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LEONISMOS

LEONISMOS

29
Mar16

A não perder: Poríferos Preciosos, de Thomas Mendonça


Leonardo Rodrigues

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O artista plástico Thomas Mendonça está de volta com uma nova exposição. Relembrem a entrevista que lhe fiz aqui.

 

A 19 de março foi dia do Thomas inaugurar, pela primeira vez, uma exposição de cerâmica, que intitulou de Poríferos Preciosos - e que preciosos, devo dizer!

 

A exposição irá estar aberta ao público até dia 31 de março no Museu Geológico - um museu fantástico que me parece um pouco esquecido pelos lisboetas e pouco visitado por quem só está de passagem.

 

Depois de percorrido um corredor ornamentado de fósseis naturais, entramos numa sala onde estão os dos nossos tempos, feitos por um artista - a natureza já não tem tempo para essas coisas.

 

Na inauguração, consegui trocar mais umas palavras com o artista e, claro, dizer-lhe que estava a ver y, para ele me dizer que era mesmo x, o que aprecio.

 

Estas peças delicadas que expõe têm o mar como musa, mais concretamente os seres esponjosos, pertencentes ao reino da porífera. Contudo, como sabem, o trabalho de cerâmica do Thomas não tem só fora, também tem dentro. No interior das mesmas toca sempre uma música, a música do dia - que pode ser algo da rádio, um estado de espírito ou apenas uma piada.

 

Como toca a música dentro das peças? Bem, não toca de forma literal, podemos simplesmente ter a certeza que tocou a dada altura e que lá está escrita, umas vezes é legível, outras não por estar completamente coberta. Isto é algo que não passou despercebido nem aos mais novos, que espreitavam curiosos o interior das peças, tentando ler o que lá estava e, tal como eu, ficando mais intrigados ainda com aquelas que estão completamente fechadas, sem nos deixar saber o que tocou naquele dia.

 

Não hesitem em por lá passar os olhos e deixem-se mergulhar na Porífera criada pelo Thomas!

 

Para verem e conhecerem mais do seu trabalho visitem o website e a página do evento.

11
Mar16

O Egoísmo da Eutanásia


Leonardo Rodrigues

Estava no sítio mais mundano de todos quando, depois de um café, decido abrir o Facebook e deparo-me com a carta de um médico.

 

Talvez também a tenham lido, saiu na revista Sábado, intitulava-se de "Sim, matei quatro pessoas e defendo a eutanásia". Com tudo o que se passa(ou) nas nossas vidas e no mundo, nem tudo tem a capacidade de nos aterrar e, quando tem, geralmente faz surgir emoções/opiniões contraditórias. Esta carta não, deixou-me tudo mais claro e sedimentou as minhas convicções relativamente à eutanásia.

 

Resumidamente, este médico realizou 4 eutanásias - uma amiga de infância, o melhor amigo, uma tia e um doente. Assistir a morte não foi algo que se banalizou com o tempo. Este entende que é preferível uma pessoa ser morta de forma digna, sem dor, pelas mãos de outro, desde que, claro, já não haja vida com a qualidade que toda a gente fala. Agora é ele numa fase terminal a querer que lhe assistam a morte.

 

Julgo ter percebido algo com esta carta: a eutanásia não vai contra o tal juramento, nem é contra a Vida, pelo contrário. Estes médicos juram defender Vidas, quem recorre à eutanásia já não tem uma. Apenas porque os pulmões lá vão enviando oxigénio para o sangue e o coração o distribui pelo corpo, não quer dizer que haja vida.

 

Um paciente nunca chega a esta decisão de ânimo leve. Quando o corpo, para alguns a cabeça, nos falhar e estivermos numa contagem decrescente oficial até à cova, de que nos adianta o sangue a correr nas veias? Se depois de feitas todas as tentativas estivermos pior e só restar agonia? E se a vontade de morrer for superior à de viver, estaremos nós a viver? Pois. 

 

Um médico, que luta pela vida diariamente, também não mata à toa. Matar ou deixar morrer, em agonia? Matar ou deixar que façam um tentativa de suicídio dolorosa? Será errado um médico por fim ao que é apenas sofrimento? Pois.

 

Estaremos a respeitar o outro com leis que perpetuam o seu sofrimento? Nada nem ninguém deveria condicionar a liberdade, especialmente quando é uma liberdade que não só não causa dor, como representa o seu termo. Com direitos para a vida consolidados, falta-nos o direito à morte medicamente assistida.

