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LEONISMOS

LEONISMOS

25
Abr16

Obrigado, 25 de abril!


Leonardo Rodrigues

A Revolução dos Cravos, como prefiro que se chame, não se processou tal e qual como se escreve nos livros de história. Não podia, é demasiado perfeita. Não quero saber! Escolho deliberadamente ignorar parte da Revolução. Importo-me com o que esta nos trouxe, onde estamos e para onde podemos caminhar porque este dia, há exatamente 42 anos, aconteceu. Porque alguns foram corajosos por si e por aqueles que nada podiam fazer. Todos os anos olho para trás e, em jeito de oração que não sei fazer muito bem, agradeço. Há 42 anos censurava-se com um "lápis azul", ups fazia-se um Exame Prévio, prendia-se e torturava-se por suspeitas de "diz que disse". Hoje posso escrever os meus "Isto e Aquilo" num blog, posso ousar ter uma opinião diferente e expô-la. Vou poder exercer a minha profissão de jornalista sem medo. Não se esqueçam que existem outras liberdades a conquistar e que, todos os dias, atentados às já consolidadas ganham nova força. Não basta plantar um cravo, há que cuidar. O trabalho só acaba quando cá já não estivermos. Rebelem-se quando para isso houver necessidade. Por agora, obrigado aos corajosos do passado, que conseguiram ver o futuro. 

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 Fotografia de Samuel Pimenta

20
Abr16

Escrever um blog?


Leonardo Rodrigues

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Mais frequentemente do que gostaria, estou em conflito com alguma coisa. Nesses dias, que são os de eleição para o deita abaixo, surgem questões para tudo. Ontem: Leonardo Rodrigues, mas porque raio tens um blog se tens tão pouco tempo para o escrever?

 

Hoje, depois de beber um café bem tirado, chegaram-me várias respostas - afinal quem me lê e conhece sabe que só funciono porque há café neste mundo. Vou tentar - só tentar - resumi-las em cinco.

 

Primeiramente, queria escrever mais e melhor. Agora que passou um ano, sei que é que aqui que reside toda a essência. Antes dos comentários e emails dos que (ainda) são desconhecidos e palavras dos amigos, está um texto construído por mim, em privado, que não poderia sair da cabeça (e mãos) de outra pessoa. São as minhas ideias e vida a adquirirem a forma de um texto, que se organiza cada vez melhor. Escrever primeiro para mim, depois para os outros, dá imenso gozo.

 

Outro dos motivos, que acaba por pesar de igual forma, é acreditar em partilhar. Por algum motivo, acredito que nasci para partilhar coisas com pessoas que transcendem o meu círculo de amigos. Nada, nada, neste mundo vale a pena se não puder ser partilhado com alguém. Gosto de partilhar histórias, as que são minhas minhas e as dos que se cruzam comigo. Gosto de partilhar as descobertas que faço sozinho e, na maior parte dos casos, com os outros. Que melhor forma para o fazer do que na internet, num blog, onde cá estamos (quase) todos?

 

Pequeno ou grande, destacado ou não, mesmo que não seja esse o objetivo, um blog acaba por tocar vidas. E isto, meninos e meninas, senhoras e senhores, é uma responsabilidade. Não é só um post sobre temáticas como a eutanásia que mexe no interior de alguém. Quando decidi começar a partilhar os meus livros com outros, com o passatempo De Mão em Mão, estava também a fazê-lo. Uma das vencedoras agradeceu-me por estar a partilhar com ela "bocadinhos de alma". Não se referia apenas ao livro, como ao blog e à mensagem que deixei no interior do livro. Tocar em alguém sem tocar literalmente, mais do que uma responsabilidade, é um privilégio. 

 

O blog tem-me servido de terapeuta, como se de um diário se tratasse. Ao contrário dos diários que querem ser escritos todos os dias e que só consigo na primeira semana, o blog dá-me liberdade. Muitas das realidades e ficções que passam pela minha cabeça deixo num caderno, sem compromisso, fechado a elástico. Nas vezes em que passei para o blog o que me incomodava, senti-me melhor. Quem leu, e deu feedback, também. São nas coisas "más" que pego para escrever muitos posts, mas os dedos acabam por transformar as palavras e, em três tempos, aprendo uma lição e clico em "publicar".  Com todo o negativismo que por aí há, porque não partilhar aquilo que aprendemos após as experiências negativas? Embora tudo tenha lugar, deixemos o papel de mensageiros da desgraça para os jornalistas.

