocar o café à frente, só aí é que os meus grandes olhos castanhos se abrem. Para além disto há mais um detalhe que gosto particularmente, só quando já estou a beber o café, depois de o ter mexido, é que me dão o pacote de açúcar a que tenho direito. Sabem que não bebo café com açúcar, mas que o levo para casa. Eles reparam, eu também. 

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Esta fotografia foi tirada no Café da Garagem. Infelizmente ainda não consegui encontrar a casa ideal para estes lados da cidade.

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