 

Tal como eufonia, à letra, dá conta de um bom som, eutanásia representa uma boa morte. Uma morte que respeita a vida que acabou antes do corpo a falhar.

 

Para terminar, e para quem vê este ato como sendo egoísta, continuo a perguntar-me e perguntar-vos: onde reside o egoísmo, em quem quer acabar de sofrer para finalmente poder descansar ou em quem insiste em condicionar a liberdade do outro, deixando-o à espera que a Morte lhe venha ceifar a vida?

06
Mar16

Entrevista com "Um Estranho por Dia"


Leonardo Rodrigues

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Parece que descobri o projeto "Um Estranho por Dia" um pouco mais tarde do que o resto de Portugal. Na semana passada, alguém achou por bem partilhar comigo a página dos quatro rapazes que vêem na foto acima. Uma hora depois, lá estava eu ainda a ver imagens de estranhos, que se iam tornando conhecidos à medida que lia as suas histórias. Depois do Você na TV, a Tarde é Sua e aparecerem no Público, Miguel A. Lopes - o fundador do projeto - deu ao Blog Leonismos a conhecer o lado de quem fica atrás das câmaras a imortalizar os anónimos. 

 

Leonardo Rodrigues: Antes de falarmos do projeto, quem são vocês?

Miguel Lopes: Somos quatro fotojornalistas, Miguel A. Lopes, Rui Soares, Rui Miguel Pedrosa e João Porfírio.

 

LR: Por quem e em que circunstâncias surge "Um Estranho por Dia"?

ML: No dia 29 de novembro fotografei o Benjamim. Coloquei um post com a foto no meu Facebook a dizer que iria começar a fotografar uma pessoa estranha por dia. Nos comentários à foto o Rui Soares e o Rui Miguel Pedrosa acharam muita piada e que gostariam de fazer o mesmo. Perguntei-lhes o que achavam de criarmos um projeto, e o nome Um Estranho Por Dia surgiu-me logo na cabeça. Eles concordaram e eu convidei o João Porfírio também a participar. O João foi estagiário na Lusa onde trabalho e achei que ele iria gostar e todos concordámos que sim e criámos nessa noite o projeto.

 

LR: Como é que os vossos 4 destinos se cruzam?

ML: Já conhecia o Rui Soares aqui de Lisboa, cruzávamo-nos em alguns serviços. Da mesma maneira conheci o Rui Miguel Pedrosa, mas penso que em campanhas eleitorais onde andei pelo país, pois o Pedrosa é de Leiria. O João, como disse, foi estagiário na Lusa, onde o fiquei a conhecer melhor.

 

LR: De que forma é que descobrem estas pessoas extraordinárias e as abordam?

ML: Não há fórmula mágica. Os estranhos vão aparecendo, são pessoas comuns com quem nos cruzamos e por alguma razão nos chamam à atenção ou nós a elas.

 

LRTive a oportunidade de reparar que no Você na TV pediram-vos para mostrar a vossa fotografia favorita e explicar o porquê. E agora, ainda permanecem as mesmas?

ML: Acho que há várias histórias que nos marcam, nessa altura tínhamos o projecto há pouco tempo e por questões de tempo fomos obrigados a escolher apenas uma cada um, mas há muitas muitas histórias que nos tocaram. As minhas (cliquem nas imagens para ler as histórias):

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Benjamim

 

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José António

 

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 Marta Félix

 

As do Rui Soares:

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 Patrícia Morgado

 

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Pedro Maria Carneiro

 

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Ana F.

 

As do Rui Miguel Pedrosa:

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António Moreira

 

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Carlos (Tatiana é o nome artístico)

 

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Alcino Oliveira

 

E as do João Porfírio:

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 Daniel S. e Ricardo M.

 

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Maria Rita

 

LRPor vezes o que fazem parece ter uma função terapêutica na vida das pessoas. Como é que isso se tem manifestado?

ML: Sim, talvez haja pessoas que tenham a necessidade de desabafar e muitas vezes sentimos que falam connosco o que não falam com mais ninguém, ou naqueles minutos sentem que alguém as está a ouvir e a dar-lhes atenção.

 

LRÉ frequente emocionarem-se com as histórias que vos contam?

ML: Sim, obviamente que sim. Há histórias que foram autênticos murros no estômago. Histórias fortes de vidas duras ou de acontecimentos muito tristes que marcaram sem dúvida a vida dos nossos estranhos, e a nós também. 

 

LR: Mantêm contacto com os desconhecidos que fotografam?