 

Para terminar, um blog também pode aumentar a confiança, em nós e nas nossas ideias. Acredito que me tornei mais seguro após começar o Leonismos. Vou-vos confidenciar algo. Os primeiros posts que aqui fiz deixaram-me nervoso e a transpirar - como quando tive de fazer a minha primeira apresentação num auditório da faculdade. Tinha medo que houvessem erros e que me julgassem fosse de que forma fosse. Quando o Sapo me destacou um post pela primeira vez, "O que esperar quando se espera: pouco, provavelmente nada.", não sabia o que sentir. Agora não se trata de não me importar com o que os outros pensam, porque isso há de importar sempre, mas já não há medo, estou recetivo ao diálogo e sei que não se pode perder tempo ou energia com a  Senhora Dona Casmurrice.

 

Por agora são estas a coisas que me mantêm a escrever o blog, amanhã podem ser outras ou já nenhuma fazer sentido. Contudo, espero que os que lerem este post, caso já tenham um blog, se sintam incentivados a escrever mais, ou, na falta de um, que comecem. Pronto, por hoje já chega de Leonismos. 

09
Abr16

Ao Encontro do Sul, em Évora (com fotos)


Leonardo Rodrigues

Há quem queira encontrar o norte que perdeu, eu, como já tive muitos encontros com ele, quis ir ao encontro do sul. Em Portugal Continental, como vos disse em tempos de Meet the Blogger, nunca tinha ido além do Portinho da Arrábida. Então, lá fiz eu a minha tentativa até Évora. 

 

Eram 10 em ponto quando o comboio, muito cumpridor dos seus horários, deixou a estação de Entrecampos, começando assim a nossa procura - minha e do Rúben - pelo sul. Escolher lugares de comboio definitivamente é algo que não poderá constar no meu CV, a não ser que seja para remar contra a maré. Depois de ultrapassada a frustração com os lugares, passou a ser hora de desfrutar das vistas. Os livros de geografia estão certos, fica tudo mais plano e, de vez em quando, avista-se um monte. Acho que nunca tinha visto tantos quilómetros seguidos de terra plana, tanta que os meus olhos não conseguiam avistar o fim. Estas terras portuguesas, confirma-se, preenchem-se de oliveiras, vinhas, grandes e pequenas propriedades amorosas e caminhos, mais frequentemente do que se podia esperar, de terra batida. A minha infância, antes das construções desenfreadas de  A.J.J., também os tinha.

 

Sinto-me sempre uma criança curiosa quando vou para um sítio que desconheço, especialmente de comboio, que tem o seu quê de mágico. Como as crianças, dúvidas curiosas trespassam o pensamento: será que vamos encontrar alentejanos nas esquinas à espera que o vento lhes passe o jornal? E eram disparates deste género que me voltava para a direita para dizer e perturbar o meu companheiro de viagem, que lia atentamente o Expresso - já que o encontrou, parecia mal não ler o Jornal. 

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Uma hora e meia depois lá estávamos nós e, como a sorte nasceu para morrer connosco, chovia a potes. O percurso da estação ao interior da cidade medieval fez-se quase que por instinto e recheado de piadas macabras sobre Dianas, vai-se lá entender o porquê.

 

Como turistas experientes que somos, o primeiro passo foi pedir um mapa, depois, claro, tomar outro café.

 

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Na Praça do Giraldo, o café que nos chamou à atenção, talvez pelo nome familiar, foi o Café Arcada. De tão amplo e cheio, parecia albergar todas as pessoas em Évora que sabem que o dia só começa com um café bem tirado. Isso reassegurou-nos que era ali que deveríamos estar. Para acompanhar a bica pedimos algo de tradicional e recomendaram-nos duas coisas, só uma pareceu viável: a queijada. Pode até ficar mal dizer, mas esta foi a única queijada continental que gostei e que tive apetite de repetir. Escusado será dizer que o mapa e todo o dinheiro - não muito - na mesa ficou, não fosse eu ter colocado o tabuleiro do pequeno almoço em cima. 

  

 

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Embrance Évora foi o hostel escolhido para pernoitar. Era tudo o que queríamos. Em termos de localização não podíamos pedir mais central, fica numa rua entre a Capela dos Ossos e a Praça do Giraldo. A decoração era, também, absolutamente irrepreensível: moderna e acolhedora. Todos os quartos têm alcunhas, a do nosso assentava-nos que nem uma luva: viajantes. Entre as camas havia uma moldura com uma mensagem deveras inspiradora: "O mundo é um livro e aqueles que não viajam lêem apenas uma página."