ML: Sim. Obviamente é impossível manter contacto com todos, mas há estranhos dos quais nos tornamos amigos e quando nos cruzamos falamos sempre.

 

LRO relato que me ficou no pensamento é o do arrumador de carros. Nunca mais poderei olhar para um da mesma forma. Como é saber que este trabalho tem um impacto tão bom em quem o vê? 

ML: É brutal! Acho que isso tem um efeito muito positivo em nós os quatro. Dá-nos força e motivação para continuar cada vez com mais vontade de conhecer estranhos.

 

LR: Para terminar, gostava de entender a vossa perspectiva relativamente ao rumo que a profissão de fotojornalista está a tomar. 

ML: Olhamos todos com muita apreensão e preocupação. Cada vez os jornais vendem menos, falando do papel, muitos têm acabado por fechar e têm levado muitos fotojornalistas para o desemprego e isso é preocupante. Mas há um contra-senso pois o que tem mudado é o formato, com a internet a ser o principal mercado são precisos muito mais conteúdos. Acho que é uma fase de transição e há que encontrar novas formas de financiamento.

 

Obrigado!

 

Não percam as próximas entrevistas e sigam o Blog Leonismos

02
Mar16

Entrevista a Thomas Mendonça, parte II


Leonardo Rodrigues

A conversa com Thomas Mendonça, que começou assim, seguiu-se desta forma. 

 

LR: No caso da cerâmica há sempre um esboço, não começas a trabalhá-la só porque sim.

TM: Seria impossível fazê-lo. O impulso de pagar na cerâmica parte do principio que há uma ideia. Preciso de ter algum conhecimento sobre a cerâmica em si para a poder trabalhar. Não poderia ser de qualquer forma. Quando pego na cerâmica sei que terei de ter cuidado com alguma coisa, seja por causa da cozedura, seja pelos tempos de secagem, o que condiciona muito o que vou fazer. Tal como o desenho, não é uma ideia de todo fechada.

 

LR: Na fase inicial de criação tens sempre em vista a final, aquela em que expões?

TM: Sim, sempre que começo qualquer coisa tenho consciência que ela será vista ou partilhada.

 

LR: De que forma é que te condiciona, se é que te condiciona?

TM: Condiciona-me na forma óbvia, sabendo que será exposta. Foi feita para ser mostrada, há sempre uma intenção. Tenho vontade de as mostrar, se não tivesse essa vontade de partilhar não as faria. Ou não as faria para os outros, faria só para mim. Há uma vontade de comunicar algo.

 

LR: Chegas a ter medo do que as pessoas vão pensar acerca do teu trabalho?

TM: Não tenho medo, por vezes algum receio das opiniões, mas não é algo em que fique a pensar. A história dos gregos e dos troianos é um bocado para justificar estas coisas. Irei ter amigos e inimigos de qualquer forma, portanto há que ser genuíno e sincero. É a única forma de termos amigos e inimigos sinceros, que também são necessários.

 

LR: Os trabalhos artísticos não contam sempre uma história ou fazem uma crítica.

TM: Pois não, às vezes têm um caráter mais reivindicalista, noutras simplesmente estou aqui. Mas há sempre uma vontade, um propósito, por vezes é mais digno ou necessário. Por vezes, acontece ser só uma piada que acho que pode ser giro alguém olhar para isso e pensar "que estupidez". Às vezes são coisas mais sérias.

 

LR: Tens por hábito incluir elementos menos sérios, mais populares no que fazes, mesmo que só uma frase.

TM: Não são menos sérios, são o que são. Têm uma conotação popular e há muitos preconceitos sobre a pop, que é vista como uma coisa básica, fácil, consumista. Não vejo problema. As pessoas querem muito ser intelectuais. Eu também quero, acho que sou uma pessoa intelectual e interesso-me por muitas coisas. Interesso-me por Chopin, mas também gosto de ouvir Miley Cyrus. Sinto-me uma pessoa mais rica, mais eclética por isso.

 

LR: Consideras que essas coisas se unem? 

TM: Sim, porque temos dum lado uma coisa classicista, mas alguma forma muito popular. É requintada e tem mais brio. As coisas clássicas são muito vulgarizadas. As representações religiosas são clássicas, mas também são coisas muito vulgares, pop na mesma, imagens muito banais.

 

LR: Numa outra entrevista disseste que a Barbie e a figura de Cristo eram muito semelhantes porque as temos tão enraizadas em nós.

TM: Na nossa cultura, na cultura ocidental, são duas imagens muito fortes e muito presentes.

 

LR: Tão presentes que se tornaram vulgares?

TM: Lá está, uma coisa cultural. Eu não sou religioso, mas digo "oh meu deus". Olho para as imagens de Jesus Cristo e são banais. Tenho coisas dessas em casa e adoro ter. Também tenho um Cristo vestido de Barbie. Os ícones têm uma singularidade que acho muito tocante, de uma beleza trágica. A sua singularidade é trágica. O que é que há de mais banal do que um Cristo vestido de Barbie? Não há.

 

LR: Não achas que isso pode ser ofensivo para algumas pessoas?

TM: Percebo que possa ser, mas não o faço com essa intenção. As pessoas gostam de se chatear. Se todos os cristãos - que se sentem ofendidos - fossem a pensar, que diferença é que isso lhes faz? Não faz.

 

LR: Já vimos que a tua espiritualidade nada tem que ver com a religião, mas existe alguma?

TM: Existem algumas coisas mais ocultas em que tenho bastante interesse. Coisas que não percebo muito bem, mas que gosto de brincar. Interesso-me muito por astrologia, tarô, mas sempre numa abordagem muito descomplexada.

 

LR: Isso vê-se no teu trabalho?

TM: No meu trabalho e na minha vida. Tenho sempre uma abordagem que pode parecer provocadora, mas não é. É uma forma de quebrar o gelo e de rir um bocado sobre as coisas. É tudo tão sério, tudo tão chato e há coisas igualmente sérias e importantes ao mesmo tempo. Falar das coisas com naturalidade!

 

LR: Que a arte faz tão bem...

TM: Há muita facilidade na arte, mais facilmente um quadro vem a quebrar padrões do que uma entrevista que saiu num jornal. Tolera-se mais facilmente coisas no mundo das artes plásticas e visuais. Porque não aproveitar isso?

 

LR: Ainda sobre o vulgar, não achas que tenha de ser feio, nem menos bom e acabas por incluir isso nas tuas peças...

TM: Vou buscar muitas referências visuais à cultura pop, mas não me considero preso a isso. Gosto do clichê de algo muito banalizado, de coisas pirosas. A minha tia tinha umas cortinas horrendas dos anos 80 que adorava, eram umas de veludo cor de rosa bebé, com montes de laços e dobras.

 

LR: Isso influencia as texturas? Como é que as encontras?

TM: Tem que se riscar a peça. É uma coisa que gostei muito de fazer e que agora vou experimentando. Um desses padrões, pensei eu, parecem ser lágrimas, e veio-me uma piada "cry me a river, cry me a mountain, cry me a calhau" - porque aquilo são pedras.

 

LR: E a exposição que está para acontecer no dia 19 de Março, no Museu Geológico, porque lhe chamaste Poríferos Preciosos?

TM: Não foi propriamente uma decisão. Comecei por trabalhar com cerâmica há dois anos e houve uma distinção muito grande entre o meu trabalho de cerâmica e o resto, por exemplo o desenho. São duas técnicas em que posso explorar coisas diferentes. A cerâmica foi sempre uma linguagem mais minimalista, mais limpa e abstrata. São formas. Dá para projetar mais coisas e estas formas são naturais. No geral, vou buscar ao mar muitas referências de campos de corais. Os poríferos são a parte do reino animal que se refere à esponja e a esses seres feitos de poros. Acho que muitas pessoas pensam que os corais são plantas, mas são animais que fazem parte deste ramo do reino animal a que se chama porífera.

 

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LR: Fazes algo que acho que torna o trabalho muito honesto, escreves dentro das peças e, por vezes, tapas tudo, tornando a mensagem impossível de ler.

TM: Foi algo que aconteceu, não sei se acidentalmente. Sei que uma vez escrevi dentro de uma peça e dava para ver. Às tantas tornou-se uma coisa quase sistemática, consciente. Algo com intuito de despertar um interesse que não seja só visual. O facto de as pessoas tomarem conhecimento desta questão pode criar alguma curiosidade em saber o que lá está. As pessoas vão, de facto, olhar lá para dentro.

 

LR: Mas fechaste algumas totalmente... Não querias que ninguém visse...

TM: Agora ficas a pensar no assunto... Se calhar dizem coisas mais pessoais, mais estranhas. Se as partirem podem ler.

 

E assim terminou uma hora de conversa. Visitem o evento da exposição, aqui, e fiquem atentos às próximas entrevistas na página do Blog Leonismos

 

 

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