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Do hostel, há ainda que realçar o pátio fabuloso que, infelizmente, devido ao estado do tempo, não conseguimos utilizar e o terraço donde fomos observar a noite eborense. Quanto ao preço, a noite custou-nos 30 euros - com um pequeno almoço que continha produtos da zona incluído

 

Próximo do hostel, como disse, estava localizada a conhecida Capela dos Ossos, o monumento pelo qual mais ansiávamos ver. Há alguma dificuldade em explicar os sentimentos que surgem quando se pisa um sítio daquela natureza. Acho que o nome e ler sobre o local em nada nos preparam para a visita. É arrepiante olhar em volta e ver os ossos de tanta gente, que nos parecem perseguir com o olhar, havendo à entrada o seguinte aviso: “Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos”. O objetivo dos frades franciscanos fica assim cumprido, sendo que a visita convida-nos a repensar a nossa condição, a fragilidade, a fugacidade e, digo eu, insignificância da vida.

 

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Próximo dos limites da cidade, acabando a sua estrutura por fazer parte da muralha, encontra-se o Palácio D. Manuel. Como tínhamos pouco tempo até o fecho decidimos tirar partido dos jardins, em vez do que estava exposto no interior. Escusado será dizer que os bancos vermelhos, que podem ver acima, acompanham toda a área verde e agradam os olhos. É também nos exteriores deste palácio que se encontram as tais "Ruínas Fingidas" que, antes de terem realçado serem construídas com materiais provenientes de outras construções, nos fizeram render à expressão "cidade museu" - algo que utilizamos para nos referir a basicamente a tudo o que o olho encontrava. Embora não tenhamos prestado muito atenção ao que estava exposto, o Rúben fez questão de utilizar as instalações e o pouco tempo que tínhamos para disseminar a sua ideologia de paz, sexo e amor....

 

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O Art Café, também localizado próximo do nosso hostel, foi outro verdadeiro achado. O que nos cativou primeiramente foi a música menos comum que se fazia ouvir da rua. Lá dentro, o ambiente distinto. Os objetos que decoravam o espaço não eram apenas obras de arte e, a um primeiro olhar, pareciam fazer parte da coleção de memórias de alguém. Depois, pareceram-me memórias que foram sendo deixadas ao longo dos tempos por todos os que lá passaram. O poema, no placard ao lado da mesa, assim o evidenciou. Quando regressámos, no dia seguinte, para beber um café de despedida, na impossibilidade de escrever poesia, deixámos os nossos pacotes de açúcar afixados. Afinal de contas, os contemporâneos só nos têm reassegurado que a arte pode ser qualquer coisa. A nossa celebra a hipocondria e, como tal, o consumo mínimo de açúcar possível, afinal a vida é mais doce sem diabetes.

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De volta aos monumentos, temos o Tempo de Diana. Foi aqui que o Rúben repreendeu uma turista espanhola, dizendo-lhe que não podia estar lá encostada, uma vez tratar-se do nosso património cultural. A senhora, super constrangida, pediu-nos desculpas aflita. Ri-me desalmadamente. 

 

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Houve muita dificuldade em fotografar toda a experiência, uma vez que o câmara do meu iPhone tem vontades próprias, chovia e a luz que tínhamos não era propícia à arte. Ainda assim, deixo-vos mais algumas fotos antes de concluir o post.

 

No Jardim dos Colegiais, que fica próximo da antiga sede da Universidade de Évora.

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O Aqueduto de Água de Prata fotografado do exterior da muralha, embora, a certo ponto, se unam. 

 

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Aproveitei a fotografia do Rúben para fazer a minha. Neste edifício, que fica ao lado da Fonte das Portas de Moura, localizam-se apenas serviços administrativos

 

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Nestes dois dias conseguimos ver imensa coisa, inclusive o Forúm Eugénio de Almeida, o Museu da Carruagem, o Arco Romano da Dona Isabel e tudo o que as várias voltas que demos permitiram. Confesso que a certo ponto não sabíamos que mais fazer, então continuámos a passear nos círculos inerentes ao planeamento de uma cidade medieval. 

 

Para a questão que me surgiu no comboio envolvendo jornais, vento e alentejanos a resposta é não. Contudo, a preguiça confirmou-se quando, ao pedirmos indicações para regressarmos à estação de comboios, nos disseram que era melhor ir de autocarro, porque ficava muito longe - 10m a pé.

 

E na estação ferroviária de Évora terminou o passeio, onde o começámos - não fosse tudo assim - , mas nem aqui se acabaram as aventuras. Tivemos um encontro a 3, fruto das dating apps, com alguém - não o escrevo assim por questões de confidencialidade, mas porque quando entramos no comboio já não nos lembrávamos do nome. Deste último episódio, só agradeço por sermos dois a tentar manter um ritmo socialmente aceitável de pergunta-resposta-pergunta-resposta até o comboio chegar. 

 

O Rúben, a única pessoa que consigo tolerar durante vários dias seguidos, refere-se a estes passeios como fugas e costuma perguntar-me "vamos fugir?". Garantidamente que sim, vamos fugir mais vezes para regressar e partilhar tudo convosco. 

 

Sigam o Blog Leonismos no Facebook para não perderem o nosso comboio. 

 

06
Abr16

O Sexo e a Capital: Amor à Primeira Vista


Leonardo Rodrigues

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Tenho amigos que defendem acerrimamente que deveria ter no blog uma rubrica semelhante ao Sex and the City, uma coisa à Bradshaw. Por dois motivos: conto-lhes tudo, eles contam-me tudo; tentamos chegar a verdades universais sobre o nosso caos amoroso.

 

Não sei se sei escrever sobre isso, mas enquanto pessoa que tem sexo na cidade, quiçá, talvez, tenha qualificações para tal, como milhões de outros citadinos com acesso à internet. Vou chamar a isto O Sexo e a Capital.

 

E como é que se começa? Bem, talvez não esteja a começar, embora os posts que mais leram tenham sido sobre outras temáticas, tenho um post intitulado de "Cio Emocional" e outro de "Estamos a ficar todos mais para o puta?" - sim, O Sexo e a Capital começou há mais tempo, só não tinha nome. Algumas opiniões mantenho, outras não e isso é crescer.

 

Para começar, nada melhor e mais cliché do que o amor à primeira vista. Já disse que não, agora digo que sim, mais ou menos isso.

 

Pensei, na ingenuidade da minha adolescência, que o "amor" só surgisse lá para 3ª vista. E assim deveria ser, pela questão prática de se saber como é a pessoa no dia-a-dia, fora do encontro, sem o vinho que lhe dá conversa, torna interessante e bom na cama.

 

Ao mesmo tempo que, teoricamente, deveria acontecer menos, não fosse a bagagem que uma pessoa acumula, acontece mais. Afinal de contas vamo-nos conhecendo cada vez melhor e nos tornando mais e mais seletivos, sabendo, desta forma, de antemão o que queremos e resulta e o que não. Já ninguém tem tempo a perder, e isto é uma faca de dois gumes.

 

A realidade também, confesso, é que não preciso de muito para me apaixonar. Existem pessoas que conheço, tudo impecável, mas não há faísca e não faço questão de repetir. Sejamos amigos. Outras que, apesar deste e daquele defeito, são tudo e muito mais, e, por algum motivo, fazem-me comprometer emocionalmente. De forma simples, amor à primeira vista, para mim, é quando se conhece alguém e queremos continuar a conhecer, apenas essa pessoa. Não é propriamente à primeira vista, que acho isso um tanto superficial, mas talvez à primeira conversa, ao primeiro toque.

 

O exemplo mais divertido dum destes episódios deu-se quando alguém, durante o nosso primeiro jantar, me decide contar uma história sobre um aranhão a que esteve uma hora a explicar o porquê do mesmo ter de morrer. Estivemos juntos durante 3 meses. Mais recentemente, outro caso, acho que foi ver como não-sei-quem faz a sua cara que dá conta de timidez: uma combinação de respiração contida, movimento de nariz e lábio.

 

Este "amor à primeira vista" é perigoso, complicado, geralmente fugaz. Da última vez que tal me aconteceu o cupido só teve tempo de atirar uma flecha sobre mim, não fosse isso que o gajo faz sempre.

 

Enquanto me deixo de devaneios e volto para a cama para continuar a curar a gripe, contem-me, acreditam na vossa definição de amor à primeira vista?

 

 

P.S. Tenho a agradecer à minha querida Laura Brás por me facultar os olhos para fotografia e por me incentivar, continuamente, a encontrar o amor para além da 1ª vista. 

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